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sábado, 1 de novembro de 2014

NACIONALIZAÇÕES PERMITEM À BOLÍVIA EXPORTAR ENERGIA, DIZ EVO MORALES

Evo Morales quer transformar Bolívia em "centro energético" da América do Sul


Roma, 29 out (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou nesta quarta-feira que quer transformar seu país no "centro energético" da América do Sul após "recuperar" a exploração dos recursos naturais de seu território com as nacionalizações no setor.
Durante uma conferência que deu em Roma chamada "Solidariedade, complementaridade e autodeterminação dos povos", Evo assegurou que nacionalizar empresas fez com que 92% do lucro seja revertido para os bolivarianos.
"Em vão nos diziam que se nacionalizássemos não haveria investimento", lembrou Morales, ao garantir que em 2014 o lucro com essas empresas foi de mais de US$ 3 bilhões.
"Foi tão importante nacionalizar porque nos libertou das chantagens do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI)", continuou Morales.
O Estado controla agora os serviços básicos - água, telefonia e energia, "direitos humanos que não podem ser negócios".
Ele confessou que não esperava que a situação econômica do país mudasse "tão rapidamente" após as nacionalizações, decretadas em 1º de maio de 2006, e afirmou que o ministro da Economia boliviano "é convidado por universidades dos Estados Unidos para explicar o modelo contra a chantagem do FMI".
Após realizar estas nacionalizações, Morales defendeu que a Bolívia invista parte desse lucro em energia solar, o que disse já ocorrer, e ano que vem apostará na energia geotérmica, com o objetivo de "exportar mil megawatts em 2020".
"Exportar energia para outros países do entorno garantirá o crescimento econômico do país", disse.
Segundo ele, a receita das nacionalizações deu "uma oportunidade para quem nunca teve" e citou o exemplo de "mães de famílias pobres que criaram pequenos negócios".
O lucro é investido também, disse o presidente boliviano em educação, e que com isso conseguiram "reduzir a evasão escolar, que era de 6% para os atuais 1%". Ele sentenciou que "não haverá mais analfabetos na Bolívia". EFE
https://br.noticias.yahoo.com/evo-morales-quer-transformar-bol%C3%ADvia-centro-energ%C3%A9tico-am%C3%A9rica-211517126--finance.html

quinta-feira, 12 de junho de 2014

EVO MORALES ASSISTIRÁ A ABERTURA DA COPA, COM DILMA

Brasil confirma presença 

de Evo na abertura da 

Copa do Mundo

Evo Morales gosta de futebol e costuma aparecer em jogos amistosos
Foto: Getty Images
O presidente da Bolívia, Evo Morales, participará da abertura da Copa 
do Mundo, que será realizada no próximo dia 12, em São Paulo, 
confirmou nesta quinta-feira o encarregado de Negócios da 
embaixada brasileira em La Paz, Antonio José Rezende de Castro.
"O presidente Morales nos dará a honra e o prazer de ir ao Brasil 
para a abertura da Copa, isto já está confirmado. Estará no país 
no dia 12 e vai voltar imediatamente porque temos a reunião do 
G77 (na cidade boliviana de) Santa Cruz", disse o diplomata em 
entrevista em La Paz.
A presidente Dilma Rousseff convidou Morales, um grande amante 
do futebol, e outros líderes para a abertura do evento esportivo. 
Segundo Castro, "muitos chefes de Estado e de governo estarão 
presentes em diferentes momentos da Copa, não necessariamente 
na abertura".
Entre as autoridades que confirmaram que estarão no Mundial 
2014 figuram a chanceler alemã, Ángela Merkel; o vice-presidente 
dos EUA, Joe Biden; a presidente doChile, Michelle Bachelet; e 
o primeiro-ministro daCroácia, Zoran Milanovic.
O presidente Morales encontrará no Brasil o secretário-geral da 
Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, e após a 
abertura ambos viajarão juntos à Bolívia para participar da Cúpula 
dos 77 países em desenvolvimento e China (G77), que será 
realizada em 14 e 15 de junho.
Castro indicou que como Dilma terá que receber os chefes de 
Estado que chegarem ao Brasil para o evento futebolístico, não 
está confirmada ainda sua participação na Cúpula do G77.

http://esportes.terra.com.br/futebol/copa-2014/brasil-confirma
-presenca-de-evo-morales-na-abertura-da-

sexta-feira, 25 de abril de 2014

EVO MORALES AUMENTA SALÁRIO MÍNIMO DOS BOLIVIANOS

Bolívia eleva o salário mínimo em 20%


O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou na segunda-feira um aumento do salário mínimo do país em 20%, revelou na terça-feira a BBC. O anúncio foi feito após negociações com representantes das principais federações sindicais e inclui um aumento de 10% do salário básico. Ambos aumentos superam a inflação, que, em 2013, foi de 6,5%.
Comemorada pelos sindicalistas, a decisão foi duramente criticada pela Federação de Empresários, afirmando que o setor foi solenemente ignorado nas negociações. Com a decisão, o salário mínimo para os setores público e privado vai subir de 1.200 bolivianos (R$ 389) para 1.488 bolivianos (R$ 483).
"Houve crescimento econômico, e é por isso que decidimos elevar o salário mínimo em 20%", disse Morales, segundo a BBC.
Negociações amargas
O líder da Central Boliviana do Trabalho, Juan Carlos Trujillo, disse que as negociações foram "amargas, geladas e pesadas". No fim, porém, os dois lados chegaram a um acordo. A Confederação dos Empreendedores Privados da Bolívia (CEPB) rejeitou o proposta, afirmando que os trabalhadores vão acabar pagando pela medida com o aumento dos impostos.
O diretor da maior organização patronal da Bolívia, Daniel Sanchez, afirmou que a decisão foi política e não econômica. Ele insinuou que o presidente Morales adotou a medida com o intuito de ganhar a simpatia do movimento sindical, já que ele concorrerá à reeleição em outubro.
https://br.noticias.yahoo.com/bol%C3%ADvia-eleva-sal%C3%A1rio-m%C3%ADnimo-20-201119413.html

sexta-feira, 11 de abril de 2014

SEM FMI, BOLÍVIA CRESCE 6,5% E TRIPLICA A RENDA

Criticada no passado por estatizações, Bolívia arranca elogios por expansão e estabilidade

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

PETROBRÁS INVESTE E LUCRA MAIS NA BOLÍVIA

PETROBRAS BOLIVIA INAUGURA PLANTA DE GÁS DE ITAÚ

Empreendimento, que garante um aumento na capacidade de processamento do campo de Itaú de 1,7 para 5,7 milhões de m³ por dia


Leia Mais sobre a Notícia nesse Link: Petrobras Bolivia inaugura planta de gás de Itaú | UltimoInstante : Notícias de Hoje

sábado, 18 de janeiro de 2014

CARTOLAS DA BOLÍVIA PREJUDICAM O FUTEBOL

Evo Morales afirma que sofre pressão para intervir no futebol da Bolívia

O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou nesta terça-feira que pesa sobre seus ombros uma grande pressão para que o Estado intervenha no futebol local que, segundo sua opinião, requer uma "dura mudança" para melhorar.
"O futebol é nossa fraqueza por enquanto, é preciso superá-la. Nem imaginam os senhores a pressão que sofro para intervir no futebol boliviano", disse o líder em um encontro com a imprensa esportiva para avaliar a passagem do rali Dacar pela Bolívia.
Morales reiterou suas críticas a alguns diretores que não identificou, mas que, segundo disse, "já são eternos dirigentes" e com esta atitude "só estão prejudicando".
Também voltou a questionar que o futebol seja gerenciado de três estruturas (a Liga, a associação e a federação) e considerou que estas se mantêm "pela ambição" daqueles dirigentes que somente buscam "viver do esporte".
"É preciso fazer uma dura mudança. Em que consiste essa mudança? Queremos debater um dia. Que os dirigentes sejam responsáveis, não podemos continuar como estamos no futebol, em penúltimos na classificação para o Mundial", opinou Morales.
O presidente acrescentou que deveria haver "uma só direção para melhorar o esporte" e sugeriu aos dirigentes olhar mais para as áreas rurais para encontrar bons jogadores.
Nas últimas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2014, a Bolívia terminou em penúltimo lugar com 12 pontos em 16 partidas.
Após esses resultados, Morales, que não esconde sua paixão pelo futebol, disse que os atuais dirigentes deveriam afastar-se de seus cargos na federação e reconhecer que falharam na condução do futebol nacional.
http://esportes.terra.com.br/futebol/evo-morales-afirma-que-sofre-pressao-para-intervir-no-futebol-da-bolivia

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

INDÍGENAS PODEM BLOQUEAR PARIS-DAKAR, NA BOLÍVIA


Em junho de 2013, percorri o Salar de Uyuni, roteiro do Paris-Dakar.

Rali Dacar enfrentará os bloqueios de estradas ao passar pela Bolívia
Terça, 31 de Dezembro de 2013 - 15:45
Fonte: El País
Foto: Reprodução

“Nunca antes o Rali Dacar correu no céu”, diz o lema oficial que promove o rali de motos e carros que em janeiro de 2014 passará por território boliviano. Mas se vê que nem o céu vai estar livre das ameaças de bloqueio, um meio de protesto que nesta ocasião usam os indígenas aymaras do Qullasuyu para conseguir a devolução de sua sede em La Paz.
 
A disputa internacional traça um circuito que, além de Argentina e Chile, chega pela primeira vez à Bolívia, que vai ter um dos trechos mais difíceis e mais impressionantes para os cerca de 200 corredores participantes.
 
Enormes rastros de pedra, colinas verdes, azuis, roxas e vermelhas fazem parte da rota que tem como destino o salar de Uyuni: uma planície a mais de dez mil quilômetros quadrados a pouco mais de 3,6 mil metros de altura e temperaturas frias nas quatro estações do ano. As previsões para a primeira quinzena de janeiro assinalam uma mínima de sete graus Celsius e uma máxima de 17 a 18 graus, ventos superiores a dez quilômetros por hora.
 
Em janeiro, a estação das chuva, há um enorme espelho que reflete até os mínimos detalhes das nuvens e da silhueta das montanhas da Cordilheira e, em alguns locais, as cores fortes das quinoas que florescem ao lado das salinas bolivianas.
 
Os pilotos desfrutarão, sozinhos, da paisagem mas, sem dúvida sentirão a dureza da exigência geográfica na corria de dois dias em território boliviano, principalmente pela alta corrosão dos pneus devido ao efeito salino e a ausência de suas equipes de apoio.
 
O ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, que respaldou ativamente o esforço do presidente Evo Morales de incluir a Bolívia no Rali Dacar 2014, descreveu o desafio para os competidores com uma frase: “é salve-se quem puder” e explicou que uma vez em território boliviano os competidores “não terão nenhum tipo de apoio técnico por trás. A entrada na Bolívia é a etapa mais difícil de toda a prova do Dacar”.
 
Esta qualificação não tem o mínimo relacionamento com as dificuldades que ameaçam ofuscar de alguma maneira o mais importante esforço governamental em matéria de concorrência esportiva internacional: o bloqueio anunciado por grupos indígenas das terras altas.
 
O Conselho Nacional de Ayllus e Markas de Qullasuyu fez uma reunião indígena, no dia 13 de dezembro, para eleger uma nova autoridade máxima (“jilliri apu mallku”). O escolhido foi Freddy Bernabé, desconhecido por uma parte das pessoas, que apoia o oficialista Movimento Ao Socialismo (MAS). A sede do Conamaq em La Paz está sob segurança policial.
 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

HUMILHADO, GILMAR MOSTRA IGNORÂNCIA SOBRE A BOLÍVIA


Certamente abalado pela aula magna de Direito pronunciada pelo ministro Celso de Mello na sessão do dia 18 de setembro, onde todos os seus patéticos argumentos vociferados na semana anterior foram reduzidos a pó, o ministro Gilmar Mendes cometeu mais um erro crasso em fala à imprensa. Ao deixar o plenário, o emérito jurista de Mato Grosso afirmou aos jornalistas, segundo se lê no Portal UOL: "Daqui a pouco nós conspurcamos o tribunal, corrompemos o tribunal, transformamos ele (sic) num tribunal de Caracas, de La Paz, num tribunal bolivariano".
http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2013/09/18/vou-recomendar-uma-pizzaria-a-voces-diz-mendes-apos-aceitacao-dos-infringentes.htm
Tentando ser irônico e cometendo um ato de hostilidade a seus colegas magistrados de dois países com os quais o Brasil mantém excelentes relações em todos os setores, Gilmar revelou também profunda ignorância em Geografia e sobre o Judiciário dessas nações vizinhas.
Não há tribunais em La Paz! Os quatro tribunais superiores do Estado Plurinacional de Bolívia (nome oficial do país) localizam-se e funcionam na histórica cidade de Sucre. E Sucre, para surpresa do eminente, mas desatento, aluno de Celso de Mello é a Capital da Bolívia, como determina o artigo 6, item I.  da Constituição Política do Estado, elaborada por uma Assembléia Constituinte livremente eleita em 2006, e depois submetida a Referendo popular, em 25 de janeiro de 2009. O povo boliviano aprovou a Constituição por 61,43% e o dispositivo mencionado afirma: "Sucre es capital de Bolívia" - dispenso-me de traduzir.
Se não sabe nem qual é a capital do país a que se refere, muito menos saberá o ilustre derrotado que o sistema judicial boliviano foi estruturado com a assessoria da União Européia, que destinou 450 mil euros para um programa de colaboração com 18 meses de duração nos quais magistrados espanhóis trabalharam com juristas bolivianos.
A especialista Ana Esther Sanchez, da Audiência Internacional da Espanha explicou que o trabalho visava o estabelecimento de um sistema judicial "com parâmetros totalmente diferente dos anteriores", mas em conformidade com as normas e padrões internacionais de direitos humanos, transparência das instituições, acesso das pessoas à Justiça e independência judicial, previstos na Constituição de 2009.
Para ilustração do concessor de habeas-corpus a banqueiros condenados, acrescento que são quatro os órgãos integrantes da cúpula do "órgão judicial" - na Bolívia de Evo Morales aboliu-se a expressão "Poder", havendo os "orgãos" judicial, executivo e legislativo. Isso porque a nova Constituição radicalizou ao definir que o poder "reside do Povo", quando as anteriores diziam que o poder "emana do Povo". O "orgão judicial", portanto, é formado pelo Tribunal Supremo de Justiça, o Tribunal Constitucional Plurinacional, o Conselho da Magistratura, e o Tribunal Agro-Ambiental. Todos instalados e funcionando na capital do país, que é Sucre.
O Tribunal Supremo de Justiça, equivalente ao colegiado que tolera Gilmar Mendes, tem nove membros efetivos e nove suplentes,  eleitos pelo povo, em cada um dos nove Departamentos (no Brasil seriam os Estados) que conformam a nação. As Assembléias legislativas departamentais selecionam seis nomes em duas listas, uma só de homens, outra só de mulheres. Os candidatos precisam ter mais de 30 anos de idade, e no mínimo oito como juízes, advogados ou professores de Direito. Há espaço para indígenas, desde que tenham exercido funções judiciárias em suas comunidades originárias. O órgão eleitoral faz a campanha, divulgando igualmente os méritos de todos os candidatos; esses, se fizerem campanha pessoal, tornam-se imediatamente inabilitados à disputa. Feita a votação popular, na qual cada cidadão vota duas vezes, uma em um homem, outra em nome da lista feminina, torna-se membro do Tribunal  o mais votado de ambas. Se for homem, a mulher mais votada na outra lista torna-se a suplente, e vice-versa. Assim, o Tribunal terá sempre 50% de homens e 50% de mulheres, entre os 18 titulares e suplentes.
Os membros desta Corte Superior têm seis anos de mandato e não podem ser reeleitos - uma idéia que muitos no Brasil talvez gostassem de incluir numa eventual Reforma do Judiciário, tão propalada quanto postergada. Também poderia cogitar-se de que na Bolívia o presidente da Corte Suprema não participa da linha sucessória do presidente da República (lá, presidente do Estado), diferentemente do Brasil. Talvez isso permitisse que o chefe do Judiciário esteja menos envolvido nas questões políticas...
Outra diferença fundamental com as instituições brasileiras é a existência da "jurisdição indígena originária camponesa", que consiste no respeito às práticas judiciárias de cada um dos povos originários da Bolívia - um país que congrega 34 nações diferentes. Tudo com base no Art. Primeiro da Constituição, segundo o qual "a Bolívia se funda na pluralidade e no pluralismo político, econômico, jurídico, cultural e linguístico, dentro do processo de integração do país". Assim, há uma Justiça indígena-comunitária, nos moldes históricos, já que tais comunidades são preexistentes ao próprio Estado. E tanto esta Justiça, como a ordinária gozam de igual hierarquia. Para dirimir os naturais conflitos de competência, em casos concretos, existe o Tribunal Constitucional Plurinacional, que harmoniza também as decisões das comunidades que conflitem com as jurisdições agrária e agro-ambiental.
Parece complicado, e é. Mas a Bolívia é um país que passa por um processo de "refundação", tentando descolonizar-se interna e externamente. Suas instituições têm a complexidade de um país com vários idiomas e uma História de privação de direitos e ausência total de cidadania para as grandes maiorias. Todos reconhecem, inclusive o governo de Evo Morales, que há um longo caminho a percorrer até que todas as novas instituições funcionem sem atritos e prestando os serviços que a população apenas começa a receber.
JUÍZES ELEITOS
A Argentina, que tem muito mais tradição institucional, também está trabalhando numa reforma judicial, que  prevê a eleição direta de juízes, e de membros do Conselho da Magistratura, inclusive indicados pelos partidos políticos. Recentemente a brasileira Gabriela Knaul, relatora especial das Nações Unidas e sediada em Genebra, criticou este ponto que os argentinos estão discutindo: "A eleição partidária dos membros do Conselho da Magistratura é contrária ao Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos e relativos à independência judicial".
A observadora deveria observar, digamos, os Estados Unidos, onde apenas cinco dos 50 Estados conferem ao governador ou ao órgão legislativo a competência para indicarem membros de suas cortes; em todos os demais Estados há alguma forma de eleição. Em sete deles os candidatos precisam ter vinculação partidária; em 14, não podem ter tal vínculo; em 16, os juízes são nomeados, mas depois obrigados a se submeterem ao voto popular se quiserem cumprir mais de um mandato, embora sem adversários: o eleitor diz apenas "sim" ou "não" à continuidade no cargo. Enfim, cada Estado dos EUA pode estabelecer suas próprias normas e isso difere até de acordo com o momento histórico em que cada unidade aderiu ao Estado central.
Sobre a Bolívia, já vimos que Gilmar Mendes (erroneamente chamado de Gilmar Dantas pelo notório cronista político Ricardo Noblat, por razões que prefiro ignorar), não sabe nada, nem o nome da sua capital. Já sobre a Venezuela, teríamos que ocupar outro espaço. Basta assinalar que quem critica o sistema judicial bolivariano daquele país-irmão é o ex-juiz Eladio Aponte. Ele diz que o governo Chávez e, agora, o do presidente Nicolás Maduro, controlam o Judiciário. Eladio Aponte foi destituído de seu cargo e saiu da Venezuela porque descobriu-se que havia dado um documento de identidade governamental, usado apenas por autoridades, a um tal Walid Makled, narcotraficante que foi preso na Colômbia em 2010 e depois extraditado para a Venezuela. Makled é, inclusive procurado pela polícia dos Estados Unidos. Como se vê, o crítico da justiça bolivariana não tem as melhores credenciais. E parece que na Venezuela a Justiça funciona até contra banqueiros.

sexta-feira, 25 de março de 2011

EVO MORALES QUER TIRAR O NOBEL DA PAZ DE OBAMA

La Paz, 22 mar (Lusa) -- O Presidente da Bolívia, Evo Morales, pretende que seja retirado o Nobel da Paz a Barack Obama, que considera indigno de tal prémio por "promover a violência" com a intervenção na Líbia, noticiou a AFP.
"Como é possível que um Prémio Nobel da Paz possa iniciar uma invasão, um bombardeamento?" questionou Morales em declarações a jornalistas, em La Paz.
"Por isso, deviam retirar o Prémio Nobel da Paz ao Presidente dos Estados Unidos", adiantou.
Este texto da agência Lusa foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

EVO MORALES NO FORUM SOCIAL MUNDIAL

07/02/2011 - 05h02
“Sinais de mudança”, diz Evo Morales na abertura do Fórum Social Mundial
Por Thandi Winston e Souleymane Faye*

Dacar, Senegal, 7/2/2011 (IPS/TerraViva) – Dezenas de milhares de pessoas marchavam pelas ruas de Dacar no dia 6, para marcar o início do Fórum Social Mundial de 2011. Ativistas carregam cartazes coloridos denunciando a grilagem de terras, as leis de imigração restritivas, os subsídios da agricultura na Europa e nos Estados Unidos, entre muitas outras questões.

Outros entoam gritos de liberdade e tocam tambores enquanto seguem pacificamente por um caminho que começa perto do escritório da emissora pública do Senegal, a RTS, e termina na Universidade de Cheikh Anta Diop, o centro desse encontro de uma semana.

O presidente boliviano Evo Morales, que esteve na marcha, convidou seus contemporâneos dos países pobres para fazer parte desse evento.

“Precisa haver uma conscientização e mobilização para colocar um ponto final no capitalismo e vencer os invasores, neocolonialistas e imperialistas […]. Apoio o levante popular na Tunísia e no Egito. São sinais de mudança.”, disse Morales, um antigo líder sindical que é participante regular dos encontros que envolvem movimentos antiglobalização.

“Precisamos resistir e conscientizar. Precisa haver um programa de luta social para construir um novo mundo,” disse ele.

“Nós precisamos salvar a humanidade e, para conseguir isto, precisamos conhecer nossos inimigos. Os inimigos do povo são os neocolonialistas e imperialistas. Nós devemos acabar com o modelo capitalista e colocar outro no lugar. É necessário dar um basta nos ricos e mudar o mundo.”

O prefeito de Dacar recepcionou os participantes, mas outros membros mais importantes do governo senegalês estavam ausentes. O presidente Abdoulaye Wade está fora do país, mas é esperado para tomar parte em um evento ao lado da presidente do Brasil ainda essa semana.

O Fórum Social Mundial se define como um espaço aberto, onde aqueles que são “opositores do neoliberalismo e de um mundo dominado pelo capital ou por qualquer outra forma de imperialismo se juntam para perseguir suas ideias”.

Como o evento desse ano foi levado para o Senegal, muitas das discussões devem girar em torno do que os organizadores chamam de crise da civilização e do capitalismo que atinge a África e o resto do mundo.

“Esta edição do Fórum deve contribuir para mudar o mundo. É uma chance para que os oprimidos deste mundo tenham uma voz própria”, disse o historiador senegalês, Boubacar Diop Buuba, professor da Universidade Cheikh Anta Diop.

Philip Kumah, um assistente social de Gana que trabalha para a Anistia Internacional, declarou que “nós estamos clamando por um fim às injustiças no nosso país, onde o governo rouba a terra das comunidades. Este Fórum é uma chance de o nosso governo ouvir nossas queixas”.

Para o ativista Beverley Keene, de Buenos Aires, realizar o Fórum na África é um marco muito importante. “É nossa vez de trocar experiências e avaliar o impacto que a crise financeira e a exploração dos minerais têm sobre os meios de subsistência das pessoas.”

A crise financeira se destaca dentre os temas dos debates a serem realizados no sexto dia, que procuram alternativas para “a crise do sistema capitalista”.

A feminista italiana, Sabrina Viche, disse que o evento é também uma oportunidade para ouvir as mulheres africanas. “Eu vim para Dacar dar meu apoio a todas as mulheres da África, que lutam para garantir que suas vozes sejam ouvidas, e eu quero ouvir o que elas têm a dizer, quais são suas lutas e como nós, do norte, podemos ajudá-las.”

No entanto, não é o suficiente conhecer. Canet Raphael, um sociólogo de Montreal, Canadá, disse à IPS que “as pessoas precisam saber para que serve um fórum social. O espírito do Fórum Social Mundial tem suas raízes nos movimentos sociais”.

Thierry Tulasne, que trabalha com assuntos de imigração para uma organização canadense, afirmou: “Eu não tenho certeza que os movimentos sociais possam mudar o mundo tão rapidamente. Mas estou certo de que pequenas gotas de água podem, eventualmente, se transformar em rios”. Envolverde/IPS

*Ebrima Sillah e Koffigan Adigbli, em Dacar, contribuíram para essa reportagem.

FOTO
Crédito:
 Abdullah Vawda/IPS
Legenda: Marcha de abertura do Fórum Social Mundial em Dacar.