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domingo, 14 de agosto de 2011

OS EUA TINHAM RAZÃO DE NÃO GOSTAR DO AMORIM: ELE É PATRIOTA


O Conversa Afiada republica matéria da CartaCapital:

Amorim e os EUA


por Marina Amaral e Natalia Viana


Aos olhos do serviço diplomático dos Estados Unidos, em especial durante a era Bush, a posição independente do Ministério das Relações Exteriores, capitaneado por Celso Amorim, hoje ministro da Defesa, parecia uma constante provocação. Nos telegramas vazados pelo WikiLeaks, o MRE é acusado de dificultar as relações bilaterais por suas “inclinações antiamericanas”, definidas por um ministro “nacionalista” e um secretário-geral “antiamericano virulento” (Samuel Pinheiro Guimarães), e secundado por um “acadêmico esquerdista” (Marco Aurélio Garcia), conselheiro de política externa do presidente Lula.


“Manter a relação político-militar com o Brasil requer atenção permanente e, talvez, mais esforço do que qualquer outra relação bilateral no hemisfério”, desabafava o embaixador John Danilovich, em novembro de 2004.


Foi ele que, numa reunião em março de 2005, tentou convencer Amorim da ameaça “cada vez maior” que a Venezuela representava à região. A resposta “clara” e “seca” do chanceler desapontou o americano: “Nós não vemos Chávez como uma ameaça. Não queremos fazer nada que prejudique nossa relação com ele”. E cortou o assunto.


O sucessor de Danilovich, Clifford Sobel, teve mais sorte. O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim era interlocutor contumaz do embaixador, a ponto de confidenciar sua irritação com o MRE, em especial com Pinheiro Guimarães. Tornou-se peça vital em uma estratégia diplomática americana que explorava a divisão dentro do governo em proveito próprio, como revelam os telegramas.


Em fevereiro de 2009, já com Obama na Presidência dos Estados Unidos, Sobel enviou uma série de três informes, sugerindo formas de contornar o triunvirato “esquerdista” da política externa brasileira. O jeito, afirma, seria fazer aliança com o setor privado, que tem “habilidade para conseguir aprovar iniciativas junto ao governo” e tentar uma aproximação direta com Lula e outros ministros que poderiam defender a causa americana.


Uma “estratégia testada”, afirma Sobel, citando entre outros exemplos o caso da transferência para o Brasil dos 30 agentes da DEA, a agência americana de combate às drogas, expulsos da Bolívia por Evo Morales no fim de 2008. “Apesar da recusa do MRE de conceder vistos aos agentes, conseguimos realizar a transferência com a ajuda da Polícia Federal, da Presidência da República e de nossas excelentes relações com o ministro da Justiça (Tarso Genro)”, gaba-se.


O segundo telegrama foca os minguados recursos humanos e financeiros do Itamaraty, apresentando-os como oportunidade para os Estados Unidos. Muitos cargos diplomáticos estavam sendo preenchidos por “trainees e terceiros-secretários” por falta de pessoal para as novas embaixadas brasileiras, observa o embaixador americano, acrescentando que seria “crucial influenciar essa nova geração”.


“Os franceses instituíram um programa de intercâmbio diplomático com o Itamaraty em 2008, semelhante ao nosso Transatlantic Diplomatic Fellowship, e agora têm um diplomata trabalhando no Departamento Europeu do Itamaraty. Uma proposta similar seria válida para conseguir um posto que nos permita observar de dentro esse ministério-chave e mostrar como os Estados Unidos executam sua política externa”, sugere.


No terceiro telegrama, Sobel afirma que, embora o MRE continuasse a ser o líder incontestável da política externa brasileira, o crescimento internacional tendia a erodir seu controle. Apesar da falta de hábito das instituições brasileiras em lidar diretamente com governos estrangeiros, alguns ministérios como o do Meio Ambiente e, principalmente, o da Defesa estabeleceram relações diretas com a embaixada norte-americana em Brasília, relata.


Um telegrama enviado em 31 de março de 2009, depois da visita do presidente Obama ao Brasil, dá um exemplo prático da eficiência dessa estratégia. Pedindo sigilo absoluto de fonte, o embaixador conta que Jobim pretendia contribuir com o combate ao narcotráfico na região, possivelmente através do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS) criado pela União Sul-Americana de Nações (Unasul). “Ele disse que o CDS poderia ser o canal perfeito para conseguir o engajamento dos militares dos outros países sem passar pelo MRE”, escreve, acrescentando que o então ministro da Defesa estaria disposto a envolver os militares no combate ao tráfico nas fronteiras brasileiras. “O plano de Jobim sinaliza um grande passo, uma vez que o assunto é altamente sensível internamente, no governo, e para o público brasileiro”, comenta.


Também durante as tratativas frustradas de compra dos caças, Jobim e os líderes militares agiram longe do Itamaraty, como mostram os cerca de 50 telegramas sobre o tema. Em um deles, Sobel relata a visita da comitiva presidencial à França e comenta, com ironia, as reportagens da imprensa brasileira que afirmam o apoio de Lula, Amorim e Jobim à aquisição dos caças Rafale: “Talvez isso seja mais um marriage blanc do que amour veritable”, diz. E explica: “Nos encontros privados com o embaixador, Jobim minimizou a relação com a França e manifestou um claro desejo de ter acesso à tecnologia americana. O obstáculo é o Ministério das Relações Exteriores”.


Sobel também se reuniu com os comandantes das Forças Armadas para pedir “conselhos” sobre as chances de os caças da Boeing vencerem a concorrência de quase 10 bilhões de reais. Ficou entusiasmado com o resultado: “Os apoiadores mais fortes do Super Hornet (o F-18 americano) são as lideranças militares, em particular o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito”, relata em telegrama de janeiro de 2009.


O embaixador também obteve “uma cópia não oficial” de uma Requisição de Informações da Aeronáutica (passada eletronicamente para Washington), que “permite planejar os próximos passos para os Estados Unidos vencerem a negociação”. Além de garantir que o preço não seria o principal critério da escolha, o documento informa que a Embraer, “principal beneficiária de qualquer transferência de tecnologia”, consideraria “desejável a oportunidade de estabelecer uma parceria com a Boeing”, principalmente se houvesse “a intenção de oferecer uma cooperação adicional na área da aviação comercial”.


À luz dos telegramas do WikiLeaks, o relatório apresentado em janeiro de 2010 pela FAB ao ministro Jobim, colocando a aeronave sueca como melhor opção, exatamente por causa dos custos, traz novas indagações. O Rafale francês foi classificado em terceiro lugar, atrás dos caças americanos, esse sim apontado como o de melhor tecnologia. Mas não era o preço que importava, não é?


quinta-feira, 19 de maio de 2011

FINALMENTE, DEFESA CONJUNTA NA AMÉRICA LATINA

Até surpreendente, mas digna de todos os aplausos, a postura do ministro da Defesa Nelson Jobim, e de seu colega argentino. Finalmente temos uma visão de defesa latino-americana, superando antigas e impostas divisões que só convinham às potências extra-continentais. Tomara que as palavras resultem em ações concretas de integração, para prevenirmos futuras agressões e conflitos. Somos um continente pacífico, mas nossas riquezas são, ao mesmo tempo, nossas fragilidades. Matérias-primas valiosas estão escasseando no resto do mundo, e precisamos saber defendê-las em conjunto.
Basta-nos a lição da Guerra contra o Paraguai, quando Argentina, Brasil e Uruguai foram usados pela Grã-Bretanha num combate fraticida. Aliás, só agora o Brasil abrirá seus documentos sobre aquele conflito, quando a participação inglesa ficará bem clara.

Digo e reafirmo: Eu NÃO gosto do Nelsão, mas, ele tem me surpreendido. Parabéns ministro!!
Brasil e Argentina defendem adoção de estratégia comum de dissuasão por países sul-americanos
 Por Wiltgen
Lima, Peru, 12/05/2011 - Os ministros da Defesa do Brasil e da Argentina, Nelson Jobim e Arturo Puricelli, defenderam a adoção, pelos países sul-americanos, de uma estratégia comum de DISSUASÃO. Segundo eles, para que possam MANTER SUA SOBERANIA e continuar a PROTEGER, elas próprias, as inúmeras RIQUEZAS da região, é NECESSÁRIO que as nações sul-americanas ADOTEM uma estratégia conjunta que seja capaz de DEMOVER eventuais iniciativas EXTERNAS contrárias aos INTERESSES do subcontinente.
A manifestação de ambos os ministros foi feita durante o primeiro dia da III Reunião Ordinária do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS), organismo multilateral criado no âmbito da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) como instância de consulta, cooperação e coordenação em matéria de defesa.

Partiu de Jobim a iniciativa de levantar, no encontro, o tema da estratégia comum de dissuasão. Para reforçar seu ponto de vista, o ministro brasileiro lembrou aos participantes que o continente sul-americano POSSUI algumas das principais riquezas que, dentro de alguns anos, com o aumento da população mundial e o esgotamento de parte desses bens, PODERÃO ser objeto da COBIÇAS de outros povos.
Dentre essas riquezas, citou o ministro, FIGURAM os aquíferos Guarani e da Amazônia, o POTENCIAL de produção de proteínas animais e vegetais, ALÉM das fontes renováveis de geração de energia. “O futuro vai exigir do subcontinente uma estratégia comum de dissuasão. Será que estaremos preparados para isso?”, provocou Jobim.
Segundo ele, os países sul-americanos têm, ATUALMENTE, “vulnerabilidades sérias” em seus meios de defesa. Como exemplo disso, ele citou a situação existente hoje em que diversas dessas nações, incluindo o Brasil, NECESSITAM de COMPRAR imagens de satélites geoestacionários de países de FORA do subcontinente para fins CIVIS e MILITARES.
Para Jobim, SOMENTE a construção de um ambiente de confiança e cooperação MÚTUA entre os países sul-americanos será capaz de reduzir as vulnerabilidades existentes na região no CAMPO DA DEFESA, dotando-os de capacidade real de PROTEGER as riquezas da maneira que JULGAREM MELHOR, para o BEM de SEUS povos e TODA a humanidade.
“TEMOS que nos CAPACITAR para dizer NÃO quando a região TIVER que dizer não”, afirmou.
A manifestação de Jobim RECEBEU o endosso imediato do ministro argentino. Purcelli afirmou que seu país compartilha com Brasil a ideia de que são os sul-americanos que devem garantir, para o bem de toda humanidade, as riquezas existentes na região.
O representante argentino recordou o conceito que levou à criação da UNASUL, baseado na ideia central de estabelecer uma zona de paz e cooperação na região. “Temos um compromisso firme de trabalhar pela UNIDADE latino-americana”, disse.
Além dos membros das comitivas do Brasil e da Argentina, integrantes de outros países, como COLÔMBIA e Equador, TAMBÉM se manifestaram no sentido da adoção de iniciativas concretas que levem ao AUMENTO da confiança entre as nações sul-americanas.
Entre os assuntos que deverão ser debatidos no encontro estão as tratativas para o DESENVOLVIMENTO do centro de estudos estratégicos de defesa e mecanismos conjuntos para atuação das Forças Armadas sul-americanas em ações de DEFESA CIVIL.
A criação do CDS foi proposta pelo BRASIL e discutida pela primeira vez numa reunião de presidentes sul-americanos, em abril de 2008.
O Conselho POSSUI 12 estados-membro: Brasil, Argentina, Peru, Venezuela, Colômbia, Uruguai, Chile, Bolívia, Paraguai, Equador, Guiana e Suriname.
O organismo tem como OBJETIVO CENTRAL consolidar a América do Sul como uma ZONA LIVRE, SOBERANA e PACÍFICA, base para a ESTABILIDADE democrática e para o DESENVOLVIMENTO dos povos da região. TAMBÉM é objetivo do Conselho fomentar uma identidade sul-americana em matéria de defesa.
FONTE: MD
Inerente ao MARAVILHOSO discurso no ministro Nelson Jobim convém estas duas reportagens:
Vídeo do PROSUB – Programa de Desenvolvimento de Submarinos
19 de maio de 2011
Por Wiltgen
Este texto é de um leitor do Luis Nassif e pode ser lido em: