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terça-feira, 14 de julho de 2015

PICARETAS DA SEITA DE OLAVO CARVALHO APLICAM O "GOLPE DE OSLO"

Como extremistas estão faturando com a pseudo indicação de Lula ao Nobel. Por Kiko Nogueira



"Que Nobel, companheiro?"
“Que Nobel, companheiro?”

A paranoia antipetista e antibolivariana pode ser, além de um problema clínico, fonte de recursos. PT Barnum, o inventor do circo moderno (e um rematado picareta) dizia que nasce um otário a cada minuto. Os organizadores de um negócio chamado Conclave de Oslo têm certeza disso.
Trata-se, como sugere o nome, de uma reunião na capital da Noruega com o objetivo declarado de “discutir a liberdade, a democracia e as eleições no Brasil”. A ideia é “expor a fraude dos processos eleitorais das passadas ‘eleições’ de 2014”.
Por que Oslo? Para entregar aos responsáveis pelo Nobel um dossiê desmascarando Lula. O ex-presidente não merece a indicação ao prêmio, na opinião do pessoal.
O organizador é Dalmo Accorsini, brasileiro residente em Miami, profissão indefinida, ativista de direita. Accorsini abriu pelo menos duas contas para colher fundos para a missão.
Na primeira, na ferramenta de crowdfunding Kickstarter, levantaram 43 380 reais. A meta é 150 mil. Faltam 14 dias. Na segunda, no Vakinha, conseguiu 7 851 reais dos 30 mil desejados. O prazo é 15 de julho.
Em ambos os casos, os prazos foram esticados para ver se se chegava ao total. E aí começa a confusão. Apesar dos pedidos de grana ainda estarem em aberto, Dalmo já foi e voltou de Oslo, juntamente com um empresário e procurador da Fazenda Hugo César Hoeschl. De acordo com um vídeo da trupe, eles protocolaram o dossiê antilulista.
Quem é Hoeschl? Além de campeão da causa, ele foi, de acordo com uma matéria da Folha de 2009, alvo de um processo administrativo aberto pela corregedoria da Advocacia Geral da União. Teria atuado, ao mesmo tempo, em Oscips (organizações da sociedade civil de interesse público) que mantêm contratos com o poder público e em empresas contratadas. O esquema envolvia o montante de 38 milhões de reais. Ele montou um blog para se defender.
Dalmo fala com certa dificuldade e se vende como empreendedor nos EUA. Há cinco anos, se gabou de “desenvolver um método eficiente e seguro para a produção de produtos orgânicos”. Sua “fazenda modelo” na Flórida atraía “muita atenção de universidades e outros empreendedores”. Em seu currículo, declara que é um “profissional de marketing, criador do spray anti ácido Stomacin-U e da revista Nutricula”.
O projeto Oslo teve o aval de gente como Lobão, Olavo de Carvalho e Danilo Gentili, que ofereceram brindes incríveis de acordo com a doação do cidadão. Lobão, há algumas semanas, acabou pulando fora, não se sabe bem por quê (leia mais aqui).
O material de divulgação mencionava uma espécie de trem da alegria dos sonhos direitistas (vou manter a grafia): “Vamos levar do Brasil um grupo de pessoas notáveis que já estamos contactando, entre elas esta o ex ministro Joaquim Barbosa, Dr Romeu Tuma Jr, Rachel Sheherazade, Danilo Gentili, Ives Gandra, Lobão, Felipe Moura Brasil etc”.
Mais tarde, um adendo: aguardava-se “a confirmação dos jornalistas Diogo Mainardi e Augusto Nunes”. O blogueiro Claudio Tognolli, biógrafo de Lobão, e o ex-roqueiro Ciro Pessoa, um dos 75 autores de “Sonífera Ilha”, dos Titãs, já estavam na jogada.
Não é a primeira vez que Accorsini faz algo desse gênero. Em março, ele conseguiu realizar o “Conclave de Washington”. As pessoas doaram 15 mil dólares para um evento que “denunciou” a empresa venezuelana Smartmatic, que fabrica urnas na Nicarágua, Bolívia, El Salvador, Equador e Brasil.
Os convidados, anunciados com destaque, eram o ex-primeiro ministro da Espanha José Maria Aznar, o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, o ex-presidente do México Vicente Fox, além de Jeb Bush e do senador republicano Marco Rubio.
Claro que nenhum deles deu as caras. O único palestrante foi o velho Olavo, com a repercussão esperada fora das rodas de malucos. Aliás, saiu apenas num lugar: no Yahoo, mais exatamente no blog de Tognolli, que mentiu ao escrever que, com o convescote, “os EUA passam a endossar, justamente nestes tempos bicudos, a tese de que o Brasil pode ter sofrido um golpe eletrônico chavista.” (!!?)
A questão fulcral da farsa na Noruega, no final das contas, é mais prosaica: não há nenhuma indicação de Lula ao Nobel. Zero. Niente. Nada. Os nomes serão divulgados somente em outubro.
Há bolsas de apostas baseadas em listas compiladas por especialistas. Nenhuma delas inclui Lula (que foi indicado em 2003). Fala-se, por exemplo, em Edward Snowden, o papa Francisco, o padre Mussie Zerai, que vive na Itália, por seu papel com os imigrantes, entre outros.
Isso não importa para os conclavistas. O que vale é pôr em prática aquela máxima do papa Dionésio Terceiro, responsável por livrar a Eritreia do comunismo, do lulopetismo, da malária e dos discos de Djavan: ninguém nunca perdeu dinheiro por subestimar a inteligência do público.
 http://www.diariodocentrodomundo.com.br/como-um-grupo-de-extremistas-fatura-com-a-pseudo-indicacao-de-lula-ao-nobel-por-kiko-nogueira/

quinta-feira, 27 de março de 2014

BRILHANTE E DIVERTIDA PALESTRA DE LULA SOBRE POLÍTICA INTERNACIONAL

Recomendo que acompanhem esta belíssima palestra de Lula, que toca em pontos fundamentais da política externa do Brasil, dentro da América Latina, na relação com os Estados Unidos, e no mundo. Uma aula de soberania, totalmente fiel à vocação de liderança do Brasil em clima de Paz e alta diplomacia. E ele usa de muito humor, no seu estilo e linguagem informais, que tanto conquistou simpatia pelo planeta inteiro. Vejam a sua sinceridade. Só mentes muito colonizadas jamais entenderão esta postura moderna e avançada, que nos coloca hoje como um dos países mais influentes do mundo, como pude conferir em 31 países que visitei nos últimos oito anos. Deves-e ressaltar o brilhante desempenho do ex-chanceler Celso Amorim, considerado um dos formuladores da geopolítica do século 21, pela imprensa internacional.

domingo, 15 de dezembro de 2013

INFORME-SE ANTES DE FAZER PROPAGANDA ENGANOSA DOS EUA

Conheça 10 fatos chocantes sobre os EUA

Por Luis Soares, no blog Pragmatismo político:


Os EUA costumam se revelar ao mundo como os grandes defensores das liberdades, como a nação com a melhor qualidade de vida do planeta e que nada é melhor do que o “american way of life” (o modo de vida americano). A realidade, no entanto, é outra. Os EUA também têm telhado de vidro como a maioria dos países, a diferença é que as informações são constantemente camufladas. Confira abaixo 10 fatos pouco abordados pela mídia ocidental.

1. Maior população prisional do mundo.

Elevando-se desde os anos 80, a surreal taxa de encarceramento dos EUA é um negócio e um instrumento de controle social: à medida que o negócio das prisões privadas alastra-se como uma gangrena, uma nova categoria de milionários consolida seu poder político. Os donos destas carcerárias são também, na prática, donos de escravos, que trabalham nas fábricas do interior das prisões por salários inferiores a 50 cents por hora. Este trabalho escravo é tão competitivo, que muitos municípios hoje sobrevivem financeiramente graças às suas próprias prisões, aprovando simultaneamente leis que vulgarizam sentenças de até 15 anos de prisão por crimes menores como roubar chicletes. O alvo destas leis draconianas são os mais pobres, mas, sobretudo, os negros, que representando apenas 13% da população norte-americana, compõem 40% da população prisional do país.

2. 22% das crianças americanas vive abaixo do limiar da pobreza.

Calcula-se que cerca de 16 milhões de crianças norte-americanas vivam sem “segurança alimentar”, ou seja, em famílias sem capacidade econômica para satisfazer os requisitos nutricionais mínimos de uma dieta saudável. As estatísticas provam que estas crianças têm piores resultados escolares, aceitam piores empregos, não vão à universidade e têm uma maior probabilidade de, quando adultos, serem presos.

3. Entre 1890 e 2012, os EUA invadiram ou bombardearam 149 países.

O número de países nos quais os EUA intervieram militarmente é maior do que aqueles em que ainda não o fizeram. Números conservadores apontam para mais de oito milhões de mortes causadas pelo país só no século XX. Por trás desta lista, escondem-se centenas de outras operações secretas, golpes de Estado e patrocínio de ditadores e grupos terroristas. Segundo Obama, recipiente do Nobel da Paz, os EUA conduzem neste momente mais de 70 operações militares secretas em vários países do mundo.Leia também

O mesmo presidente criou o maior orçamento militar norte-americano desde a Segunda Guerra Mundial, superando de longe George W. Bush.
4. Os EUA são o único país da OCDE que não oferece qualquer tipo de subsídio de maternidade.

Embora estes números variem de acordo com o Estado e dependam dos contratos redigidos por cada empresa, é prática corrente que as mulheres norte-americanas não tenham direito a nenhum dia pago antes ou depois de dar à luz. Em muitos casos, não existe sequer a possibilidade de tirar baixa sem vencimento. Quase todos os países do mundo oferecem entre 12 e 50 semanas pagas em licença maternidade. Neste aspecto, os Estados Unidos fazem companhia à Papua Nova Guiné e à Suazilândia.

5. 125 norte-americanos morrem todos os dias por não poderem pagar qualquer tipo de plano de saúde.

Se não tiver seguro de saúde (como 50 milhões de norte-americanos não têm), então há boas razões para temes ainda mais a ambulância e os cuidados de saúde que o governo presta. Viagens de ambulância custam em média o equivalente a 1300 reais e a estadia num hospital público mais de 500 reais por noite. Para a maioria das operações cirúrgicas (que chegam à casa das dezenas de milhar), é bom que possa pagar um seguro de saúde privado. Caso contrário, a América é a terra das oportunidades e, como o nome indica, terá a oportunidade de se endividar e também a oportunidade de ficar em casa, torcendo para não morrer.
6. Os EUA foram fundados sobre o genocídio de 10 milhões de nativos. Só entre 1940 e 1980, 40% de todas as mulheres em reservas índias foram esterilizadas contra sua vontade pelo governo norte-americano.

Esqueçam a história do Dia de Ação de Graças com índios e colonos partilhando placidamente o mesmo peru em torno da mesma mesa. A História dos Estados Unidos começa no programa de erradicação dos índios. Tendo em conta as restrições atuais à imigração ilegal, ninguém diria que os fundadores deste país foram eles mesmos imigrantes ilegais, que vieram sem o consentimento dos que já viviam na América. Durante dois séculos, os índios foram perseguidos e assassinados, despojados de tudo e empurrados para minúsculas reservas de terras inférteis, em lixeiras nucleares e sobre solos contaminados. Em pleno século XX, os EUA iniciaram um plano de esterilização forçada de mulheres índias, pedindo-lhes para colocar uma cruz num formulário escrito em idioma que não compreendiam, ameaçando-as com o corte de subsídios caso não consentissem ou, simplesmente, recusando-lhes acesso a maternidades e hospitais. Mas que ninguém se espante, os EUA foram o primeiro país do mundo oficializar esterilizações forçadas como parte de um programa de eugenia, inicialmente contra pessoas portadoras de deficiência e, mais tarde, contra negros e índios.
7. Todos os imigrantes são obrigados a jurarem não ser comunistas para poder viver nos EUA.

Além de ter que jurar não ser um agente secreto nem um criminoso de guerra nazi, vão lhe perguntar se é, ou alguma vez foi membro do Partido Comunista, se tem simpatias anarquista ou se defende intelectualmente alguma organização considerada terrorista. Se responder que sim a qualquer destas perguntas, será automaticamente negado o direito de viver e trabalhar nos EUA por “prova de fraco carácter moral”.
8. O preço médio de uma licenciatura numa universidade pública é 80 mil dólares.

O ensino superior é uma autêntica mina de ouro para os banqueiros. Virtualmente, todos os estudantes têm dívidas astronômicas, que, acrescidas de juros, levarão, em média, 15 anos para pagar. Durante esse período, os alunos tornam-se servos dos bancos e das suas dívidas, sendo muitas vezes forçados a contrair novos empréstimos para pagar os antigos e assim sobreviver. O sistema de servidão completa-se com a liberdade dos bancos de vender e comprar as dívidas dos alunos a seu bel prazer, sem o consentimento ou sequer o conhecimento do devedor. Num dia, deve-se dinheiro a um banco com uma taxa de juros e, no dia seguinte, pode-se dever dinheiro a um banco diferente com nova e mais elevada taxa de juro. Entre 1999 e 2012, a dívida total dos estudantes norte-americanos cresceu à marca dos 1,5 trilhões de dólares, elevando-se assustadores 500%.
9. Os EUA são o país do mundo com mais armas: para cada dez norte-americanos, há nove armas de fogo.

Não é de se espantar que os EUA levem o primeiro lugar na lista dos países com a maior coleção de armas. O que surpreende é a comparação com outras partes do mundo: no restante do planeta, há uma arma para cada dez pessoas. Nos Estados Unidos, nove para cada dez. Nos EUA podemos encontrar 5% de todas as pessoas do mundo e 30% de todas as armas, algo em torno de 275 milhões. Esta estatística tende a se elevar, já que os norte-americanos compram mais de metade de todas as armas fabricadas no mundo.
10. Há mais norte-americanos que acreditam no Diabo do que os que acreditam em Darwin.

A maioria dos norte-americanos são céticos. Pelo menos no que toca à teoria da evolução, já que apenas 40% dos norte-americanos acreditam nela. Já a existência de Satanás e do inferno soa perfeitamente plausível a mais de 60% dos norte-americanos. Esta radicalidade religiosa explica as “conversas diárias” do ex-presidente Bush com Deus e mesmo os comentários do ex-pré-candidato republicano Rick Santorum, que acusou acadêmicos norte-americanos de serem controlados por Satã.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

DELFIM NETO EXPLICA A CRISE DO CAPITALISMO NOS EUA


Saiu na Folha artigo de Delfim Netto:

Origem da crise


por ANTONIO DELFIM NETTO


Para entender os movimentos dos “indignados” americanos e da “ocupação de Wall Street”, é preciso considerar alguns fatos:


1) A renda per capita não cresce desde 1996;


2) A distribuição dessa renda tem piorado há duas décadas;


3) O nível de desemprego em abril de 2008 era de 4,8% da população economicamente ativa, o que, em parte, compensava aqueles efeitos;


4) Em janeiro de 2010, o desemprego andava em torno de 10,6% e, desde então, permanece quase igual (9,2%);


5) O colapso da Bolsa cortou pelo menos 40% da riqueza que os agentes “pensavam” que possuíam;


6) A combinação da queda da Bolsa com a queda do valor dos imóveis residenciais fez boa parte do patrimônio das famílias evaporar-se;


7) Ao menos 25% das famílias têm hoje menos da metade que “supunham” ter em 2008.


O grande problema é que a maioria dos cidadãos não entende como isso pode ter acontecido. Sentem que foram assaltados à luz do dia, sob os olhos complacentes das instituições em que confiavam: o poder Executivo e o Banco Central. Assistem confusos o comportamento do Legislativo. Pequenos grupos mais exaltados tentam reviver, com passeatas festivas de fim de semana, o espírito “revolucionário” de 1968, que deu no que deu…


É muito pouco provável que essa pressão leve a alguma mudança séria em Washington. Talvez algum efeito nos resultados da eleição de 2012. Isso não deixa de ser preocupante e assustador dado ao reacionarismo do influente Tea Party no partido Republicano e à pobreza intelectual dos seus atuais candidatos.


A história não opera em linha reta. Nada garante que, mesmo com as suas fortes instituições, o atual disfuncionalismo político americano não possa produzir algo ainda pior do que o que estamos vendo.


O último levantamento do Gallup (15 e 16 de outubro de 2011) perguntou a quem o consultado atribuía a crise que estava vivendo. As respostas foram: 64% ao governo federal; 30% ao comportamento das instituições financeiras e 5% não tinham opinião formada.


Modelos de previsão eleitoral como os de Ray Fair, da Universidade de Yale (adaptados no Brasil pelo competente analista político Alexandre Marinis), ainda dão uma probabilidade maior à reeleição de Obama -apesar de que quase dois terços dos americanos acreditam que ele é o responsável pela crise.


Injustamente, porque a crise é produto dos governos Clinton (democrata) e Bush (republicano), que se esmeraram em demolir, com a desculpa ideológica de que os mercados financeiros eram eficientes e se autocontrolavam, a regulação do sistema bancário construída por Roosevelt (democrata) depois da crise de 1929.