terça-feira, 27 de março de 2012

TORTURADOR ESCONDE PATROCINADORES


Lista de clientes de ex-torturador some de site da empresa

do Blog do Levante da Juventude, sugestão de Igor Felippe
Depois do esculacho organizado pelo Levante Popular da Juventude no torturador da ditadura militar David dos Santos Araújo, o Capitão “Lisboa”, os nomes das empresas que se utilizam dos serviços da sua empresa de segurança privada, a Dacala, desapareceram do site da empresa.
O ato do Levante aconteceu na manhã desta segunda-feira (26/3), em frente à sede da empresa na Av. Vereador José Diniz, na zona sul de São Paulo. No Rio de Janeiro, um grupo do Levante fez um protesto na sede da filial da empresa.
Por que a Dacala tirou a lista de clientes de que ostentava com orgulho do site?
Será que os clientes da Dacala ficaram com vergonha de contratar o serviço de uma empresa com “know-how” em tortura, morte e abuso sexual?
O Blog do Levante tem a lista de alguns dos clientes da Dacala:
-Anhanguera Educacional
-Banco Itaú
-Ford
-Jac Motors
-Banco Safra
-Volkswagen
-Banco Santander
-Audi Tech
-DHl
-CSU
-Exata Logística
-Fuji
-Galvão
-Gattaz
-Jaguar
-JWT
-Kia
O Levante da Juventude está animado e avalia que o sumiço das clientes da Dacala mostra a tortura ainda envergonha muita gente e que a tentativa de apagar o passado, como querem os torturadores, será frustrada.
David dos Santos Araújo, o Capitão Lisboa, é torturador, assassino e responsável por abuso sexual, em Ação Civil Pública do Ministério Público Federal. A ação registra o seu envolvimento na tortura e morte de Joaquim Alencar de Seixas.
Como se não bastassem esses crimes, David dos Santos Araújo é portador de 111 armas em situação ilegal, de acordo com investigação da Polícia Federal.
Sua antiga empresa de segurança, a Osvil, predecessora da Dacala, teve seu alvará de funcionamento suspenso por irregularidades. Com isso, as armas deveriam ser entregues à Polícia Federal, mas foram extraviadas. Araújo, então, abriu a Dacala Segurança.
O processo da PF afirma que ao todo Araújo tem mais de duzentas armas ilegais, além de um arsenal de oitocentas regularmente registradas em nome da empresa Dacala, que é acusada também pelo emprego ilegal de armas de fogo na atividade de segurança privada, de acordo com a Polícia Civil.
Se após a revelação desses escândalos, a Dacala quer esconder seus clientes, o Levante Popular da Juventude quer mostrar.

JOVENS PICHAM FIRMA DE TORTURADOR


Levante Popular contra os torturadores

Por Rodrigo Vianna, no blogEscrevinhador:

Acompanhei nessa manhã a manifestação organizada por jovens do movimento ”Levante Popular” em frente à empresa de Davi dos Santos Araújo, o “Capitão Lisboa”.

Davi, na verdade, nunca foi capitão. Era delegado de polícia, trabalhou no DOI-CODI em São Paulo e é acusado de torturas, assassinatos e abusos sexuais durante a ditadura.
Um ponto a destacar: a manifestação de hoje, em São Paulo, foi coordenada e comandada por jovens. A maioria ali não tinha nascido quando a ditadura acabou.

Outro ponto: é a primeira vez que ato desse tipo acontece no Brasil. É o chamado “esculacho” (ou “escrache”, como dizem os argentinos). A inspiração, aliás, vem da Argentina, onde torturadores são escrachados, julgados e condenados.

O ato em São Paulo não foi o único. Manifestaçõe semelhantes ocorreram em Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza, Rio, Belém… Todas foram coordenadas pelo “Levante Popular da Juventude”. A entidade une jovens de bairros da periferia, de assentamentos rurais e também do movimento estudantil. É uma turma que decidiu privilegiar “ações diretas” para intervir no debate nacional. O movimento nasceu em fevereiro, no Rio Grande do Sul, e se organiza em células pelo Brasil.

Hoje, testemunhei a capacidade de organização desse povo. Os manifestantes saíram do centro de São Paulo, em grupos pequenos. Sabiam que participariam de uma ação contra um homem acusado de torturas. Mas não sabiam endereço nem nome do acusado. Isso ficou só pra quatro ou cinco líderes. Tudo em nome da segurança. Afinal, do outro lado está a “tigrada” da ditadura.

As manifestações, disseram-me alguns jovens, é resposta ao manifesto dos militares de pijama, que tentam barrar a Comissão da Verdade de Dilma.

Mais informações sobre as manifestações em todo o Brasil, você acha aqui no site do Levante.

E mais detalhes sobre as acusações contra o “Capitão Lisboa”, que hoje comanda uma lucrativa empresa de segurança em São Paulo, você encontra no texto da Tatiana Merlino – da “Caros Amigos”, que reproduzo a seguir.

A Tatiana, aliás, lembra-nos que entre os clientes da empresa de segurança Dacala, do “Capitão Lisboa”, estão: Anhanguera Educacional, Audi Tech, DHl, CSU, Exata Logística, Ford, Fuji, Galvão, Gattaz, Hospital Santa Marcelina, Banco Itaú, Banco Safra, Banco Santander, Jac Motors, Jaguar, JWT e Kia.

*****

Por Tatiana Merlino, na Caros Amigos

Com bumbos e gritando palavras de ordem como “torturador, preste atenção, o levante vai te expôr para a nação!”, “pula, pula, pula, quem é contra a repressão!”, e “não temos medo dos torturadores e assassinos!”, cerca de 150 manifestantes do movimento social Levante Popular da Juventude realizaram um ato de escracho em frente à empresa de segurança privada Dacala, localizada na avenida Vereador José Diniz, 3700, na Zona Sul de São Paulo.

O proprietário da empresa é David dos Santos Araújo, delegado aposentado da Polícia Civil, acusado de torturas, estupros e assassinatos durante a ditadura civil-militar (1964-1985). Araújo atuava no centro de repressão Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operação de Defesa Interna (DOI-Codi) sob o condinome “Capitão Lisboa”, e é responsável, de acordo com ação do Ministério Público Federal (MPF), pela tortura do jornalista Ivan Seixas, à época com 16 anos, e pelo e assassinato de seu pai, Joaquim Alencar de Seixas, entre outros casos.

Ivan Seixas denunciou, em depoimento ao Dossiê Ditadura, que foi pendurado em um “pau de arara”, enquanto seu pai foi colocado na “cadeira do dragão”. Pai e filho foram torturados por uma equipe de cinco pessoas, entre eles David dos Santos Araújo.

No currículo de Araújo também há a acusação de violência sexual, de acordo com Ieda Seixas, em depoimento ao Ministério Público Federal.

Com um carro de som, camisetas e faixas, os manifestantes alertaram os vizinhos da empresa. “É importante que saibam que este homem é um torturador. O dono dessa empresa é um torturador. David dos Santos Araújo é um torturador”, anunciou ao microfone Lira Alli, uma das organizadoras do ato. Nos cartazes que os manifestantes portavam, em sua maioria jovens, fotos de vítimas da ditadura, entre eles de Joaquim Alencar de Seixas. “Não vamos descansar enquanto não soubermos nossa história”, seguiu Lira, acompanhada de gritos e aplausos.

Memória, verdade e justiça

Os militantes também distribuíram um manifesto para as pessoas que passavam na avenida, carros e pontos de ônibus. No texto, a organização alerta. “Torturadores e apoiadores da ditadura militar: vocês não foram absolvidos! Não podemos aceitar que vocês vivam suas vidas como se nada tivesse acontecido enquanto, do nosso lado, o que resta são silêncio, saudades e a loucura provocada pela tortura. Nós acreditamos na justiça e não temos medo de denunciar os verdadeiros responsáveis por tanta dor e sofrimento (..) Até que todos os torturadores sejam julgados, não esquerecemos, nem descansaremos (..) Pela memória, verdade e justiça!”.

Durante a manifestação, procurado pela imprensa ali presente, David dos Santos Araújo não apareceu. Os funcionários da empresa informaram que o dono da Dacala ainda não havia chegado. “Ele chega sempre entre 10 e 11 da manhã, mas hoje não veio. Ele vem todo dia nesse horário e fica até umas seis”, informou o segurança que se apresentou como Roberto Pereira. Questionado sobre as informações denunciadas pelos manifestantes, o funcionário disse: “Estou achando estranho, nunca ninguém tinha comentado isso comigo”.

Outro funcionário, que se apresentou como Fábio, mas não quis dizer o sobrenome, filmou boa parte do ato com seu celular de dentro da grade que separa o estacionamento da entrada da empresa. “Para mim isso é novidade”, declarou, ao ser perguntado sobre o envolvimento de Araújo em crimes da ditadura. “Olha, não posso falar, sou só o funcionário e posso perder meu emprego por algo que nem sabia que existia”, completou.

Ao lado da empresa, dois funcionários de uma drogaria vizinha à empresa comentavam: “nossa, você viu, o cara é um torturador”.

Segurança privada

Entre os clientes da Dacala estão as seguintes empresas: Anhanguera Educacional, Audi Tech, DHl, CSU, Exata Logística, Ford, Fuji, Galvão, Gattaz, Hospital Santa Marcelina, Banco Itaú, Banco Safra, Banco Santander, Jac Motors, Jaguar, JWT e Kia.

De acordo com investigação da Polícia Federal, David dos Santos Araújo é portador de 11 armas em situação ilegal. Por conta de irregularidades, a empresa de segurança Osvil, de propriedade de Araújo, perdeu o alvará de funcionamento como empresa de segurança que autorizava o registro de armas. Assim, deveriam ser entregues à PF, o que não ocorreu. Após a perda do alvará, Araújo abriu nova empresa de segurança, a Dacala Segurança. Segundo o processo da PF, Araújo tem mais de duzentas armas ilegais, além de um arsenal de oitocentas regularmente registradas em nome da empresa Dacala, acusada também por utilizar armas de fogo na atividade de segurança privada.

A ação organizada pelo Levante Popular ocorre simultaneamente em várias capitais do país, defendendo a Comissão Nacional da Verdade e denunciando os torturadores da ditadura e exigindo a apuração e punição dos crimes cometidos durante a ditadura militar. As ações, conhecidas como “escrache”, são inspiradas em ações semelhantes às que ocorrem na Argentina e Chile, onde torturadores impunes são denunciados publicamente.

segunda-feira, 26 de março de 2012

JUIZES APÓIAM A COMISSÃO DA VERDADE


http://www.viomundo.com.br/politica/juizs-brasileirs-pela-comissao-da-verdade.html 


Juíz@s Brasileir@s pela Comissão da Verdade

MANIFESTO DE JUIZ@S BRASILEIR@S PELA COMISSÃO DA VERDADE
Nós, juízas e juízes brasileiros, exigimos que o país quite a enorme dívida que possui com o seu povo e com a comunidade internacional, no que diz respeito à verdade e justiça dos fatos praticados pela ditadura militar, que teve início com o golpe de 1964.
A Comissão da Verdade, criada por lei, é mecanismo que deve contribuir para melhorar o acesso à informação e dar visibilidade às estruturas da repressão, reconstruindo o contexto histórico das graves violações humanas cometidas pela ditadura militar e promover o esclarecimento dos casos de tortura, mortes, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres.
Estamos certos, como decidido pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, que “as atividades e informações que, eventualmente, recolha (a Comissão de Verdade), não substituem a obrigação do Estado de estabelecer a verdade e assegurar a determinação judicial de responsabilidades“.
Manifestações que buscam cobrir as violações cometidas sob o manto da ignorância são um golpe para os direitos humanos e afrontam o patamar da dignidade humana estabelecido na Constituição Federal e normativa internacional. Todos e todas têm o direito de saber o que ocorreu em nosso país, tarefa que compete à Comissão da Verdade, a ser composta por pessoas comprometidas com a democracia, institucionalidade constitucional e direitos humanos.
Aguardamos que a Comissão da Verdade seja constituída o quanto antes, devidamente fortalecida e com condições reais para efetivação do seu mister.
Jorge Luiz Souto Maior – SP
João Ricardo dos Santos Costa – RS
Kenarik Boujikian Felippe – SP
Alessandro da Silva- SC
Marcelo Semer- SP
André Augusto Salvador Bezerra – SP
Gerivaldo Neiva – BA
Roberto Luiz Corcioli Filho – SP
Aluísio Moreira Bueno – SP
Carlos Frederico Braga da Silva – MG
Angela Maria Konrath – SC
Fernanda Menna Pinto Peres – SP
Adriano Gustavo Veiga Seduvim – PA
Rubens Roberto Rebello Casara – RJ
Mauro Caum Gonçalves – RS
Roberto Arriada Lorea – RS
Alexandre Morais da Rosa – SC
João Batista Damasceno – RJ
Marcos Augusto Ramos Peixoto – RJ
Lygia Maria de Godoy Batata Cavalcanti – RN
Luís Carlos Valois Coelho – AM
Dora Martins – SP
José Henrique Rodrigues Torres – SP
Andréa Maciel Pachá – RJ
Maria Coeli Nobre da Silva – PB
Ruy Brito – BA
Paulo Augusto Oliveira Irion – RS
Amini Haddad – MT
Geraldo Prado – RJ
Michel Pinheiro – CE

MORRE ESCRITOR ITALIANO QUE AMAVA PORTUGAL



O escritor italiano Antonio Tabucchi, que morreu hoje em Lisboa, era considerado um autor de dimensão universal, com uma voz para lá da literatura e que dizia muitas vezes que sonhava em português.
Antonio Tabucchi, que nasceu em Vecchiano (Pisa) em 1943, descobriu a leitura na infância por culpa de uma fratura num joelho e por causa de um tio, que o ajudou a curar a maleita fornecendo-lhe muitos livros.
Apesar da naturalidade italiana, Tabucchi estava há várias décadas ligado a Portugal, por via de uma admiração profunda pela obra de Fernando Pessoa, que divulgou e traduziu para italiano.
A nacionalidade portuguesa foi-lhe concedida em 2004, uma mera formalidade para quem, como admitiu em várias entrevistas, sonhava frequentemente em português, condição involuntária de quem se considera cativo de um país.
O nome de Fernando Pessoa ficou-lhe marcado no percurso literário como nenhum outro autor, tinha como profissão "professor universitário" em Portugal e Itália, dirigiu o Instituto Italiano de Cultura, mas Antonio Tabucchi deixou sobretudo uma voz própria na literatura, comprometida com um grande sentido cívico.
Deixou publicadas obras como "Afirma Pereira" e "A cabeça perdida de Damasceno Monteiro", duas das que têm Portugal como cenário da ficção, "Nocturno Indiano", "Os últimos três dias de Fernando Pessoa" e "Requiem".

Zita Seabra: Portugal perde um grande escritor "que conhecia a nossa maneira de ser"

por LusaOntem

A literatura portuguesa perdeu um grande escritor com a morte de Antonio Tabucchi, que "conhecia a nossa maneira de ser", considerou a editora Zita Seabra, uma das antigas responsável da Quetzal, que divulgou no país a larga maioria da obra do romancista de origem italiana.
"Conheci-o muito bem, acho que a literatura portuguesa perde um grande escritor. Era um escritor tão português quanto italiano. A sua obra é marcada profundamente pela influência da literatura portuguesa, particularmente por Fernando Pessoa, mas era um escritor que conhecia muito bem Portugal e a maneira de ser portuguesa", disse em declarações à Lusa a atual editora da Alêtheia.
Tabucchi começou a editar na Quetzal quando Maria da Piedade Ferreira, que o traduzia e editava na Difel, decidiu fundar a nova casa editorial, com Zita Seabra e outros colaboradores.
"O seu texto mais espantoso na minha opinião, que é Mulher de Porto Pim, foi inicialmente editado na Difel e depois retomado pela Quetzal. Diria que no fundamental a sua obra foi editada pela Quetzal, à exceção dos mais recentes e que já não são livros tão significativos", refere.
"Conhecia a maneira de ser dos portugueses e isso refletia-se nos seus textos, romances e livros. Acho que é uma grande perda para Portugal e para Itália de um escritor que infelizmente morreu muito novo", acrescentou a editora.
Professor de literatura portuguesa em Siena, Antonio Tabucchi tinha casa em Lisboa e era casado com uma portuguesa, e Zita Zeabra recorda alguns aspetos particulares da personalidade do escritor, quando optava por se instalar no seu apartamento da capital.


domingo, 25 de março de 2012

ALÔ AMIGOS DE PARATY! OLHA O CRIME AÍ, PESSOAL!!!


Juiz manda derrubar casa dos Marinho em Paraty


Essa notícia não sairá no Jornal Nacional, nem no Globo Ecologia e nem merecerá comentários do André Trigueiro no Jornal da Globo: 

A família Marinho, dona da TV Globo, assim como outros milionários brasileiros, foram alvos de reportagem da Bloomberg, dizendo que "Ricos brasileiros não têm vergonha de construírem suas casas em áreas de preservação ambiental". (Quer entender a história vá aqui.)

Um trecho diz que os Marinho violaram leis ambientais para construir, sem permissão, uma mansão de 1300 metros quadrados em Paraty (RJ), além de anexarem uma área pública na praia e desmatarem floresta protegida para construir um heliporto (local para pouso de helicópteros).

Graziela Moraes Barros, inspetora do ICMBio (Instituto Chico Mendes), que participou de uma autuação na propriedade movida pelo Ministério Público, foi ouvida na reportagem. Ela disse:

"Essa casa é um exemplo de um dos mais sérios crimes ambientais que nós vimos na região...

... muitas pessoas dizem que os Marinhos mandam no Brasil. A casa de praia mostra que a família certamente pensa que está acima da lei...

... Dois seguranças armados com pistolas patrulham a área, espantando qualquer um que tenta usar a praia pública", diz ela.


Um juiz federal, em novembro de 2010, ordenou a família para demolir a casa e todos os outros edifícios na área. Os Marinhos apelaram a recurso na justiça ainda não julgado. (Com informações da Bloomberg, em inglês:

sexta-feira, 23 de março de 2012

BISPO DO SERRA REÚNE CEM FANÁTICOS NA SÉ


Que está por trás dos movimentos anti-aborto?
Publicado em 22-Mar-2012

Manifestantes que se apresentam como católicos e são contrários ao aborto retomaram a distribuição do famoso panfleto originalmente distribuído nas eleições de 2010 – e recolhido pela Polícia Federal em pleno segundo turno - no qual se recomenda que os brasileiros "deem seu voto somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalização do aborto". Claro, o folheto também critica o PT e Dilma Rousseff, à época, candidata à presidência.


Os cerca de 1 milhão de panfletos, apreendidos no auge da campanha eleitoral,  foram liberados pela Justiça no ano passado.  Assinados pela Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que atua no Estado de São Paulo, tem entre os seus enfáticos apoiadores dom Luiz Bergonzini, bispo emérito de Guarulhos. Durante as eleições, o religioso foi uma figura ativa, recomendando seus fiéis a não votar em candidatos pró-aborto.  A recomendação foi repetida pelo bispo, ontem, em uma manifestação com uma centena de pessoas em frente à catedral da Sé, em São Paulo.


Em nota ele afirma: "Nos atribuíram a 'mentira' de Dilma Vana Rousseff e o PT serem a favor da liberação do aborto. Provamos que o PT e Dilma Rousseff eram e continuam sendo a favor da liberação do aborto".  Entre os fiéis que engrossavam o movimento, claro, constavam membros do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, que se inspira nos preceitos da entidade de extrema-direita Tradição, Família e Propriedade, a velha e conhecida TFP.


"Menos pior"

Era possível ler nos cartazes ali empunhados dizeres como "Fora Assassina Ministra Eleonora Menicucci (chefe da Secretaria de Políticas para Mulheres)”, conhecida por sua posição a favor da descriminalização do aborto. Um desenho de péssimo gosto ainda mostrava um bebê morto por uma estrela vermelha, símbolo do PT, e por uma foice e um martelo, símbolos do comunismo.

Para o autor do texto e coordenador da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, padre Berardo Graz, no entanto, a pré-candidatura do deputado federal Gabriel Chalita (PMDB) – católico atuante - lhe preocupa mais do que a de Fernando Haddad (PT), na disputa pela Prefeitura de São Paulo. “Ele é um oportunista porque quer os votos dos católicos para empurrá-los para decisões que não são conforme a nossa doutrina”, declarou.  Já o pré-candidato José Serra (PSDB), seria, na sua concepção, a opção “menos pior”.

Quem financia esse movimento?

A propaganda anti-aborto é só um pretexto para a ex-TFP, uma organização fascista, ressurgir, agora, sob as asas e o patrocínio de setores reacionários da Igreja Católica. A pergunta que fica aqui é: quem a financia?

Vejamos. A quantia é expressiva. Estamos falando de cerca de um milhão de panfletos. A sua publicação foi, de fato, bancada pela regional sul da CNBB, pelo bispo de Guarulhos, pela ex-TFP? Ou será que estamos diante de algum partido e candidato que se esconde - de novo - detrás de setores da Igreja Católica para fazer propaganda contra o PT, contra candidatos como Chalita e a favor, de novo, como em 2010, de José Serra?

Foi o que um dos porta-vozes da pequena e insignificante manifestação não escondeu. Quando misturam a foice e o martelo com a estrela do PT nos seus cartazes não escondem o que pretendem. Querem, como em 1964, implantar um regime de intolerância e autoritário no país. Estão com saudades dos tempos em que a Igreja e o Estado eram uma única coisa e os bens públicos e da igreja idem, com poder de vida e morte sobre os cidadãos.

SENADOR DO DEM PEDE GRANA A BICHEIRO!!!


Os grampos do senador, por Paulo Moreira Leite

Da Época

Os dois grampos do senador

Por Paulo Moreira Leite
Vamos combinar que o senador Demóstenes Torres (DEM), de Goiás, não deve ser uma conversa boa ao telefone.
Demóstenes foi o interlocutor de Gilmar Mendes, ministro do Supremo, naquele célebre grampo que se transformou num dos grandes escândalos do governo Lula – até que, no finzinho de 2010, quando ninguém prestava atenção nos jornais,
a Polícia Federal divulgou o resultado de um inquérito dizendo textualmente que não encontrara um fiapo de prova sequer sobre a realização do grampo.
Ninguém pediu desculpas nem maiores esclarecimentos, embora a confusão tenha produzido a queda de Paulo Lacerda, o diretor geral da ABIN. Numa reação que parecia o prenúncio de uma crise institucional, no auge da denúncia Gilmar Mendes prometeu chamar o presidente Lula “às falas.”
vidade está nos grampos que reproduzem diálogos entre Demóstenes e o bicheiro Carlinho Cachoeira.
Com a tranquilidade de quem conversa com um celular vendido em em Miami com a garantia de que era à prova de escutas, os diálogos acabaram complicando a situação do senador. Demóstenes é ouvido quando pede para Cachoeira “pagar uma depesa com taxi-aéreo no valor de R$ 3.000.” Também é ouvido transmitindo informações de
caráter confidencial sobre reuniões no governo, no Congresso e mesmo no Judiciário.
Considerando o acesso do senador à cúpula dos poderes, pode-se imaginar que eram informações bem valiosas, não é mesmo?
Carlinhos Cachoeira é um personagem eclético das finanças políticas do país. Não custa lembrar que foi gravado quando negociava propinas com Valdomiro Diniz, ligado ao esquema financeiro do PT. Também tem ligações com tucanos e políticos do DEM e do PP.
Não sou moralista e não acho que episódios dessa natureza digam respeito ao caráter das pessoas. (Só acho que os falsos moralistas, que denunciam nos outros aquilo que fazem, deveriam deixar os eleitores mais atentos). O problema não é o bicheiro. É o sistema que está bichado.
A circulação de dinheiro clandestino na política brasileira é uma consequência de um sistema de finanças destinado a alugar os poderes públicos e transformar os políticos em servidores do poder econômico. Pode ser um empresário com todos os papéis em ordem, ou um bicheiro. Enquanto não se mudar esse sistema, teremos episódios desse tipo. O próprio sistema gera suas leis e suas regras de competição.
Não custa aguardar, porém, pelo desfecho deste caso. Há duas semanas os dados sobre Demóstenes foram enviados à Procuradoria Geral da República que ainda não decidiu abrir inquérito. É estranho, quando se recorda da rapidez com que outros casos foram apurados. O grampo falso de Demóstenes com Gilmar Mendes produziu uma crise política, abriu demissões na cúpula do Estado e colocou o governo Lula numa posição defensiva até que tudo fosse esclarecido.
O grampo verdadeiro ainda não levou a nada. Curioso, não?