Querida amiga Luíza,
Permita-me saudá-la desta maneira informal, sem me referir ao seu mandato, que lhe deleguei junto com milhares de paulistas conscientes, e que você tem honrado com toda dignidade.
Lealmente, fico aqui imaginando que respostas você me daria diante de questões que têm me inquietado nas últimas semanas, desde que você aceitou a tarefa partidária de coordenar uma campanha eleitoral para a Presidência do nosso país. As perguntas são incômodas, talvez mais para quem as formula do que para você, dada a insignificância de quem as faz. Mas nossa amizade me faculta esta ousadia.
Em que pontos o flutuante programa da Marina Silva coincidem com o seu pensamento e prática? Você milita pela democratização da mídia e, corajosamente, contra o domínio do setor de Comunicação por um pequeno grupo de famílias. Sua candidata, só existe hoje como viável eleitoralmente porque a mesma mídia cartelizada a construiu a partir do trágico acidente que fatalizou o candidato Eduardo Campos.
Você jamais entregou São Paulo, metrópole da qual foi prefeita, ao poder econômico. Enfrentou os poderes tradicionais, a elite empresarial da construção, dos transportes, da saúde, da educação. Você foi vítima da velha mídia e até de sindicatos de servidores públicos controlados pelo PT. Sua candidata só tem compromissos com essa mesma elite, que sabe como fazer refém qualquer governante menos estruturado ideológica e moralmente do que você. Veja a rendição de outros ex-companheiros de esquerda ao poderio implacável, corruptor, desses grupos que exploram nosso Povo há séculos.Jamais te confundirei com esse tipo de políticos oportunistas, carreiristas e mal-formados.
Você sabe que sou fundador do PSB em Taubaté, cidade onde você teve seu primeiro emprego em São Paulo, dando aulas na Faculdade de Serviço Social, vindo e voltando de ônibus da Pássaro Marrom, e deixando aqui muitos amigos e admiradores desde então. Fui também membro do diretório estadual do PSB, desde os tempos de Rogê Ferreira.
Seu ingresso no PSB foi, para nós socialistas de base, verdadeiros "sonháticos" e sonhadores, uma esperança de enorme crescimento, de conquista do povo através da sua dignidade exemplar, da sua Cultura, da sua inquestionável probidade. E você sempre correspondeu às nossas expectativas, e quase sempre as superou. Sou grato, sou devedor, por toda a atenção e carinho que continuou dedicando à esta Taubaté tri-centenária e, infelizmente, ainda tão conservadora.
Fiquei indignado quando você foi condenada a devolver um dinheiro para a Prefeitura de São Paulo, o único prefeito da capital jamais condenado a algo semelhante, numa série que inclui alguns dos maiores ladrões do dinheiro público, alguns hoje só punidos na Suíça, na França e nos EUA. Participei da "vaquinha", humildemente, e lavamos sua honra que tentavam macular.
Volto às perguntas, depois desta breve rememoração pessoal que nos liga (você me concedeu por e-mail uma entrevista para meu livro "A Imprensa x Lula", outro presente):
Por que o PSB não lançou seu nome como candidata a presidenta da República, no lugar do Eduardo Campos? Será porque a candidata que o PSB de Márcio França (dono do PSB paulista há uns vinte anos, e que te nega espaço até na propaganda eleitoral, além de vender o partido por uns carguinhos do Alckmin) jamais poderia ser uma Socialista de verdade? Será que o Banco Itaú vetou seu nome?
Por que o programa do nosso PSB foi renegado e rasgado por essa candidatura caronista, que nem sequer deve tê-lo lido? O programa do PSB fala em colocar os meios de produção nas mãos dos trabalhadores. Suspeito que o poder econômico, o 1%, jamais aceitaria isso, mas é o que você assinou defender, e a sua candidata também. Você assinou por convicção; ela assinou por quê?
Para não me alongar e tomar seu tempo nesta sua inglória tarefa de eleger uma pessoa que nada tem a ver conosco e com nossos ideais, recordo-lhe dois momentos de sua larga vida de independência pessoal e compromisso com o Povo. Você saiu do PT quando o partido recusou-se a participar do Ministério do saudoso criador do Plano Real, o Presidente Itamar Franco. Você decidiu com sua consciência, com sua imensa capacidade de análise. Você fez, na minha opinião, o correto, e serviu muito bem ao Brasil. O PT errou, e reconhece isso na maneira de aplausos em cada reunião do PT a que você comparece. "Volta, Luíza!" é gritado por aqueles companheiros de base, militantes gratuitos do mesmo sonho que você tanto representou.
Recentemente, em 2012, você teve a altivez de não apoiar o candidato Haddad (mas jamais de combatê-lo) quando o PT aceitou o apoio do PP, partido presidido por Maluf. Muitos a criticaram, mas eu entendi perfeitamente. A Ética pessoal, a sua honra, está acima da disciplina partidária. Aprendi com Arraes, Audálio, Fernando Morais, Resk, Kotscho, e tantos outros de nossos amigos comuns, a servir a princípios acima de qualquer partido ou interesse pessoal.
Não quero ter motivos para crer que você tenha mudado. Não estamos mais na idade de ter ilusões de que podemos influenciar para o lado do Povo quem está cercada de inimigos ou exploradores do Povo. Você jamais transformará a Marina Silva numa pessoa livre dos compromissos que assumiu com o poder econômico e com teses que nós sempre combatemos, por significarem a submissão do Brasil a uma geopolítica e a uma política social que já sofremos juntos.
Com toda lealdade e a mais sincera amizade, tenho que informá-la que desta vez não votarei em você, que tão bem me representou no Congresso por mais de um mandato. Sei que não lhe fará diferença, e que você será reeleita. Mais que isso, desejo que nossa amizade permaneça para sempre, acima das eventuais divergências. Mas o que mais desejo mesmo, é que você não macule sua biografia apoiando qualquer projeto anti-popular, anti-soberania nacional, estimulado pela direita financista, midiática e econômica.
O Povo quer continuar confiando em você, minha querida amiga e mestra, Luíza.
Antonio Barbosa da Silva Filho
valepensar@bol.com.br
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quinta-feira, 11 de setembro de 2014
CARTA ABERTA À MINHA AMIGA LUÍZA ERUNDINA
segunda-feira, 28 de julho de 2014
ÉPOCA (DA GLOBO) FAZ ESCÂNDALO VAZIO CONTRA DEPUTADA COMUNISTA...
Como usar a estatística para ser canalha
26 de julho de 2014 | 21:50 Autor: Fernando Brito
Nos tempos de faculdade, havia uma piada – hoje certamente considerada de mau-gosto – que dizia que a estatística era como a minissaia: mostrava tudo, menos o essencial.
Hoje chega ao meu conhecimento a nota do senhor Marcelo Sperandio, auxiliar da coluna de Felipe Patury, da Época*, sobre a deputada Manuela D’Ávila, a quem mal conheço de vista e a quem não tenho, portanto, nenhum interesse pessoal em defender, a não ser do que julgo ser uma manipulação acanalhada dos números.
Diz a nota que a cidadã aumentou em 1200% seu patrimônio.
Um espanto, não é?
Aí, lê-se que a fortuna da deputada chega a 184 mil reais.
Ora, não existe nada de incompatível em ter essas economias – a maior parte em caderneta de poupança – para alguém que, como deputada, tem vencimentos de R$ 26 mil por mês.
A desonestidade moral é tanta que se escreve que ela “enriqueceu – e muito”.
Com um patrimônio de R$ 184 mil, certamente muito menor do que ele próprio ou seu chefe possuem.
O jornalismo não pode virar uma cloaca.
Um jornalista que não se escandaliza com o gasto de mil vezes mais, em valor de hoje, de gasto do dinheiro público para prover Aécio Neves de um aeroporto que, há pelo menos quatro anos, funciona como particular, não pode escrever que é escandaloso aquela senhora ter R$ 94 mil numa caderneta de poupança no Banco do Brasil.
Até a sordidez deve ter limites.
PS. Na primeira postagem, disse que eram da Veja, são da Época. E foram da Veja.
sábado, 5 de março de 2011
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