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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

FOLHA DE SP CENSURA BLOG E FOGE


Paulo Pimenta: Audiência sobre censura da Folha ao Falha será realizada

Folha de S. Paulo recusa ir à audiência na Câmara dos Deputados debater caso de censura imposto ao blog Falha
do gabinete do deputado Paulo Pimenta (PT-RS)
A Folha de S. Paulo se negou a participar da audiência pública que será realizada na próxima quarta-feira (26) pela Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados para debater o caso de censura imposto pelo jornal paulista ao blog Falha de S. Paulo. Por meio de nota, assinada pelo diretor de redação, Otávio Frias Filho, pelo editor-executivo, Sérgio Dávila, e pelo secretário de redação, Vinicius Mota, a Folha de S. Paulo informa “declinar” do convite por “discordar de seus pressupostos”. Também convocada para representar a Folha, a advogada que assina a ação contra o blog Falha, Tais Gasparin, alegou viagem ao exterior.
Autor do requerimento, o deputado federal Paulo Pimenta afirma que mesmo com a ausência da Folha aos debates a audiência será realizada. “Cada vez que um veículo jornalístico tem sua atuação limitada pela ação do Poder Judiciário, fala-se em censura, e a grande mídia e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) bradam em favor da liberdade de expressão no país. É curioso, nesse caso, que a Folha, ao se sentir atingida, tenha buscado o caminho da justiça para calar a os irmãos Lino e Mário Bochini e, além disso, não se tenha visto qualquer tipo de movimento na imprensa contestando a ação da Folha”, critica o parlamentar.
O deputado Pimenta disse ainda “lamentar” que a Folha tenha se manifestado apenas por meio de uma nota, perdendo a oportunidade de prestar esclarecimentos à sociedade brasileira e promover um debate “qualificado” sobre liberdade de expressão. “Em mais esse episódio, fica revelada a postura contraditória do jornal paulista, ao se negar a dar informações de suas ações, justo a Folha que existe e sobrevive do ato de informar. Um jornal que diz estar a serviço do Brasil, não deveria agir como se estivesse acima dos brasileiros”, avalia o deputado Pimenta.
Para um dos criadores do blog Falha de S. Paulo, Lino Bochini, a atitude da Folha de S. Paulo já era esperada. “A Folha foge desse debate, eles dizem que defendem liberdade de expressão mas não suportaram ser criticados por um blog, como o Falha de S. Paulo. Parece que o autoritarismo ainda faz parte da marca deste jornal, que apoiou a ditadura no Brasil e se sente intimidada quando provocada publicamente”, diz Lino.
Folha x Falha
Em setembro de 2010, os irmãos Mário e Lino Ito Bocchini criaram o blog Falha de S.Paulo, uma paródia ao jornal paulista. Após um mês no ar, o jornal entrou na Justiça para tirar o blog do ar. Além de cassar o endereço na web, a Folha abriu um processo contra os criadores do site, pedindo indenização em dinheiro por danos morais.
A audiência será realizada nesta quarta-feira (26), às 14h30, no plenário 3 da Comissão de Legislação Participativa. Foram convidados os criadores do blog Falha de S. Paulo, Lino Boccchini e Mario Ito Bocchini; o proprietário do jornal Folha de São Paulo, Otávio Frias Filho; o diretor de redação da Folha de São Paulo; Sérgio Dávila; a advogada do jornal paulista, Taís Gasparian; o secretário de redação da Folha de São Paulo, Vinicius Mota; e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e Associação Nacional dos Jornais (ANJ).
Leia em:

sexta-feira, 4 de março de 2011

FOLHA DE S. PAULO E A DITADURA: HISTÓRIA SUJA

A Folha de S. Paulo processou e tirou do ar um blog satírico, depois relançado sob o nome Desculpe a nossa Falha (vale a pena uma visita). Neste post, o blog traz uma primeira página da Folha da Tarde que eu considero a coisa mais nojenta da História do Jornalismo brasileiro (e olhem que a disputa é grande...): a que trata da morte do "Bacurí", jovem guerrilheiro que passou mais de 30 dias sob tortura e foi massacrado pela repressão. Trarei aqui detalhes desse caso, que revolta o estômago de qualquer pessoa civilizada. 


Folha assume com todas as letras que apoiou a ditadura militar // #menosmal

Como eu não tive saco de ler os dois cadernos especiais inteiros da Folha sobre seus 90 anos, não tinha visto isso, mas alguns leitores me avisaram e merecia o registro positivo (sério!) para o jornal que, finalmente, admitiu que apoiou a ditadura militar, inclusive com recursos materiais, por vários anos. Claro que não foi assim uma mea culpa gigante e detalhado e a admissão chega quase meio século atrasada, mas já é alguma coisa. Leia o que foi publicado após a imagem abaixo.
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Carro que o jornal cedia para o uso da repressão militar e que acabou incendiado por militantes de esquerda (essa foto não saiu na Folha)
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A Folha apoiou o golpe militar de 1964, como praticamente toda a grande imprensa brasileira. Não participou da conspiração contra o presidente João Goulart, como fez o “Estado”, mas apoiou editorialmente a ditadura, limitando-se a veicular críticas raras e pontuais.
(…) O jornal submeteu-se à censura, acatando as proibições, ao contrário do que fizeram o “Estado”, a revista “Veja” e o carioca “Jornal do Brasil”, que não aceitaram a imposição e enfrentaram a censura prévia, denunciando com artifícios editoriais a ação dos censores.
(…) A partir de 1969, a “Folha da Tarde” alinhou-se ao esquema de repressão à luta armada, publicando manchetes que exaltavam as operações militares.
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Protesto na porta da empresa quando o jornal classificou em editorial o regime brasileiro de "Ditabranda"
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Confira a íntegra do que o jornal publicou no caderno especial no item 4, “O papel na ditadura”.
E aqui o texto comentado por gente que trabalhou lá na época.
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Primeira página, digamos, comprometedora
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Diz o lide do texto da manchete acima (aqui essa primeira página ampliada): A disposição de São Paulo e dos brasileiros de todos os recantos da pátria para defender a Constituição e os princípios democráticos, dentro do mesmo espírito que ditou a revolução de 1932, originou ontem o maior movimento cívico já observado em nosso Estado: a “Marcha da Família com Deus, pela Liberdade”.
Obs: Otávio Frias de Oliveira, pai de Otavinho e Luis Frias, hoje os donos do Grupo Folha, foi combatente voluntário na chamada revolução de 1932, que tentou derrubar o governo de Getúlio Vargas. Talvez daí a menção ao movimento no texto acima (Otávio Pai era então o diretor do jornal).
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A Folha da Tarde, do mesmo Grupo Folha, era ainda pior. Aqui a primeira página do jornal quando os militares assassinaram Bacuri, talvez o caso mais horroroso de tortura no Brasil
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Desculpem a leve cagação de regra, mas por essas e por outras, os jornais têm que ser usado com muito cuidado e de forma absolutamente crítica na hora de contar a história de um país…