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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

"DEMOCRATA" JÁ ORGANIZA VAIA PARA DILMA NA ABERTURA DA COPA



O ex-prefeito César Maia, do quase extinto "Democratas" achava que seria tão votado para vereador em 2012 que levaria consigo, nas sobras de seus votos, mais uns cinco candidatos do seu partidinho. Disse até que não seria candidato a prefeito justamente para ajudar a fazer uma grande bancada na Câmara do Rio de Janeiro.
Como quase tudo que previu até hoje, errou feio. Mal conseguiu eleger-se. 
Em 2007, o então prefeito contratou, pagou e chegou a ensaiar nas vésperas da abertura dos Jogos Panamericanos a vaia que foi dirigida ao então presidente Lula. O jornalista Fernando Soares Campos foi um dos que desmascararam o falso "protesto", em artigo no Observatório de Imprensa (http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=632), no qual afirma:

"Outra atitude vergonhosa ocorreu quando uma parte do público se indignou com as vaias e começou a aplaudir o presidente Lula. Quem estava assistindo ao evento pela televisão pôde observar que o apresentador da Rede Globo de Televisão, ao notar que esta parte do público insistia em aplaudir o presidente, criando no Maracanã uma espécie de clima de confronto político, passou a falar de coisas sem qualquer importância, objetivando apenas abafar o apoio ao presidente por grande parte do público."

Campeão da auto-propaganda, César Maia introduziu no vocabulário político a expressão "factóides", maneira de criar fatos semi-verdadeiros apenas para aparecer na mídia. Na Wikipedia, seu currículo mostra alguns dos males que causou ao Rio de Janeiro: 


"César Maia é muito elogiado pelas realizações de seu primeiro mandato, 1993-1996, onde realizou grandes obras como a Linha Amarela e o Rio Cidade. Porém, nos outros 2 mandatos, entre 2001 e 2008, sofreu criticismos crescentes.
Em 2007, o Ministério Público Estadual decidiu responsabilizar o município do Rio, e o prefeito Cesar Maia, por não ter barrado a favelização do Morro Dois Irmãos.20
Nos Jogos Pan-Americanos de 2007, várias obras atrasaram, sendo inauguradas a poucos dias dos Jogos ou mesmo sendo adiadas para depois do evento.21 Houve acusações de que as obras teriam sido atrasadas de propósito para que fossem dispensadas as licitações, o que facilitaria desvio de dinheiro público.
Em 2008, com a decisão do STF de proibir o nepotismo no Brasil, Cesar Maia transformou uma subsecretaria em secretaria para manter sua irmã na prefeitura do Rio de Janeiro, de acordo com exceção para cargos de ministro e secretário à tal proibição.22
No geral, as ruas da capital foram deixadas em péssimo estado de conservação por César Maia, o que obrigou a prefeitura posterior a realizar muitas obras de conservação. 98% das ruas do Rio de janeiro foram avaliadas como tendo asfalto regular, ruim, ou péssimo, em 2009. 23
Outra obra bastante polêmica da última gestão Cesar Maia foi a Cidade da Música. A obra foi considerada excessivamente cara, além de haver suspeitas de superfaturamento; embora tenha sido inaugurada em 2008 por César Maia, não está concluída até hoje, embora tenham sido gastos mais de R$ 473 milhões.24 . Na época, foi também considerada não-prioritária, visto que a cidade do Rio de Janeiro possuía diversos problemas graves que poderiam ter sido amenizados com o enorme volume de dinheiro aplicado na obra. A Cidade da Música é considerada por muitos a maior falha de César, que o fez perder muito de sua popularidade. No entanto, para a maioria das pessoas, a pior falha de Maia foi na Educação. Ele implantou o sistema de ciclos, que consiste na progressão continuada. O aluno só seria reprovado ao final do ciclo, devendo a escola voltar aos conteúdos que ele não aprendeu. O sistema de ciclos tem a sua origem na própriaLDB. No entanto, se partirmos do pressuposto de que o aluno não deve acumular dúvidas, mas, sim, solucioná-las antes de passar para a série seguinte, tal sistema é bastante controverso. Viável ou não, o fato é que ele não gerou benefício à educação carioca, ficando popularmente conhecido como "aprovação automática", o que manchou ainda mais a imagem Cesar Maia. A oposição não se cansava de dizer que, na cidade do Rio, os alunos passam mesmo sem saber ler e escrever."
Ambicioso, o atual dirigente do "Democratas" acaba de lançar-se pré-candidato a governador nas eleições de outubro. E já convoca seus seguidores a organizarem uma vaia a Dilma Rousseff na abertura da Copa do Mundo. Nisso ele tem prática, e dinheiro não lhe faltará para orquestrar algumas centenas de idiotas pagos para tentar manchar o nome do Brasil e a popularidade da Presidenta, ao vivo para todo o mundo. Eis o que ele afirma em seu blog (07.01.2014):
"Para ela (Dilma, nota de ABF) uma pré-campanha minimizada seria excelente e para seus adversários um problema. Estes terão que fazer uma pré-campanha de proximidade. Mas ela, que pensava que sem pré-campanha surfaria na onda do primeiro turno, agora, com as inevitáveis vaias, terá que ser treinada por seus marqueteiros para as caras, as bocas, os gestos e as declarações.
           
 E nem se levou em conta até aqui as hipotéticas manifestações de ruas. Campanha complicada esta. Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega."


Quem é César Maia para falar em "campanha complicada"? Dilma aparece disparada na frente em todas as pesquisas, como favorita a vencer no primeiro turno. O Democratas luta para sobreviver, e sua única governadora foi cassada por corrupção, seguindo o caminho de outros como José Roberto Arruda, o senador Demóstenes Tores, etc. 
Realmente, Maia não cria factóides: ele É um factóide...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

CÉSAR MAIA (DEM) TENTA ENTENDER O PSDB

O QUE É A CRISE NO PSDB?
                     
1. A mudança de tom de José Serra, passando de um discurso administrativo-econômico para um discurso político de oposição pela esquerda, veio acompanhada pela nova vocalização do senador Aloysio Nunes, que passa por seu porta-voz. Uma interpretação mais imediata seria uma reação impulsiva à derrota eleitoral e a perda de mandato. Uma segunda -mais destacada por seus pares e pela imprensa- é a disputa antecipada pela liderança em 2014.
                      
2. Mas, independente dos graus de acertos destas duas interpretações, há um pano de fundo que é muito mais complexo: a determinação de Serra, Nunes..., de empurrarem o PSDB para o campo da esquerda. No início de 2010, numa conversa, Serra dizia que sua disposição na redemocratização era estar na formação do que seria o PT. Teria conversado isso com o Lula. Mas a sindicalização do novo partido o afastou desse projeto.
                      
3. Terminou no PMDB de Franco Montoro, de quem foi secretário, cuja equipe paulista aglutinada na Constituinte, deu origem ao PSDB. Franco Montoro, desde antes de 1964, era o líder mais expressivo da Democracia Cristã brasileira, tendo fortes vínculos internacionais com as DCs da Itália e do Chile. E essa foi a marca que acabou adotando o PSDB, prevalecendo as ideias de seu inspirador.
                      
4. No governo FHC isso ficou claro, com a adoção de uma linha social-liberal própria das democracias-cristãs. Mas Serra, no governo, sempre foi um dissidente, e seus conflitos explícitos com o presidente do Banco Central, Gustavo Franco, exemplificam essa dissidência. Não é segredo que, na campanha de 2002, nem Serra tratava com entusiasmo, nem FHC mostrou qualquer empenho em sua candidatura.
                      
5. Agora mesmo, nas reuniões do DEM-FLC com a CDU-KAS em Berlim e com a FAES-PP em Madrid, isso ficou claro, nas avaliações conjuntas da política brasileira. O PSDB, para dentro, é social-liberal e, para fora, é socialdemocrata, fazendo as fotos e imagens com os líderes -ditos- socialistas europeus. Esse hibridismo é inaceitável para o Centro (Die Mitte) do CDU, ou (Centro) do PP.
                      
6. A projeção de um conflito ideológico no PSDB, com uma visão de esquerda patrocinada por Serra-Nunes, não trará resultados práticos para eles. Então o que pensam como "derivada segunda? Imaginar que seja o PSD, seria um híbrido social-ruralista-clientelista, inimaginável. Agregar-se ao PT seria uma aventura, pois o ônibus está cheio, especialmente em projetos presidenciais. Ir para o PPS seria mais acomodável (Afinal, o cineasta PPSista Silvio Tendler deu um destaque a ele no documentário sobre Tancredo, quando ele ainda era -na época- secretário de planejamento de Montoro e nada teve com a ascensão de Tancredo. Aliás, Tendler se esqueceu do PFL, decisivo para a eleição de Tancredo pelo Congresso).
                      
7. O PT já sentiu isso e ofereceu ao senador Aloysio Nunes um holofote de esquerda como relator que foi da Lei da Comissão da Verdade e conta com ele na votação do Código Florestal. Mas há um cheiro no ar de que -por esses conflitos ideológicos- a convivência partidária será como a de um casal nos meses antes da separação. Brizola, que sempre afirmou que Serra estava à esquerda do PSDB, diria: Serra está costeando o alambrado.