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terça-feira, 7 de julho de 2015

CATÓLICOS TAMBÉM TÊM O SEU MALAFAIA (O DA ROLA...)

Quem é e para que serve o padre Paulo Ricardo, o Malafaia da Igreja Católica. Por Kiko Nogueira



O religioso e seu ídolo Olavo de Carvalho (à esq.) mostram como enfrentar os comunas
O religioso e seu ídolo Olavo de Carvalho (à esq.) mostram como enfrentar os comunas

O padre Paulo Ricardo é a resposta da Igreja Católica ao pastor Silas Malafaia.
Calvo, sempre de batina, a cara do Salaminho da dupla com Mortadelo, menos histérico e mais culto que Malafaia — o que não quer dizer muita coisa, convenhamos –, PR daria orgulho a Torquemada pelo reacionarismo e pela pregação paranoica anticomunista e antipetista a que submete seu rebanho.
PR é da Arquidiocese de Cuiabá, onde trabalha (“trabalha”) como vigário judicial. No caprichado site oficial com seu nome, lê-se que nasceu em Recife em novembro de 1967. Aos 11, mudou-se para o Mato Grosso.
Foi ordenado sacerdote em 1992 pelo papa João Paulo II. Lecionou em lugares como as Faculdades de Filosofia e de Psicologia da Universidade Católica Dom Bosco e o Instituto Regional de Teologia. Escreveu alguns livros e apresenta um programa na Rede Canção Nova de Televisão.
Virou mesmo uma subcelebridade na internet. Vídeos com sermões detonando qualquer coisa de esquerda têm uma ótima audiência. Um deles, 500 mil visualizações. Outro, mais de 100 mil. São dezenas. São filmados em sua igreja. (Quem paga esse vídeos? Quem paga o site?)
Paulo Ricardo de Azevedo Júnior ministra cursos e palestras em todo o Brasil, pelos quais embolsa uma grana. Alguns tratam de questões religiosas. “Demonologia”, “Tríduo Pascal”, “Introdução ao Direito Canônico” e por aí afora.
Está transfixado pela “ideologia de gênero”, um câncer para o planeta, mas gosta mesmo é de falar de “marxismo cultural”. Padre PR tem uma obsessão olaviana com isso. “Somos um país com cada vez mais ignorantes, graças à esquerda e ao marxismo cultural. Gramsci, se vivo, estaria completamente realizado”, diz.
“As nossas universidades todas estão infiltradas de gramscismo. Para ensinar português, o que você faz? Não ensina mais gramática. Você vai e dá um texto para o aluno de um tema social. Os nossos alunos chegam à universidade analfabetos porque, ao invés de aprender português, aprendem marxismo”.
Suas ovelhas ouvem uma cantilena distópica conservadora de cortar os pulsos. Após a reeleição de Dilma, ele produziu um desabafo dividido em alguns pontos:
  1. O PT não é um partido comum! Ele não pode ser subestimado.
  2. Precisamos conhecer o nosso adversário para não cairmos em suas manobras e alertarmos os nossos!
  3. ATENÇÃO: O PT quer que católicos, cristãos e pessoas de bem espalhem o discurso do ódio.
  4. O PT quer justificativas para rotularem católicos, cristãos, famílias conservadoras de nazistas, preconceituosas, racistas etc! Não caia nessa.
  5. O PT deseja implantar gradualmente o mesmo sistema de Cuba com particularidades para o Brasil. O PT trabalha para o fim da democracia.
  6. No 13º Congresso do PCdoB Dilma declara irmandade com este partido que radicalmente já rompeu com a União Soviética e China por os considerarem comunistas “light”!
  7. ATENÇÃO: Esse regime socialista se dará como uma farsa de democracia! Será uma democracia falsa em que não haverá liberdade intelectual, religiosa, econômica etc! Tudo será mascarado!

O papa é absolutamente ausente da vida do padre. A agenda de Francisco pelos pobres e seu combate à desigualdade são solenemente ignorados. A luta do padre Paulo Ricardo é para ficar famoso na web destruindo o demônio vermelho e denunciando o que chama de “imbecilização” do Brasil.
No mundo em que ele vive, aproximadamente no século XIII, já teria excomungado e queimado na fogueira Bergoglio, aquele velhote comunista argentino safado. PR é um lembrete importante de que os nossos evangélicos de estimação não detêm o monopólio do arquiconservadorismo do Senhor.
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/conheca-o-padre-paulo-ricardo-o-silas-malafaia-da-igreja-catolica/

segunda-feira, 9 de junho de 2014

GOVERNADORA PREVÊ O FIM DO DEM. O PSDB TAMBÉM, SE PERDER S. PAULO

Rosalba confirma: “DEM tende a sumir”

Por Altamiro Borges


Em entrevista aos jornalistas Murilo Ramos e Leandro Loyola, da revista Época, a única governadora do DEM no Brasil, Rosalba Ciarlini, do Rio Grande Norte, confirmou o que muitos já previam: os demos rumam celeremente para o inferno - isto se o diabo permitir tamanha esculhambação! Rifada pelo presidente nacional da sigla, senador José Agripino Maia - que oportunisticamente se bandeou para apoiar a candidatura do peemedebista Henrique Alves -, ela não vacilou na resposta: "O DEM tende a sumir" nas eleições de outubro. Reproduzo trechos da entrevista e retorno na sequência:


*****

Qual é a importância para o DEM da sua não-candidatura? A senhora é a única governadora do partido.
Eu acho que você tem de perguntar a eles.

Mas qual a opinião da senhora?

Só tínhamos dois (governadores). Perdemos um. A única que ficou está sem condições de colocar seu nome. O DEM tende a sumir.

Com a decisão de impedir a sua reeleição, o DEM está se apequenando?

Eu acho que, na realidade, era para estarmos lutando para termos mais governadores, como se luta para ter mais prefeitos, que são a base das eleições. Tendo mais governador cresce também a bancada. Muita coisa eu não posso responder por eles.

Como foi a reunião da semana passada? A senhora já percebeu um clima desfavorável?

Já percebi, porque na realidade o diretório vem de longas datas, ele (o senador José Agripino Maia) é o presidente do partido, sempre foi. Então, é claro que não tem se renovado muito o diretório. Teve votos nulos, votos em branco, teve abstenções – poucas, mas teve. Então, não havia unanimidade.

(...)


A senhora conversa com o senador Agripino sobre sua situação?
Somos do mesmo estado e o conheço há mais de 50 anos. Frequenta a minha casa e nos tratamos muito bem. Sempre houve confiança de ambas as partes. Durante todo esse período, fui tentada a trocar de partido e isso poderia até ter sido mais promissor para mim politicamente. Mas eu não mudei porque Agripino era o presidente do partido e me mantive no DEM por uma questão de lealdade e respeito a ele.

Quais partidos a convidaram para que deixasse o DEM?

Tive convite do PSD, PROS, PTB, PP e de partidos menores. Qual é o partido do Marcelo Crivella? PRB. Tive convite do PRB. Mas fiquei no DEM.

Mas o que Agripino disse à senhora recentemente?

Há duas semanas estive com Agripino na casa dele em Natal. Ele disse que se eu tivesse condições eleitorais, poderia tentar. Mas qual seria o problema se eu me candidatasse? Tem candidato que entrou derrotado numa eleição e acabou eleito; e outros que entraram eleitos e saíram derrotados. Uma vez um candidato foi dormir achando que tinha ganhado a eleição em Natal. No outro dia descobriu ter perdido para Aldo Tinoco, um sanitarista que não era muito conhecido. O candidato derrotado foi (o presidente da Câmara) Henrique (Alves) e o povo lá em Natal comenta muito sobre isso. Mas voltando, se eu me candidatasse, o que poderia acontecer? Eu poderia não chegar ao segundo turno. Mas ainda assim o partido seria o fiel da balança no segundo turno e sairíamos ainda mais valorizados. Mas a preocupação era sempre com as eleições para deputados e senador porque não poderia ir só o Democratas. Eu disse que garantiria dois partidos (na aliança) e com chance de angariar o apoio de outros. Mas eu disse a Agripino que precisava de um aceno de que eu seria candidata, porque não posso propor aliança sem saber se vou ser candidata. Aí ele disse que faríamos uma reunião para ouvir o diretório.

(...)
A senhora tem um bom relacionamento com a presidente Dilma?
Tenho. Relacionamento republicano.

Ela ajudou a senhora?

Sempre que procurei, ela não se negou a ajudar. Isso aí eu tenho de lhe dizer: que a presidenta não criou nenhuma dificuldade. Por exemplo: a barragem de Oiticica, que havia uma dificuldade, vai ser, não vai, se é com Dnocs (Departamento Nacional de Obras de Contra às Seca), se é com o estado. Falei com ela, na mesma hora ela ligou para a (ministra do Planejamento) Míriam (Belchior) e mandou fazer a autorização da ordem de serviço.

Esse bom relacionamento com a presidente causou algum tipo de constrangimento para a senhora dentro do DEM?

Saíram dizendo que eu votaria em Dilma. Eu disse, na verdade, que poderei votar. E disse isso porque vi ações de combate à seca com as quais eu estava plenamente de acordo. Foi uma posição em cima de algo administrativo e a maneira republicana com a qual eu fui tratada pela presidente.

Houve alguma reação contrária do partido a sua manifestação?

Isso não deve ter agradado por eu ter elogiado tanto a presidenta Dilma. Eu disse que se estiver certo, eu aplaudo. Se estiver errado, também vou dizer.

Por que o DEM diminuiu tanto de tamanho?

O partido está precisando fazer uma análise de tudo isso. E acompanhar o rumo que o Brasil está tomando. É um tempo de mudanças e o DEM permaneceu muito estático.
*****
De fato, "o DEM permaneceu muito estático". Ele representa o setor mais conservador da sociedade e agrupa velhos oligarcas, famosos por seus práticas fisiológicas e patrimonialistas. Durante a ditadura, eles mandaram e desmandaram no país, compondo a Arena, que chegou a ser considerado "o maior partido do Ocidente" - o partido dos generais golpistas. Já no reinado de FHC, eles mudaram o nome da legenda - para Partido da Frende Liberal (PFL) - e surfaram na onda destrutiva do neoliberalismo. Elegeram vários governadores, senadores e uma bancada de mais de 120 deputados federais. Com a vitória de Lula, em 2002, a sigla da velha oligarquia passou a definhar. Mudou novamente de nome - para Democratas, uma típica piada pronta -, mas não conseguiu conter a decadência.

Nas eleições de 2010, o DEM elegeu apenas dois governadores - no Rio Grande do Norte e em Santa Catarina - e uma bancada bem menor. Com a sua grave crise existencial, velhas raposas da política decidiram abandonar o time antes da sua total extinção. O pragmático Gilberto Kassab, ex-prefeito da capital paulista, fundou o seu PSB e atraiu outros velhos demos. A sigla perdeu o governo de Santa Catarina, viu a sua bancada cair para apenas 28 deputados federais e, agora, ainda enfrenta confusão com sua única governadora, Rosalba Ciarlini. Novamente, ela tem razão; "O DEM tende a sumir".   

http://altamiroborges.blogspot.nl/2014/06/rosalba-confirma-dem-tende-sumir.html#more

segunda-feira, 14 de março de 2011

DIREITA-BURRA MORRE POR INANIÇÃO DE VOTOS

A Folha de S. Paulo do dia 14/03 trata da queda da votação dos partidos de direita no Brasil, especialmente o PFL (que mudou de nome para "Democratas" , numa violência contra a Língua Portuguesa, já que democratas não existem naquela agremiação de viúvas da ditadura). 

A direita no Brasil está definhando por uma razão muito simples: não tem discurso, não defende nem os ricos (que estão faturando muito bem, obrigado) e nem pensa em elaborar um programa minimamente ideológico). Tendo como mentores intelectuais gente como Olavo de Carvalho (o velhinho pornográfico que vive nos Estados Unidos às custas da mesada que o Afif Domingos lhe manda, tirada dos comerciantes paulistas), e Reinaldo Azevedo (mais conhecido como Rei do Esgoto pelas suas baixarias e infâmias), não poderia ser outro o destino dos conservadores. 
A direita-burra, como prefiro chamar, não sabe o que fazer, a não ser agredir os governos Lula e Dilma, e tudo que tenha algum cheiro de social. Procura também vender o Brasil ao capital estrangeiro, mediante módicas comissões (o Wikileaks mostram bem a trairagem de tucanos e demos). Envolvida até o percoço em todas as maracutaias registradas no Brasil nos últimos cem anos, pelo menos, a direita jamais chegou ao poder pelo voto, a não ser quando se disfarçada de esquerda, ou de "revolucionária". Só ganha quando consegue envolver os militares em aventuras golpistas, que tanto atraso já causaram ao Brasil. 
Pelo voto, nem em 2014, nem em 2018...



Direita ideológica some do quadro partidário brasileiro

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UIRÁ MACHADO
MAURICIO PULS
DE SÃO PAULO
Partidos explicitamente da direita ideológica tornaram-se produto raro no mercado político brasileiro. As legendas "liberais" praticamente desapareceram: das oito siglas com esse nome criadas após a redemocratização do país, só resta uma.
A remanescente é o PSL, que agrega o nome "social" ao "liberal" e tem um deputado federal. Os demais representantes do liberalismo decidiram trocar de nome após o fiasco eleitoral de 2006.
O PL fundiu-se com o Prona no PR (Partido da República) no final daquele ano, e o PFL passou a se chamar Democratas no início de 2007.
A mudança fez bem ao PR. O partido elegeu 40 deputados no ano passado, contra 23 em 2006 e 26 em 2002. Já o DEM mantém rota declinante: 105 deputados federais eleitos em 1998, 84 em 2002, 65 em 2006 e 43 em 2010.