Já quase ao final da ditadura civil-militar, em 1982, a revista Veja erguia-se contra as críticas de Ulysses Guimarães, presidente do PMDB, ao regime que torturava e matava oposicionistas. O MDB perdeu inúmeros parlamentares, que tiveram seus mandatos cassados, e que nunca aderiram à luta armada. O deputado Rubens Paiva, por exemplo, foi assassinado e nem de longe poderia ser chamado de guerrilheiro ou "terrorista". Nada disso importava à revista da famiglia Civita, que defendia o sistema ilegal, corrupto e violento implantado em 1964.
Portanto, o fato de hoje abrigar um ninho de extremistas de direita, alguns notoriamente fascistas, como Reinaldo Azevedo, e os discípulos do astrólogo Olavo de Carvalho, Lobão e Rodrigo Constantino, não constitui nenhuma novidade. Veja sempre foi anti-democrática, com exceção de seus primeiros anos, quando tinha como editor-chefe o jornalista Mino Carta.
Clique para ampliar e comprovar a virulência do panfleto de extrema-direita:
O círculo virtuoso iniciado em 2003, com a assunção do Presi-
dente Lula no comando da nação, abriu para os setores popu-
lares e principalmente para àqueles brasileiros e brasileiras
que durante séculos foram relegados à total exclusão e ausência de perspectivas, uma nova realidade.
Depois de dois mandatos consecutivos, ao passar a faixa presidencial
para sua sucessora Dilma Rousseff, eleita por mais de 58 milhões de
votos, Lula ancorado em mais de 80% de popularidade sai do Planalto
para fazer história.
Após realizar grandes feitos tais como: o maior programa de transfe-
rência de renda do mundo, o Bolsa Família; dar início ao grandioso
Programa de habitação popular, o Minha Casa, Minha Vida; criar cente-
nas de escolas técnicas; quitar a dívida com o FMI; conceber o Prouni; implementar o programa Luz Para Todos e iniciar a transposição do rio
São Francisco que levará água para 12 milhões de nordestinos que con-
vivem desde o descobrimento com o drama da seca não foram suficien-
tes para poupar o ex-presidente e seu partido o PT de sofrer a mais
sorrateira e ignominiosa perseguição. Essa perseguição parte, notada-
mente, de setores da mídia e de uma elite mesquinha preocupada pu-
ra e simplesmente em manter privilégios que remontam à época das
Casas Grandes e senzalas.
Arautos do caos. Esses setores trabalham diuturnamente para solapar direitos duramente conquistados pelas camadas populares. Adeptos da síndrome de vira-latas, tudo fazem para diminuir o sentimento de pu-
jança nacional e de brasilidade.
Quem anda por esse Brasil e conhece suas entranhas vê claramente
que o país que alguns propalam não é o Brasil real: imensas áreas das periferias das capitais convivem hoje com uma realidade que há pouco
era inexistente. Fruto do dinamismo econômico e social que transfor-
mou meros lugarejos de outrora em cidades e bairros com comércios e
serviços antes só vistos nos grandes centros.
Herdeira dessa herança bendita, a Presidenta Dilma vem dando prosseguimento ao trabalho de Lula e em muitos casos aprofundando-o. Vejamos: o Programa Minha Casa Melhor que financia móveis e eletrodomésticos para os setores de renda mais baixa, beneficiando
pessoas que não teriam acesso a esses bens se não fosse o Programa;
o Pronatec, programa de ensino técnico-profissionalizante que já aten-
de a milhões de jovens e adultos que não dispunham de uma profissão.
Capítulo especial é destinado ao Programa Mais Médicos. Ao romper
com a lógica corporativa e enfrentar a extremada falta de profissionais
em um grande número de municípios, trazendo para aqui milhares de
médicos vindos de várias partes do mundo. O Ministério da Saúde dá
um passo adiante na resolução de alguns dos problemas que ainda afli-
gem a nossa população: saúde pública.
Vítima de um grande bombardeio corporativo e de parte da mídia, o
Mais Médicos goza hoje de um amplo apoio popular, pondo por terra
a falácia do não preparo dos profissionais. Vale destacar que o per-
centual de médicos estrangeiros atuando no Brasil não passa de 2%,
enquanto que nos EUA, na Grã Bretanha e no Canadá passa de 20%.
E, ainda, a solidez da economia nacional é garantida pelo acúmulo de
mais de 350 bilhões de dólares em reservas cambiais. Não fossem a
enorme capacidade e capilaridade de comunicação das forças progres-
sistas esses feitos além de escamoteados não chegariam, na sua tota-
lidade, ao conhecimento da nação. Mas a disputa é desigual!
Frente a avalanche de más notícias marteladas incessantemente no in-
tuito de desmontar o que esta sendo construído, as redes sociais, os
sites e os blogs progressistas vêm cumprindo o papel de contraposição.
Urge qualificar a democracia brasileira. Em nenhuma democracia moder-
na e pluralista do mundo existe tamanha concentração midiática nas
mãos de tão poucas famílias.
Em 2014 a disputa será dura. De um lado, os que querem que o Brasil
siga avançando e de outro os que, em nome de uma suposta modernida-
de, representam a volta de um Brasil injusto e que ficou para trás. Não tenhamos dúvidas: hesitar frente a esse desafio não é o que quer a mai-
Os Estados Unidos informaram nesta segunda-feira que interromperam seu financiamento para a Unesco, agência cultural da Organização das Nações Unidas, após a aprovação dos palestinos como novo membro pleno da entidade.
A porta-voz do Departamento de Estado norte-americano Victoria Nuland disse a repórteres que os EUA não tinham escolha a não ser suspender os financiamentos por causa da lei norte-americana, dizendo que Washington não faria a transferência de 60 milhões de dólares planejada para novembro.
A Unesco é a primeira entidade da ONU à qual os palestinos buscaram adesão como membro pleno desde que o presidente Mahmoud Abbas fez o pedido à ONU para ser um Estado-membro completo da organização, em 23 de setembro.
Estados Unidos, Canadá e Alemanha votaram contra o pedido dos palestinos na Unesco. Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul e França votaram a favor. A Grã-Bretanha se absteve da votação.
É inacreditável que a comunidade internacional tenha que conviver com isso. Um país que se diz campeão das liberdades castigar programas internacionais de educação por conta de suas alianças políticas de natureza discriminatória.
Mas contra isso, infelizmente, não haverá reações indignadas.
No congresso do seu partido, Frente Nacional, que se encerrou ontem em Tour, França, o líder da extrema-direita Jean Marie Le Pen, de 83 anos, despediu-se da vida política num discurso bem ao seu estilo: racista e aterrorizante para seu eleitorado. Sua filha, Marine, assume agora a liderança do partido fascista e deve ser candidata a presidente da República em 2012.
O velho começou criticando a dupla nacionalidade de que gozam milhares de cidadãos: "Sempre que há um delinqüente, é franco-algo: francoperuano, francoargelino..."
Atribuiu a queda do nível da Educação francesa a "esses meninos saídos dessa imigração cada vêz maior, cujos pais não falam francês e que repercutem pesadamente na qualidade do ensino". Falou com saudade da França de quarenta anos atrás, que segundo ele era segura, justa, quitativa e próspera, entre outros adjetivos, e lamentou que hoje o país seja dirigido por uma elite que se reproduz no poder e que trata os delinqüentes mais como vítimas do que como culpado.
Claro, denunciou a "corrupção generalizada", e disse que a França é hoje um "criado dos Estados Unidos, um império já em decadência". Acusou a imprensa de tirar de contexto muitas de suas frases. Acuou a classe política pelo que considera "as horas mais sombrias de nossa História". E, logicamente, fez vários ataques ao islã, palavra que provocava vaias na platéia.
"A Frente Nacional é a única força subversiva que pode servir para tirar a França disso em que ela se converteu: uma república babaneira! Preparai-vos para a batalha decisiva das eleições de 2012!"
NA EUROPA
Marine Le Pen começa a aparecer bem nas pesquisas - seu pai foi ao segundo turno em 2002. Em outros países da Europa a direita também vem avançando na participação nos parlamentos e em alguns governos, sempre com um discurso anti-imigração e agressivamente anti-Islã, que confunde os migrantes de países muçulmanos com suspeitos ou simpatizantes de terrorismo.
Aqui na Holanda a direita é liderada por Geert Wilders, de 47 anos, do Partido pela Liberdade (PVV). Ele propôs um imposto sobre o véu islâmico, e até a proibição do Alcorão, que ele compara com o livro "Mein Kampf" (Minha Luta), de Adolf Hitler!
Naa eleições de 6 de junho passado seu partido obteve 24 cadeiras no Parlamento de 150, foi a terceira força eleitoral, e agora participa do governo do primeiro-ministro liberal Mark Rutte.
Na Suiça, a "União Democrática de Centro" é o maior partido desde 2003. Venceu duas iniciativas populares importantes: a proibição da construção de minaretes, em 2009, e a deportação automática de estrangeiros que cometam algum crime, em 2010.
Na Suécia, os "Democratas da Suécia"(SD) entraram para o Parlamento com 5,7% dos votos; são herdeiros de uma agremiação neonazista e combatem a imigração e a islamização. Na Dinamarca o Partido do Povo Dinamarquês é a terceira força, com 14,6% dos votos e também participa do governo liberal-conservador.
Mas o partido mais extremista da direita europeu é o Jobbik (Movimento por uma Hungria melhor", que em abril último conseguiu 16,71% dos votos. Tem um discurso muito agressivo contra os ciganos e os imigrantes em geral, é homofóbico e, ao contrário de outros partidos de direita, apóia os árabes contra Israel (seus membros às vezes usam lenços palestinos).
Grupos mais radicais fora dos partidos sentem-se estimulados por eles, e atos de violência, pixações e panfletagens neonazistas ocrrem em todos os países da Europa. A crise econômica, o desemprego elevado, e a falta de perspectivas para muitos jovens formam o campo de atração desses partidos e grupos.