Mostrando postagens com marcador documentação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador documentação. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 25 de abril de 2014

MOSTEIRO DE S. BENTO, DA BAHIA, COLOCA OBRAS RARAS NA INTERNET

Mosteiro de São Bento lança site com acesso grátis a 60 obras raras digitalizadas


Escrito por: Redação
Fonte: Correio da Bahia

Segunda maior biblioteca de obras raras do país guarda títulos importantes de várias áreas do conhecimento

Dom Emanuel d"Able (Foto: Marina Silva)

Em 1582, monges beneditinos portugueses fundaram o Mosteiro de São Bento da Bahia, o primeiro da nova colônia e um dos primeiros fora da Europa. Durante a imigração, os monges trouxeram manuscritos, iluminuras, livros, documentos históricos, cartas, testamentos, mapas, partituras musicais, desenhos e plantas de arquitetura que hoje compõem o acervo da Biblioteca do Mosteiro de São Bento.

Algumas dessas preciosidades agora estão disponíveis para o público geral. Depois de um processo de restauração, o mosteiro lançou, ontem, o portal Livros Raros, que disponibiliza uma valiosa coleção com 60 obras raras da biblioteca digitalizadas e que podem ser acessadas gratuitamente através do site www.saobento.org/livrosraros.

O projeto de recuperação, que durou cerca de dois anos, contemplou obras dos séculos XVI ao XIX que tratam não só de teologia como também de medicina, homeopatia, história, sociologia e literatura. Além de português, há textos em latim, francês, galego, es panhol, italiano e árabe - muitos não identificados em nenhuma outra biblioteca do mundo.

Publicações como Comentario as Sentenças de Duns Scoto, do Fr. Nicolau de Orbellis, de 1503; e Suma Theologica Secundae, de São Tomas de Aquino, de 1534 - os textos digitalizados mais antigos -, além da coleção Obras Completas de Luiz de Camões, de 1873; o compêndio Cartas Selectas, de Padre Antônio Vieira, de 1856; o Index Librorum Prohibitorum, do Papa Bento XIV, de 1764; e a Historia dos Judeos, de Flavio José, de 1793, podem ser lidas com apenas alguns cliques.


Desinfecção
 A tecnologia, chamada "desinfestação por atmosfera anóxia", parece coisa de filme de ficção. O livro é colocado dentro de uma bolha com um gerador de nitrogênio. O processo retira todo o oxigênio dos livros e extermina as pragas por asfixia. Enquanto algumas peças precisaram apenas de higienização, outras não tinham condições de sequer serem manuseadas e passaram por um processo de restauração ainda mais rigoroso.

Mônica Pedreira de Souza, uma das responsáveis pela equipe de restauro, explica que cada livro levou entre um e três meses para ser reparado. "O tempo de restauração depende do tamanho do livro e do estado em que se encontra, se está mais destruído, corroído por inseto, mofo", completa. Mônica revela que, depois de diagnosticar a condição da obra, é feita a higienização e depois um teste de acidez, para atestar se o livro vai passar por um banho de desacidificação ou a velatura, uma técnica de aplicação de tinta transparente ou verniz.

"Depois, o livro recebe um banho de água morna para retirar a sujidade e depois um banho para estabilizar o PH com hidróxido de cálcio", detalha. O livro ainda passa pela máquina de obturação de papel, a secadora e, por fim, a prensa para planificar. "A única coisa que não recuperamos é a capa, porque ainda não fazemos restauração em couro", diz Mônica.

Democracia

O arquiabade do mosteiro, dom Emanuel d'Able do Amaral, revela que a ideia que culminou nesse projeto nasceu em 1996, quando a biblioteca ganhou um novo espaço. "Essa foi a primeira etapa do que estamos vendo hoje. A segunda foi quando criamos o laboratório de restauração, que era raro no Nordeste. E a terceira etapa do processo começou com o trabalho do grupo de pesquisa da Faculdade São Bento e de outras instituições que tiveram acesso ao material", afirma.

Para dom Emanuel, o objetivo principal da biblioteca - a segunda maior em acervo de obras raras do país - é democratizar a informação e, principalmente, a cultura. "Não tem sentido ter um acervo se ele ficar trancado e ninguém ver. Um livro que não é lido perde sua finalidade. Em nosso país falta não só a partilha dos bens materiais, como também dos bens culturais. E é isso que queremos: a democracia cultural", afirma.

A coordenadora do Centro de Pesquisa do mosteiro, Alícia Lose, também celebra a iniciativa, pouco comum para instituições religiosas. "É uma raridade estar vivendo esse momento. Acervos eclesiásticos são privados, mas são de interesse público. Aqui temos livros que remontam o século XVI, que vieram com os monges e ficaram mais de 400 anos trancados", analisa.


"Esse é um trabalho feito para a comunidade. Os livros continuam no setor de obras raras, preservados, mas podem ser acessados por qualquer um e a qualquer hora. Pense que se um livro tivesse alma, estaria chorando por estar preso sem poder ser lido. Mas agora ele não vai mais chorar", brinca o arquiabade dom Emanuel.

Acervo Geral
Acesso livre para consulta, de segunda a sexta, das 8h às 18h, e sábado, das 8h às 13h. Para empréstimo, somente para alunos da Faculdade São Bento da Bahia.

Acervo Obras Raras
Acesso para pesquisadores com a presença de funcionários da biblioteca. Acesso livre e gratuito no site www.saobento.org/livrosraros.

Arquivo Acesso apenas mediante a autorização prévia. O arquivo conta com documentos importantes denominados de Memória do Mundo da Unesco.

quarta-feira, 26 de março de 2014

CAI MAIS UMA MENTIRA DO OLAVÃO-PORNÔ - (INÉDITO)

O astrólogo Olavo de Carvalho, que se auto-intitula "filósofo" e prega de seu esconderijo na zona rural dos Estados Unidos um golpe contra a Democracia brasileira, é um mentiroso contumaz. Mente tanto que seria difícil, a não ser no espaço de um livro bem grosso, apontar todas as suas falsidades, números "chutados", e principalmente suas previsões furadas pelos fatos.
Poderíamos começar pela mentira muitas repetidas por Olavo de que era de esquerda e que ajudou a editar o histórico jornal do Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo que denunciava o assassinato de Vlado Herzog pela ditadura, em outubro de 1975. Aquela edição do "Unidade" (que tenho em mãos) não menciona seu nome em parte alguma, embora conte com citações a muitos jornalistas que colaboraram para aquele trabalho. Mais que isso: recentemente conversei com dois ex-diretores do Sindicato à época, em cargos importantes, que negaram peremptoriamente que Olavo tenha tido qualquer participação naquele jornal específico. Um deles mal se lembrava de Olavo no Sindicato, dizendo-me que ele frequentava a sede da Rego de Freitas como dezenas de jornalistas, sem qualquer participação na Diretoria ou em função digna de registro. Ao outro ex-dirigente, perguntei por que achava que Olavo havia se transformado neste agitador de extrema-direita que é hoje, e a resposta foi dada em apenas uma palavra: "dinheiro".
Agora, mais uma das muitas mentiras do Olavão-pornô (a quantidade de palavrões que ele usa em seus vídeos e hangouts é indicativa de algum distúrbio, nitidamente) cai por terra definitivamente, ou como ele diria "acima de qualquer possibilidade de dúvida". Ele vive repetindo que os Estados Unidos não tiveram qualquer participação no golpe militar de 1964. Chega ao ponto de dizer que existe apenas um telefonema do embaixador Lincoln Gordon ao presidente Kennedy, informando que o golpe havia sido iniciado, para sua (dele, embaixador) surpresa, e indagando o que a Embaixada deveria fazer.
É claro que já havia documentos, livros e até vídeos provando a intensa participação dos EUA na preparação do golpe, no financiamento aos conspiradores e na sua execução. Posso contar um detalhe pessoal, que mantive inédito até hoje, lamentando não me lembrar do nome da personagem envolvida - que poderei pesquisar caso as olavetes queiram desmentir-me.
Nos anos 70, secretário do então MDB, em Taubaté, eu frequentava diariamente o gabinete do prefeito Milton de Alvarenga Peixoto. Numa tarde, apareceu por lá o cônsul norte-americano para assuntos políticos, que desejava trocar idéias com o prefeito, o que aconteceu, sem nenhum tópico realmente importante. Depois ele pediu para visitar os presidentes dos dois únicos partidos então existentes, o MDB e a Arena. O prefeito solicitou-me que os localizasse, meus amigos Ameleto Marino (MDB) e Luiz Winter de Araújo (Arena), o que fiz em minutos, e que conduzisse o cônsul ao encontro de ambos.
Assim fizemos, eu no carro oficial do consulado, explicando ao cônsul aspectos da política local, sem que ele me perguntasse nada de delicado ou sigiloso - até porque não havia nada de secreto em nossas atividades políticas. Correu tudo normalmente, Marino nos recebeu em sua casa e Luizinho Winter na Câmara Muncipal. Despedi-me do cônsul e a história teria acabado aí.
Só que alguns anos mais tarde, num livro que eu creio ser de Hélio Silva, o historiador (não me recordo ao certo), vejo uma foto do presidente da Câmara dos Deputados em 64, Ranieri Mazzili, subindo umas escadas com outros parlamentares, no dia do golpe. E quem está bem atrás de Mazzili? Sim, o diplomata que eu receberia em Taubaté tempos depois! Ou seja, um agente dos EUA estava ao lado, no meio, ombro a ombro, com o presidente do Legislativo brasileiro que assumiria a Presidência temporariamente, no momento do golpe! Haverá prova maior de participação ativa, por dentro, dos EUA no movimento cívico-militar?
Mas o que motiva este artiguete sobre o fascista e subversivo (em plena Democracia) Olavo de Carvalho, é a publicação de 2.000 documentos de um lote de 10 mil, elaborados pelos americanos antes, durante e depois do golpe de 1964. Trata-se de um projeto conjunto entre uma universidade brasileira e outra norte-americana, que está colocando na internet a íntegra desses documentos até então desconhecidos pela ampla maioria dos brasileiros. Fica provado, mais uma vez, que os EUA atuaram diretamente para instalar e para monitorar e influenciar passo-a-passo a ditadura brasileira.
Demonstra-se, uma vez mais, a desonestidade intelectual de Olavão-pornô que, infelizmente, ainda convence um grupelho de incautos com suas pregações golpistas. Quem quiser continuar acreditando nele, que o faça. Pelo que a direitona-burra (e sem votos) mostrou nas suas "marchas" do dia 22 de março, não passam de uns 700 ou 800 os fascistas brasileiros que pedem a volta do regime de terror, entreguista e corrupto encerrado em 1985. Esse bando não consegue entrar no século 21, de maneira alguma: estacionou na Guerra Fria. A pregação golpista rende o dinheiro que sustenta  Olavo nos EUA, mediante o terror apregoado a empresários medrosos que acabam por mandar-lhe mensalões. É o caso do agora ministro Afif Domingos, que controla há uns 30 anos a Associação Comercial de São Paulo. Esta entidade historicamente ultra-conservadora (antes de Afif era um feudo de Paulo Maluf) possui, por razões inexplicáveis, um jornal em Recife! E é através deste jornal que Olavo recebe a grana com que mantém seu trabalho de sabotagem ao Brasil, pregação do ódio e incentivo a um golpe militar. Para sorte nossa, como vimos em 22 de março, nem o povo nem os militares dão qualquer bola para esse esclerosado falso intelectual. A seita que ele lidera é insignificante politicamente, e só sobrevive graças ao ódio que a mídia tem pelo PT e por qualquer governo democrático, trabalhista ou de centro esquerda em nosso País. Tanto é, que alguns dos mais notórios olavetes estão abrigados no panfleto da famiglia Civita, a mal-cheirosa revista Veja. É o que ainda lhes dá alguma projeção. Povo e votos os fascistas não têm nenhum, e nunca terão. Só pregam o golpe por isso mesmo: são incompetentes para eleger até um vereador...
Eis os links para os documentos que desmascaram Olavo de Carvalho:


https://repository.library.brown.edu/studio/collections/id_644/

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/03/1430924-site-publica-10-mil-documentos-americanos-sobre-a-ditadura-no-brasil.shtml