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domingo, 9 de agosto de 2015

OLAVETES ATIRAM EM HAITIANOS. ALCKMIN SERÁ CÚMPLICE?

Não dá prá ficarmos em meio-termos: o chefe da Polícia Civial e da PM paulistas é o governador Geraldo Alckmin, do PSDB. Bomba é atirada contra o Instituto de um ex-presidente da República, ex-ministros são agredidos em lugares públicos, jornalista é ofendido na Av. Paulista. Quando o governador de SP vai exibir os culpados, devidamente presos? Ou Alckmin coloca-se ao lado do terrorismo de direita? Explique-se e aja, governador!


Haitianos baleados e fascistas soltos!



Por Altamiro Borges

No sábado passado (1), seis haitianos foram baleados na Baixada do Glicério, região central de São Paulo. O triste episódio não teve qualquer repercussão na mídia - nem nos programas policialescos que exploram a violência e estimulam o ódio na sociedade. Os feridos, entre eles uma mulher, foram internados no Hospital do Tatuapé, na zona leste da capital, com as balas alojadas nas pernas e nos quadris. Tudo indica que o ataque teve motivação politica, incentivado pela recente onda fascista na sociedade. Do carro em que foram feitos os disparos, um boçal gritou; "Haitianos, vocês roubam os nossos empregos" - relatou o jovem haitiano Patrick Dieudanne, que ajudou no socorro às vítimas. 

Segundo a União Social de Imigrantes Haitianos (USIH), entidade filiada à central sindical Conlutas, o atentado confirma o aumento da xenofobia no país. Recentemente, ela já havia denunciado o ataque a dois haitianos em Curitiba (PR). A entidade pretende acionar o Ministério da Justiça para investigar o episódio. "A associação irá denunciar e buscar justiça, bem como dar atendimento aos feridos e aos familiares das vítimas... Pedimos a todos os sindicatos, movimentos sociais e ativistas que ajudem na denúncia e apoiem essa luta da USIH", afirma Wilson Ribeiro, dirigente da Conlutas.

A cena deprimente faz lembrar, de imediato, o vídeo postado por um integrante do grupo 'Revoltados Online' no início de junho passado. Daniel Barbosa, trajando roupas militares, ameaçou um haitiano durante seu trabalho como frentista de um posto de gasolina de Canoas (RS). Xenófobo e racista, ele acusou o governo “comunista” de Dilma Rousseff de tirar o emprego de brasileiros para beneficiar os imigrantes. Ele também questionou o haitiano sobre treinamento militar. Após a ação fascista, a Rádio Guaíba revelou que o sujeito é um marginal, com várias passagens pela polícia gaúcha:

"A Polícia Civil começou a investigar as ofensas proferidas a um haitiano que trabalha num posto de combustíveis de Canoas, na região metropolitana. A 20ª Delegacia da Capital registrou a ocorrência ao identificar o caso via internet. Um vídeo foi feito pelo agressor e divulgado na rede mundial de computadores. A polícia não informou o nome do agressor, mas confirmou que, na sua ficha criminal, há antecedentes por roubo a estabelecimentos comerciais e sequestro. A TV Record identificou que o homem que aparece no vídeo é Daniel Barbosa”. Ainda segundo a rádio, o escrivão da 20ª Delegacia, Leonel Radde, registrou queixa contra o fascista por crime de preconceito racial.

Também na ocasião, o sempre antenado Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, foi conferir a história bizarra. Ele descobriu que Daniel Barbosa é um dos chefetes do grupo fascista “Revoltados Online”, que organizou em março e abril as marchas pelo impeachment de Dilma e pela volta dos militares ao governo - e que está convocando um novo protesto para 16 de agosto. Até hoje, porém, nada foi feito para incriminar o fascista que ameaçou o jovem frentista. Agora, seis haitianos foram baleados. Até quando as autoridades públicas vão deixar impunes estes trogloditas, que pregam o ódio racial, o preconceito e atentam contra a democracia no Brasil? O ovo da serpente fascista já foi chocado e a impunidade só estimula novos e mais bárbaros atos de violência no país.
http://altamiroborges.blogspot.com.br/2015/08/haitianos-baleados-e-fascistas-soltos.html#more

quarta-feira, 6 de abril de 2011

CASAS PERNAMBUCANAS USAM MÃO-DE-OBRA ESCRAVA

Grupo de imigrantes sul-americanos submetidos a condições análogas à escravidão foi flagrado costurando blusas da coleção Outono-Inverno da Argonaut, marca jovem da centenária rede varejista Pernambucanas
por Bianca Pyl*, Repórter Brasil
São Paulo (SP) – A casa branca, localizada em uma rua tranquila da Zona Norte da capital paulista, não levantava suspeita. Dentro dela, no entanto, 16 pessoas vindas da Bolívia viviam e eram explorados em condições de escravidão contemporânea na fabricação de roupas.
O grupo costurava blusas da coleção Outono-Inverno da Argonaut, marca jovem da tradicional Pernambucanas, no momento em que auditores fiscais da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP) chegaram ao local.
Entre as vítimas, dois irmãos com 16 e 17 anos de idade e uma mulher com deficiência cognitiva. No local, a fiscalização constatou a degradação do ambiente, jornada exaustiva de trabalho e servidão por dívida, três traços que caracterizam o trabalho análogo ao de escravo -crime previsto no Art. 149 do Código Penal. As vítimas trabalham mais de 60 horas semanais para receber, em média, salário de R$ 400 mensais.
Descobriu-se que a encomenda das peças havia sido feita pela intermediária Dorbyn Fashion Ltda. – um entre os mais de 500 fornecedores da centenária rede de lojas. O flagrante, registrado em 14 de março, motivou o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) a cobrar cerca de R$ 2,3 milhões da Pernambucanas, soma dos valores referentes a autuações com a notificação para recolhimento do Fundo de Garantia pelo Tempo de Serviço (FGTS).
A Repórter Brasil acompanhou a operação comandada pela SRTE/SP. O cenário encontrado de condições degradantes apresentava diversos riscos à saúde e segurança das vítimas. Não há janelas ou qualquer tipo de ventilação no espaço apertado e quente. A insalubridade, a precariedade e o improviso marcavam tanto os ambientes de trabalho quanto os de descanso.
Alimentos eram armazenados de forma irregular: além da bandeja de iogurte dentro da gaveta, a inspeção se deparou com carnes estragadas. A sofrível estrutura não permitia nem banhos com água quente.
As jornadas de trabalho eram exaustivas, sem pagamento de horas extras. Os “salários” não alcançavam o salário mínimo e muito menos o piso da categoria. Também foram recolhidas anotações referentes a descontos irregulares, artifício comum dentro do esquema de servidão por dívida. As passagens de ônibus para o Brasil eram “pagas” com trabalho intenso de costura.
Leia a íntegra em: