Mostrando postagens com marcador blogueiros brasileiros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador blogueiros brasileiros. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

DESENVOLVIMENTO HUMANO: PIG MENTIU PRÁ VOCÊ!

IDH: Lula está certo, venderam jornal velho


Publiquei um post no blog  Projeto Nacional que, pelo tema, achei conveniente reproduzir aqui:
“Vocês devem ter lido que o ex-presidente Lula, no meio de um sério tratamento de saúde, abalou-se para reclamar dos números do Índice de Desenvolvimento Humano divulgados quarta-feira, com grande estardalhaço.
Nele, o Brasil subia apenas uma posição, ficando em 84° lugar, entre 187 países. E ainda caía, quando levados em conta os indicadores de igualdade/desigualdade social.
Prato feito para nossa imprensa.
Se não é Lula, sem voz, estrilar, virava verdade.
Mas, como ele estrilou, é só convidar os jornalistas a visitarem, no site da própria ONU, a página que dá a informação sobre de onde eles tiraram estes dados.
É aqui:http://hdr.undp.org/en/media/List_of_surveys_used_for_2011_IHDI_estimation.pdf
E lá você vai ver que as estatísticas usadas foram as da Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar, PNAD, do IBGE, que é divulgada anualmente, com dados do ano anterior.
A que o ranking do IDH usou é a de 2005, com dados de 2004!
A de 2009 está disponível no site do IGBE, com os dados do ano de 2008, como você pode ver aqui.
Agora, compare o que acontecia em 2004 com este gráfico publicado semana passada sobre renda e desigualdade no Brasil pela The Economist, no qual traduzimos os títulos, sem mexer nos dados.
Venderam a todo mundo o jornal de ontem. De ontem, não, de seis anos atrás.”

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

LUTO TUCANO: BRASIL SERÁ MAIS RICO QUE A INGLATERRA

Brasil deve superar Reino Unido como a 6ª maior economia do mundo neste ano

O Brasil deve ultrapassar o Reino Unido e se tornar a sexta maior economia do mundo, segundo projeções da consultoria EIU (Economist Intelligence Unit), braço de pesquisa da revista britânica The Economist.

A estimativa mais recente prevê que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro alcance US$ 2,44 trilhões, ante os US$ 2,41 trilhões do PIB britânico. Em 2010, ao deixar a Itália para trás, o Brasil já havia alcançado o sétimo lugar.

Para Robert Wood, economista-chefe da EIU para o Brasil, a expansão do país se deve ao crescente consumo da população e à relação de comércio com a China, grande consumidora de commodities brasileiras como soja e minério de ferro. "O fato de a economia brasileira ultrapassar as de países desenvolvidos reflete os efeitos da entrada de grandes segmentos pobres na classe média", afirma.

Como a economia brasileira cresce em ritmo menor que a de outros emergentes, em 2013, o país deverá perder a sexta posição para a Índia. Mas, segundo a EIU, voltará a recuperá-la em 2014, ano da Copa do Mundo, ao ultrapassar a França.

Até o fim da década, o PIB brasileiro se tornará maior do que o de qualquer país europeu, de acordo com projeções da EIU. Após passar Reino Unido e França, a economia brasileira deverá deixar a alemã para trás em 2020 e chegar ao quinto lugar.

Resistindo à crise financeira de 2008 e 2009, o Brasil cresceu 7,5% em 2010. A EIU estima que a economia do país avançará 3% neste ano, e 3,5%, em 2012, enquanto o Reino Unido crescerá 0,7% nos mesmos períodos.

BRASIL NA DIREÇÃO DA UNESCO!

Brasil é eleito para conselho executivo da Unesco

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil foi eleito nesta quarta-feira para um mandato de quatro anos (2011-2015) no conselho executivo da Unesco, agência da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, informou o Itamaraty em nota.
O conselho, composto por 58 países, é responsável pelo acompanhamento da execução do programa de trabalho e do orçamento da Unesco e um dos principais órgãos diretores da organização.
"A candidatura brasileira ao conselho executivo reflete a importância atribuída pelo país à organização em seu papel de promotora de uma cultura da paz, do diálogo de civilizações e da diversidade cultural", afirmou a nota.
Segundo o Itamaraty, o país vai defender a relevância do mandato da Unesco "em educação, ciência e cultura, com ênfase na intensificação da cooperação em benefício do mundo em desenvolvimento."
(Por Bruno Marfinati)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

VIDA NO BRASIL ESTÁ MELHOR QUE NO EXTERIOR


Brasileiros acordam do sonho americano e estão vivendo melhor na terra natal, diz “LA Times”

Via O Globo

Reportagem publicada – e com chamada na primeira página – na edição de sexta-feira, dia 2, do jornal estadunidense Los Angeles Times apresenta histórias de brasileiros que deixaram o sonho norte-americano para trás após a crise de 2008 em busca de uma vida melhor da volta ao Brasil. O retorno não se deveu à concretização do desejo dos que imigram para os EUA – ganhar dinheiro suficiente para voltar ao país natal e iniciar uma vida próspera –, mas à certeza de que a terra das oportunidades hoje é o Brasil.

“Desde que a crise econômica atingiu os EUA há três anos, a economia brasileira segue crescendo e a moeda, o real, se valorizou significativamente frente ao dólar. A taxa de desemprego está em seu nível mais baixo historicamente, e a renda, especialmente das classes média e baixa, está crescendo rapidamente. Em muitos setores, os trabalhadores brasileiros ganham mais do que os norte-americanos”, diz o texto.

Segundo a reportagem, não são só os brasileiros que moram nos EUA que estão voltando, mas também os que estão em outros países ricos, como o Japão. Além disso, o fenômeno, confirmado pelo embaixador Eduardo Gradilone Neto, subsecretário-geral das Comunidades Brasileiras no Exterior, afeta trabalhadores não qualificados e também os especializados.

Um dos brasileiros citados na matéria trabalhava na construção civil e chegou a ser pego pela Imigração. Agora, de volta ao Brasil, Marcos “Beto” Lopes da Silva, de 37 anos, ganha o equivalente a algo entre US$1.250,00 e US$2.500,00 com a venda de cartuchos para impressoras e diz que pretende voltar aos EUA, “mas só de passagem”.

domingo, 8 de maio de 2011

EDÚ GUIMARÃES NO ENCONTRO DE BLOGUEIROS DO RIO

Democratizar comunicação para democratizar o Brasil

  • Buzz This
  • Post to Google Buzz
  • Bookmark this on Delicious
  • Bookmark this on Digg
  • Share on FriendFeed
  • Share on Facebook
  • Share on LinkedIn

Reproduzo o teor da palestra que proferi ontem no Encontro dos Blogueiros Progressistas do Rio de Janeiro.
—–
Boa noite, senhoras e senhores.
Na semana que se encerra, estudo do IBGE revelou que o Rio de Janeiro é um dos dois Estados que ultrapassou São Paulo em termos de riqueza relativa. Como paulista, reconheço que tal fato condiz perfeitamente com o espetáculo de organização e de competência que desaguou nesta edição carioca dos encontros estaduais de blogueiros progressistas. Aceitem, portanto, meus cumprimentos, senhoras e senhores organizadores deste evento.
Democratizar a comunicação para democratizar o Brasil. O tema da palestra encerra possibilidades inesgotáveis. Supõe, primeiro, e com grande propriedade, que nem um, nem outro (comunicação e país) são democráticos. E não são. Se este país AINDA não é totalmente democrático, a comunicação arca com grande parte da culpa.
A comunicação concentrada e antidemocrática que este país ainda tem em pleno século XXI é, ao mesmo tempo, causa e efeito da falta de democracia que nos aflige, ao povo brasileiro.
Definitivamente, ainda não somos um país efetivamente democrático. Não é democrático um país em que um jornalista que assassinou uma garota cheia de sonhos pelas costas, como fez um ex-diretor de Redação de uma das pragas midiáticas que infestam este país, jamais tenha sido punido; não é democrático um país em que os que têm maior instrução formal, se cometerem crime, desfrutam de “prisão especial”, quando, na verdade, supostamente deveriam ter pena maior por terem maior condição de discernir entre o que é certo e errado; não é democrático um país em que o décimo mais rico da população concentra pelo menos metade da riqueza.
E, se alguém perguntar como chegamos a isso, a resposta, fatalmente, será a de que a comunicação viabilizou a tragédia. Ainda durante esta semana ficamos sabendo que, entre 1964 e 1985, no período em que vigeu a ditadura militar, a concentração de renda brasileira, que nada honrosamente figura entre as dez piores do mundo, experimentou um crescimento brutal.
E o que é pior: demorou ainda uma década, após o fim da ditadura, para que essa chaga começasse a diminuir. Foi só partir de 1998, ao fim do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, que o Brasil começou a trilhar de volta o caminho de desigualdade. Ou seja: perdemos cerca de 35 anos para começarmos a nos recuperar de uma tragédia que só se materializou graças à ajuda inestimável justamente da comunicação, da imprensa.
Se fosse “só” isso, não seria tão trágico. O problema é que, além de ajudar a tornar o Brasil um país mais injusto, a comunicação de meados do século passado ainda viu acontecer um imenso roubo de recursos públicos que foram graciosamente doados a legítimos gangsters, que, com o dinheiro dos impostos dos espoliados, erigiram os impérios de comunicação que configuram concentração ainda maior do que a da renda.
Recentemente, pudemos ter a dimensão de quanto dinheiro público os ditadores enterraram nas empresas de comunicação de algumas poucas famílias. Umas das multinacionais que vieram explorar a privataria que se abateu sobre o Brasil na última década do século XX, a Portugal Telecom, vendeu a sua parte no portal de Internet UOL. O preço de um quarto daquela “maravilha” foi de nada mais, nada menos do que 350 milhões de reais.
Um simples portal de internet, portanto, vale coisa de 1,5 bilhão de reais. E é uma parte ínfima da gigantesca e monstruosa hydra em que se constitui a imprensa golpista que ajudou a tornar o país ainda menos democrático do que era quando os militares deram o golpe, nos idos de 1964.
Sim, para democratizar realmente o país haverá que democratizar a comunicação. A comunicação antidemocrática levou os brasileiros a cometerem erros como o de elegerem um Collor, por exemplo. Só ampliando as fontes de informação e o espectro de opiniões é que a sociedade poderá dispor de subsídios para tomar decisões cruciais como a de em quem votar, ainda que tenhamos melhorado muito graças ao método de tentativa e erro.
Mas ainda falta muito.
Nesse aspecto, a internet, que tantos gols vem marcando, está democratizando a comunicação independentemente da urgente democratização dos meios tradicionais, com destaque para a comunicação televisiva, a cereja do bolo comunicacional, que não pode mais produzir um nível como esse de propriedade cruzada daqueles meios. Cada internauta, blogueiro, tuiteiro, ao criar um perfil na rede se torna um meio de comunicação.
Haverá maior democratização da comunicação do que cada cidadão poder ser um meio de difusão em potencial de informações, idéias e propostas? Os encontros estaduais de blogueiros que se espalham pelo Brasil, reunindo centenas de pessoas, simbolizam a nova era que se descortina e finalmente nos vêm dando o meio de democratizar a comunicação para democratizar o Brasil. Antes tarde do que nunca.
Muito obrigado pela atenção.


sábado, 30 de abril de 2011

É PRÁ RIR: MANCHETE ENGANOSA DO UOL...

O portal UOL diz em manchete que o Brasil cresceu no menor ritmo dos últimos dez anos!
Você pensa em PIB, renda, Economia? Tá enganado: trata-se de crescimento demográfico, aumento da população...rsrsrs
O OUL (que pertence à Folha de S. Paulo, não perde a chance de tentar jogar seus assinantes contra o Governo. Mas a verdade sempre aparece...


Clique na imagem para ampliar e divirta-se.

quinta-feira, 17 de março de 2011

E O CAOS FERROVIÁRIO, NINGUÉM VÊ?

Uma das coisas que mais me irritam no Brasil, e isso vem de longe, é o desmantelamento do transporte ferroviário nacional, desde antes das privatizações de Fernando Henrique, mas agravado por elas. O Brasil é um dos poucos países de economia pujante que transporta quase toda sua produção em caminhões, o que eleva custos, polui, e provoca milhares de acidentes com vítimas por ano.

Não há justificativa técnica ou econômica para este absurdo. A única explicação que encontro é que o lobby das fabricantes de automóveis e caminhões, junto com as distribuidoras de petróleo vem corrompendo os vários governos para que permitam tamanha distorção. 
Talvez os muito jovens nem saibam o que é viajar de trem, porque no Brasil de hoje só existem três ou quatro pequenos trechos explorados pelo Turismo, como a Curitiba-Paranaguá (na verdade, termina em Morretes). Quando estudava em Mogi das Cruzes, em 1977, eu ia de Taubaté a Mogi de trem, todas as segundas-feiras.
Na Holanda, viajo principalmente de trem. Para ir de Delft a Haia, em quinze minutos, há oito trens por hora! É assim em qualquer país civilizado, na Europa, no Japão, no Canadá. Só o Brasil prefere as rodovias. 
Nesta entrevista publicada no excelente jornal Brasil de Fato (compre nas bancas ou assine, até para apoiar um dos poucos órgãos sérios da imprensa brasileira), um especialista descreve o mal que os governos fizeram a nossas ferrovias e ao País. Transcrevo apenas uma parte, recomendando que leiam a íntegra no site do jornal:


Privatizadas, ferrovias patinam no Brasil

Setor, que seria alternativa à dependência das rodovias no Brasil, patina nas mãos de um monopólio

14/03/2011

Pedro Carrano
de Curitiba (PR)

Acidentes em trens de cargas, descarrilamentos e até denúncias de trabalho escravo viraram rotina na vida das concessionárias que se apropriaram dos ramais ferroviários brasileiros desde a década de 1990. Naquela época, sob gestão do BNDES, houve a quebra do monopólio público. Desde então, as promessas de ampliação e modernização da malha ferroviária não se concretizaram. As principais empresas controladoras hoje são a Vale e a América Latina Logística (ALL). Como demonstra o especialista Paulo Sidnei Ferraz, a população é refém de um modelo de transportes dependente do modal rodoviário, que responde ao interesse econômico do frete rodoviário e mantém a lucratividade nas mãos de dois grupos privados nas ferrovias. Uma alteração desse quadro passaria pela retomada do monopólio público. Em entrevista ao Brasil de Fato, Ferraz, diretor do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR), analisa que a matriz de transporte ferroviário e a navegação de cabotagem, no lugar do rodoviário, seriam saídas para o tema ambiental e para a diminuição da queima de combustível.

Brasil de Fato – Quais empresas detêm o monopólio das ferrovias no Brasil e que prejuízo causam para a população?
Paulo Sidnei Ferraz – Transcorridos 14 anos da desestatização das ferrovias no Brasil, temos a desativação de vários ramais, ou seja, 40% da malha arrendada aos concessionários, que isolou tradicionais cooperativas, assim como prejudicou médios e pequenos produtores. Outro problema sério é a falta de modernização e aumento real da frota de locomotivas, que impede a ampliação da oferta de transporte ferroviário, sendo apenas atendidos os clientes de maiores volumes. Então temos hoje um monopólio privado do transporte ferroviário no país, concentrado nas mãos da América Latina Logística (ALL) e da Vale, sendo parceiros de outros monopólios ou cartéis de controladores de grãos, minérios, cimento etc.

Isso está casado com a condição da economia brasileira, que tem como um dos eixos a exportação de commodities?
O Brasil continua a ser um exportador de matérias-primas, por isso os principais corredores de transportes se destinam aos portos. Sem nenhum compromisso com o desenvolvimento do nosso país, as concessionárias otimizaram as frotas de vagões e locomotivas, concentrando-se nos maiores clientes. Com isso fecharam quase todas as estações, desativaram extensos ramais e isolaram tradicionais clientes dependentes da ferrovia, focando só no atendimento dos fluxos de maior margem de lucro. Sendo uma concessão pública, os governos não deveriam permitir essa seletividade para os maiores grupos, afinal a ferrovia é indutora do desenvolvimento.

O que significam os acidentes constantes e as denúncias sobre a ALL? É um sinal de decadência desse modelo privado?
A situação geral dos bens das ferrovias é a decadência do sistema, só a Agência Nacional de Transportes Terrestres [ANTT] não quer ver. As ações, tanto do Ministério Público Federal como da Polícia Federal, têm comprovado que o modelo de privatização implementado pelo BNDES, em 1996, foi um verdadeiro fiasco. Segundo dados da Confederação Nacional dos Transportes [CNT], a participação do modal ferroviário na matriz de transporte do Brasil deu marcha ré. Os fretes não baixaram [de preço] como previam os promotores da desestatização. Não houve modernização dos equipamentos de tração, muito pelo contrário, hoje a idade da frota é maior e o patrimônio está em ruínas.

Esse sucateamento foi patrocinado, na década de 1990, pelo BNDES. Quais foram os prejuízos que esse processo acarretou para a economia brasileira?
A premissa do BNDES dizia que não havia recursos públicos para alavancar o sistema ferroviário, com objetivo de mudar a matriz de transporte do país e baratear o custo dos fretes. Garantia que o setor privado tinha dinheiro para injetar o salto da modernização e ampliação da capacidade do sistema. Como essa fonte não jorrou, o banco estatal teve que aportar recursos públicos para alimentar as concessionárias, injetando bilhões em operações de aquisição de material ferroviário de resultados pífios. Para impedir o fiasco total do processo de desestatização, o BNDESPAR (carteira do BNDES acionária de várias empresas) acabou virando sócio da ALL e levou ainda os fundos de previdência de empresas públicas: Funcef, Prévi, Petros, Postalis, Sabesprevi, Forluz etc.

O modelo de modais ferroviário é uma alternativa de baixo consumo de energia e preservação do meio-ambiente, se comparado ao modelo de rodovias?
O serviço de transportes no Brasil é o responsável pela queima maior de combustíveis, motivo pelo qual interfere diretamente na busca de uma nova matriz energética para o país. E a nossa matriz de transporte concentra dois terços do volume total de cargas deslocadas por rodovias, que é o modal de maior impacto ambiental. Para transportar cada tonelada de carga por mil quilômetros, são consumidos por hidrovia cinco litros de combustíveis, por ferrovia são 10 litros e rodovia 96 litros, ou seja, quase nove vezes por caminhão se comparado aos trens. Chamamos a atenção também para os custos sócio-ambientais de transportes (inclui acidentes, poluição atmosférica e sonora, consumo de espaço e água). Para o transporte de 100 toneladas/quilômetro por hidrovia custa 0,23 dólar, por ferrovia 0,74 dólar e por rodovia 3,20 dólares. Esses números mostram a opção errada ao se priorizar projetos rodoviários quando existem alternativas de soluções através de modais menos impactantes. Aqui no Paraná, enquanto devíamos estar construindo mil quilômetros de ferrovias e outros tantos de hidrovia, assim como estimulando a cabotagem (navegação realizada entre portos interiores), fala-se em investir mais de R$ 1 bilhão numa rodovia “Interportos”. Aliás, o título escolhido para a obra parece ter saído de algum gabinete parlamentar, pois é uma afronta à inteligência: a menor distância entre os portos é uma linha quase reta pelo mar e lá a aquavia já está pronta!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

DESCULPEM A AUSÊNCIA

De volta ao Brasil, e depois de cuidar de tantas coisinhas pessoais que três meses de distância causam, retorno ao blog, cheio de materiais e de idéias prá comentar com os amigos e visitantes.
Agradeço aos que passaram por aqui neste período sem novidades. Sem novidades no blog, porque o mundo e o Brasil estão fervendo de notícias prá gente comentar e discutir.
Um abraço a todos, e vamos tocar o barco!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

ASSANGE, DO WIKILEAKS, DÁ ENTREVISTA A BLOGUEIROS DO BRASIL

Assange: “A manipulação das informações pela mídia é mais perigosa”

26 JANUARY 2011 NO COMENT

Prezados leitores, segue uma entrevista exclusiva que os blogueiros progressistas fizeram com o criador do Wikileaks, Julian Assange. O texto introdutório é de Natalia Viana, representante da organização no Brasil.

EXCLUSIVO: Brasileiros entrevistam Julian Assange

“Não somos uma organização exclusivamente da esquerda. Somos uma organização exclusivamente pela verdade e pela justiça”. Essa é apenas uma das muitas afirmações feitas pelo fundador e publisher do WikILeaks, Julian Assange, em entrevista aos internautas brasileiros.

A entrevista será publicada por diversos blogs – entre eles, o Blog do Nassif, Viomundo, Gonzum, Nota de Rodapé, Maria Frô, Trezentos, O Escrevinhador, Blog do Guaciara.

Julian, que enfrenta um processo na Suécia por crimes sexuais e atualmente vive sob monitoramento em uma mansão em Norfolk, na Inglaterra, concedeu a entrevista para internautas que enviaram perguntas a este blog.

Eu selecionei doze perguntas dentre as cerca de 350 que recebi – e não foi fácil. Acabei privilegiando perguntas muito repetidas, perguntas originais e aquelas que não querem calar. Infelizmente, nem todos foram contemplados. Todas as perguntas serão publicadas depois.

No final, os brasileiros não deram mole para o criador do WikiLeaks. Julian teve tempo de responder por escrito e aprofundar algumas questões.

O resultado é uma entrevista saborosa na qual ele explica por que trabalha com a grande mídia – sem deixar de criticá-la -, diz que gostaria de vir ao Brasil e sentencia: distribuir informação é distribuir poder.
Em tempo: se virasse filme de Hollywood, o editor do WikiLeaks diz que gostaria de ser interpretado por Will Smith.

A seguir, a entrevista.

Vários internautas – O WikiLeaks tem trabalhado com veículos da grande mídia – aqui no Brasil, Folha e Globo, vistos por muita gente como tendo uma linha política de direita. Mas além da concentração da comunicação, muitas vezes a grande mídia tem interesses próprios. Não é um contra-senso trabalhar com eles se o objetivo é democratizar a informação? Por que não trabalhar com blogs e mídias alternativas?

Por conta de restrições de recursos ainda não temos condições de avaliar o trabalho de milhares de indivíduos de uma vez. Em vez disso, trabalhamos com grupos de jornalistas ou de pesquisadores de direitos humanos que têm uma audiência significativa. Muitas vezes isso inclui veículos de mídia estabelecidos; mas também trabalhamos com alguns jornalistas individuais, veículos alternativos e organizações de ativistas, conforme a situação demanda e os recursos permitem.

Uma das funções primordiais da imprensa é obrigar os governos a prestar contas sobre o que fazem. No caso do Brasil, que tem um governo de esquerda, nós sentimos que era preciso um jornal de centro-direita para um melhor escrutínio dos governantes. Em outros países, usamos a equação inversa. O ideal seria podermos trabalhar com um veículo governista e um de oposição.

Marcelo Salles – Na sua opinião, o que é mais perigoso para a democracia: a manipulação de informações por governos ou a manipulação de informações por oligopólios de mídia?

A manipulação das informações pela mídia é mais perigosa, porque quando um governo as manipula em detrimento do público e a mídia é forte, essa manipulação não se segura por muito tempo. Quando a própria mídia se afasta do seu papel crítico, não somente os governos deixam de prestar contas como os interesses ou afiliações perniciosas da mídia e de seus donos permitem abusos por parte dos governos. O exemplo mais claro disso foi a Guerra do Iraque em 2003, alavancada pela grande mídia dos Estados Unidos.

Eduardo dos Anjos – Tenho acompanhado os vazamentos publicados pela sua ONG e até agora não encontrei nada que fosse relevante, me parece que é muito barulho por nada. Por que tanta gente ao mesmo tempo resolveu confiar em você? E por que devemos confiar em você?

O WikiLeaks tem uma história de quatro anos publicando documentos. Nesse período, até onde sabemos, nunca atestamos ser verdadeiro um documento falso. Além disso, nenhuma organização jamais nos acusou disso. Temos um histórico ilibado na distinção entre documentos verdadeiros e falsos, mas nós somos, é claro, apenas humanos e podemos um dia cometer um erro. No entanto até o momento temos o melhor histórico do mercado e queremos trabalhar duro para manter essa boa reputação.

Diferente de outras organizações de mídia que não têm padrões claros sobre o que vão aceitar e o que vão rejeitar, o WikiLeaks tem uma definição clara que permite às nossas fontes saber com segurança se vamos ou não publicar o seu material.

Aceitamos vazamentos de relevância diplomática, ética ou histórica, que sejam documentos oficiais classificados ou documentos suprimidos por alguma ordem judicial.

Vários internautas – Que tipo de mudança concreta pode acontecer como consequência do fenômeno Wikileaks nas práticas governamentais e empresariais? Pode haver uma mudança na relação de poder entre essas esferas e o público?

James Madison, que elaborou a Constituição americana, dizia que o conhecimento sempre irá governar sobre a ignorância. Então as pessoas que pretendem ser mestras de si mesmas têm de ter o poder que o conhecimento traz. Essa filosofia de Madison, que combina a esfera do conhecimento com a esfera da distribuição do poder, mostra as mudanças que acontecem quando o conhecimento é democratizado.

Os Estados e as megacorporações mantêm seu poder sobre o pensamento individual ao negar informação aos indivíduos. É esse vácuo de conhecimento que delineia quem são os mais poderosos dentro de um governo e quem são os mais poderosos dentro de uma corporação.

Assim, o livre fluxo de conhecimento de grupos poderosos para grupos ou indivíduos menos poderosos é também um fluxo de poder, e portanto uma força equalizadora e democratizante na sociedade.
Marcelo Träsel – Após o Cablegate, o Wikileaks ganhou muito poder. Declarações suas sobre futuros vazamentos já influenciaram a bolsa de valores e provavelmente influenciam a política dos países citados nesses alertas. Ao se tornar ele mesmo um poder, o Wikileaks não deveria criar mecanismos de auto-vigilância e auto-responsabilização frente à opinião pública mundial?

O WikiLeaks é uma das organizações globais mais responsáveis que existem.

Prestamos muito mais contas ao público do que governos nacionais, porque todo fruto do nosso trabalho é público. Somos uma organização essencialmente pública; não fazemos nada que não contribua para levar informação às pessoas.

O WikiLeaks é financiado pelo público, semana a semana, e assim eles “votam” com as suas carteiras.

Além disso, as fontes entregam documentos porque acreditam que nós vamos protegê-las e também vamos conseguir o maior impacto possível. Se em algum momento acharem que isso não é verdade, ou que estamos agindo de maneira antiética, as colaborações vão cessar.

O WikiLeaks é apoiado e defendido por milhares de pessoas generosas que oferecem voluntariamente o seu tempo, suas habilidades e seus recursos em nossa defesa. Dessa maneira elas também “votam” por nós todos os dias.

Daniel Ikenaga – Como você define o que deve ser um dado sigiloso?

Nós sempre ouvimos essa pergunta. Mas é melhor reformular da seguinte maneira: “quem deve ser obrigado por um Estado a esconder certo tipo de informação do resto da população?”

A resposta é clara: nem todo mundo no mundo e nem todas as pessoas em uma determinada posição. Assim, o seu medico deve ser responsável por manter a confidencialidade sobre seus dados na maioria das circunstâncias – mas não em todas.

Vários internautas – Em declarações ao Estado de São Paulo, você disse que pretendia usar o Brasil como uma das bases de atuação do WikiLeaks. Quais os planos futuros? Se o governo brasileiro te oferecesse asilo político, você aceitaria?

Eu ficaria, é claro, lisonjeado se o Brasil oferecesse ao meu pessoal e a mim asilo político. Nós temos grande apoio do público brasileiro. Com base nisso e na característica independente do Brasil em relação a outros países, decidimos expandir nossa presença no país. Infelizmente eu, no momento, estou sob prisão domiciliar no inverno frio de Norfolk, na Inglaterra, e não posso me mudar para o belo e quente Brasil.

Vários internautas – Você teme pela sua vida? Há algum mecanismo de proteção especial para você? Caso venha a ser assassinado, o que vai acontecer com o WikiLeaks?

Nós estamos determinados a continuar a despeito das muitas ameaças que sofremos. Acreditamos profundamente na nossa missão e não nos intimidamos nem vamos nos intimidar pelas forças que estão contra nós.

Minha maior proteção é a ineficácia das ações contra mim. Por exemplo, quando eu estava recentemente na prisão por cerca de dez dias, as publicações de documentos continuaram.

Além disso, nós também distribuímos cópias do material que ainda não foi publicado por todo o mundo, então não é possível impedir as futuras publicações do WikiLeaks atacando o nosso pessoal.

Helena Vieira – Na sua opinião, qual a principal revelação do Cablegate? A sua visão de mundo, suas opiniões sobre nossa atual realidade mudou com as informações a que você teve acesso?

O Cablegate cobre quase todos os maiores acontecimentos, públicos e privados, de todos os países do mundo – então há muitas revelações importantíssimas, dependendo de onde você vive. A maioria dessas revelações ainda está por vir.

Mas, se eu tiver que escolher um só telegrama, entre os poucos que eu li até agora – tendo em mente que são 250 mil – seria aquele que pede aos diplomatas americanos obter senhas, DNAs, números de cartões de crédito e números dos vôos de funcionários de diversas organizações – entre elas a ONU.

Esse telegrama mostra uma ordem da CIA e da Agência de Segurança Nacional aos diplomatas americanos, revelando uma zona sombria no vasto aparato secreto de obtenção de inteligência pelos EUA.

Tarcísio Mender e Maiko Rafael Spiess – Apesar de o WikiLeaks ter abalado as relações internacionais, o que acha da Time ter eleito Mark Zuckerberg o homem do ano? Não seria um paradoxo, você ser o “criminoso do ano”, enquanto Mark Zuckerberg é aplaudido e laureado?

A revista Time pode, claro, dar esse título a quem ela quiser. Mas para mim foi mais importante o fato de que o público votou em mim numa proporção vinte vezes maior do que no candidato escolhido pelo editor da Time. Eu ganhei o voto das pessoas, e não o voto das empresas de mídia multinacionais. Isso me parece correto.

Também gostei do que disse (o programa humorístico da TV americana) Saturday Night Live sobre a situação: “Eu te dou informações privadas sobre corporações de graça e sou um vilão. Mark Zuckerberg dá as suas informações privadas para corporações por dinheiro – e ele é o ‘Homem do Ano’.”

Nos bastidores, claro, as coisas foram mais interessantes, com a facção pró- Assange dentro da revista Time sendo apaziguada por uma capa bastante impressionante na edição de 13 de dezembro, o que abriu o caminho para a escolha conservadora de Zuckerberg algumas semanas depois.

Vinícius Juberte – Você se considera um homem de esquerda?

Eu vejo que há pessoas boas nos dois lados da política e definitivamente há pessoas más nos dois lados. Eu costumo procurar as pessoas boas e trabalhar por uma causa comum.

Agora, independente da tendência política, vejo que os políticos que deveriam controlar as agências de segurança e serviços secretos acabam, depois de eleitos, sendo gradualmente capturados e se tornando obedientes a eles.

Enquanto houver desequilíbrio de poder entre as pessoas e os governantes, nós estaremos do lado das pessoas.

Isso é geralmente associado com a retórica da esquerda, o que dá margem à visão de que somos uma organização exclusivamente de esquerda. Não é correto. Somos uma organização exclusivamente pela verdade e justiça – e isso se encontra em muitos lugares e tendências.

Ariely Barata – Hollywood divulgou que fará um filme sobre sua trajetória. Qual sua opinião sobre isso?

Hollywood pode produzir muitos filmes sobre o WikiLeaks, já que quase uma dúzia de livros está para ser publicada. Eu não estou envolvido em nenhuma produção de filme no momento.

Mas se nós vendermos os direitos de produção, eu vou exigir que meu papel seja feito pelo Will Smith. O nosso porta-voz, Kristinn Hrafnsson, seria interpretado por Samuel L Jackson, e a minha bela assistente por Halle Berry. E o filme poderia se chamar “WikiLeaks Filme Noire”.