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sábado, 15 de outubro de 2011

O NEOLIBERALISMO MORREU HOJE!

A agonia já vinha de longe, de antes mesmo de 2008, quando as bolhas imobiliária e bancária estouraram nos EUA e na Europa. Um sistema que dominou o mundo por mais de três décadas, não poderia sucumbir por "morte súbita": ele esperneia, resiste, mistifica, tenta adiar o fim e congelar a História.
Mas nada adiantou: as manifestações de massa de hoje, 15 de outubro de 2011, em mais de oitenta países de todos os continentes, foram o enterro da doutrina e da prática que se convencionou chamar de Neoliberalismo. Aqui e ali o sistema ainda pode ter algum fôlego desesperado, mas o fato é que o Neoliberalismo perdeu qualquer legitimidade ideológica. Seus defensores ficaram no passado, enquanto a caravana do Futuro passou acelerada e inexorável.
Orgulho-me de ter sido um dos 10 mil fundadores do Fórum Social Mundial em Porto Alegre, em 2001, e de ter participado de outras quatro realizações do evento, inclusive a de 2010. Aquela iniciativa, nascida no Brasil, reproduziu-se em milhares e milhares de locais do mundo, sem uma coordenação geral e hierárquica - o objetivo era abrir espaço para a livre manifestação e para o intercâmbio entre todos os que acreditam que "Um novo mundo é possível!". Dali nasceram as grandes manifestações de rua que perturbaram o sossego dos "donos" do mundo, em Davos, em Gênova, nos encontros do FMI, do G-7, do G-20, de todas as cúpulas de ricos pelo mundo a fora.
Agora, finalmente, o protesto atingiu o coração simbólico do capitalismo, com a ocupação de Wall Street, que já dura quase um mês. O susto da direita foi tão grande que, no Brasil, seus porta-vozes mais falastrões calaram suas bocas. Reinaldo Azevedo, o covarde Rei do Esgoto, que usa um blog da revista fascista Veja para pregar a opressão, a injustiça social, e para combater tudo que seja social ou em favor do povo e do Brasil, enfiou o rabo entre as pernas. Levou quase um mês fugindo do assunto, e agora publicou umas quinze pífias linhas para dizer que...os protestos são provocados pelo Obama! Esse Reinaldo vendeu a alma, perdeu o senso de ridículo, e realmente acha que seus infelizes leitores são todos idiotas (nem todos o são, só uns 90%, e ele se incumbe de censurar os demais).
A verdade é que a nossa direita-burra (e sem votos) torce para que a crise do Neoliberalismo leve o Brasil à falência, ao caos. Seria a única maneira de seus candidatos (eles ainda acham que Serra é um nome viável!) cheguem ao poder. Na verdade, preferem um golpe do tipo hondurenho, mas como não encontram um militar louco o bastante para tentar uma quartelada, fingem que respeitam o jogo eleitoral.
Vendo as massas hoje reunidas em ruas e praças de todos os continentes, gritando diretamente contra o 1% dos "donos" de todas as riquezas do planeta, naturais e manufaturadas, além dos papéis-quase-moedas, tenho que gargalhar na cara de um covarde como Reinaldo Azevedo. Todo o seu esforço para liderar e insuflar um golpe contra nosso Governo constitucional, contra a Justiça Social que apenas começa a existir no Brasil, contra a inteligência, foram para o lugar devido: o lixo, o esgoto. Reinaldo e suas "idéias" fedem!
Viva o futuro, viva a Humanidade livre e progressista!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

EVO MORALES NO FORUM SOCIAL MUNDIAL

07/02/2011 - 05h02
“Sinais de mudança”, diz Evo Morales na abertura do Fórum Social Mundial
Por Thandi Winston e Souleymane Faye*

Dacar, Senegal, 7/2/2011 (IPS/TerraViva) – Dezenas de milhares de pessoas marchavam pelas ruas de Dacar no dia 6, para marcar o início do Fórum Social Mundial de 2011. Ativistas carregam cartazes coloridos denunciando a grilagem de terras, as leis de imigração restritivas, os subsídios da agricultura na Europa e nos Estados Unidos, entre muitas outras questões.

Outros entoam gritos de liberdade e tocam tambores enquanto seguem pacificamente por um caminho que começa perto do escritório da emissora pública do Senegal, a RTS, e termina na Universidade de Cheikh Anta Diop, o centro desse encontro de uma semana.

O presidente boliviano Evo Morales, que esteve na marcha, convidou seus contemporâneos dos países pobres para fazer parte desse evento.

“Precisa haver uma conscientização e mobilização para colocar um ponto final no capitalismo e vencer os invasores, neocolonialistas e imperialistas […]. Apoio o levante popular na Tunísia e no Egito. São sinais de mudança.”, disse Morales, um antigo líder sindical que é participante regular dos encontros que envolvem movimentos antiglobalização.

“Precisamos resistir e conscientizar. Precisa haver um programa de luta social para construir um novo mundo,” disse ele.

“Nós precisamos salvar a humanidade e, para conseguir isto, precisamos conhecer nossos inimigos. Os inimigos do povo são os neocolonialistas e imperialistas. Nós devemos acabar com o modelo capitalista e colocar outro no lugar. É necessário dar um basta nos ricos e mudar o mundo.”

O prefeito de Dacar recepcionou os participantes, mas outros membros mais importantes do governo senegalês estavam ausentes. O presidente Abdoulaye Wade está fora do país, mas é esperado para tomar parte em um evento ao lado da presidente do Brasil ainda essa semana.

O Fórum Social Mundial se define como um espaço aberto, onde aqueles que são “opositores do neoliberalismo e de um mundo dominado pelo capital ou por qualquer outra forma de imperialismo se juntam para perseguir suas ideias”.

Como o evento desse ano foi levado para o Senegal, muitas das discussões devem girar em torno do que os organizadores chamam de crise da civilização e do capitalismo que atinge a África e o resto do mundo.

“Esta edição do Fórum deve contribuir para mudar o mundo. É uma chance para que os oprimidos deste mundo tenham uma voz própria”, disse o historiador senegalês, Boubacar Diop Buuba, professor da Universidade Cheikh Anta Diop.

Philip Kumah, um assistente social de Gana que trabalha para a Anistia Internacional, declarou que “nós estamos clamando por um fim às injustiças no nosso país, onde o governo rouba a terra das comunidades. Este Fórum é uma chance de o nosso governo ouvir nossas queixas”.

Para o ativista Beverley Keene, de Buenos Aires, realizar o Fórum na África é um marco muito importante. “É nossa vez de trocar experiências e avaliar o impacto que a crise financeira e a exploração dos minerais têm sobre os meios de subsistência das pessoas.”

A crise financeira se destaca dentre os temas dos debates a serem realizados no sexto dia, que procuram alternativas para “a crise do sistema capitalista”.

A feminista italiana, Sabrina Viche, disse que o evento é também uma oportunidade para ouvir as mulheres africanas. “Eu vim para Dacar dar meu apoio a todas as mulheres da África, que lutam para garantir que suas vozes sejam ouvidas, e eu quero ouvir o que elas têm a dizer, quais são suas lutas e como nós, do norte, podemos ajudá-las.”

No entanto, não é o suficiente conhecer. Canet Raphael, um sociólogo de Montreal, Canadá, disse à IPS que “as pessoas precisam saber para que serve um fórum social. O espírito do Fórum Social Mundial tem suas raízes nos movimentos sociais”.

Thierry Tulasne, que trabalha com assuntos de imigração para uma organização canadense, afirmou: “Eu não tenho certeza que os movimentos sociais possam mudar o mundo tão rapidamente. Mas estou certo de que pequenas gotas de água podem, eventualmente, se transformar em rios”. Envolverde/IPS

*Ebrima Sillah e Koffigan Adigbli, em Dacar, contribuíram para essa reportagem.

FOTO
Crédito:
 Abdullah Vawda/IPS
Legenda: Marcha de abertura do Fórum Social Mundial em Dacar.