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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

VEJA PODE TER QUE PAGAR 1 MILHÃO POR MATÉRIA RACISTA!

MPF quer R$ 1 milhão por reportagem discriminatória em que Veja é acusada de falsificar depoimentos de dois antropólogos


veja
10/8/2015
Decisão do TRF-3 derrubou sentença que extinguia processo; Procuradoria pede indenização de R$ 1 milhão por reportagem discriminatória contra minorias étnicas
A 26ª Vara Cível Federal, na capital paulista, terá que dar prosseguimento à ação civil pública que o Ministério Público Federal ajuizou contra a Editora Abril por danos morais coletivos. O processo se deve a uma reportagem discriminatória contra minorias étnicas publicada em maio de 2010 na revista Veja. A decisão é do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que acolheu um recurso do MPF e reverteu a sentença de primeira instância que declarava prescrita a ação.
O MPF propôs a ação em agosto de 2014, quatro anos após a publicação da reportagem “A farra da antropologia oportunista”. O texto da revista Veja baseou-se em informações distorcidas e expressões injuriosas para criticar o processo de demarcação de reservas destinadas a grupos indígenas e quilombolas. A Procuradoria pede que a Abril, responsável pelo semanário, seja condenada ao pagamento de indenização mínima de R$ 1 milhão por danos morais, valor que deve ser destinado aos povos tradicionais do Estado de São Paulo.
A sentença que extinguia o processo se baseou no prazo prescricional de três anos previsto no Código Civil para pedidos de reparação civil. No entanto, o desembargador federal Carlos Muta, do TRF-3, afirmou que o período máximo para o ajuizamento de ação civil pública em matérias que envolvem direitos coletivos é de cinco anos, conforme a Lei 4.717/65. “No caso dos autos, a ação para indenização pelos danos morais, supostamente ocorridos com a reportagem publicada na revista Veja do dia 05/05/2010, foi ajuizada em 21/08/2014. Portanto, não se encontra atingida pela prescrição”, escreveu o magistrado.
Reportagem – O texto da revista procurou caracterizar a criação de novas reservas como fruto do conchavo entre ativistas que sobreviveriam dos sucessos das demarcações, agentes públicos e antropólogos cujo trabalho não teria nenhum rigor científico, mas simplesmente viés ideológico de esquerda. Veja relata ter descoberto “uma verdadeira fauna de espertalhões” e utiliza vários termos depreciativos que incitam o preconceito contra as comunidades indígenas e outras minorias étnicas. Exemplo é a definição de Tupinambás como “os novos canibais”, associando-os a invasões, saques e outras práticas delituosas.
Com o objetivo de embasar a crítica às demarcações, a reportagem também distorceu as declarações de dois renomados antropólogos que se dedicam ao estudo das questões indígenas. O professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e ex-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) Mércio Pereira Gomes e o pesquisador da UFF Eduardo Viveiros de Castro teriam, segundo o texto, emitido opiniões contrárias à criação de novas reservas e aos critérios adotados. Após a publicação, ambos escreveram aos editores da revista, indignados com o fato de que as frases a eles atribuídas eram opostas ao que realmente pensam sobre o tema.
Para a procuradora da República Suzana Fairbanks Oliveira Schnitzlein, autora da ação e do recurso interposto, declarações de cunho racista e que promovem a discriminação contra minorias étnicas não podem ser toleradas a pretexto de liberdade de expressão/imprensa, direito fundamental que não se confunde com “o puro e simples discurso de ódio camuflado de reportagem jornalística”.
O número da ação é 0015210-17.2014.4.03.6100. Para acompanhar a tramitação, acesse http://www.jfsp.jus.br/foruns-federais/.
*****
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Resposta à matéria da VEJA “A farra da antropologia oportunista”
Mais uma vez a revista VEJA traz em suas páginas matéria cheia de injúrias aos povos indígenas brasileiros.
Não pode passar despercebido ao mais desavisado e ingênuo leitor dessa revista o ranço, o azedume de preconceitos e vícios jornalísticos apresentados sobre a questão indígena brasileira. Porém a factualidade do texto também está comprometida por desvirtuamentos de pesquisa, compreensão e análise que certamente intencionam provocar uma impressão extremamente negativa da questão indígena em nosso país.
Os autores da matéria “A farra da antropologia oportunista”, ao que tudo indica jornalistas jejunos no trato de tais assuntos, parecem perseguir uma linha editorial ou um estilo jornalístico em que a busca de objetividade possível é relegada ao interesse ideológico de denegrir as conquistas dos segmentos mais oprimidos do povo brasileiro e demonstrar o seu favorecimento aos poderosos da nação. Primam por um estilo sardônico, próprio de jornalistas que fazem de seu ofício a defesa inquestionável do status quo social e econômico brasileiro, aludem a supostos fatos a partir de evidências descontextualizadas e apresentam citações sem a mínima preocupação com comprovação.
Falta-lhes sobretudo compreensão histórica da questão indígena brasileira, do papel da antropologia e da condição contemporânea da ascensão dos povos indígenas no Brasil e no mundo. Empatia às causas populares e gestos positivos em relação à ascensão das camadas sociais mais oprimidas da nação são atitudes ausentes nesse tipo de jornalismo.
Ao contrário, estão do lado dos que consideram a nação um quintal a ser usado (e abusado) ao seu bel prazer. Um repertório acanhado, porém virulento, de asserções deslocadas do processo histórico tenciona incutir no leitor uma visão de que os povos indígenas – e também os descendentes de quilombolas – estão aí para surrupiar as riquezas da nação dos destemidos fazendeiros, madeireiros, mineradores e empreiteiros da nação. A continuar esse processo não sobrarão terras nem riquezas naturais para a continuada exploração econômica da nação!
Os antropólogos estariam a serviço de uma espécie de subversão da realidade empírica, afeitos à criação imaginativa de identidades étnicas e dispostos a reverter o processo histórico nacional. Nem os mais afoitos de nós sonham com tamanho poder!
Já os índios e quilombolas estão em marcha guerreira para varrer do país aqueles que dariam sustento e sentido à nação.
É demais.
Apresento aqui o meu repúdio a esse tipo de jornalismo.
Denego-lhe o falso direito jornalístico de atribuir a mim uma frase impronunciada e um sentido desvirtuante daquilo que penso sobre a questão indígena brasileira.
Portanto, conclamo os editores da VEJA a rever sua visão miópica e estigmatizada do processo histórico brasileiro. Fariam bem ao seus leitores se se concentrassem na busca de objetividade jornalística e numa compreensão humanista, científica e hiperdialética da história do nosso país.
Atenciosamente,
Mércio Pereira Gomes, antropólogo, professor da Universidade Federal Fluminense e ex-presidente da Funai
http://www.viomundo.com.br/denuncias/francoatirador-mpf-quer-r-1-milhao-por-reportagem-discriminatoria-em-que-veja-e-acusada-de-falsificar-depoimentos-de-dois-antropologos.html

terça-feira, 28 de julho de 2015

OUTRA ADVERTÊNCIA CONTRA O TERRORISMO FASCISTA EM VOGA

As advertências feitas neste texto pelo Fábio são as mesmas que faço no meu novo livro "O Brasil na 'era dos imbecis'- o discurso de ódio da Direita" (https://www.clubedeautores.com.br/book/188020--O_Brasil_na_era_dos_imbecis#.Vbd-oPlVhBc). Grupelhos como o MBL, obviamente financiados por gente poderosa de dentro e de fora do País, são potencialmente terroristas. É urgente que os órgãos de segurança observem essas organizações fascistas, dentro das normas democráticas. Não é possível que se espere ações violentas, já anunciadas, para então se correr atrás de quem prega abertamente a violência e a discriminação das minorias que, ao final, são a maioria da população.


Dilma Rousseff e o terrorismo

Fábio de Oliveira Ribeiro


Aqui mesmo no GGN escrevi algumas linhas sobre o anti-petismo, movimento descentralizado que abriga desde militares e policiais aposentados comprometidos com a violência política e os ideais criminosos da Ditadura finda em 1988 até moleques autoritários do Movimento Brasil Livre. Hoje colocarei o foco neste grupellho proto-fascista que nasceu na internet e se expande para o mundo fenomenico.
Em seu manifesto o MBL diz o seguinte:
“Somos adultos, adolescentes e idosos; somos brancos, negros, pardos, amarelos e até meio rosados; somos empresários, empregados, autônomos, estudantes e funcionários públicos; somos ricos, pobres, classe-média; somos homens e mulheres.
Somos BRASILEIROS.
E nos importamos com os rumos do nosso país. Acreditamos que um governo deve servir para unir o seu povo, e não criar divisões artificiais. Deve tratar as pessoas como cidadãos, e não como súditos ou peças descartáveis de um jogo de tabuleiros a serem manipuladas.
Lutamos e torcemos a favor do Brasil independente de qual seja o governo. Não importa a cor ou sigla do timoneiro, estamos todos no mesmo barco. Mas EXIGIMOS MUDANÇAS. Chega de corrupção, chega de impunidade. Chega de desrespeito às instituições democráticas e ao império da lei.”
Cinco coisas são evidentes neste manifesto. O primeiro é o nacionalismo como categoria política essencial e difusa. O segundo é a idéia de que o Estado brasileiro deve se fundir a nação brasileira tal como esta é concebida pelo movimento. O terceiro é a crença de que o governo eleito pelo povo não é e não será legítimo enquanto o país não se submeter ao comando do MBL, que se coloca acima dos partidos e dos políticos como se fosse a única fonte admissível do verdadeiro nacionalismo. O quarto é a idéia de que a democracia e o império da Lei estarão em perigo enquanto o MBL não destruir as “divisões artificiais” existentes na sociedade. O quinto é o apelo contra a corrupção e o ataque à impunidade.
Todas estas questões foram analisadas de uma maneira ou de outra no texto de Sartre por mim plagiado. O MBL reúne as piores características do anti-semitismo, mas por razões óbvias não faz referência à destruição física dos judeus. Como toda religião nacionalista, o MBL pretende se colocar acima da Lei ou fora do alcance dela para, paradoxalmente, poder restaurar uma ordem ideal. Seus líderes querem ser vistos como se fossem os profetas da purificação. Somente eles são suficientemente puros para julgar quem deve comandar o país e como a nação deve ser governada.
O extremismo do MBL é evidente. Em seu manifesto o movimento diz que "Não importa a cor ou sigla do timoneiro” desde que o mesmo siga a ideologia nacionalista pregada pelo movimento. Um governo que seja rejeitado pelo MBL é, portanto, automaticamente desprovido de qualquer legitimidade mesmo que tenha sido eleito pela maioria da população e empossado pela Justiça Eleitoral.
“Os discursos políticos em geral qualificados como ‘extremistas’ são também os que aparecem, do ponto de vista psicológico, como os mais regressivos. De fato, eles buscam, na matriz do imaginário infantil, os meios para ‘ler’ e interpretar as realidades da crise. Alimentam-se do caos da sociedade, esteja ela ou não em guerra, para dizer: ‘Vejam como temos razão!’ Quanto a isso, as relações entre o imaginário e o real são contraditórias apenas em aparência. Claro, é mesmo nas representações imaginárias do carrasco que, primeiro, se constrói a figura da vítima, da ‘sua’ vítima.” (PURIFICAR E DESTRUIR, Jacques Sémelin, Difel, 2009, p. 44/45)
Em discurso proferido na Av. Paulista em abril de 2015, o principal líder do MBL, Kim Kataguiri, disse “Não tem que fazer o PT sangrar, tem que dar um tiro na cabeça do PT.”http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/kim-kataguiri-do-brasil-livre-tem-que-dar-um-tiro-na-cabeca-do-pt/. No imaginário deste rapaz o uso da violência encontra justificação política. A supremacia do nacionalismo que ele prega e representa é uma necessidade absoluta, inevitável, irresistível e capaz de suspender a validade jurídica do direito à vida atribuído, sem distinção a todos os brasileiros (inclusive aos petistas), pela CF/88. Ele não tem qualquer compromisso com a normalidade democrática e apela para a violência homicida como se a mesma fosse virtuosa. Se chegasse ao poder, Kataguiri mandaria reunir e executar todos os petistas como se eles fossem os judeus reunidos e executados pelos nazistas?
“Indubitavelmente, os indivíduos são tragados pela dinâmica de morte em massa, mas, mesmo assim, eles sem dúvida sabem como tirar proveito. Não lhes faltam oportunismo e cálculo para instrumentalizar seus efeitos em benefício próprio. Por isso, na escala individual, as razões da passagem ao ato são múltiplas. O que é verdadeiro para determinado indivíduo, em preciso momento, não é para outro. E é exatamente essa variabilidade de motivos privados que ajuda a dar ao assassínio a sua dimensão de massa. Os indivíduos entram na dinâmica assassina não como autômatos balbuciando um mesmo discurso ideológico estereotipado, mas sim com histórias diferentes e, daí, com expectativas e motivações pessoais. A implicação comum para causar mortes resulta das posturas variadas e equívocas.” (PURIFICAR E DESTRUIR, Jacques Sémelin, Difel, 2009, p. 390/391)
Os nazistas acreditavam na inferioridade racial dos judeus. Os novos profetas do nacionalismo de matriz autoritária acreditam na natureza essencialmente corrupta do PT. Kim Kataguiri condena a inferioridade ideológica dos petistas que, segundo ele, provocam divisões na nação e submetem o Brasil a ditaduras como a Argentina https://www.youtube.com/watch?v=mCcd_KDkBh8. O fato de Cristina Kirchner ter sido eleita é irrelevante, pois somente o MBL sabe o que é melhor para os argentinos.  
“Distingamos, enfim, a terceira utilização possível do massacre, principalmente por atores não estatais (ou, pelo menos, assim supostos). Nesse caso, a finalidade é a de agredir em um ponto preciso o grupo visado, para provocar em seu interior um choque traumático intenso, que seja capaz de dobrar a política de seus dirigentes. Como os organizadores do massacre sabem que constituem minoria na sociedade em que agem, o recurso a tal procedimento espetacular lhes permite, já de início, se afirmar na cena pública, chamando a atenção para a sua causa. Quer reivindiquem a responsabilidade ou se mantenham anônimos, eles acham que os efeitos políticos da ação de destruição podem pesar sobre quem decide a política: por exemplo, criando uma crise das instituições ou bloqueando uma evolução política que eles desaprovam.”(PURIFICAR E DESTRUIR, Jacques Sémelin, Difel, 2009, p. 489/490)
Se for levado a sério, o discurso de Kataguiri é preocupante. Após chegar ao poder no Brasil, o MBL certamente será obrigado a declarar guerra aos países vizinhos que não forem governados por princípios semelhantes aos defendidos pelo movimento. A ideologia da revolução internacional socialista permanente, que foi concebida por Leon Trotsky, parece ter sido utilizada como fonte pelos idealizadores do MBL. Afinal, os líderes do mesmo são ao mesmo tempo nacionalistas e internacionalistas. O MBL identifica a nação ao Estado para suprimir a política e excluir o PT e os petistas do processo eleitoral. Kataguiri não descarta a utilização da violência durante o assalto ao poder. Depois de purificar nosso país ele liderará as massas na purificação da Argentina como se fosse um "Che Guevara da direita"?
Há outra teoria perigosa que parece estar presente nesta fixação neurótica do líder do MBL com a Argentina de Cristina Kirchner. Nos anos 1960 o governo dos EUA acreditava na Teoria do Dominó, segundo a qual se o Vietnam do Sul caísse nas mãos dos comunistas todo Sudoeste da Ásia seria conquistada pelo comunismo. Kim Kataguiri parece crer em algo semelhante. Se o Brasil cair nas mãos do MBL todas as ditaduras ligadas ao PT na América Latina serão inevitavelmente destruídas.
Em seu manifesto o MBL cita diversos fatos (a impunidade, a corrupção, a divisão artificial). No discurso proferido por Kataguiri na Av. Paulista outros fatos são referidos (vivemos na ditadura do PT, o país não tem educação, saúde e segurança, o Brasil investe dinheiro em ditaduras como a Argentina).
A impunidade não é uma realidade, pois o MPF investiga e denuncia políticos envolvidos em corrupção e os réus tem sido condenados pelo Judiciário. A estrutura constitucional do país, instituída pela CF/88, garante a legalidade dos partidos e, portanto, preconiza a divisão da nação como uma categoria política essencial à normalidade democrática. O PT foi eleito pelo povo brasileiro e empossado pela Justiça Eleitoral, portanto, não vivemos numa ditadura. Quem define a política externa do Brasil é o Itamaraty e não o MBL. Compete aos Estados e Municípios organizar e gerir os serviços de educação, saúde e segurança. As carências e deficiências nestas três áreas não podem ser creditadas ao governo federal petista. A União repassa aos Estados e Municípios as verbas destinadas a serem usadas nesses serviços e só posteriormente toma conhecimento do não uso ou mau uso das mesmas. Tudo bem pesado, os fatos que informam os discursos do MBL e dos seus líderes não passam de opiniões.
“Fatos e opiniões, embora possam ser mantidos separados, não são antagônicos um ao outro; eles pertencem ao mesmo domínio. Fatos informam opiniões e as opiniões, inspiradas por diferentes interesses e paixões, podem diferir amplamente e ainda serem legítimas no que respeita à sua verdade factual. A liberdade de opinião é uma farsa, a não ser que a informação fatual seja garantida e que os próprios fatos não sejam questionados. Em outras palavras, a verdade fatual informa o pensamento político, exatamente como a verdade racional informa a especulação filosófica.” (ENTRE O PASSADO E O FUTURO, Hannah Arendt, Perspectiva, 2009, p.295/296)
O MBL não se preocupa com a verdade factual. Quer apenas impor sua ideologia. Kim Kataguiri deseja chegar ao poder de qualquer maneira, inclusive mediante a eliminação física dos seus inimigos. Os petistas disputam eleições e aceitam as derrotas eleitorais. A coação não é um instrumento político utilizado pelo PT. Qual destes dois grupos é mais democrático e qual pretende impor uma verdadeira ditadura sanguinária aos brasileiros? Não sou filiado ao PT, mas se for forçado a escolher entre Kataguiri e os petistas, PT saudações.
E já que estamos falando em escolhas, há algo importante a dizer sobre a salvação da unidade nacional pregada pelo MBL. O movimento parte do pressuposto de que nação é e sempre foi unida e que o PT é responsável pela sua divisão sectária. Seus membros ignoram, portanto, que quem criou os conceitos de "classe social" e "luta de classes" não foram os comunistas ou os petistas e sim historiadores como François Guizot, cuja obra citada a seguir foi publicada 1828:
"A Europa da época moderna surgiu da luta entre as diversas classes da sociedade." (Guizot citado por Antoine Prost, "Doze lições sobre história", editora autêntica, 2a. edição, Belo Horizonte, 2012, p. 191).
"O Capital" de Karl Marx foi publicado apenas em 1867, quase quatro décadas depois de Guizot ter utilizado os conceitos de "classe social" e "luta de classes". Os membros do MBL também parecem ignorar que História do Brasil é permeada por lutas de classes desde que os colonos portugueses cá chegaram, ocuparam o território fazendo distinção entre "tribos aliadas" e"índios hostis", entre "homems livres" e "escravos", entre "súditos fiéis a coroa" e "rebeldes"(emboabas, cabanos, malês, balaios, farrapos, etc...).
O próprio MBL produz uma divisão artificial da nação ao opor os "verdadeiros brasileiros" (seguidores do movimento) aos "outros" (os petistas e aqueles que não se sujeitaram à liderança de Kataguiri). A CF/88 confere a nacionalidade brasileira àqueles que nascem no Brasil e aos nascidos no exterior de pai ou mãe brasileira. Os estrangeiros que se naturalizam também são brasileiros. Não há na CF/88 qualquer referência ao poder do MBL de dizer quem é ou não é brasileiro. Vem daí a natureza esquizofrenica deste movimento que, para unir a nação, precisa dividi-la em duas metades antagônicas suprimindo os direitos constitucionais de uma delas. A divisão de classes proposta pelo MBL não é desejada pelo PT. Em nenhum dos seus documentos e comunicações os petistas jamais disseram que Kim Kataguiri e seus escudeiros não são brasileiros.
Ao fazer uma pesquisa na internet, constatei que os líderes do MBL se movimentam pelo Brasil com grande intensidade e desenvoltura. Eles não trabalham? Quem financia as viagens que eles fazem? Quem está pagando o material que eles publicam, as faixas que eles impunham nas passeatas e os cartazes que são colados nas ruas das principais cidades do país por onde passa a Coluna Kim Kataguiri?
A segurança do Estado é um valor importante mesmo numa democracia. Grupos como o MBL, que pregam uma ideologia autoritária, instigam a violência política e podem comprometer o caráter pacífico da política externa brasileira, precisam ser vigiados constantemente pelas autoridades. As finanças do MBL e dos seus líderes devem ser rastreadas até sua origem. Durante as Olimpíadas de 2016 este grupo será infiltrado ou apenas monitorado mais de perto? O desejo de visibilidade internacional levará Kim Kataguiri e seus escudeiros a idealizar e realizar atentados terroristas com a finalidade de denunciar a suposta natureza ditatorial do governo brasileiro? A prevenção e o combate ao terrorismo é uma necessidade. A radicalização do MBL é uma possibilidade. Melhor prevenir que remediar.
http://jornalggn.com.br/blog/fabio-de-oliveira-ribeiro/dilma-rousseff-e-o-terrorismo-por-fabio-de-oliveira-ribeiro

quinta-feira, 16 de julho de 2015

FORUM SOCIAL MUNDIAL PEDE QUE GIL CANCELE SHOW EM ISRAEL

Querido Gilberto Gil,
Muitas cartas foram escritas a Caetano Veloso recentemente. Esta é para você, que já faz parte da história de grandes momentos do Fórum Social Mundial, no qual tantas vezes nos encontramos. Você esteve conosco em Mumbai e em Túnis e não podemos esquecer das vezes em que, como músico ou como ministro, juntou-se a nós em Porto Alegre, nos nossos laboratórios de ativismo cultural.
Na Tunísia, em 2013, você nos deliciou com seu show, mas talvez não tenha tido a oportunidade presenciar uma das maiores marchas, senão a maior, da história do Fórum Social Mundial, quando milhares de pessoas, de várias partes do mundo, que estiveram naquele encontro, muitas das quais ainda cantarolavam suas canções, ocuparam a grande avenida que conduz do centro de Túnis à Embaixada da Palestina e caminharam quilômetros e quilômetros para dizer não à ocupação promovida pelo Estado de Israel. Não terá havido na história do FSM marcha mais demorada, de um dia todo, até o anoitecer, de gente caminhando para manifestar seu afeto e disposição de somar forças com o povo palestino, contra a ocupação, os chekpoints, o apartheid.
Um dia antes, pessoas das várias nações reunidas em Túnis, e muitas mesmo do Brasil, se encontraram para proclamar como estratégia da solidariedade e da busca da paz, a saída não violenta do BDS: a campanha mundial de Boicote, Desinvestimento e Sanções a Israel, até que a Palestina seja livre.

Esta decisão apenas referendou um outro processo, muito mais difícil, demorado e delicado, que as várias expressões da luta palestina conduziram dentro de casa, até chegar a um consenso sobre a estratégia que melhor funcionaria para promover o recuo de Israel em sua tenebrosa sanha da ocupação: o chamado mundial a uma campanha BDS, em que o componente cultural é um elemento de grande sensibilização.
Nós, que nos solidarizamos com o povo palestino, acatamos a mensagem, e nos somamos a essa campanha, reafirmando o compromisso com ela, nos fóruns temáticos do Brasil, no fórum de 2013 e no mais recente que ocorreu outra vez na Tunísia, neste ano de 2015.
A construção do BDS tem sido um demorado processo, que enfrenta inclusive a poderosa propaganda que estigmatiza o povo palestino e trata uma situação de resistência como um antigo conflito étnico e religioso e entre forças iguais. Não é igual, não é antigo. Começou em 1948, quando palestinos históricos (e a Palestina era formada por muçulmanos, cristãos e judeus), foram arrancados de suas casas e transformados em refugiados. Os símbolos religiosos invocados pelo Estado de Israel - expropriação que muitos judeus pelo mundo denunciam – são utilizados como escudo para preservar um estado de apartheid.
Ao longo da persistente construção do BDS, você esteve algumas vezes se apresentando em Tel-Aviv. É compreensível que tenha lhe parecido uma campanha mais ativista que cultural, sem peso para mudar as coisas no mundo do showbizz. E de fato, nada aconteceu pelo fato de você ter ido.
Temos lido essa sua declaração como justificativa para ir mais uma vez a Tel-Aviv, e também para explicar a Caetano que ir a Israel não é de fato um problema. Voce já foi antes e nada aconteceu. E se nada aconteceu, por que não fazer seu show em Tel-Aviv uma vez mais?
Hoje, como você pode ver, a consciência de que é preciso fazer uma ação coordenada de solidariedade ao povo palestino, através do BDS, que obrigue Israel a por fim à ocupação, já é muito maior do que nas outras vezes. Mas, de fato Gil, a sua decisão de ir a Israel talvez não mude nada, talvez até ajude a manter e a naturalizar as coisas como estão. Não temos dúvida sobre o uso do seu show com Caetano para que nada mude na relação de Israel com o povo palestino. Mas servir de propaganda de normalidade para um Estado ocupante não combina com você, não combina com Caetano Veloso, não combina com a história da Tropicália, que voces irão celebrar.
O mundo, infelizmente, estará celebrando outra coisa. Você e Caetano irão a Israel agora em julho, quando se completa um ano dos massacres em Gaza, contra o qual todas as organizações e movimentos sociais ligados ao FSM se levantaram em 2014. Foi inclusive o motivo para que várias organizações do Conselho Internacional do FSM aprovassem uma Missão Humanitária a Gaza - que no entanto só chegou à Cisjordânia, por ter sido barrada por Israel. Agora, novamente, vimos uma Flotilha Humanitária barrada nas águas que cercam a Faixa de Gaza. É incrível como a solidariedade com um povo devastado por crimes de lesa-humanidade é algo que incomoda o poderoso Estado de Israel.
O massacre de Gaza está sendo lembrado em todo planeta. Será muito triste que, enquanto isso, voces estejam cantando para um público apoiador daqueles massacres. Foi o que vimos na imprensa, nas pesquisas, e nas demonstrações públicas de simpatia do povo israelense à destruição sem fim dos habitantes históricos das terras palestinas. Por isso pedimos a você e a Caetano que mudem de ideia. Que anunciem o cancelamento de seu show. Aqueles que, lá, se colocam contra a ocupação, certamente entenderão e apoiarão esse gesto.
Seria realmente importante, se vocês pudessem ir à Gaza, em vez de Tel-Aviv, para ver com seus olhos o que foi feito das casas, cidades, escolas e hospitais, das famílias que vivem ou viviam lá. Algumas famílias inteiras, das bisavós aos bebês, tios, primos, irmãs e irmãos foram aniquilados - verdadeiros genocídios concentrados em famílias inteiras foram praticados diante dos nossos olhos, expostos nas redes sociais.
Se vocês pudessem ir à Cisjordânia, em vez de Tel-Aviv, poderiam ver as placas de carros de cores diferentes, para estradas de qualidades diferentes, para seres humanos que o Estado de Israel separa como diferentes. O apartheid é praticado ali com toda sua força. Se você tomar um ônibus de Ramalah para Jerusalém, poderá seguir tranquilo até o destino. Mas no meio do caminho verá os palestinos sendo retirados desse ônibus, para submeterem seus corpos, bagagens e documentos aos soldados do check-point de Israel. Eles não voltarão, porque esse ônibus não vai esperar por eles.
Se vocês visitarem o bairro árabe de Sheikh Jarrah de Jerusalém, onde mora o senhor Nabeel e sua família, verão que a parte da frente dessa casa foi tomada por um colono americano que pode hostilizar os moradores dos fundos quantas vezes quiser. A polícia israelense não irá importuná-lo. Porque ele está ali para isso mesmo - convencer aquela família a deixar, humilhada, sua casa invadida em Jerusalém. Podemos lhe dar o endereço. Você poderá ver com seus olhos.
Se voces forem ao Vale do Jordão, procurem o caminho que leva ao vilarejo de Fasayil. Não será difícil. Logo vocês verão uma placa: caminho para uma vila Palestina, perigo para Israelenses. Sim, isso é uma placa de trânsito, seus guias não estarão traduzindo mal as inscrições do hebraico. E se vocês chegarem à vila, encontrarão palestinos arrancando barro do chão dos quintais, para refazer tijolos, para reeguer as paredes, das casas e escola destruidas pelos colonos.
Não vamos falar da água, Gil. Va lá e veja por si mesmo. Quanto da água palestina os palestinos podem beber? Quanto cabe aos ocupantes? Mas olhe para cima de todas as casas e prédios palestinos, e voce verá apenas caixas d’água pretas. Fica fácil saber onde estão as famílias ocupantes e as ocupadas, fica fácil ver o apartheid de água. Convide Caetano para essa inusitada experiência. E sobre isto, não importam as explicações, tirem as suas conclusões.
Gil, você é uma das poucas pessoas no mundo que tem condições de ir onde quiser, escolher a quem se apresentar, e pode se informar por conta própria sobre o que se passa nas terras ocupadas pelos soldados e milicianos de Israel. Se quiser tanto assim, apesar dos apelos, vá a Tel-Aviv, e cante para Israel. Mas por favor não tente interpretar a realidade palestina pelos olhos dos colonos armados até os dentes, cercados de muros, e baseados em assentamentos ilegais. Não pense que as atrocidades contra a Palestina se explicam apenas pela política extremista de Netanyahu, e procure saber mais sobre todo o projeto sionista que decretou a não existência do povo palestino - esse povo cujas crianças nós vemos a ocupação dizimar dia após dia. Crianças que não existem, pela lógica da ocupação.
Talvez você vá, e talvez nada aconteça, mais uma vez. Mas isso, querido Gil, é que será o lado mais triste do que significará o show de vocês. Claro que nossa rejeição é voltada à ocupação e ao apartheid praticado por Israel. Jamais a você ou a Caetano, que são objeto do nosso amor e admiração. Com vocês aprendemos muito. Que o amor é como um grão, de pura beleza, e por isso teimamos em cultivá-lo. E que a força da grana ergue, mas também destrói as coisas belas.
Gil
’A você e Caetano, pedimos: não cantem para o apartheid
 http://www.carosamigos.com.br/index.php/cultura/5163-organizacoes-do-forum-social-mundial-pedem-que-gil-nao-cante-em-israel

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

OLAVETE DO SBT TERÁ QUE SE RETRATAR. SS NÃO QUER PERDER CONCESSÃO...

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

GLOBO INSTIGA PRECONCEITO ÁRABE-JUDEU NO BRASIL. CRIME IMPERDOÁVEL!!!

CARTA ABERTA À REDE GLOBO CONTRA A MENTIRA SOBRE OS PALESTINOS


Federação Árabe Palestina do Brasil
A REDE GLOBO, DIREÇÃO E AUTOR DA NOVELA "AMOR À VIDA", PRESTAM UM 
TRIBUTO AO ÓDIO E PRECONCEITO AO EXIBIR CENA ONDE TRANSMITE O 
CONCEITO DE QUE TODOS OS PALESTINOS SÃO TERRORISTAS. 

ISSO DEMONSTRA O QUANTO ESSA EMISSORA ESTÁ TOTALMENTE DESCO-
NECTADA COM A REALIDADE DO CONFLITO PALESTINO ISRAELENSE OU 
ESTÁ CONECTADA COM SETORES MINORITÁRIOS DA SOCIEDADE 
BRASILEIRA QUE PREGAM A DISCRIMINAÇÃO RACIAL, ÉTNICA E RELIGIOSA 
COMO FILOSOFIA DO AGIR E PENSAR.


MAL SABEM ESSES SENHORES DESSA EMISSORA QUE OS PALESTINOS SÃO 
ÁRABES E QUE NO BRASIL HÁ MAIS DE 12 MILHÕES DE ÁRABES E 
SEUS DESCENDENTES(LIBANESES, SÍRIOS, LIBANESES, EGÍPCIOS, 
JORDANIANOS E OUTRAS NACIONALIDADES ÁRABES). 

MAL SABEM ESSES SENHORES QUE AO OFENDER E DISCRIMINAR 
O POVO PALESTINO ESTÃO DISCRIMINANDO NÃO SÓ OS BRASILEIROS 
ÁRABES, MAS TODA A NAÇÃO BRASILEIRA QUE RECEBEU DE BRAÇOS ABER-
TOS ESSES ÁRABES QUE SEMPRE CONTRIBUIRAM PARA O DESENVOLVIMEN-
TO E CONSTRUÇÃO DO BRASIL.

A HISTÓRIA DA PRESENÇA ÁRABE NO BRASIL ESTÁ PRESENTE DESDE A 
CHEGADA DE PEDRO ÁLVARES CABRAL. EM TODOS OS RAMOS DA ATIVI-
DADE HUMANA ESTÃO PRESENTES OS BRASILEIROS DE ORIGEM 
ÁRABE: CULTURA, CULINÁRIA, ECONOMIA,MEDICINA, ENGENHARIA, 
POLITICA, COMÉRCIO E TANTAS OUTRAS ATIVIDADES.

EM VEZ DE PREGAR A PAZ ENTRE ISRAELENSES E PALESTINOS, EN-
TRE ÁRABES E JUDEUS NO BRASIL, A DIREÇÃO DA REDE GLOBO PREGA 
O CONFLITO, IMPORTA O CONFLITO DE MANEIRA IRRESPONSÁVEL E 
ENGAJADA. ÁRABES E JUDEUS NO BRASIL NUNCA TIVERAM NENHUM TIPO 
DE PROBLEMA DE CONVIVÊNCIA E DIÁLOGO AQUI NO BRASIL. A DI-
REÇÃO DA GLOBO NÃO QUER QUE CONTINUE ASSIM? A QUEM ESTÁ PRES-
TANDO ESSE SERVIÇO DE GERAR ÓDIO E CONFLITO?

REPUDIAMOS, CONDENAMOS TAL LINHA DE AÇÃO E EXIGIMOS QUE 
OS RESPONSÁVEIS PELA CENA SE RETRATEM E SE SE DESCULPEM COM 
OS PALESTINOS E OS ÁRABES. É O MINIMO QUE PODERÃO FAZER PARA 
REPARAR ESSA DESASTROSA CENA VISTA POR MILHÕES DE BRASILEIROS.


FEDERAÇÃO ÁRABE PALESTINA DO BRASIL

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

DONOS DA VEJA FORAM CARCEREIROS DE MANDELA!

Racistas controlam a revista Veja

Por Altamiro Borges

Ao tentar invadir o apartamento em que o ex-ministro José Dirceu se hospeda em Brasília e ao usar imagens ilegais dos corredores do hotel, o repórter Gustavo Ribeiro escancarou os métodos criminosos da revista Veja. Isto só confirma que a famiglia Civita não se diferencia muito do mafioso midiático Rupert Murdoch, com seus grampos e subornos. Esta postura, que não tem nada de jornalística ou ética, é bem antiga. O texto abaixo é de agosto de 2006 e mostra as relações sinistra dos donos da Veja:

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Na sua penúltima edição, a revista Veja estampou na capa a foto de uma mulher negra, título de eleitor na mão e a manchete espalhafatosa: “Ela pode decidir a eleição”. A chamada de capa ainda trazia a maldosa descrição: “Nordestina, 27 anos, educação média, R$ 450 por mês, Gilmara Cerqueira retrata o eleitor que será o fiel da balança em outubro”. O intuito evidente da capa e da reportagem interna era o de estimular o preconceito de classe contra o presidente Lula, franco favorito nas pesquisas eleitorais entre a população mais carente. A edição não destoava de tantas outras, nas quais esta publicação da Editora Abril assume abertamente o papel de palanque da oposição de direita e destila veneno de nítido conteúdo fascistóide.

Agora, o escritor Renato Pompeu dá novos elementos que apimentam a discussão sobre a linha editorial racista desta revista. No artigo “A Abril e o apartheid”, publicado na revista Caros Amigos que está nas bancas, ele informa que “o grupo de mídia sul-africano Naspers adquiriu 30% do capital acionário da Editora Abril, que detém 54% do mercado brasileiro de revistas e 58% das rendas de anúncios em revistas no país. Para tanto, pagou 422 milhões de dólares. A notícia é de maio e foi publicada nos principais órgãos da mídia grande do Brasil. Mas não foi dada a devida atenção ao fato de a Naspers ter sido um dos esteios do regime do apartheid na África do Sul e ter prosperado com a segregação racial”.

Líderes da segregação racial 

A Naspers tem sua origem em 1915, quando surgiu com o nome de Nasionale Pers, um grupo nacionalista africâner (a denominação dos sul-africanos de origem holandesa, também conhecidos como bôeres, que foram derrotados pela Grã-Bretanha na guerra que terminou em 1902). Este agrupamento lançou o jornal diário Die Burger, que até hoje é líder de mercado no país. Durante décadas, o grupo, que passou a editar revistas e livros, esteve estreitamente vinculado ao Partido Nacional, a organização partidária das elites africâneres que legalizou o detestável e criminoso regime do apartheid no pós-Segunda Guerra Mundial.

Como relata Renato Pompeu, “dos quadros da Naspers saíram os três primeiros-ministros do apartheid”. O primeiro diretor do Die Burger foi D.F. Malan, que comandou o governo da África do Sul de 1948 a 1954 e lançou as bases legais da segregação racial. Já os líderes do Partido Nacional H.F. Verwoerd e P.W. Botha participaram do Conselho de Administração da Naspers. Verwoerd, que quando estudante na Alemanha teve ligações com os nazistas, consolidou o regime do apartheid, a que deu feição definitiva em seu governo, iniciado em 1958. Durante a sua gestão ocorreram o massacre de Sharpeville, a proibição do Congresso Nacional Africano (que hoje governa o país) e a prolongada condenação de Nelson Mandela.

Já P. Botha sustentou o apartheid como primeiro-ministro, de 1978 a 1984, e depois como presidente, até 1989. “Ele argumentava, junto ao governo dos Estados Unidos, que o apartheid era necessário para conter o comunismo em Angola e Moçambique, países vizinhos. Reforçou militarmente a África do Sul e pediu a colaboração de Israel para desenvolver a bomba atômica. Ordenou a intervenção de forças especiais sul-africanas na Namíbia e em Angola”. Durante seu longo governo, a resistência negra na África do Sul, que cresceu, adquiriu maior radicalidade e conquistou a solidariedade internacional, foi cruelmente reprimida – como tão bem retrata o filme “Um grito de liberdade”, do diretor inglês Richard Attenborough (1987).

Os tentáculos do apartheid 

Renato Pompeu não perdoa a papel nefasto da Naspers. “Com a ajuda dos governos do apartheid, dos quais suas publicação foram porta-vozes oficiosos, ela evoluiu para se tornar o maior conglomerado da mídia imprensa e eletrônica da África, onde atua em dezenas de países, tendo estendido também as suas atividades para nações como Hungria, Grécia, Índia, China e, agora, para o Brasil. Em setembro de 1997, um total de 127 jornalistas da Naspers pediu desculpas em público pela sua atuação durante o apartheid, em documento dirigido à Comissão da Verdade e da Reconciliação, encabeçada pelo arcebispo Desmond Tutu. Mas se tratava de empregados, embora alguns tivessem cargos de direção de jornais e revistas. A própria Naspers, entretanto, jamais pediu perdão por suas ligações com o apartheid”.

Segundo documentos divulgados pela própria Naspers, em 31 de dezembro de 2005, a Editora Abril tinha uma dívida liquida de aproximadamente US$ 500 milhões, com a família Civita detendo 86,2% das ações e o grupo estadunidense Capital International, 13,8%. A Naspers adquiriu em maio último todas as ações da empresa ianque, por US$ 177 milhões, mais US$ 86 milhões em ações da família Civita e outros US$ 159 milhões em papéis lançados pela Abril. “Com isso, a Naspers ficou com 30% do capital. O dinheiro injetado, segundo ela, serviria para pagar a maior parte das dividas da editora”. Isto comprova que o poder deste conglomerado, que cresceu com a segregação racial, é hoje enorme e assustador na mídia brasileira.

Os interesses alienígenas 

Mas as relações alienígenas da revista Veja não são recentes nem se dão apenas com os racistas da África do Sul. Até recentemente, ela sofria forte influência na sua linha editorial das corporações dos EUA. A Capital International, terceiro maior grupo gestor de fundos de investimentos desta potência imperialista, tinha dois prepostos no Conselho de Administração do Grupo Abril – Willian Parker e Guilherme Lins. Em julho de 2004, esta agência de especulação financeira havia adquirido 13,8% das ações da Abril, numa operação viabilizada por uma emenda constitucional sancionada por FHC em 2002.

A Editora Abril também têm vínculos com a Cisneros Group, holding controlada por Gustavo Cisneros, um dos principais mentores do frustrado golpe midiático contra o presidente Hugo Chávez, em abril de 2002. O inimigo declarado do líder venezuelano é proprietário de um império que congrega 75 empresas no setor da mídia, espalhadas pela América do Sul, EUA, Canadá, Espanha e Portugal. Segundo Gustavo Barreto, pesquisador da UFRJ, as primeiras parcerias da Abril com Cisneros datam de 1995 em torno das transmissões via satélites. O grupo também é sócio da DirecTV, que já teve presença acionária da Abril. Desde 2000, os dois grupos se tornaram sócios na empresa resultante da fusão entre AOL e Time Warner.

Ainda segundo Gustavo Barreto, “a Editora Abril possui relações com instituições financeiras como o Banco Safra e a norte-americana JP Morgan – a mesma que calcula o chamado ‘risco-país’, índice que designa o risco que os investidores correm quando investem no Brasil. Em outras palavras, ela expressa a percepção do investidor estrangeiro sobre a capacidade deste país ‘honrar’ os seus compromissos. Estas e outras instituições financeiras de peso são os debenturistas – detentores das debêntures (títulos da dívida) – da Editora Abril e de seu principal produto jornalístico. Em suma, responsáveis pela reestruturação da editora que publica a revista com linha editorial fortemente pró-mercado e anti-movimentos sociais”.

Um ninho de tucanos 

Além de ser controlada por grupos estrangeiros, a Veja mantém relações estreitas com o PSDB, que é o núcleo orgânico do capital rentista, e com o PFL, que representa a velha oligarquia conservadora. Emílio Carazzai, por exemplo, que hoje exerce a função de vice-presidente de Finanças do Grupo Abril, foi presidente da Caixa Econômica Federal no governo FHC. Outra tucana influente na família Civita, dona do Grupo Abril, é Claudia Costin, ministra de FHC responsável pela demissão de servidores públicos, ex-secretária de Cultura no governo de Geraldo Alckmin e atual vice-presidente da Fundação Victor Civita.

Não é para menos que a Editora Abril sempre privilegiou os políticos tucanos. Afora os possíveis apoios “não contabilizados”, que só uma rigorosa auditoria da Justiça Eleitoral poderia provar, nas eleições de 2002, ela doou R$ 50,7 mil a dois candidatos do PSDB. O deputado federal Alberto Goldman, hoje um vestal da ética, recebeu R$ 34,9 mil da influente família; já o deputado Aloysio Nunes, ex-ministro de FHC, foi agraciado com R$ 15,8 mil. Ela também depositou R$ 303 mil na conta da DNA Propaganda, a famosa empresa de Marcos Valério que inaugurou um ilícito esquema de financiamento eleitoral para Eduardo Azeredo, ex-presidente do PSDB. Estes e outros “segredinhos” da Editora Abril ajudam a entender a linha editorial racista da revista Veja e a sua postura de opositora radical do governo Lula.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

DIREITA (PSDB-DEM) NÃO ELEGEU NENHUM NEGRO!

Você sabia? PSDB e DEM não elegem candidatos para a bancada negra no congresso



Segundo matéria publicada no site Congresso em Foco em 28 de Outubro de 2010 sobre o balanço das eleições legislativa de 3 de outubro, a maioria dos negros eleitos para o Senado e para a Câmara dos Deputados é do PT, PSB, PCdoB e PSol, entre outras legendas progressistas. O PSDB e o DEM não tiveram nenhum candidato negro eleito.

Na avaliação do diretor da ONG Educafro, frei David dos Santos, não se trata de mera coincidência. "Os partidos de direita não investiram financeiramente em qualquer campanha de povo negro, todos os eleitos são de esquerda ou centro-esquerda. Os partidos que não amam o negro apenas o usam", comenta.

O ativista também denuncia casos de falsas promessas a lideranças negras. "Alguns partidos vão à periferia, formam lideranças, prometem muito dinheiro para campanha, mas esse dinheiro nunca aparece e os candidatos acabam tendo de bancar, do próprio bolso, suas candidaturas. No fim, não conseguem o número mínimo de votos para se eleger, por terem feito campanha fraca", explica.

Mas o número de votos recebidos pelos candidatos negros mostra que, impulsionado principalmente pela mobilização de suas bases populares, o movimento aumenta, aos poucos, sua relevância na sociedade. Com base em informações do Instituto de Política, Gestão Pública e Empresarial e Tecnologias Apropriadas (Ipogetec) de Brasília, 22 milhões de pessoas votaram em candidatos negros, 19,86% do total de votos computados e 21,74% do total de votos válidos.

"Segundo o IBGE, 51,3% da população brasileira é afro-descendente, somos maioria, porém sub-representados na Câmara e no Senado Federal.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

EUA MOSTRAM SEU RADICALISMO E ATRASO

Deu agorinha na Reuters:
Os Estados Unidos informaram nesta segunda-feira que interromperam seu financiamento para a Unesco, agência cultural da Organização das Nações Unidas, após a aprovação dos palestinos como novo membro pleno da entidade.
A porta-voz do Departamento de Estado norte-americano Victoria Nuland disse a repórteres que os EUA não tinham escolha a não ser suspender os financiamentos por causa da lei norte-americana, dizendo que Washington não faria a transferência de 60 milhões de dólares planejada para novembro.
A Unesco é a primeira entidade da ONU à qual os palestinos buscaram adesão como membro pleno desde que o presidente Mahmoud Abbas fez o pedido à ONU para ser um Estado-membro completo da organização, em 23 de setembro.
Estados Unidos, Canadá e Alemanha votaram contra o pedido dos palestinos na Unesco. Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul e França votaram a favor. A Grã-Bretanha se absteve da votação.
É inacreditável que a comunidade internacional tenha que conviver com isso. Um país que se diz campeão das liberdades castigar programas internacionais de educação por conta de suas alianças políticas de natureza discriminatória.
Mas contra isso, infelizmente, não haverá reações indignadas.