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sexta-feira, 17 de julho de 2015

CADÊ O PANELAÇO DOS "HONESTOS" CONTRA O CORRUPTO EDUARDO CUNHA?

Kiko Nogueira: Quando vão bater panelas contra Cunha? 

Eduardo Cunha deu um golpe para voltar a apreciar a proposta de imputação penal a jovens de 16 e 17 anos. Na madrugada anterior, a PEC 171 havia sido rejeitada.

Por Kiko Nogueira, no DCM


"Eduardo Cunha é uma ameaça à democracia brasileira e não há um miserável batendo panela por isso"."Eduardo Cunha é uma ameaça à democracia brasileira e não há um miserável batendo panela por isso".
Ocorre que Cunha, como Neymar, não aceita perder. O imperador do Brasil, como definiu alguém, se sente à vontade para atropelar regimentos e colocar pautas para votação até que o resultado saia a seu contento.

Ele mesmo avisou quando da derrota ao encerrar a sessão anterior: “Não acabou. A votação ainda está muito longe de acabar”.

O que significa esse tipo de ameaça senão o alerta de que ele manda, ele é quem determina onde estão o início, o fim e o meio?

A nova votação, ao menos, serviu para Cunha apanhar como nunca apanhou antes na Câmara, até do baixo clero. Sua pedalada regimental lhe rendeu críticas contundentes, dirigidas principalmente ao seu estilo cesarista.

“Isso aqui não é a casa do senhor. Isso não é brincadeira. Isso não é a casa de vossa excelência”, disse Glauber Braga (PSB-RJ). Para Érika Kokay (PT-DF), ele é o “rei Luís 16”.

Paulo Pimenta (PT-RS) provocou a ira dos torcedores do tricolor carioca. “Se a Câmara hoje fosse o Brasileirão, o presidente da Câmara seria o Fluminense”, disse, em homenagem ao time do tapetão.

“Eu considero essa sessão uma farsa. Uma afronta. Hoje nós temos que reduzir as discussões dos critérios mínimos de democracia. Na calada da noite, arma-se um golpe. O parlamento vive hoje uma noite tenebrosa”, afirmou Chico Alencar (PSOL-RJ).

Em entrevista à Folha nesta semana, Cunha tirou do bolso a velha solução para qualquer tipo de crise: o parlamentarismo. Declarou que está articulando para mudar o atual regime nas eleições de 2018. “Um debate para valer e votar”, falou.

“Tenho conversado com quase todos os agentes políticos, PSDB, DEM, PPS, PMDB, PP, PR, com todos os partidos. Com José Serra (PSDB-SP), Aécio Neves (PSDB-MG), Tasso Jereissati (PSDB-CE). Com certeza, vamos tentar votar na minha presidência.”

Maravilha. Mas meia hora acompanhando este Congresso serve para instilar o pânico em qualquer brasileiro razoavelmente ajuizado diante da possibilidade de ser governado por esses tipos.

Ou alguém acredita que com Eduardo Cunha, Deus, a bancada evangélica e a bancada da bala — com seus delegados, majores, capitães e capivaras —, estaremos melhores?

Eduardo Cunha é uma ameaça à democracia brasileira e não há um miserável batendo panela por isso.


http://www.vermelho.org.br/noticia/266811-1

domingo, 8 de junho de 2014

SENSACIONALISMO ALIMENTA MEDO E CRUELDADE DA CLASSE MÉDIA

A violência na classe média, 

item diário da agenda da imprensa

Escrito por: Carlos Castilho
Fonte: Observatório da Imprensa
O caso do porteiro esquartejado em São Paulo parece ser o candidato fácil ao título de 
crime monopolizador das atenções de jornais e telejornais da primeira semana de 
junho, seguindo fielmente a tristemente célebre regra do “se sangrar vira manchete” 
(adaptação da frase inglesa “if it bleeds, it leads”). Nem mesmo o frenesi pré-Copa foi 
capaz de tirar das primeiras páginas o crime protagonizado por um publicitário paulista.
Este é apenas o mais recente de uma série de assassinatos que ganharam projeção 
nacional graças à preocupação da imprensa em explorar delitos que envolvem 
famílias da classe média. Os crimes na classe C e D não despertam mais a mesa 
curiosidade dada a sua monótona frequência e motivos quase sempre ligados à 
precária situação econômica das vítimas e criminosos.
Antes do caso do porteiro morto por um morador do prédio onde trabalhava, 
assistimos durante mais de uma semana aos detalhes sórdidos do assassinato 
do menino Bernardo, de 8 anos, no Rio Grande do Sul. Retrocedendo mais no 
tempo encontraremos uma lista consistente de crimes em família, fato que leva 
a uma perturbadora dúvida: está aumentando a frequência de assassinatos na 
classe média brasileira, ou é a imprensa que está exagerando depois de descobrir 
um novo filão para atrair a atenção do público?
As estatísticas policiais podem oferecer elementos para atestar a veracidade ou 
não da primeira parte da pergunta, mas a observação crítica da imprensa mostra 
que a segunda parte é, pelo menos, parcialmente verdadeira. É óbvio que os 
jornais e telejornais não são os responsáveis pelos delitos cometidos entre 
pessoas da classe média, mas o fato de terem transformado dramas 
intrafamiliares em item de agenda noticiosa pode facilmente ser associado a
 uma preocupação com o faturamento.
A monotonia da cobertura jornalística sobre corrupção pública e privada, a 
crescente impopularidade e desinteresse pelo noticiário político, a sucessão 
de manifestações de protesto e o registro impotente dos assaltos, roubos e 
sequestros levaram a imprensa a buscar novos temas para reconquistar o 
interesse de um público cada vez mais viciado em redes sociais e no voyeurismo 
virtual.
A classe média urbana, antes protegida por uma cumplicidade da imprensa em 
relação aos seus conflitos domésticos, passou agora a principal protagonista de 
reportagens investigativas nas quais o voyeurismo e a solidariedade passional 
são os principais ingredientes da nova receita jornalística. Os segredos da vida 
privada tornam-se públicos e tema de intermináveis debates na imprensa sempre 
que coincidam com tragédias impactantes.
Por outro lado, em especial na TV, há um discreto incentivo à manifestação 
da ira comunitária e à cobrança de justiça a qualquer custo. Como jornais, 
revistas e televisão deixam de lado a investigação jornalística para privilegiar 
informações dadas por policiais, advogados, especialistas e magistrados, 
acabamos perdidos num mar de jargões, opiniões disfarçadas de verdades, 
silêncios cúmplices e dados distorcidos. Resultado: não conseguimos entender 
o que aconteceu, ficamos a espera de respostas, até que um novo crime 
monopolize as manchetes e, consequentemente, a nossa atenção.
A exploração comercial da violência nas famílias de classe média mostra tanto 
o estado de nervos de um segmento da sociedade até agora relativamente 
imune ao sensacionalismo,, como também o fato de a imprensa não conseguir 
romper a dependência das vendas como fator dominante da determinação 
da agenda de reportagens. Todos os crimes famosos dos últimos meses 
não produziram resultados conclusivos e permanece uma névoa de dúvidas 
sobre suas causas, implicados e consequências.
A classe média é o segmento mais dinâmico no contexto social 
contemporâneo do país. Todas as transformações verificadas desde que 
começou a política de distribuição de renda geram questões de enorme 
interesse público por conta das tensões e contradições que provocam. Mas 
a imprensa parece não ter se dado conta dos fenômenos sociais em curso 
e foca apenas no pior lado da ascensão da classe média, o seu descontrole 
emocional.
A mídia não deve deixar de cobrir os crimes, mas precisa situar o seu 
trabalho investigativo e documental num contexto de busca de soluções 
coletivas. Não adianta execrar assassinos e nem muito menos destruir 
reputações, se isto é promovido às custas do passionalismo e da 
curiosidade mórbida. A prisão não é o único e nem o mais eficiente 
desestímulo à banalização da violência na classe média. Saber por que 
e como o dinheiro, a busca de status, a conquista do poder e a competição 
desenfreada contaminaram as relações sociais é também uma missão 
da imprensa, porque afinal ela existe para servir ao cidadão e à sociedade.

http://fndc.org.br/clipping/a-violencia-na-classe-media-item-diario-da-agenda
-da-imprensa-936969/

quinta-feira, 5 de junho de 2014

KOTSCHO: ELEMENTO AMEAÇA FAZER TERRORISMO E CONTINUA SOLTO!!!

 O filósofo dos Sem Teto faz ameaças contra Copa
"Se o governo quiser pagar para ver, ele vai ver. Se até sexta não tiver uma resposta para nossas reivindicações, não sei se a torcida vai conseguir chegar a esse jogo", ameaçou o coordenador-nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Guilherme Boulos, ao final de novo protesto diante do Itaquerão, na noite de quarta-feira. O jogo a que ele se refere é o último amistoso da seleção brasileira, contra a Servia, marcado para amanhã, no Morumbi.
A uma semana do início da Copa do Mundo, Boulos, um filósofo barbudo de 30 anos, com especialização em psicanálise, assumiu o comando das manifestações de protesto nas últimas semanas e fala como se fosse o novo dono do direito de ir e vir na maior cidade do país, palco do jogo de estreia. Arrogante e prepotente, lançou outro repto às chamadas autoridades constituídas, que permanecem em obsequioso silêncio:
"Não adianta falar na televisão que vai colocar a polícia e Exército na rua. Eles não são nada perto do povo organizado. Hoje, a gente mostrou para o governo que a gente sabe o caminho do Itaquerão. No dia do jogo, vai ter mais gente de vermelho aqui fora do que de verde e amarelo dentro do estádio".
Ninguém deve se surpreender com suas basófias. Desconhecido até outro dia, quando se tornou protagonista no noticiário e desandou a fazer ameaças até em programas nobres da televisão, o filósofo dos sem-teto já havia anunciado um "junho sangrento ", depois de um sorridente encontro com a presidente Dilma Rousseff, numa das inaugurações do Itaquerão, em meados de maio. Dilma prometeu estudar as reivindicações de Boulos, que quer a imediata regularização de todas as invasões de sem-teto na cidade.
Na noite do último dia 22, ele avisou: "Se os nossos direitos não forem garantidos, no dia 12 de junho não vai ter abertura da Copa. Teremos uma onda vermelha em todo o país. O que nós queremos é a nossa fatia no bolo".
Boulos quer muito mais: fim da especulação imobiliária, reforma agrária, melhorias na educação, construção de creches, soberania nacional durante a Copa, transporte público gratuito e de qualidade, o fim da violência policial e, se possível, também acabar com o sistema capitalista _ e tudo isso antes da Copa começar. Ou, então, ele ameaça não brincar mais e promete botar fogo em tudo. O incrível é que continua solto, lépido e fagueiro, do alto de um discurso cheio de chavões dos tempos anteriores à queda do Muro de Berlim.
Sem ser incomodado por ninguém, o rapaz organizou uma invasão a quatro quilômetros do Itaquerão, onde já foram montados mais de 3 mil barracos pelos seus seguidores. Como um Antonio Conselheiro redivivo nesta Canudos urbana às margens do Tietê, ele promete a todos o paraíso logo ali adiante, assim que derrotar os inimigos do povo, em nome de quem se habituou a falar, sem que se saiba quem lhe deu este poder. Os outros 12 milhões de habitantes de São Paulo que se danem.
 http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/