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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

DELEGADO DE INFORMAÇÕES DESTRÓI LIVRO DA VEJA, ASSINADO POR TUMA JR.

Delegado diz que livro de Tuma Jr. é recheado de 'deboches e bravatas'

Do Observatório da Imprensa
 
 
Por Mauro Marcelo de Lima e Silva 
Resisti à tentação de comprar o livro Assassinato de Reputações: um crime de Estado, de Romeu Tuma Júnior (Editora Topbooks 2013), mas acabei cedendo quando fui informado que havia menção ao meu nome. Li-o em três dias e cheguei à conclusão de que o título correto deveria ser “Como cuspir no prato que comeu”.
São mais de 500 páginas confusas e com imprecisões temporais, recheadas de acusações sem provas, chulices, deboches e bravatas, nas quais o autor chega ao cúmulo de dizer, com todas as letras, que seu pai, o Tumão, morreu de desgosto quando o autor foi defenestrado da Secretaria Nacional de Justiça. Pasmem: ele diz isso e acredita nisso.
Na sua visão obliterada, o autor foi exonerado ou por perseguir Daniel Dantas, que diz ser amigo do governo, ou por ter achado uma conta secreta nas Ilhas Cayman atribuída (mas nunca comprovada) a José Dirceu, ou por ter “peitado” o governo ao impedir a operação Satiagraha, ou por tudo isso junto. Para justificar tirá-lo do cargo, fantasia que o governo determinou à Polícia Federal que fizesse uma ultra-super-hiper-secreta investigação, interceptando conversas telefônicas do amigo do amigo do amigo dele para chegar até a sua pessoa e depois, por determinação de Lula, as gravações foram seletivamente vazadas a determinados jornalistas e panfletadas na internet, para assim “fritá-lo” perante a opinião pública e o governo, enfim, demiti-lo. Não bastava aí uma canetada do presidente? Mas é nessa chicana conspiratória que ele piamente acredita.
Centro das atenções
Encolerizado por ter sido tirado do cargo – onde se considerava a figura central da atual República – ele quer, neste cartapácio, limpar sua honra que julgou atingida por essa investigação. Para isso, dispara sua metralhadora giratória contra o ex-presidente Lula, contra os ex-ministros Márcio Thomaz Bastos e Tarso Genro, contra a Polícia Federal e seu ex-diretor, contra o DHPP de São Paulo, contra “os maquiavélicos do PT e da PF”, contra o PSDB, contra o Judiciário, contra promotores e procuradores, contra delegados de polícia, contra membros da Secretaria Nacional de Justiça, contra o jornal O Estado de S. Paulo, além de outras autoridades e instituições.
Compara o governo a traficante de favelas e brada ter atrapalhado o projeto de poder do PT e os interesses “da banda”. Ofende, menospreza, ridiculariza e calunia o ex-presidente Lula, apontando-o como informante do seu pai, Tumão. Ok. O papa Francisco é ateu, sabiam?! O papel aceita tudo, até infâmias.
Você, leitor, nunca verá tamanho egocentrismo nessa resma. Recheado de “eu fiz”, “eu sei”, “eu prendi e mandei prender”, “foi por minha causa”, “eu avisei”, “eu sou o melhor”, “eu tinha razão”, “foi minha idéia”, “eu propus”, “eu baixei a criminalidade”, “eu mostrei quem eu sou”, “eu investiguei os mais clamorosos casos no Brasil e no exterior”, “eu fui o cara certo na hora certa”, “eu fiz e desfiz”, “eu sou competente”, “eu, experiente policial”, “eu tenho capacidade técnica”, só faltando mesmo ele dizer “esse cara sou eu”, tamanho ego, que não cabe nas 560 páginas.
Na defesa de sua reputação, que considera mais valiosa que a sua própria vida, elogia excessivamente a si e a seus atos querendo ser o centro de todas as atenções julgando suas opiniões e interesses mais importantes que os pensamentos dos outros. Que nome poderíamos dar a isso?...
Verdade falseada
Quando discorre sobre a morte do prefeito Celso Daniel, narra um verdadeiro filme, um thrillerhollywoodiano com convicção baseada em achismos e especulações. Esquece que o crime foi duas vezes investigado pela Polícia Civil – instituição constitucionalmente investida no poder de investigação e capacitada para isso – que concluiu tratar-se de crime comum; mas para o autor, se ele tivesse investigado, teria esclarecido de forma diferente, pois tinha as melhores pistas, os melhores indícios e as melhores provas. Nessa trama, menciona “eu acho”, “provavelmente ocorreu isso”, “tive a sensação de que”, “acredito que”, “minha tese é”, “meu entendimento é”, “avalio eu”, “penso que”, ou seja, sua teoria é recheada de suposições e conjecturas diversas, chegando a afirmar que Celso Daniel morreu com expressão de sofrimento no rosto. Ora, como ensinado em Medicina Legal, cadáveres não têm expressão de sofrimento – algo talvez apregoado na Idade Média – pois é sabido que, após a morte, toda a musculatura do corpo relaxa, sendo impossível um cadáver estampar qualquer tipo de sentimento.
No mais fino exemplo de jactância, ele compara o Tumão, seu pai, ao Pelé da Polícia, talvez se enxergando como um Neymar desconvocado pelo Felipão...
Entre as afirmações mais absurdas, está a de que Lula foi “aluno de seu pai e aprendeu bem”, pois usou o “talento investigativo adquirido para propósitos inconfessáveis”. Chama o ex-presidente de vingativo e o acusa de criar um Estado policial e de fabricar dossiês. Afirma ter sido um “fraldão” do governo, eleito alvo pelo Palácio, precisando ser alvejado, transposto e abatido. Quando cheguei ao capítulo em que diz que ajudou seu pai a esclarecer o caso Joseph Mengele, confesso que pulei para o próximo, mas quase desisti de ler o resto, quando, na página 318, ele afirma ter ensinado ao jornalista Boris Casoy o bordão “Isso é uma vergonha!” Quanta pretensão.
Escrito a quatro mãos e quatro pés, é nítida a participação do coautor, digamos, no floreamento dos parágrafos, principalmente nas menções de leitmotif, “Razão Instrumental de Max Weber”, “leviatã de Thomas Hobbes”, “Politiburo”, “Soljenitsin”, “devir da filosofia”, “endoxa de Aristóteles” dentre outras. Destila ainda seu ódio à ferramenta de pesquisa do Google, chamado por ele de “Tribunal Superior do Google”. Será que ele sabe o que é e como funciona essa ferramenta de pesquisa, que faz a indexação de mais de 40 trilhões de páginas na web?
Talvez a única coisa correta nesse emaranhado de papéis seja o título, por meio do qual o autor – ou autores – tentam assassinar a reputação do ex-presidente Lula e demais autoridades e instituições que, pela sua ótica deturpada, tramaram pela sua exoneração.
A propósito, sou citado no livro em algumas passagens onde o autor falseia a verdade, inclusive atribuindo a si a minha indicação para fazer um curso fora do país. Ele mente. Nunca houve tal interferência. Minha conclusão? Ele – ou eles – vão precisar contratar bons advogados.
***
Mauro Marcelo de Lima e Silva é delegado de polícia em São Paulo, foi diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e é ex-diretor de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo
http://jornalggn.com.br/noticia/delegado-diz-que-livro-de-tuma-jr-e-recheado-de-deboches-e-bravatas

sábado, 4 de janeiro de 2014

TUMINHA ESCONDE QUE SEU PAI OCULTAVA CADÁVERES DE PRESOS



Organizador de “Habeas Corpus” acredita que livro contribuirá para a Comissão da Verdade

Carlos Azevedo pondera que sistematização de documen-
tos sobre desaparecidos da ditadura militar é fruto de 
décadas de esforço de familiares e ajuda a recontar epi-
sódios do regime repressor

por João Peres, da RBA publicado 13/01/2011 19:31, 
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São Paulo – O livro “Habeas Corpus – Que se apresente o corpo”, recém-lan-
çado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, será 
um importante instrumento para a futura Comissão Nacional da Verdade, que 
terá o papel de restaurar a verdade sobre a ditadura militar.
Carlos Azevedo, editor-chefe da redação responsável pelo trabalho, entende 
que a grande contribuição é fazer a sistematização de um material acumulado 
ao longo de décadas. “Poderia dizer que é um trabalho de 40 anos de apuração. 
Foram se somando os documentos levantados pela sociedade desde que se 
abriram alguns arquivos, com o fim da ditadura. Nos últimos anos, a Secretaria 
de Direitos Humanos teve um papel de acelerar essa sistematização”, avalia.
Azevedo ressalta que os esforços do Ministério Público Federal em São Paulo 
como centrais para esse levantamento de dados foi importante para o trabalho.

    O livro teve como foco recontar a história de 184 desaparecidos políticos. Por 
    isso, o esforço de compilação do material trará importantes subsídios ao traba-
    lho da Comissão da Verdade. Enviado ao Congresso no ano passado, o Projeto 
    de Lei 7376 prevê a apuração dos crimes cometidos pelo Estado entre 1946 e 
    1988.
    A comissão a ser criada pela Casa Civil teria sete integrantes indicados pelo pre-
    sidente da República que tenham como pré-requisito o “respeito aos direitos hu-
    manos”. 
    Em 2007, a Secretaria de Direitos Humanos lançou os livros da série “O direito 
    à memória e à verdade”, que se tornaram um importante material de referência 
    para esclarecer alguns dos episódios da ditadura. Azevedo avalia que “Habeas 
    Corpus” é a sequência deste esforço de apuração, reunindo documentos e fatos 
    surgidos ao longo dos últimos anos. 
    Além da história de 184 desaparecidos políticos, a obra soma os avanços obtidos 
    nas buscas por corpos no Araguaia e joga novas luzes sobre o papel de Romeu Tu-
    ma no aparato repressor. Como narrado pela repórter Marina Amaral, o livro re-
    força o papel do político falecido no ano passado na produção de atestados de óbi-
    to com nomes falsos, na simulação de “suicídios” e “tiroteios” em inquéritos, na 
    ocultação dos fatos que levaram à morte de dezenas de desaparecidos e no sumiço 
    de seus corpos. “Os depoimentos dos camponeses do Araguaia indicavam que o 
    Tuma ia à região, com o nome de delegado Silva, e que sua equipe era especializa-
    da em ocultação de cadáveres. Ou seja, o grande coveiro da ditadura”, pondera 
    Azevedo.
    A ocultação de corpos é, sob a legislação internacional, um crime continuado, ou 
    seja, não prescreve enquanto não for localizada a vítima. É esse um dos fundamen-
    tos da decisão proferida no último mês de dezembro pela Corte Interamericana de 
    Direitos Humanos, que definiu que o Estado brasileiro é culpado por não haver so-
    lucionado esse capítulo da ditadura. Ao analisar os crimes cometidos por militares 
    no episódio da Guerrilha do Araguaia, a entidade integrante da Organização dos Es-
    tados Americanos (OEA) determinou que o Brasil adote as medidas necessárias a 
    virar esta página da história, entre elas a punição dos torturadores.
    O título de “Habeas Corpus” transforma-se, portanto, numa interessante sugestão, 
    à medida que resgata o sentido original da expressão em latim que significa “apre-
    sente-se o corpo”. “É uma provocação. Não para os militares em especial, mas pa-
    ra a sociedade como um todo, para que se dê conta de que é preciso encontrar os 
    corpos para poder virar essa página”, pontua o organizador da obra. 
    Paulo Vannuchi, ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos, aponta na apre-
    sentação do trabalho que há uma dívida inegável que precisa ser resgatada. “O reco-
    nhecimento da responsabilidade do Estado pelas violações de Direitos Humanos 
    praticadas durante a ditadura já está consolidado. Mas ainda faltam alguns passos 
    indispensáveis para que se considere plenamente concluída a longa transição para 
    uma democracia irreversível.” 

    sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

    FHC NEGA MENTIRA DE TUMA JR. SOBRE LULA

    Paulo Moreira Leite
    Diretor da Sucursal da ISTOÉ em Brasília, é autor de "A Outra História do Mensalão". Foi correspondente em Paris e Washington e ocupou postos de direção na VEJA e na Época. Também escreveu "A Mulher que Era o General da Casa".


    FHC ENTERROU TUMINHA


    Ex-presidente merece elogio por recusar-se a fazer parte de uma farsa


     Por duas vezes, no programa Manhattan Conection, Diogo Mainardi sugeriu 
    a  Fernando Henrique Cardoso que fizesse comentários sobre a denúncia do 
    delegado Romeu Tuma Jr de que Luiz Inácio Lula da Silva foi “alcaguete” 
    do ditadura.
     Nas duas vezes, FHC desmentiu Diogo e Tuminha. Deixou claro que a his-
    tória é falsa.
     É um testemunho importante, considerando quem é e quem foi. Lula fez 
    campanha para Fernando Henrique em 1978. Os dois percorreram portas 
    de fábrica e falaram em comícios. Mais tarde, estiveram juntos numa ar-
    ticulação pela criação de um partido político de esquerda, mas o projeto 
    não deu certo.
    Os dois tomaram caminhos separados a partir de então e hoje são os ad-
    versários que polarizam a política brasileira.
     Já fiz criticas duras ao comportamento de  Fernando Henrique diante 
    de fatos políticos recentes, como a ação penal 470. Considerando o que 
    ele sabe, viu e fez durante sua carreira política, eu acho que ele não 
    poderia unir-se ao coro dos ingênuos e dos espertalhões que esperam 
    derrotar o governo Lula na Justiça – já que não conseguem fazer isso 
    pelo voto. Não vamos criminalizar ninguém.
    Mas diante até de confissões gravadas de parlamentares que venderam 
    seus votos na emenda que permitiu sua reeleição FHC não precisava  
    bater palmas para o STF e dizer que o país precisa seguir em frente, 
    não é mesmo?
     O debate aqui é outro, porém.
     A divulgação orquestrada do livro de Tuma Jr não obedece a nenhum 
    interesse legítimo. É apenas mais uma operação destinada a atacar o ex-
    presidente, sem fatos concretos nem um fiapo de prova. Quem dá curso 
    a esse tipo de ação deveria sentir vergonha, até porque não entendeu o 
    país em que vive. 
    Pressionado a fazer parte de uma mentira, Fernando Henrique recusou-se 
    a agir  abaixo de sua dignidade.
     Respeitou a memória do país e sua própria história.
     Os brasileiros só tem a ganhar quando um ex-presidente lembra que a 
    única forma decente de participar da  luta política, tão natural numa 
    democracia, consiste em respeitar a verdade dos fatos. 

    segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

    TUMA JR. ERA DELEGADO DO DOPS COM 17 ANOS, DIZ A VEJA...