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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

ANTI-PETISMO É, NA VERDADE, SENTIMENTO ANTI-POBRES

A guerra é contra a redução da desigualdade

Quando Getúlio Vargas, em maio de 1954, anunciou o aumento de 100% no salário mínimo, estava dando, sem perceber, o início à sua via crucis. Houve forte oposição midiática, partidária e de setores de empresariado, em consonância com a insatisfação da minúscula classe média da época, além de militares de alta patente (lembrar do Memorial dos Coronéis). Rapidamente, do "descalabro financeiro" que a medida "certamente representaria" até o "mar de lamas da corrupção" a retórica anti-getulista só precisaria de um pequeno salto. Três meses foram o suficiente para levá-lo ao suicídio.



Lição da história: a discussão moralista sobre o "mar de lamas" atribuída ao PT pela mídia e oposição - como se fosse maior que em outros períodos - é só a cortina de fumaça para o problema real que hoje mobiliza, principalmente, as classes A e B contra Dilma: ninguém nestes estratos sociais aguenta mais o processo de desconcentração de renda, iniciada com Lula (ver ao lado a diferença impressionante entre os índices de intenção de votos num e noutro candidato nestes segmentos).

Aumento do salário mínimo acima do crescimento do PIB, ganhos reais das classes mais baixas, profissionalização das empregadas domésticas, ascensão de grupos sociais das classes E para D e D para a C, políticas de transferência de renda, cotas para universidades, tudo isso produz um profundo incômodo nas classes A, B e, não podemos esquecer, a C tradicional.

Mais carros nas ruas significa que pobres desceram dos ônibus, atrapalhando o trânsito. Mais gente nos restaurantes significa que "terei" que procurar os mais caros - o mesmo nas escolas privadas. Em que momento da história, vimos as classes A e B preocupadas com a saúde no país? Nunca. Até que uma "cambada" começou a adquirir planos e obrigou aqueles poucos usuários a migrar para planos mais caros.

A guerra atual é econômica. Encontrar o porteiro em Nova York realmente, como diria Danuza Leão, é insuportável.

Por isso cai como uma luva o pronunciamento de Armínio Fraga, afirmando que o salário mínimo está muito alto. É bem diferente ter que pagar R$ 750, ainda que míseros, para uma empregada doméstica fora os encargos, ou poder remunerar, como disse Delfim Neto, este "animal doméstico" com uns R$300 ou menos, que foi o SM que Fraga deixou quando saiu do governo em 2002.

Ora, um salário de 300 para uma jornada diária de 8 horas, e ainda quem sabe poder dormir no trabalho - naquele nojento "quartinho de empregada" - significa direito a mucamas, herdeiras da escravidão. Não ter este "direito" é demais para as classes mais abastadas. Ainda mais quando se sabe que ser abastado no Brasil é ganhar mais de 4 ou 5 mil reais.

Numa sociedade que atravessou o século com heranças escravagistas (basta ver quanto usineiros pagavam aos seus lavradores, antes da regulamentação do trabalho rural, ou como a mídia conservadora esperneou quando a Previdência passou, no governo Lula, a garantir a aposentadoria para camponeses), a ideia de uma sociedade mais igualitária ou, para ser mais preciso, menos "diferenciada" economicamente é um acinte.

A subida do salário mínimo referencia vários serviços: cabeleireiras podem cobrar mais - que abusadas - o pedreiro passa a querer "um absurdo", o condomínio ficou mais caro, porque o salário do porteiro está "pela hora da morte", e o motorista ousa me deixar na mão porque conseguiu coisa melhor: "Imagina, virou taxista e autônomo!". Tudo isso é insuportável para um país acostumado à transferência de renda às avessas.

Isso porque esta nação teve o desplante de saltar do vergonhoso penúltimo lugar entre os mais desiguais, à época de FHC, para a posição atual de 17o. em desigualdade - em 170 nações do mundo. É o fim dos tempos!

Há hoje 153 em melhores condições de igualdade (o tal índice Gini). Portanto, continuamos nos envergonhando. Mesmo assim, o governo petista que se cuide, se, reeleito, conseguir reduzir ainda mais a desigualdade.. O ódio de classe tende a se elevar a níveis quase nazistas nos próximos anos.

Pois a guerra é eminentemente econômica. As classes A e B e a C tradicional (principalmente na faixa intermediária) querem aquele mundo de volta. Assim que retiradas todas estas conquistas, o pais voltaria à sua calmaria habitual. Uma calmaria de cada um em seu lugar. Uma calmaria covarde, mantida muitas vezes sob punhos fortes. Se necessário, a gente chama a PM para conter os rebeldes. Ou quem sabe reduz a idade penal, para trancafiá-los desde novos.

As velhas classes médias tinham orgulho da desigualdade. Afinal, a pobreza material do outro escondia, como um maquiador profissional, a própria pobreza moral de uma elite que parece ter, mesmo sem ter vivido, saudade da escravidão.

Em tempo: O complexo de vira-latas tem mesma idade da "Abolição". Ao ver aqueles pretos libertos "vadios" nas ruas, não se aguentava. Já não bastava o calor? "Que Paris é esta meu deus?". Coincidentemente, ou não, é o mesmo complexo que vem servindo para a atual revolta das elites.  

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

CESTA BÁSICA FICA MAIS BARATA HÁ DOIS MESES

terça-feira, 6 de setembro de 2011

VIDA NO BRASIL ESTÁ MELHOR QUE NO EXTERIOR


Brasileiros acordam do sonho americano e estão vivendo melhor na terra natal, diz “LA Times”

Via O Globo

Reportagem publicada – e com chamada na primeira página – na edição de sexta-feira, dia 2, do jornal estadunidense Los Angeles Times apresenta histórias de brasileiros que deixaram o sonho norte-americano para trás após a crise de 2008 em busca de uma vida melhor da volta ao Brasil. O retorno não se deveu à concretização do desejo dos que imigram para os EUA – ganhar dinheiro suficiente para voltar ao país natal e iniciar uma vida próspera –, mas à certeza de que a terra das oportunidades hoje é o Brasil.

“Desde que a crise econômica atingiu os EUA há três anos, a economia brasileira segue crescendo e a moeda, o real, se valorizou significativamente frente ao dólar. A taxa de desemprego está em seu nível mais baixo historicamente, e a renda, especialmente das classes média e baixa, está crescendo rapidamente. Em muitos setores, os trabalhadores brasileiros ganham mais do que os norte-americanos”, diz o texto.

Segundo a reportagem, não são só os brasileiros que moram nos EUA que estão voltando, mas também os que estão em outros países ricos, como o Japão. Além disso, o fenômeno, confirmado pelo embaixador Eduardo Gradilone Neto, subsecretário-geral das Comunidades Brasileiras no Exterior, afeta trabalhadores não qualificados e também os especializados.

Um dos brasileiros citados na matéria trabalhava na construção civil e chegou a ser pego pela Imigração. Agora, de volta ao Brasil, Marcos “Beto” Lopes da Silva, de 37 anos, ganha o equivalente a algo entre US$1.250,00 e US$2.500,00 com a venda de cartuchos para impressoras e diz que pretende voltar aos EUA, “mas só de passagem”.