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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

CNBB CRITICOU PARCIALIDADE POLÍTICA DO JUDICIÁRIO

CNBB critica ‘politização da Justiça’ e ausência do ‘princípio da imparcialidade’

Postado em 11 de julho de 2015 


Da ansa:
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil criticou a agenda “hostil aos direitos humanos” do Legislativo, a politização do Judiciário com base na Lava Jato e o ajuste fiscal do governo Dilma Rousseff. A avaliação está na última análise de conjuntura da entidade, datada dia 30 de junho.
O objetivo do documento, segundo a CNBB, é oferecer a bispos e assessores a “possibilidade de dialogar sobre o momento atual e sua incidência na missão específica da entidade”. Além dos temas nacionais, a entidade trata da reforma política no Chile e do escândalo da Fifa.
No capítulo sobre o Legislativo, a CNBB aponta uma aceleração da agenda política que deixa o Executivo na defensiva, permitindo a propagação da “tese de que se vive quase um ‘parlamentarismo no Brasil'”, e pautas voltadas a “interesses econômicos”, a maioria “refratária à garantia de direitos”.
(…)
No documento, a CNBB também diz que há um crescimento da “politização da Justiça”, com uma “atuação seletiva” de membros do Judiciário que fazem uma “abstração do princípio fundamental da imparcialidade”.
Sem mencionar a operação Lava Jato, que investiga esquema de desvios e propina envolvendo a Petrobras, empreiteiras e partidos políticos, a Confederação diz que o caminho “coloca em risco o ordenamento constitucional do país”. “Estabelece-se assim um rito sumário de condenação, agravando os direitos fundamentais da pessoa humana, seja ela quem for”, destaca o documento. “Não se faz justiça com açodamento de decisões ou com uma lentidão que possa significar impunidade.”
Na opinião da entidade, há ruptura de princípios jurídicos fundamentais, como a presunção de inocência e o devido processo legal, e uso da delação premiada como objeto de “pressão sobre acusados e de ‘premiação’ em dinheiro sobre o que poderá ser retomado de recursos públicos”. “Tais práticas, realizadas com os holofotes da grande mídia brasileira, transformam réus confessos em heróis”, afirma o texto.
A CNBB vê a política econômica do segundo mandato de Dilma Rousseff, mais ortodoxa, como “boa para o capital, ruim para o trabalho”.
(…)
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/cnbb-critica-politizacao-da-justica-e-ausencia-do-principio-da-imparcialidade/

quinta-feira, 16 de julho de 2015

MESTRE BOSI EXPLICA PALAVRAS DO PAPA AO PHA E A TODOS NÓS

Bosi e o Papa:
a economia do lucro mata !

O Papa retoma os princípios básicos da Teologia da Libertação.
Para o professor Bosi, os movimentos sociais oxigenam a Democracia


O Conversa Afiada entrevistou por e-mail o professor Alfredo Bosi sobre o pronunciamento do Papa aos Movimentos Sociais na Bolívia e a Encíclica Laudato Si’.

Bosi é um dos maiores pensadores e ensaístas brasileiros.

O Conversa Afiada se orgulha de entrevistá-lo.


PHA – A mensagem de Francisco I aos Movimentos Populares, na Bolívia,  inova o pensamento social da Igreja em relação à Rerum Novarum e a Pacem in Terris ?

- Quando ele fala em

“esterco do diabo”;

“reina ambição desenfreada do dinheiro”;

“o capitalismo é uma ditadura sutil”;

“o novo colonialismo”;

“o poder anônimo do ídolo do dinheiro”

é uma condenação frontal, inequívoca ao capitalismo que se pratica hoje, no Brasil e nos Estados Unidos, ou, como li de um padre americano, “uma critica ao capitalismo sem freios”, sem condená-lo na essência ?


Bosi -  As expressões do papa Francisco não deixam margem a dúvidas Trata-se de uma condenação formal a todo tipo de economia centrada exclusivamente no lucro e não na pessoa humana. Essa economia “mata” – é o verbo usado pelo papa – e tem um nome conhecido. Chama-se capitalismo, hoje globalizado. O papa não está, a rigor, inovando: apenas retoma a frase incisiva de Cristo: “Não se pode servir a dois senhores: ou servir a Deus ou servir às riquezas” (Mateus, 6, 24). As versões mais antigas do Novo Testamento, gregas e latinas, assim como a de Lutero e a inglesa do King James, não dizem “riquezas”, mas “Mammon”, uma divindade arcaica, pré-cristã, que personificava o apego idolátrico ao dinheiro. Nas versões modernas, inclusive na da Bíblia de Jerusalém, preferiu-se falar em “riquezas”, ou diretamente a “dinheiro”. Os leitores estranhariam a referência a Mammon. Mas, a rigor, “esterco do diabo” é bem expressivo, e a própria psicanálise freudiana sempre associou a paixão pelo dinheiro à regressão ao estágio anal…

Não sei quem é esse “padre americano”, que vestiu a carapuça. O fato é que as encíclicas de João 23 e Paulo VI estão voltadas para o uso social da propriedade, que inclui a reforma agrária, o direito à habitação e ao emprego, Terra, Teto, Trabalho.  Recomendo a crentes e céticos, isto é, a todos os homens e mulheres de boa vontade, que leiam a encíclica de Paulo VI, Sobre o desenvolvimento dos povos,  ”Populorum Progressio”, lançada em 1967.  O texto já condena o colonialismo financeiro e a ingerência indevida dos países ricos nas políticas internas dos povos em desenvolvimento. Quem inspirou e praticamente redigiu essa encíclica foi o dominicano Pe. Lebret, fundador do movimento “Economia e Humanismo”, grande amigo do Brasil onde influiu no nascente catolicismo de esquerda dos anos 50 e 60.



PHA – O Papa Francisco I é um teólogo da libertação ?
Bosi – Francisco não é um teólogo profissional. Mas a sua doutrina social retoma os princípios básicos da Teologia da Libertação, que agora pode reviver sem receio de trancas institucionais. 


PHA – Quando ele diz que “os movimentos sociais” são “poetas sociais: criadores de trabalho, construtores de casas, produtores de alimentos, sobretudo para os descartados pelo mercado global” – e considera que eles tem um “papel essencial” na tarefa de “pôr a economia ao serviço do povo” – isso pode ser interpretado como um reconhecimento de que esses movimentos são instrumentos de renovação mais poderosos que os partidos políticos ?
Bosi – Quanto à ênfase nos movimentos sociais e populares, evidente no discurso do papa, significa uma saudável desconfiança em relação à grande maioria dos partidos políticos que se converteram em toda parte em entidades burocráticas voltadas sobretudo para se manterem no poder ou para alcançar o mesmo poder a todo e qualquer custo. Os movimentos sociais populares oxigenam a democracia e a tornam mais participativa. 

PHA – Por que ele se refere a uma “Patria Grande”, ao tratar da América Hispânica ?
Bosi – Pátria Grande é uma expressão usada para unir moralmente os povos latino-americanos  em torno de características e problemas comuns aos países da América do Sul e Central. Como sacerdote argentino e portanto latino-americano, o papa Francisco não pode deixar de ser sensível às dificuldades sofridas por esses povos que, embora já livres do colonialismo ibérico, não ficaram de todo livres dos colonialismos contemporâneos. É uma palavra  de solidariedade que deveria estender-se a todos os povos do planeta, aspiração que já estava explícita na encíclica Pacem in Terris, de João 23, que em 1963 advertia os estados contra o armamentismo e os males da Guerra Fria, que, infelizmente, ainda nos infelicitam. 


PHA – Sobre a Encíclica Laudate Si’: é próprio concluir que os ricos são os que poluem e os pobres as maiores vitimas da poluição? Não é uma simplificação, que, por exemplo, omite a responsabilidade da classe média na destruição do meio ambiente – com esse “consumismo descartável” – e, ao mesmo tempo, os efeitos dessa destruição sobre a classe média ?
Bosi – A encíclica Laudato si’ , cujo título repete o primeiro verso da belíssima oração de São Francisco, tem uma destinação planetária. É sabido que todas as nações poluem a Terra, umas mais intensamente, como os Estados Unidos e a China, outras menos em virtude de sua menor capacidade de emitir CO2.  Por isso, todos somos responsáveis. Por isso, papa Francisco fala em defesa da nossa “casa comum”. As classes médias, no seu anseio de imitar as classes altas, são, ao mesmo tempo, culpadas e vítimas do consumismo, um dos alvos constantes do discurso do papa. 


PHA – A Mãe Terra de Francisco de Assis tem salvação ?
Bosi – Não tenho competência para prever se a nossa Mãe Terra, tão amada por Francisco de Assis, terá salvação ou já esteja condenada à destruição. De todo modo, o papa nos pede insistentemente que façamos o nosso dever de defendê-la, cumprindo as decisões das várias conferências ecológicas mundiais, que tantas vezes ficaram apenas no papel. 


Em tempo: a oração Laudato si’, de São Francisco de Assis:

Altíssimo, omnipotente, bom Senhor,
a ti o louvor, a glória, a honra e toda a bênção.
A ti só, Altíssimo, se hão-de prestar
e nenhum homem é digno de te nomear.
Louvado sejas, ó meu Senhor, com todas as tuas criaturas,
especialmente o meu senhor irmão Sol,
o qual faz o dia e por ele nos alumias.
E ele é belo e radiante, com grande esplendor:
de ti, Altíssimo, nos dá ele a imagem.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Lua e as Estrelas:
no céu as acendeste, claras, e preciosas e belas.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Vento
e pelo Ar, e Nuvens, e Sereno, e todo o tempo,
por quem dás às tuas criaturas o sustento.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Água,
que é tão útil e humilde, e preciosa e casta.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Fogo,
pelo qual alumias a noite:
e ele é belo, e jucundo, e robusto e forte.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela nossa irmã a mãe Terra,
que nos sustenta e governa, e produz variados frutos,
com flores coloridas, e verduras.
Louvado sejas, ó meu Senhor, por aqueles que perdoam por teu amor
e suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados aqueles que as suportam em paz,
pois por ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, ó meu Senhor, por nossa irmã a Morte corporal,
à qual nenhum homem vivente pode escapar:
Ai daqueles que morrem em pecado mortal!
Bem-aventurados aqueles que cumpriram a tua santíssima vontade,
porque a segunda morte não lhes fará mal.
Louvai e bendizei a meu Senhor, e dai-lhe graças
e servi-o com grande humildade…
http://www.conversaafiada.com.br/economia/2015/07/16/bosi-e-o-papa-a-economia-do-lucro-mata/

sábado, 11 de julho de 2015

CRUCIFIXO DA BOLIVIA AO PAPA FOI FEITO POR JESUÍTA COMO FRANCISCO

Pe. Lombardi explica origem de cruz entregue ao Papa por Evo

2015-07-09 Rádio Vaticana
La Paz (RV) - O Diretor da Sala da Imprensa da Santa Sé e da Rádio Vaticano, Padre Federico Lombardi, confirmou que a cruz entregue ao Papa pelo presidente Evo Moráles foi criada pelo padre jesuíta espanhol Luis Espinal Camps - assassinado por paramilitares durante a ditadura na Bolívia, em 1980, a quem Francisco rezou em memória no local da morte.
Pe. Lombardi disse que a cruz não deve ser encarada como uma ideologia e sim “como um sinal de diálogo muito aberto com todos para a liberação e o progresso da Bolívia”, na época da ditadura.
“Não era um símbolo conhecido, nem mesmo entre os jesuítas. Porém, vem de Padre Espinal, isso é certo”, acrescentou Pe. Lombardi.
“O Papa Francisco não conhecia a obra, acredito”, finalizou Padre Lombardi. (RB)
(from Vatican Radio)

sexta-feira, 10 de julho de 2015

O PAPA CRITICA CAPITALISMO EM SANTA CRUZ, CORAÇÃO DOS COXINHAS DA BOLÍVIA!


Em discurso anticapitalista, Francisco prega "mudança de estruturas"




No discurso mais político em pouco mais de dois anos de pontificado, o papa Francisco defendeu nesta quinta-feira (9) uma "mudança de estruturas" mundial, chamou o capitalismo de "ditadura sutil" e exortou os movimentos sociais a realizar "três grandes tarefas" na economia, na união entre os povos e na preservação do ambiente.
"Reconhecemos que este sistema impôs a lógica dos lucros a qualquer custo, sem pensar na exclusão social ou na destruição da natureza?", perguntou o papa a algumas centenas de representantes de movimentos sociais de vários países, entre os quais o MST, sem-teto, indígenas e quilombolas brasileiros,durante o 2º Encontro Mundial de Movimentos Populares, em Santa Cruz de la Sierra (Bolívia).
"Se é assim, insisto, digamos sem medo: queremos uma mudança, uma mudança real, uma mudança de estruturas. Este sistema já não se aguenta, os camponeses, trabalhadores, as comunidades e os povos tampouco o aguentam. E tampouco o aguenta a Terra, a irmã Mãe Terra, como dizia são Francisco", completou o papa no encontro, realizado no auditório da Expocruz (feira agropecuária de Santa Cruz).
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/07/1653938-em-discurso-anticapitalista-francisco-prega-mudanca-de-estruturas.shtml

NA BOLÍVIA, PAPA DEFENDE JUSTIÇA SOCIAL E CRITICA GANÂNCIA

Desnorteada com o discurso do Papa na Bolívia, mídia foca em crucifixo

publicado em 10 de julho de 2015 às 00:13
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As fotos escolhidas pelos editores para ilustrar a entrega do crucifixo, ao contrário da que aparece acima, buscam mostrar o papa Francisco supostamente contrariado.
Da Redação
O Papa Francisco fez um discurso anticapitalista ontem na Bolívia, referindo-se ao sistema econômico como “ditadura sutil”.
Foi no Segundo Encontro Mundial de Movimentos Populares, em Santa Cruz de la Sierra.
“A distribuição justa dos frutos da terra e do trabalho humano não é mera filantropia. É um dever moral”, afirmou.
Também disse que a concentração da mídia é instrumento de “colonialismo ideológico”, pois “a concentração monopólica dos meios de comunicação social pretende impor pautas alienantes de consumo e certa uniformidade cultural”.
O papa pregou “mudança de estruturas” e disse que mesmo entre a elite econômica que se beneficia do sistema “muitos esperam uma mudança que os libere dessa tristeza individualista que os escraviza”.
Para João Pedro Stélide, líder do Movimento dos Sem Terra, que estava presente, o discurso do papa foi “irretocável”, ao atacar a busca do lucro sem considerações sociais e ecológicas como um dos grandes problemas da atualidade.
O colunismo brasileiro preferiu focar no presente inusitado que o presidente da Bolívia, Evo Morales, deu a Francisco: um Cristo crucificado em foice e martelo.
Na Folha, Igor Gielow chamou de “aberração” sem explicar a origem do presente.
É a reprodução de uma escultura do sacerdote espanhol Luis Espinal, que tinha ligação com movimentos sociais bolivianos e foi assassinado por paramilitares em 1980.
Fez parte da programação do papa em solo boliviano uma homenagem a Espinal, que era jesuíta como o atual pontífice.
O governo boliviano desmentiu oficialmente boatos disseminados pelas redes sociais segundo os quais o Papa teria manifestado desconforto ao receber o presente.
Francisco, segundo difundido por parte da mídia boliviana, teria dito “não se faz isso” ao receber o presente, quando o áudio deixa claro que ele afirma “não sabia disso” ao ouvir a explicação de Evo Morales sobre a escultura.
Em outras palavras, a direita midiática boliviana pirou com o progressismo de Francisco e, por extensão, a brasileira.
http://www.viomundo.com.br/denuncias/desnorteada-com-o-discurso-do-papa-na-bolivia-midia-foca-em-crucifixo.html

quinta-feira, 9 de julho de 2015

NA BOLÍVIA, PAPA ELOGIA GOVERNO DE EVO MORALES

Papa Francisco destaca esforços da Bolívia para integrar minorias









O papa Francisco, que chegou hoje à Bolívia, elogiou a beleza do país e destacou os esforços dos governantes para integrarem todas as minorias nas diferentes áreas.
O pontífice falava no aeroporto de El alto, depois de ter sido recebido pelo Presidente boliviano, Evo Morales.
Francisco mostrou-se "alegre" por ter chegado a um país "que diz de si próprio ser pacifista, e que promove a cultura da paz e o direito à paz", noticia a Efe.
O papa, que cumpre a segunda etapa desta sua viagem, depois de ter visitado o Equador, afirmou que a Bolívia está "a dar passos importantes para incluir amplos setores na vida económica, social e política do país".
Francisco referiu o facto de a Bolívia ter "uma Constituição que reconhece os direitos dos indivíduos, das minorias, do meio ambiente e umas instituições sensíveis a estas realidades".
O papa assinalou que, todavia, "é necessário um espírito de colaboração cívica, de diálogo e participação dos indivíduos e dos atores sociais em questões que interessam a todos".

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

ACLAMAÇÃO NO TUCA FOI MOMENTO MAIS LINDO DESTA CAMPANHA!

A força simbólica no ato com Dilma e Lula na PUC de São Paulo

Por Rodrigo Viannaoutubro 21, 2014 14:12por Rodrigo Vianna
Desde a campanha de 89 que não se via um ato político com tamanha carga de emoção em 
São Paulo. Os paulistas que votam no PT (e também aqueles que, apesar de não gostarem 
tanto do PT, resolveram reagir à onda de ódio e conservadorismo que tomou conta das ruas) 
foram nesta segunda-feira/20 de outubro para o TUCA – histórico teatro da PUC-SP, no bairro 
de Perdizes.
O TUCA tem um caráter simbólico. E o PT, há tempos, se descuidara das batalhas simbólicas. 
O TUCA foi palco de manifestações contra a ditadura, foi palco de atos em defesa dos Direitos 
Humanos. Portanto, se há um lugar onde os paulistas podem se reunir pra dizer “Basta” à onda conservadora, este lugar é o teatro da PUC.
O PT previa um ato pra 500 ou 800 pessoas, em que Dilma receberia apoio de intelectuais e 
artistas. Aconteceu algo incrível: apareceu tanta gente, que o auditório ficou lotado e se 
improvisou um comício do lado de fora – que fechou a rua Monte Alegre.
Em frente ao belo prédio, com suas arcadas históricas, misturavam-se duas ou três gerações: 
antigos militantes com bandeiras vermelhas,  jovens indignados com o tom autoritário e cheio 
de ódio da campanha tucana, e também o pessoal de 40 ou 50 anos – que lembra bem o que 
foi a campanha de 89.
No telão, a turma que estava do lado de fora conseguiu acompanhar o ato que rolava lá dentro. 
Um ato amplo, com gente do PT, do PSOL, PCdoB, PSB, além de intelectuais e artistas que 
estão acima de filiações partidárias (como o escritor Raduan Nassar), e até ex-tucanos 
(Bresser Pereira).
Bresser, aliás, fez um discurso firme, deixando claro que o centro da disputa não é (nunca foi!) 
corrupção, mas o embate entre ricos e pobres. “Precisou do Bresser, um ex-tucano, pra trazer 
a luta de classes de volta à campanha petista” – brincou um amigo jornalista.
Gilberto Maringoni, que foi candidato a governador pelo PSOL em São Paulo, mostrou que o 
partido amadurece e tende a ganhar cada vez mais espaço com uma postura crítica – mas 
não suicida. Maringoni ironizou o discurso da “alternância de poder” feito pelo PSDB e pela 
elite conservadora: “Somos favoráveis à alternância de poder. Eles governaram quinhentos 
anos. Nos próximos quinhentos, portanto, governaremos nós”.
O “nós” a que se refere Maringoni não é o PSOL, nem o PT. Mas o povo – organizado em 
partidos de esquerda, em sindicatos, e também em novos coletivos que trazem a juventude 
da periferia para a disputa.
Logo, chegaram Dilma e Lula (que vinham de outro ato emocionante e carregado de apelo 
simbólico – na periferia da zona leste paulistana). Brinquei com um amigo: “bem que a Dilma 
agora podia aparecer nesse balcão do TUCA, virado pro lado de fora onde está o povo…”. 
O amigo respondeu: “seria bonito, ia parecer  Dom Pedro no dia do Fico”. Muita gente pensou 
a mesma coisa, e começaram os gritos: “Dilma na janela!”
Mas a essa altura, 10 horas da noite, só havia o telão. As falas lá dentro, no palco do Teatro, 
foram incendiando a militância que seguia firme do lado de fora – apesar da chuva fina que 
(finalmente!) caía sobre São Paulo. Vieram os discursos do prefeito Fernando Haddad, de 
Roberto Amaral (o presidente do PSB que foi alijado da direção partidária porque se negou a 
alugar, para o tucanato, a histórica legenda socialista), e Marta Suplicy…
Vieram os manifestos de artistas e professores – lidos por Sergio Mamberti. E surgiram 
também depoimentos gravados em vídeo: Dalmo Dallari (o antigo jurista que defende os 
Direitos Humanos) e Chico Buarque.
Quando este último falou, a multidão veio abaixo. A entrada de Chico na campanha teve 
um papel que talvez nem ele compreenda. Uma sensação de que – apesar dos erros e 
concessões em 12 anos de poder – algo se mantem vivo no fio da história que liga esse 
PT da Dilma às velhas lutas em defesa da Democracia nos anos 60 e 70.
Nesse sentido, Chico Buarque é um símbolo só comparável a Lula na esquerda brasileira.
Aí chegou a hora das últimas falas. Lula pediu que se enfrente o preconceito. Incendiou 
a militância. E Dilma fez um de seus melhores discursos nessa campanha. Firme, feliz.
O interessante é que os dois parecem se completar. Se Lula simboliza que os pobres e 
deserdados podem governar (e que o Estado brasileiro não deve ser um clube de defesa 
dos interesses da velha elite), Dilma coloca em pauta um tema que o PT jamais tratou 
com a devida importância: a defesa do interesse nacional.
Dilma mostrou – de forma tranquila, sem ódio – que o PSDB tem um projeto de apequenar 
o Brasil. Lembrou os ataques ao Brasil nas manifestações contra a Copa (sim, ali o que se 
pretendia era rebaixar a auto-estima do povo brasileiro, procurando convencê-lo de que 
seríamos um povo incapaz de receber evento tão grandioso), lembrou a incapacidade dos 
adversários de pensarem no Brasil como uma potência autônoma.
Dilma mostrou clareza, grandeza e calma. Muita calma.
Quando o ato terminou, já passava de 11 da noite. E aí veio a surpresa: Dilma foi – sim – 
pra janela, para o balcão do Teatro voltado pra rua.
dilma-no-tucaNo improviso, sem microfone, travou 
um diálogo com a multidão, usando 
gestos e sorrisos. Parecia sentir a 
energia que vinha da rua. Dilma, uma 
senhora já perto dos 70 anos (xingada 
na abertura da Copa, atacada de forma 
arrogante nos debates e na imprensa), 
exibiu alegria e altivez.
Foram dez minutos, sem microfone, sem marqueteiro. O povo cantava, e Dilma respondia – 
sem palavras. Agarrada às grades do pequeno balcão, pulava e erguia o punho cerrado para 
o alto. Não era o punho do ódio. Mas o punho de quem sabe bem o lado que representa.
Dilma não é uma oradora nata, não tem o apelo popular de um Lula. Mas nessa campanha 
ela virou líder. O ato no TUCA pode ter sido o momento a marcar essa passagem. Dilma 
passa a ser menos a “gerente” e muito mais a “liderança política” que comanda um projeto 
de mudança iniciado há 12 anos.
Dilma traz ao PT uma pitada de Vargas e Brizola, de trabalhismo e de defesa do interesse 
nacional. E o PT (com apoio da  militância popular, não necessariamente petista) finalmente 
parece ter incorporado Dilma não como a “continuadora da obra de Lula”, mas como uma 
liderança que se afirma por si. Na luta concreta.
Uma liderança que – na reta final, nessa segunda-feira de garoa fina em São Paulo – pulava 
feito menina no ritmo da rua, pendurada no histórico balcão da PUC de São Paulo. Dilma 
ficou maior.
http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/palavra-minha/forca-
simbolica-ato-com-dilma-e-lula-na-puc-de-sao-paulo/#comment-
113077