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segunda-feira, 9 de junho de 2014

JOAQUIM BARBOSA DOMINOU PELO MEDO, NÃO PELO RESPEITO

Colunista do Globo admite ter “medo” de Joaquim Barbosa

Enviado por  on 07/06/2014 – 12:08 am

Agora que Barbosa se tornou uma espécie de vergonha nacional junto a pessoas minimamente esclarecidas, alguns jornalistas da Globo tentam, quase desesperadamente, encontrar um posicionamento que justifique o apoio do jornal a uma figura tão nefasta, sem cair no ridículo de não enxergar seus vícios.
Agora foi a vez do Arthur Dapieve, um colunista pacato do segundo caderno, que raramente escreve sobre política. Em sua última coluna, intitulada Barbosa, ele faz um tremendo exercício retórico para expor afirmações surpreendentes sobre Barbosa.
Antes, ele faz alguns elogios vagos ao ministro, como o clichê tipicamente global de que ele quebrou um “tabu brasileiro – político poderoso não vai pra cadeia”. Esse clichê foi explorado como um mote de marketing do jornal para forçar o STF a condenar políticos mesmo sem provas, porque era preciso de mostrar ao Brasil que “político vai pra cadeia”.
Incrível como, subitamente, um monte de gente aderiu ao mais vulgar e idiota populismo judicial. Está lá Genoíno preso, sob risco terrível de vida, para quebrar um “tabu”. Dirceu foi condenado pelo “domínio do fato” para “quebrar um tabu”…
Entretanto, os elogios a Barbosa são quase pró-forma, uma concessão que o jornalista fez a seus patrões, visto que não imagino que alguém, dentro do Globo, possa se posicionar de maneira direta e clara contra Joaquim Barbosa. Para criticá-lo, é preciso ter “sentimentos misturados”.
Quem sou eu para julgar Dapieve? Entendo perfeitamente a situação dos oprimidos de um grande jornal. Se eu estivesse em seu lugar, talvez agisse rigorosamente da mesma maneira.
(…) tenho sentimentos misturados em relação a Joaquim Barbosa. Admiração e medo. Ele próprio tem fantasmas a encarar, agora que antecipou em dez anos a sua aposentadoria do STF. Do mesmo modo que acredito plenamente que Barbosa e sua família tenham sido ameaçados de morte pelas tropas de choque petistas (antagonizadas no Brasil contemporâneo pelas claques antipetistas, quanta pobreza), não acredito que ele seja homem de se amedrontar assim. Se fosse, não teria agido como agiu no Mensalão do PT. A pressão só chegou agora? Tem caroço nesse angu.
O caroço no angu é simples, Arthur. O Globo mentiu. A troco de que você acredita “plenamente que Barbosa e sua família tenham sido ameaçados de morte pelas tropas de choque petistas”.
Tropa de choque petistas? Essa expressão pertence a fanáticos mitômanos, como aqueles da Veja, não de um cronista pacato como você, caro Arthur. A referência a “claques antipetistas” apenas disfarça a expressão infeliz com uma falsa simetria. A polarização entre PT e PSDB é braba, mas é democrática, pacífica e talvez necessária. Não existe nenhuma tropa de choque, em nenhum dos lados, ameaçando ninguém.
O próprio Barbosa negou, categoricamente, as ameaças, que ele, como juiz, teria obrigação de denunciar, não?
(…) Lewandowski foi quem mais sofreu com as grosserias de Barbosa na Ação Penal 470. Nos frequentes, longos e constrangedores bate-bocas entre os dois, o ministro em vias de se aposentar mostrou uma faceta assustadora, intolerante, até mesmo antidemocrática.
A bem da verdade, Arthur, não houve bate boca, e sim um festival de grosserias unilaterais por parte de Barbosa. Que fez a mesma coisa com o novo ministro, Luis Barroso.
É interessante, porém, que você tenha detectado a faceta assustadora, intolerante e antidemocrática de Barbosa e mesmo assim ainda tenha “admiração” por ele.
Muita gente tinha os mesmos “sentimentos misturados” em relação a ditadura militar.
Admiração e medo.
Veja mais em:  http://www.ocafezinho.com/2014/06/07/colunista-do-globo-admite-ter-medo-de-joaquim-barbosa/#sthash.R5PIe0cg.dpuf

segunda-feira, 2 de junho de 2014

RESTA AO STF INVESTIGAR E CORRIGIR OS ABUSOS DE JOAQUIM BARBOSA

Barbosa deixa o STF a caminho de se tornar o McCarthy brasileiro

Inicialmente idolatrado como líder da caça às bruxas, presidente do Supremo perdeu apoio de seus pares, foi criticado por Ministério Público e OAB, e acabou só até entre a imprensa que o encorajou
por Helena Sthephanowitz publicado 30/05/2014 15:03
ARQUIVO EFE
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McCarthy foi de ídolo a um personagem desacreditado, relegado ao esquecimento
Enquanto apenas petistas protestavam contra atos considerados abusivos de Joaquim Barbosa, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) não recuou, encorajado pela mídia tradicional. Pelo contrário, aumentou a escalada de perseguição aos réus petistas, o que provocava manchetes e imagens para a imprensa oposicionista, sedenta de "sangue", principalmente farejando interesses eleitorais.

Uma perseguição só comparável à época da ditadura brasileira, ou ao macartismo nos Estados Unidos, chamado de período de caça às bruxas.

Nas últimas semanas, o pêndulo virou. A Comissão de Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou manifesto protestando contra retrocessos no já problemático sistema prisional brasileiro com a decisão de Barbosa de revogar o direito ao trabalho externo para apenados no sistema semiaberto antes de cumprir um sexto da pena.
A Ordem dos Advogado do Brasil (OAB) também manifestou apreensão contra esta e outras decisões que representam retrocesso. O Ministério Público também ficou preocupado com um colapso no sistema prisional brasileiro. Até governadores, responsáveis pela administração de presídios, não comentaram em público, mas ficaram preocupados com o colapso e risco de rebeliões se retirassem direitos de presos e aumentasse a superlotação de presídios, a partir da decisão destemperada de Barbosa.

Barbosa estava a caminho de repetir a saga do senador estadunidense Joseph McCarthy na década de 1950. McCarthy conseguiu muita popularidade quando, em investigação do Senado dos EUA, começou a perseguir pessoas diversas e artistas de Hollywood por suas ideologias, comportamento e amizades, acusando-os de traição por supostamente simpatizarem com o comunismo, ou mesmo de espionagem pró-soviética. Criou-se um clima de histeria semelhante à caça às bruxas no período da inquisição medieval. Listas negras foram criadas destruindo carreiras, fazendo pessoas perder empregos, levando alguns à prisão, ao exílio e ao suicídio.

Aos poucos a opinião pública foi enxergando atitudes fascistas de McCarthy, injustiças e ficando indignada com as flagrantes violações dos direitos individuais. A atuação destemida do jornalista Edward R. Murrow na TV CBS desmascarou McCarthy, que ficou desacreditado, considerado infame e morreu no ostracismo.

Voltando ao Brasil de hoje, a própria imprensa tradicional que antes apoiava Barbosa passou a abandoná-lo, justamente por perceber que o clima de macarthismo era contraproducente para os interesses políticos dos barões da mídia.

Assim Barbosa resolveu pendurar as chuteiras no STF antes de um desfecho semelhante ao de McCarthy, o que queimaria sua imagem para uma carreira política.

Ao passar o bastão para o ministro Ricardo Lewandowski, seu futuro sucessor na presidência do STF, Barbosa dá à mídia tradicional munição para voltar à carga contra o PT no período eleitoral. Ele ficar com a imagem de perseguição a petistas estava sendo contraproducente, mas Lewandowski, simplesmente por seguir a lei e a jurisprudência, concedendo os direitos ao trabalho externo a petistas, como tem esse direito qualquer preso, será acusado pela imprensa antipetista de conceder "privilégios".

Barbosa já teve uma atuação politizada no STF, mas, assim que se aposentar, poderá oficializar seu ingresso na política partidária.

E já começou a fazer seus primeiros gestos na articulação política. Barbosa escolheu o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, para comunicar à imprensa sua decisão em primeira mão, em vez de ser ele mesmo a anunciar.
Primeiro o presidente do STF marcou uma audiência na manhã de quinta-feira (29) com a presidenta Dilma Rousseff para comunicar sua decisão de aposentar. A presidenta não costuma comentar com a imprensa conversas que não sejam temas administrativos, e nada disse. Depois Barbosa visitou o presidente do Senado, Renan Calheiros, para comunicar o mesmo. Assediado pela imprensa, nada comentou. Coube a Renan Calheiros relatar a conversa para os repórteres que aguardavam, certamente autorizado por Barbosa.

Uma decisão estranha. As revistas e jornais que retrataram Barbosa como um Batman da moralidade, são as mesmas que demonizaram Renan Calheiros. Isto deve ter desapontado alguns admiradores de Barbosa, influenciados por este tipo de imprensa. E dá a entender que o presidente do STF está rendendo-se à realpolitik, já articulando politicamente com um partido forte e que está na base governista, já que as relações de Barbosa com a oposição tucana são consolidadas, tanto na proximidade com o senador Aécio Neves (PSDB), como no alívio de não levar a julgamento o mensalão tucano.

Em seguida, o périplo político de Barbosa continuou, visitando o presidente da Câmara dos deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Só de tarde, em sessão do STF transmitida pela TV Justiça, comunicou oficialmente sua decisão a seus pares da Corte.

Barbosa não poderá mais concorrer em 2014, pois precisaria ter deixado o cargo no início de abril para não perder o prazo. Mas ele pode candidatar-se em 2018. É incerto seu futuro político e há dúvidas se seria promissor. Longe do STF estará longe também dos holofotes. Barbosa não tem um perfil carismático, nem mobilizador para resistir a quatro anos sem poder, nem muita habilidade política.
Além disso, o processo do chamado "mensalão" deverá ter revisões criminais, que podem desmontar certas condenações. Se surgirem provas de que Barbosa errou na relatoria e no desmembramento de processos, e há fortes evidências de que isso pode ter acontecido, seu futuro político pode ser semelhante ao de Joseph McCarthy. E, também, já há conversas de que Barbosa será cabo eleitoral do candidato Aécio Neves, na eleição próxima. Barbosa é Aécio são próximos, já foram fotografados juntos em diversas ocasiões.
Aguardemos os desdobramentos.