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sábado, 26 de abril de 2014

NASSIF: CASO PASADENA FOI ERRO DE COMUNICAÇÃO, NÃO MAU NEGÓCIO

Os erros da Petrobras, de Dilma e da mídia no episódio Pasadena

É curiosa a maneira como se desenvolve o jogo de slogans no mercado de notícias.
 
Com uma exceção, a entrevista de José Sérgio Gabrielli ao Estadão sobre o caso Pasadena bate integralmente com o depoimento de Graça Foster no Senado - ele, ex-presidente, ela, atual presidente da Petrobras.
 
Até analistas sérios têm batido na falsa tecla de que Gabrielli afirmou que era um bom negócio; e Graça garantiu que era um mau negócio. Virou o bordão repetido em todas as matérias e análises
 
Ambos disseram a mesmíssima coisa:
 
1. Em 2006, a compra da refinaria de Pasadena era um bom negócio.
 
2. Deixou de sê-lo a partir da crise mundial de 2008.
 
A exceção: Graça e a presidente Dilma Rousseff querem imputar a responsabilidade total do erro à diretoria executiva; Gabrielli pretende compartilhar da responsabilidade.
 
A crítica técnica
 
Houve um erro coletivo, sim.
 
Adquiriu-se a refinaria em pleno boom do mercado de commodities. Os dados apresentados, inclusive sobre o preço das refinarias, mostrava um aquecimento incomum do mercado em relação aos anos anteriores. O preço pago era inferior a média das negociações do período. Mas em 2005 a média das negociações era muito superior à média dos anos anteriores, sinal nítido que o setor passava por um momento de especulação.
 
A pergunta que não foi feita pelo Conselho: o que acontecerá com o investimento e a associação com a Astra se o mercado desabar e voltar, por exemplo, aos níveis de 2004. Simples assim.
 
Em todos os mercados, especialmente nos mercados de commodities, há uma preocupação permanente com o hedge, as formas de defesa contra grandes oscilações de mercado. É evidente que não passava ainda pela cabeça de ninguém que, logo depois, estouraria uma crise internacional da mesma dimensão da crise de 29. Mas havia sinais claros de que o mercado de commodities passava por um grande movimento especulativo, devido à ação dos fundos especulativos.
 
A Astra conseguiu seu hedge: a cláusula "put" - pela qual um dos lados poderia oferecer sua parte ao outro, de acordo com regras de precificação dos tempos de bonança. Ou seja, mesmo que o mercado desabasse, ela teria assegurado à sua parte o preço dos tempos de bonança. A Petrobras ficou com a broxa na mão. Mas só percebeu quando a Astra acionou a cláusula put.
 
Em toda operacao com poucos sócios, a regra de saída é elemento central de análise. Foi erro do Conselho não ter solicitado essas informações. 
 
Foi um erro coletivo, sim, mas a que praticamente todas as grandes empresas de commodities estiveram sujeitas nesse período de intensa especulação.
 
Presidente da Vale, Roger Agnelli foi demitido pelo Bradesco devido às suas aventuras temerárias na aquisição de grandes minas com alto teor de risco. Na época, a velha mídia em bloco sustentando que sua cabeça tinha sido pedida por Lula. E bastaria conversar com os dirigentes do Bradesco para saber que foi a aventura de Simandou - muito pior que o caso Pasadena - que determinou seu fim.
 
No exterior, a Anglo American e a Rio Tinto meteram-se em desastres semelhantes, movidos pela corrida louca que marca tempos de especulação.
 
A pressão da corrida especulativa
 
Mesmo assim, não é fácil não entrar nessa corrida. Olha-se do lado, os competidores avançando, os grandes bancos de investimento estimulando com crédito barato ou planos de negócios favoráveis, o capitalismo mundial mudando, com o avanço das multinacionais de países emergentes.
 
Está-se em uma mudança paradigmática na economia mundial; ou no fim de um ciclo de especulação? Na bucha, no fragor do jogo, não tem resposta fácil. Se entra, arrisca-se a ter prejuízo; se não entra, arrisca-se a perder o bonde.
 
Tudo isso cria o caldo para as grandes apostas estratégicas, que podem dar certo ou não.
 
A Petrobras tem várias apostas que deram certo; e algumas que deram errado.
 
A criminalização de um erro de planejamento faz parte do jogo da oposição. E foi possível devido à atitude da presidente Dilma Rousseff de não se comportar como uma comandante, compartilhando do erro com os subordinados.
 
O que causa espécie é ver jornalistas sérios embarcarem nessa história de que as explicações de Graça Foster e Gabrielli são contraditórias entre si.
 
A insistência com que alguns jornalistas  repetem essa farsa beira a desonestidade intelectual.

http://jornalggn.com.br/noticia/os-erros-da-petrobras-de-dilma-e-da-midia-no-episodio-pasadena

quinta-feira, 24 de abril de 2014

VERDADES: PASADENA FOI VANTAJOSA E ESTRATÉGICA

Informações prestadas pelo ex-presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli:
(…)

Vamos aos mitos: o primeiro refere-se ao fato de que o antigo proprietário 

de Pasadena, o grupo Astra, pagou US$ 42,5 milhões pela refinaria e depois 
revendeu à Petrobras por US$ 1,25 bilhão.

A verdade é que a Astra desembolsou US$ 360 milhões antes de revender 

por US$ 554 milhões, sendo US$ 259 milhões pagos pela Petrobras em 2006, 
como afirmou a presidente da empresa, Graça Foster, e US$ 295 milhões 
posteriormente à disputa judicial, já em junho de 2012, mas considerando 
as condições de mercado de 2006. O crescimento da demanda de derivados 
nos EUA, sobretudo de 2004 a 2007, levou a um aumento progressivo no 
preço das refinarias, contudo, o valor de Pasadena foi inferior à média das 
transações em 2006.

Outro mito aponta para suposto equívoco do Conselho de Administração na 

compra de refinaria no exterior. O fato é que a decisão atendia ao planejamento 
estratégico da companhia definido em 1999, no governo FHC, que previa investir 
em refino no exterior para lucrar com a venda de derivados de petróleo, 
sobretudo no mercado americano. 

(…)

Em 2004, o mercado brasileiro de consumo de combustíveis estava estável havia 

uma década, enquanto a demanda no exterior era crescente. A Petrobras 
seguiu estratégia recorrente: pagar mais barato por uma refinaria de óleo 
leve e adaptá-la para processar óleo pesado. 

A aquisição de Pasadena foi aprovada pelo conselho porque era vantajosa e atendia 

ao planejamento estratégico. A decisão foi pautada em parecer financeiro do 
Citigroup, que, entre 2003 e 2012, atuou em 125 transações do setor. Empresários 
que participavam do conselho e não pertenciam ao governo foram favoráveis à 
compra. 

O terceiro mito é que as cláusulas “put option” (opção de venda) e “marlim” 

(referente ao petróleo brasileiro) seriam as responsáveis por transformar um 
bom negócio no momento da compra em um mau negócio no cenário entre 2008 e 
2012.Neste período, o mundo mudou, nós descobrimos o pré-sal e o planejamento 
estratégico da Petrobras acompanhou as mudanças. O mercado de derivados nos EUA 
se alterou drasticamente. Foram as variações de margens de refino e os diferenciais 
de preço entre o petróleo leve e pesado que fizeram a lucratividade de Pasadena variar. 
Enquanto isso, no Brasil, a demanda por derivados se aqueceu, levando a companhia 
a investir em refino interno. 

Quanto à cláusula “marlim”, que garantiria a rentabilidade de 6,9% à sócia da 

Petrobras no caso de duplicação da capacidade de refino, ela é inócua. Como 
não houve o investimento, e essa é a razão da disputa judicial, ela não é válida. Isso 
foi reconhecido pela Justiça americana. 
http://www.conversaafiada.com.br/politica/2014/04/24/cpi-gabrielli-e-a-melhor-arma-do-
governo-fala-yousseff-fala/

quarta-feira, 23 de abril de 2014

É MENTIRA QUE PASADENA CUSTOU UM BILHÃO DE DÓLARES

Gabrielli defende compra de refinaria pela Petrobras e rebate "mentiras"

Fernanda Calgaro
Do UOL, em Brasília

O ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli saiu nesta terça-feira (8) mais uma vez em defesa da compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), pela Petrobras e disse que "mentiras" e "versões fantasiosas, publicitárias e eleitoreiras" sobre o negócio têm sido "insistentemente" veiculadas.
Suspeita de ter representado um prejuízo milionário, a aquisição da unidade pela Petrobras tem sido alvo de investigações em diferentes órgãos, como o Ministério Público e a Polícia Federal.
Gabrielli negou, porém, que a belga Astra Oil tenha pagado apenas 42 milhões de dólares pela refinaria um antes de vender 50% da unidade à Petrobras por 360 milhões. Segundo ele, quando a Astra adquiriu a refinaria, havia uma dívida de 200 milhões e foi preciso também fazer investimentos da ordem de 84 milhões. 
"[A primeira mentira é que] A refinaria custou 42 milhões de dólares [ao ser comprada pela Astra] e foi comprada por 1 bilhão de dólares pela Petrobras. Isto é mentira. É mentira porque não custou 42 milhões de dólares. A empresa que adquiriu investiu mais 84 milhões e tinha uma dívida de 200 milhões, portanto, vamos para 326 milhões de dólares", afirmou em entrevista coletiva.
O ex-presidente da estatal negou também que o negócio tenha custado à Petrobras mais de 1 bilhão de dólares. Disse que o custo foi de 486 milhões de dólares e a diferença se explica porque foi preciso adquirir estoques, posteriormente revendidos, e pagar despesas judiciais e bancárias.
"A diferença entre 486 milhões de dólares e 1,1 bilhão [de dólares] são referentes a estoques que foram comprados e revendidos, portanto, tem que se colocar a revenda dos estoques, foram despesas bancárias para garantir a comercialização do produto e foram despesas judiciais. Portanto, o custo da refinaria foi 486 milhões de dólares e ela, originalmente, incluía na dívida, era 336 milhões. Portanto, um negócio absolutamente normal", disse.
Gabrielli argumentou ainda que a compra da refinaria foi um "bom negócio" e fazia parte da estratégia da Petrobras à época de expandir o refino para os Estados Unidos.
"A segunda ideia que precisa ser desconstruída porque é falsa, a de que foi um mau negócio. A refinaria foi um bom negócio naquele momento, ela refletia uma estratégia que a Petrobras vinha definindo desde 1999, que era uma estratégia de conseguir refino nos EUA, portanto era uma estratégia do governo anterior ao nosso."
A presidente Dilma aprovou a compra de 50% da refinaria de Pasadena quando era chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobras, em 2006. Em 2005, um ano antes de a Petrobras decidir fazer o negócio, a empresa de origem belga Astra Oil havia comprado a refinaria por US$ 42,5 milhões, valor agora contestado pelo ex-dirigente. O valor total pago pela Petrobras na transação foi de US$ 1,2 bilhão.
A posição do ex-dirigente diverge do entendimento da presidente Dilma. Ela admitiu publicamente ter autorizado a compra com base num documento "tecnicamente falho" e que, se soubesse de todas as cláusulas, certamente não a teria aprovado.
Ao ser questionado sobre a contradição, Gabrielli desconversou: "É correta a visão da presidente que não tinha todas informações, como é correto que o negócio foi correto. São duas coisas absolutamente compatíveis e perfeitamente explicadas".
Pouco antes, Gabrielli havia se reunido a portas fechadas na Câmara dos Deputados com a bancada petista para dar subsídios aos parlamentares para rebater ataques da oposição, empenhada em criar uma CPI para investigar denúncias de irregularidades na estatal.
"A bancada queria saber fatos e combater as versões fantasiosas, publicitárias e eleitoreiras que estão sendo veiculadas persistentemente. Vocês sabem que uma mentira repetida inúmeras vezes vira verdade", afirmou.