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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

LEIA O DISCURSO DE DILMA NA CÚPULA DO CLIMA, EM NY

Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na Cúpula do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU) - Nova Iorque/EUA

por Portal Planalto — publicado 23/09/2014 11:40, última modificação 23/09/2014 15:21
Nova Iorque-EUA, 23 de setembro de 2014


Excelentíssimo senhor Sam Kutesa, presidente da 69ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Excelentíssimas senhoras e senhores chefes de estado e de governo participantes da Cúpula do Clima 2014. Senhoras e senhores representantes da sociedade civil.
 Congratulo-me com o Secretário Geral das Nações Unidas pela convocação da Cúpula do Clima.
 No último domingo, centenas de milhares de pessoas pediram nas ruas avanços concretos nas negociações em curso no âmbito da Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima.
O Brasil está sintonizado com este anseio. Temos participado ativamente destas negociações. Defendemos a adoção coletiva de medidas justas, ambiciosas, equilibradas e eficazes para enfrentar este desafio.
Reafirmo que o novo acordo climático precisa ser universal, ambicioso e legalmente vinculante, respeitando os princípios e os dispositivos da Convenção-Quadro, em particular os princípios de equidade e das responsabilidades comuns, porém diferenciadas.
Este acordo deverá ser robusto em termos de mitigação, adaptação e meios de implementação.  O Brasil almeja um acordo climático global, que promova o desenvolvimento sustentável.  O crescimento das nossas economias é compatível com a redução de emissões.
No Brasil, estamos fazendo isso. Ao mesmo tempo em que diminuímos a pobreza e a desigualdade social, protegemos o meio ambiente. Nos últimos 12 anos, temos tido resultados extraordinários. 
Em 2009, na Conferência de Copenhagen, anunciamos o compromisso voluntário de reduzir entre 36 e 39%, as nossas emissões projetadas até 2020.
Desde então, pusemos em marcha ações decisivas. Nosso esforço tem dado grandes resultados.
Ao longo dos últimos 10 anos, o desmatamento no Brasil foi reduzido em 79%.
Entre 2010 e 2013, deixamos de lançar na atmosfera a cada ano, em média, 650 milhões de toneladas de dióxido de carbono. Alcançamos em todos esses anos as quatro menores taxas de desmatamento de nossa história.
As reduções voluntárias do Brasil contribuem de maneira significativa para a diminuição das emissões globais no horizonte de 2020.
Senhor Presidente, prezados colegas Chefes de Estado e de Governo.
O Brasil, portanto, não anuncia promessas. Mostra resultados.
Nossa determinação em enfrentar a mudança do clima não se limita à Amazônia brasileira. 
Estamos cooperando com os países da Bacia Amazônica em ações de monitoramento e de combate ao desmatamento. Devemos também contribuir para a redução do desmatamento com os países da Bacia do Congo.
Internamente, adotamos planos setoriais para a redução do desmatamento no chamado Cerrado brasileiro; para o aumento das energias renováveis e a promoção da Agricultura de Baixo Carbono.
O Brasil é um grande produtor de alimentos. Temos consciência que as técnicas agrícolas de baixo carbono, ao mesmo tempo em que reduzem emissões, elevam a produtividade do setor agrícola.
Por sua vez, na pequena agricultura familiar, nela as práticas agroecológicas, ajudam a reduzir a pobreza no campo. Ambos programas são decisivos para a segurança alimentar e nutricional de milhões de brasileiros. 
A produção agrícola de grãos se dá sobretudo pelo aumento da produtividade com uma expansão menor da área agrícola plantada. Tamanho crescimento da produtividade só é possível com muita pesquisa e inovação, muito investimento e intenso apoio do governo federal.
Tudo isso desfaz a pretensa contradição entre produção agrícola e proteção ao meio ambiente. Prova que é possível crescer, incluir, conservar e proteger o meio ambiente, que é o lema da reunião do clima Rio+20.
Senhor Presidente,
Desastres naturais relacionados à mudança do clima têm ceifado vidas e afetado as atividades econômicas em todo o mundo. Num quadro de injustiça ambiental, as populações pobres são as mais vulneráveis, principalmente nos grande centros urbanos.
No Brasil, implementamos a Política Nacional de Prevenção e Monitoramento de Desastres Naturais, com o objetivo de impedir que esses desastres causem danos às pessoas, com perdas de vidas, ao patrimônio e ao meio ambiente.
Até o final deste ano, no marco desta política nacional  de prevenção e monitoramento de desastres naturais, submeteremos à sociedade brasileira o plano nacional de adaptação.
 Os custos para enfrentar a mudança do clima são elevados, mas os benefícios compensam.
Precisamos reverter a lógica de que o combate à mudança do clima é danoso à economia. A redução das emissões e ações de adaptação devem ser reconhecidas como fonte de riqueza, de modo a atrair investimentos e lastrear novas ações de desenvolvimento sustentável.
Historicamente, os países desenvolvidos alcançaram o nível de bem estar de suas sociedades graças a um modelo de desenvolvimento, baseado em altas taxas de emissões de gases danosos ao clima, ceifando florestas e utilizando práticas nocivas ao meio ambiente.
Nós não queremos repetir esse modelo.
Mas não renunciaremos ao imperativo de reduzir as desigualdades e elevar o padrão de vida da nossa gente.
Nós, países em desenvolvimento, temos igual direito ao bem-estar. E estamos provando que um modelo socialmente justo e ambientalmente sustentável é possível. O Brasil é um exemplo disso
Muito obrigada.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

HORÓSCOPO DO PIG ACERTA MAIS QUE PREVISÕES ECONÔMICAS!

As apostas da imprensa

Por Luciano Martins Costa em 31/12/2013 na edição 779
Comentário para o programa radiofônico do Observatório, 31/12/2013
A anedota que encerra o ano é contada por um colunista do jornal O Estado de S. Paulo 
na edição de terça-feira (31/12). A propósito de produzir uma “retrospectiva” do ano 
que se está a inaugurar, ele faz uma rápida passagem por indicadores, que, a rigor, 
podem apontar projeções para cima ou para baixo no desempenho da economia 
(ver aqui). No final, quase pede desculpas aos leitores por fazer uma análise otimista, 
“mas não irrealista”.
O texto é interessante não apenas porque exercita com sagacidade a difícil arte da 
ironia no jornalismo, mas também porque, de certa maneira, coloca em termos mais 
realistas a suposta capacidade dos especialistas de fazer previsões. O artigo se des-
taca justamente por fugir do determinismo habitual da mídia especializada, que insis-
te em fincar postes de concreto no pantanoso terreno das subjetividades. Sua princi-
pal qualidade é a de brincar com as “retrospectivas futuristas” que a imprensa costu-
ma publicar nesta época do ano.
A leitura das muitas páginas de adivinhações publicadas nos últimos dias leva à cons-
tatação de que o jornalismo no Brasil se apegou tanto a certo olhar sombrio sobre as 
chances de desenvolvimento do país que já não consegue dissimular uma clara “torci-
da” para que alguma coisa dê errado. Assim, se o nível de desemprego se mantém 
entre os mais baixos do mundo, em economias comparáveis, e se a renda do trabalho 
segue em alta, sem que os lucros das empresas tenham sido afetados, resta cravar 
na manchete o péssimo desempenho do mercado de ações.
A Bolsa do Brasil teve o segundo pior desempenho entre as instituições do gênero em 
2013, mas os analistas projetam uma recuperação de 30% no ano que se inaugura. 
Essa notícia já havia sido publicada ao longo da semana, mas ganha espaço nas primei-
ras páginas de terça-feira (31), porque é preciso ressaltar, sempre que possível, os as-
pectos negativos da complexidade econômica.
É quase um mantra no jornalismo brasileiro, uma espécie de manual de redação comum 
aos principais veículos de circulação nacional. Como se dizia no programa humorístico 
Rádio Camanducaia: “Quando não tem notícia, a Camanducaia inventa”.
O mapa astral
Interessante observar o subtexto das reportagens sobre o péssimo desempenho da 
Bolsa. Quem ler apenas os títulos sai comentando nas redes sociais que o mundo aca-
bou, mas basta um olhar mais cuidadoso para perceber alguns sinais de manipulação 
na construção de manchetes.
Primeiro, os jornais omitem o fato de que o índice Bovespa reflete a variação média das 
ações de maior valor de mercado e mais negociadas nos pregões. Convém, então, rela-
tivizar os dados, como faz corretamente a Folha de S. Paulo.
O Estado de S. Paulo anuncia no título: “Bovespa cai 15,5% em 2013 e tem pior desem-
penho entre as principais bolsas”. Mas o texto da reportagem é otimista nas entrelinhas, 
com os analistas levando em conta a derrocada da OGX, empresa de Eike Batista, que 
sozinha carregou 40% das perdas do mercado, e projetando para 2014 o início de um 
período de recuperação do mercado acionário no Brasil.
No infográfico que acompanha a notícia, observa-se que a Bolsa da Argentina liderou os 
ganhos em todo o mundo, com um crescimento de 88% em 2013, mais de 30 pontos 
acima do desempenho da Bolsa de Tóquio. Sem explicações.
O Globo, com um título que beira o deboche, destaca: “Na lanterninha global”. Na reporta-
gem interna, as razões para a queda no índice Bovespa incluem fatores variados, entre 
os quais o risco de o Supremo Tribunal Federal determinar o pagamento das perdas bilio-
nárias provocadas por planos econômicos de duas décadas atrás, o que derrubou o valor 
de mercado dos grandes bancos. A Bolsa da Argentina simplesmente desaparece do grá-
fico, e o lucro daqueles que desconfiaram do mercado de ações aparece apenas no fim do 
texto.
Do material disponível nas principais publicações brasileiras, o grande destaque em ter-
mos de objetividade fica para a página dupla no pacote de “apostas” da revista Época 
desta semana: o mapa astral mostra que o céu é “favorável para os brasileiros na Copa 
do Mundo”, mas há nuvens negras na política e no clima, ou seja, há possibilidade de 
novas revelações de corrupção e mais inundações em áreas urbanas.
Conclusão: a informação mais confiável da imprensa está no horóscopo.