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terça-feira, 25 de outubro de 2011

A MORTE DE KADAFI ESCONDE MUITOS FATOS


A Honra Reconquistada de Muammar al-KadafiImprimirE-mail
ESCRITO POR MÁRIO MAESTRI   
SEGUNDA, 24 DE OUTUBRO DE 2011


Muammar Abu Minyar al-Kadafi caiu combatendo na defesa da independência nacional de sua nação. Resistiu, cidade por cidade, quarteirão por quarteirão, casa por casa, até ficar encurralado com seus derradeiros companheiros e companheiras, feras indomáveis, nos poucos metros de terra líbia livre. Como dissera, enfrentou até a morte, irredutível, a coligação das mais poderosas nações imperialistas ocidentais. Ferido, foi preso, achincalhado, arrastado, torturado e, já moribundo, assassinado.

Em torno dele desencadernava a canalha armada e excitada que se banqueteava, havia semanas, rapinando, executando, violando a população da cidade heróica de Sirte, arrasada por sua resistência à recolonização do país. Sirte, no litoral mediterrânico, com mais de 130 mil habitantes, foi sede de universidade pública, destruída, e do terminal do impressionante rio artificial que retira as águas fósseis do deserto do Saara para aplacar a sede das populações e agricultura líbia.

Nas últimas cidades rebeldes, encanzinados franco-atiradores, homens e mulheres, jovens e adultos, foram calados com o arrasamento pela artilharia pesada dos prédios em que se encontravam. Estradas, portos, centrais elétricas e telefônicas, quartéis, escolas, creches, hospitais, aeroportos, estações televisivas e radiofônicas, a infra-estrutura do país construída nas últimas quatro décadas, foi arrasada por seis meses de ataques aéreos, navais e missilísticos – mais de cinqüenta mil bombas! –, responsáveis por enorme parte dos talvez cinqüenta mil mortos, em população de pouco mais de seis milhões de habitantes.

A lúgubre paz dos cemitérios reina finalmente sobre a Líbia submetida. Quarenta e dois anos após a conquista de sua independência nacional, a Líbia retorna ao controle neocolonial do imperialismo inglês e francês, que se dividiram a hegemonia sobre o país após a 2ª Guerra, que pôs fim à dura dominação colonial da Itália fascista. Tudo, é claro, sob a vigilância impassível da hiena estadunidense.

Em 1969, o então jovem coronel Muammar, com 27 anos, chegava do deserto para comandar o golpe de jovens militares pela independência e unidade da Líbia, animado pelas esperançosas idéias do pan-arabismo de corte nacionalista e socialista. Do movimento surgiu um Estado laico, progressista e anti-imperialista, que nacionalizou os bancos, as grandes empresas e os recursos petrolíferos do país.

Quarenta e três anos mais tarde, Kadafi cai simbolizando os mesmos ideais. Com sua morte, expia dramática e tardiamente sua irresponsável tentativa de acomodação às forças do imperialismo, empreendida após a vitória mundial da contra-revolução liberal.

Quem abraça o demônio, jamais dirige a dança! Foi o movimento de privatizações, de “austeridade”, de abertura ao capital mundial, de apoio às políticas imperialistas na África etc., sob os golpes da crise mundial, o grande responsável pela perda de consenso social de ordem que, no contexto de suas enormes contradições, realizara a mais ampla e democrática distribuição popular da renda petroleira das nações arábico-orientais.
 Leia a íntegra em:

LINCHAMENTO REABILITA KADAFI


Kadafi e a putrefação moral do impérioImprimirE-mail
ESCRITO POR ATILIO A. BORON   
SEGUNDA, 24 DE OUTUBRO DE 2011

O brutal assassinato de Muammar Kadafi pelas mãos de uma matilha de mercenários organizados e financiados pelos governos “democráticos” dos Estados Unidos, França e Reino Unido atualiza dolorosamente o vigor de um velho aforismo: “socialismo ou barbárie”.

Não só isso: também confirma outra tese, ratificada vez por outra, apoiada em que os impérios decadentes procuram reverter o veredicto inexorável da história exacerbando sua agressividade e atropelos em meio a um clima de insuportável decomposição moral. Ocorreu com o império romano, depois o espanhol, mais tarde o otomano, depois o britânico, o português, e hoje acontece com os estadunidenses.

Não é outra a conclusão que se pode tirar olhando os numerosos vídeos que ilustram a forma pela qual se “fez justiça” com Kadafi, algo que desqualifica irreversivelmente aqueles que se reivindicam a condição de representantes dos mais elevados valores da civilização ocidental. Sobre esta, caberia recordar a resposta dada por Mahatma Gandhi à pergunta de um jornalista, interessado em saber a opinião do líder asiático sobre o assunto: “é uma boa idéia”, respondeu, sarcasticamente.

O imperialismo precisava de Kadafi morto, tal qual Bin Laden. Vivos eram um perigo imediato, porque suas declarações em foros judiciais já não seriam tão fáceis de esconder da opinião pública mundial, como no caso de Saddam Hussein. Se Kadafi falasse, poderia ter feito espetaculares revelações, confirmando numerosas suspeitas e envolvendo muitas instituições que poderiam ter sido documentadas contundentemente pelo líder líbio, oferecendo nomes de testas de ferro imperiais, dados de contratos, comissões, subornos pagos a administradores, contas nas quais se depositaram fundos milionários e muito mais.

Poderíamos vir a saber o que os Estados Unidos lhe ofereceram em troca de sua suicida colaboração na “luta contra o terrorismo”, que permitiu que na Líbia se torturasse suspeitos que Washington não poderia atormentar nos EUA. Teríamos também descoberto quanto dinheiro entrou na campanha presidencial de Sarkozy e o que houve em troca; quais foram os termos do acordo com Tony Blair e a razão pela qual fez doações tão generosas à London School of Economics; como se organizou o tráfico de jovenzinhas para o decrépito fauno italiano, Silvio Berlusconi, entre tantas e tantas coisas. Por isso era preciso calá-lo, como fosse possível.

O último Kadafi, o que se jogou nos braços imperialistas, cometeu uma sucessão de erros impróprios a alguém que já vinha exercendo o poder durante 42 anos, sobretudo quando se tem em conta que o poder ensina.

Primeiro erro: acreditar na palavra dos líderes ocidentais, mafiosos do colarinho branco em quem jamais se pode acreditar, apesar de seus traços individuais – frágeis, salvo exceções -, pois são a personificação de um sistema intrinsecamente imoral, corrupto e irreformável. Teria caído bem a Kadafi lembrar aquela frase de Che Guevara, quando dizia que “não se pode confiar no imperialismo nem um tantinho assim, nada!”.

E ele confiou. E ao fazê-lo cometeu o segundo erro: desarmar-se. Se os canalhas da OTAN puderam bombardear a bel prazer a Líbia foi porque Kadafi desarticulou seu sistema de defesa anti-aérea e já não possuía mísseis terra-ar. “Agora somos amigos”, lhe disseram Bush, Obama, Blair, Aznar, Zapatero, Sarkozy, Berlusconi, e ele acreditou.
 Não deixe de ler a íntegra em:

CLÁUDIO LEMBO E O ASSASSINATO DE KADAFI


Durante o dia, pensei em como escreveria sobre a exposição mórbida do cadáver de Muammar Khadaffi, que se prolongava há vários dias. Era por demais repugnante, mas mais repugnate é fingir que isso não estava acontecendo, para não ferir a “maré” de júbilo ocidental que, aos poucos, foi se transformando em vergonha mal-disfarçada. Agora à tarde, segundo a Reuters,finalmente, o corpo foi tirado da sala refrigerada onde estava exposto  e enterrado num local secreto, se é que isso existe.
Pode-se até entender a curiosidade mórbida de líbios que o combatiam, embora nada desculpe seus líderes de terem promovido este espetáculo grotesco.
Mas pior, muito pior é o que fizeram os “civilizados” ocidentais, que sustentaram este desfecho monstruoso, que em nada fica a dever às piores acusações que se faz ao morto, em seus 40 anos de poder. Não me refiro à morbidez da mídia, ao ponto de um jornal inglês ter mandado um repórter à Libia para posar ao lado do corpo já – segundo a própria Reuters – em decomposição.  Por respeito aos leitores, reproduzo a foto de capa encobrindo parte da cena com outro recorte do mesmo jornal, este de março, onde o primeiro-ministro de Sua Majestade diz que quer o “Cachorro Louco” vivo ou morto.
Refiro-me á responsabilidades dos líderes ocidentais. Esta é a civilização que “vão levar” aos árabes? O desfecho só poderia ter sido este, depois de rejeitadas todas as iniciativas de negociação por parte da Otan. Esperavam o que, que os rebeldes enviassem dois “bobbies” ingleses, com seus casacos vermelhos e chapéus de pele para levar Kadhafi sob custódia?
Finalmente, topei com um artigo do professor Cláudio Lembo, ex-vice-governador de São Paulo, cuja filiação ao DEM o deixa insuspeito de qualquer conotação esquerdista ou anti-ocidental. Reproduzo, porque é escrito não apenas com as lições da História, mas com a alma de um ser humano que, à parte de ideologias, não tem prazer em ver a profanação de cadáveres. E que, lucidamente, não a atribui aos árabes, mas aquilo a que os levamos – das Cruzadas até hoje – em nome dos interesses econômicos e políticos que usam a democracia como o cristianismo foi usado, há muitos séculos, como bandeira de sua hipocrisia.
Leiam o texto. É muito bom, em meio a isso, ler as palavras de um ser humano civilizado.
“Morreu Kadafi. Os meios de comunicação ocidentais comemoram. Algumas personalidades internacionais demonstram satisfação. Todos proclamam a importância do fim de mais uma ditadura.
Restam, no entanto, perguntas não respondidas. A História da Líbia é de conflitos permanentes. Desde a antiguidade, a área geográfica, onde se situa o país, foi invadida por inúmeros povos: fenícios, gregos, romanos, vândalos e bizantinos.
Em tempos mais recentes, italianos, alemães, ingleses e franceses estiveram ocupando os desertos que se estendem, a partir do Mediterrâneo, no norte da África.
Beberes e árabes formam a população líbia que, a partir do governo de Mohamede ben Ali – em 1840 – adotou o islamismo como religião, a partir de uma seita que se tornou altamente popular.
Aqui a primeira pergunta sem resposta. A queda violenta de um governante, ainda que ditador, não gerará um clima de humilhação e revolta em grande parcela da população?
Esta é muçulmana. Durante os últimos séculos, foram vítimas do colonialismo e do imperialismo que, sem escrúpulos, utilizou as riquezas naturais dos povos dominados.
Até há pouco, os governantes europeus cortejavam Kadafi e o utilizavam para negócios exuberantes. De repente, o dirigente morto caiu em desgraça.
Para derrubá-lo, somaram-se as maiores e mais poderosas forças armadas. Estados Unidos aliados à OTAN – Organização do Tratado do Atlântico – bombardearam sem piedade populações civis.
Quando se realizam operações militares contra alvos indiscriminados restam traços de rancor e desamor nas coletividades agredidas. Até hoje, apesar das aparências em contrário, as populações das cidades alemãs bombardeadas na última Grande Guerra – particularmente Dresden, Frankfurt e Berlim – guardam a dor pela perda de seus antepassados.
O Ocidente, em sua ânsia de dominação, vai semeando ódio e desencanto por toda a parte onde se encontram presentes os muçulmanos. Ontem, foi o Iraque e o Afeganistão. Hoje, a Líbia.
Esta macabra escalada precisa conhecer paradeiro. Ser finalizada. Irá tornar a falsa primavera árabe em rigoroso inverno, nas relações entre os povos.
Os dias de hoje recordam o dramático e brutal episódio das cruzadas. Agrediram populações que as receberam calorosamente. Saquearam. Mataram. Violentaram. Em nome de valores religiosos, praticaram atrocidades inomináveis.
Repetir a História é tolo. O Ocidente sempre a repete se fundamentado em princípios intrinsecamente valiosos. Fala em democracia. Omite que esta, para ser implantada, exige condicionantes culturais e sociais.
Na verdade, o que se constata é o interesse econômico nas áreas integrantes da chamada falsamente Primavera Árabe. Está se gerando, na verdade, uma grande reação dos povos que adotam o Islam como religião.
O futuro demonstrará que, apesar das intervenções econômicas que virão, um substrato de animosidade restará presente. Quem é agredido, mais cedo ou mais tarde revida.
É lamentável que os países europeus e os Estados Unidos conheçam apenas as armas como diplomacia. Seria oportuno adotarem o diálogo como forma de resolver conflitos.
Chegou-se ao Século XXI com os mesmos vícios da antiguidade. Não se busca a paz. Deseja-se a guerra. Violam-se princípios. Aplaude-se a morte de pessoas indefesas.
Não é assim que se educa para a democracia. O devido processo legal e o direito de defesa são sustentáculo de valores perenes. O espetáculo selvagem visto nos últimos dias empobrece a humanidade. Envergonha seus autores.
A Primavera Árabe transformou-se no inverno dos mais elevados valores concebidos no decorrer do tempo. Continuam selvagens, como sempre.”

domingo, 23 de outubro de 2011

LINCHAR GADAFI FOI CRIME


Publicado no portal UOL:


Presidente do Equador chama de 'crime' a morte de Gaddafi

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QUITO, 22 Out 2011 (AFP) -O presidente do Equador, Rafael Correa, chamou neste sábado de "crime" a morte do líder líbio Muamar Gaddafi e criticou a intervenção estrangeira na Líbia.

"É um crime", disse o mandatário socialista em seu relatório semanal de atividades ao se referir à captura seguida de morte de Gaddafi na quinta-feira, em Sirte, sua cidade natal.

Correa afirmou que os rebeldes "capturaram vivo" o ex-ditador líbio e o executaram de maneira "sumária".

"É um crime que tenham assassinado três netos de Gaddafi, de um e dois anos de idade. É um crime e isso terá que ser investigado", acrescentou.

"Não é que defendamos o regime de Gaddafi, defendemos a soberania dos países, a não-intervenção", disse, perguntando depois: "Quando intervieram contra (o ditador chileno Augusto) Pinochet" e contra os governos militares de Argentina e Uruguai?

''Gaddafi foi capturado vivo e o executam, e há pessoas que comemoram isso. E mataram seus filhos, seus netos. Em que mundo estamos, companheiros?", disse o mandatário.

"Se o Pinochet tivesse morrido, eu estaria dizendo exatamente o mesmo, porque não é Pinochet ou Gaddafi, são os direitos humanos de todo o ser humano, por sua dignidade intrínseca, independentemente dos crimes que tenha cometido", assegurou.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

QUEM LINCHOU KADAFI É MELHOR QUE KADAFI?


Qualquer que seja a opinião sobre Muammar Khaddafi, ou sobre qualquer pessoa, é enojante ver uma pessoa ser covardemente assassinada, desarmada e ferida. O vídeo divulgado pelas tevês árabes o mostra vivo e cambaleante, sendo assassinado por um grupo armado. Não é um bom cartão de visitas para um movimento que se proclama democrático e defensor dos direitos humanos os quais afirmava que Khaddafi violava.
Estas cenas de barbárie mostram que o Brasil faz muito bem em aguardar na normalização da situação líbia, pois demonstra que, no mínimo, não há controle central sobre os grupos armados e faz supor que esteja acontecendo uma liquidação em massa de figuras ligadas ao antigo Governo, sem julgamento e através da simples execução sumária ou linchamentos.
Fez muito bem a presidenta Dilma Rousseff em dizer que um assassinato, seja de quem for, não deve ser comemorado.
Infelizmente, os líderes mundiais e boa parte da imprensa parecem ficar possuídos de uma mórbida alegria com este tipo de atitude. Não é para menos, depois que os líderes do governo americano foram comemorar na televisão a execução sumária e o lançamento ao mar do corpo de Osama Bin Laden.
Se condenaram e até lançaram ataques aéreos contra o regime de Kaddhafi – a quem adularam durante anos para combater o extremismo islâmico, comprar petróleo e vender armas – por este tipo de atrocidade, o que dizer dos que fazem o mesmo?
Da mesma forma, a resolução da ONU que autorizou o início da força para proteger populações civis contra os poderes do Governo foi, igualmente, um exercício de hipocrisia, tanto que os aviões da Otan continuaram bombardeando sem cessar os redutos onde apenas tentavam sobreviver os remanescentes do regime. Estava claro que o objetivo jamais foi negociar uma normalização da vida no país e a plenitude democrática. Do início ao fim, o objetivo era criar um novo governo sobre o cadáver de Khadafi.
Viva a civilização ocidental!

SANTAYANA E O CINSMO SOBRE KADAFI


Santayana e Kadafi: chega de sangue

    Publicado em 21/10/2011
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WOW !
O Conversa Afiada republica texto de Mauro Santayana, extraído do JB:

Chega de sangue


por Mauro Santayana


Diante da imagem de Kadafi trucidado, e dos aplausos de Mrs. Clinton e de dirigentes franceses, ao ver o homem seminu e ensangüentado,  recorro a um testemunho indireto de Henri Beyle – o grande Stendhal, autor de Le Rouge e le Noir – de um episódio de seu tempo. Beyle foi oficial de cavalaria e secretariou Napoleão por algum tempo. Em 1816, em Milão, Beyle ficou conhecendo dois viajantes ingleses, o poeta Lord Byron e o jovem deputado whig John Hobhouse. Coube a Hobhouse relatar o encontro, no qual Beyle impressionou a todos os circunstantes, narrando fatos da vida de Napoleão. São vários, mas o que nos interessa ocorreu logo depois da volta do general a Paris, em seguida à derrota em Moscou. Durante uma reunião do Conselho de Estado, da qual Beyle foi o relator, descobriu-se que Talleyrand havia escrito três cartas a Luís de Bourbon,  que restauraria, dois anos mais tarde, o trono. As cartas, que se iniciavam com o reconhecimento de vassalagem, no uso do pronome “Sire”, revelavam que o bispo já conspirava contra o Imperador. Os membros do Conselho decidiram que Talleyrand devia ser castigado com rigor – ou seja,  condenado à morte. Só um homem, e com a autoridade de “arquichanceler” do Império, Cambacérès,  se opôs, com voz firme: Comment? toujours de sang? Napoleão, que estava deprimido  com as cenas de seus soldados mortos no campo de batalha, ficou em silêncio.


O sangue que se verteu no século passado devia ter bastado, mas não bastou. Iniciamos este novo milênio com muito sangue e a promessa de novas carnificinas. O cinismo dos que exultam agora com a morte de Kadafi, ao que tudo indica linchado pelos seus inimigos, após a captura, dá engulhos aos homens justos. Os que levaram a ONU a aprovar os bombardeios brutais da OTAN contra a população líbia haviam sido, até pouco tempo antes, parceiros do coronel na exploração de seu petróleo, indiferentes a que houvesse ou não liberdade naquele país. Mas Kadafi não era apenas o ditador megalômano, que vivia no luxo de seus palácios e que promovia festas suntuosas para o jet-set internacional. Ele fizera radical redistribuição de renda em seu país, mediante uma política social exemplar, com a criação de universidades gratuitas, a construção de hospitais modernos e com a assistência à saúde universal e gratuita. Quanto à repressão, ele não foi muito diferente da Arábia Saudita e de outros governos da região, e foi muito menos obscurantista para com as mulheres do que os sauditas.


Apesar das cenas horripilantes de Sirte, que fazem lembrar as de Saddam Hussein aprisionado e, mais tarde, enforcado, além das usuais que chegam da África, há sinais de que os homens começam a sentir  nojo de tanto sangue. É alentador, apesar de tudo, que o governo de Israel tenha aceitado acordo com os palestinos, para a troca de prisioneiros. É também alentador que os bascos hajam renunciado à luta armada e preferido o combate político em busca de sua independência. E é bom ver as multidões reunidas, em paz, em todos os paises do mundo, contra os ladrões do sistema financeiro internacional – não obstante a violência, de iniciativa de agentes provocadores, como ocorreu em Roma,e a costumeira brutalidade policial, na Grécia,  na Grã Bretanha e nos Estados Unidos.


Há, sem dúvida, os que sentem a volúpia do cheiro de sangue, associado à voracidade do saqueio. A reação atual dos povos provavelmente interrompa essa ânsia predadora dessas elites européias e norte-americanas – exasperadas  pela maior crise econômica dos últimos oitenta anos e ávidas de garantir-se o  suprimento de energia de que necessitam e a preços aviltados.


É preciso estancar a sangueira. O fato de que sempre tenha havido guerras não significa que devemos aceitá-las entre as nações e entre facções políticas internas. Como mostra a História, o recurso às armas tem sido iniciativa dos mais fortes, e diante dele só cabe a resistência, com todos os sacrifícios.


No fundo das disputas há sempre os grandes interesses econômicos, que se nutrem do trabalho semi-escravo dos povos periféricos, como se nutriram grandes firmas alemãs, ao usar judeus, eslavos e comunistas, como escravos, em aliança com  Hitler.


A frase é um lugar comum, mas só o óbvio é portador da razão: os que trabalham e sofrem só querem a paz, para que  usufruam da vida com seus amigos, seus vizinhos, suas famílias.


O odor do sangue é semelhante ao odor do dinheiro, e excita os assassinos para que trucidem e se rejubilem com a morte – como se rejubilaram ontem, diante do corpo humilhado de Kadafi, a Secretária de Estado dos Estados Unidos e os arrogantes franceses. Há três dias, em Trípoli, a senhora Clinton disse a estudantes líbios, que esperava     que Kadafi fosse logo  capturado ou morto. Nem Condoleeza Rice, nem Madeleine Albright seriam capazes de tamanho desprezo pelos direitos de qualquer homem a um julgamento justo. Esse direito lhe foi negado pelas hordas excitadas por Washington e Paris, com a cumplicidade das Nações Unidas – e garantidas pelas armas da OTAN.


Não que Kadafi tenha sido  santo: era um homem   insano, e tão insano que acreditou, realmente, que os americanos, italianos e franceses, quando o lisonjeavam, estavam sendo sinceros.



VERDADES SOBRE A LÍBIA. QUE ESCONDEM DE VOCÊ!


 POR QUE EXTERMINARAM KADDAFI ?.........................

De:
Oswaldo Catan 

 O que a mídia jamais falará:

 - SEJA KADDAFI O BIZARRO QUE FOR, A ONU CONSTATOU EM 2007 QUE A LÍBIA TINHA*:

1 - Maior Índice de Desenvolvimentjo Humano (IDH) da África (até hoje

e é maior que o do Brasil);

2 - Ensino gratuito até à Universidade;

3 - 10% dos alunos universitários estudavam na Europa, EUA, tudo pago;

4 - Ao casar, o casal recebia até 50.000 US$ para montar casa;

5 - Sistema médico gratuito, rivalizando com os europeus.

Equipamentos de última geração, etc...;

6 - Empréstimos pelo banco estatal sem juros;

7 - Inaugurado em 2007, o maior sistema de irrigação do mundo, vem

tornando o deserto (95% da Líbia) em fazendas produtoras de

alimentos.

*II - PORQUE "DETONAR" A LÍBIA ENTÃO?*

Três principais motivos:

1 - Tomar o seu petróleo de boa qualidade e com volume superior a 45

bilhões de barris em reservas;

2 - Fazer com que todo o mar Mediterrâneo fique sob o controlo da

OTAN. Só falta agora a Síria;

3 - E provavelmente o principal:

- O Banco Central Líbio não é atrelado ao sistema financeiro mundial

... ao dólar

- As suas reservas são toneladas de ouro, que dão respaldo ao valor

da moeda, o dinar, que desta forma está resguardado das flutuações

do dólar.

- O sistema financeiro internacional ficou possesso com Kaddafi,

após ele propor, e quase conseguir, que os países africanos

formassem uma moeda única desligada do dólar.

* O QUE É O ATAQUE HUMANITÁRIO PARA LIVRAR O POVO LÍBIO:**

1 - A OTAN comandada, como se sabe, pelos EUA, já bombardearam as principais cidades Líbias com milhares de bombas e mísseis em que um único projétil é capaz de destruir um quarteirão inteiro. Os prédios e infra estruturas de água, esgotos, gás e luz estão sèriamente danificados.


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

GADAFI ERA AMIGÃO DOS INGLESES E AMERICANOS...


Independent: Documentos secretos revelam relações carnais com Gaddafi

As cartas secretas de Moussa Koussa mostram conexão líbia com o Reino Unido
Mensagens encontradas em seu escritório mostram como o MI6 [serviço secreto de inteligência] deu detalhes sobre dissidentes no exílio a Gaddafi — e como a CIA usou o regime para ‘rendição extraordinária’
por Portia Walker e Kim Sengupta em Trípoli

Saturday, 3 September 2011, no jornal britânico Independent
Arquivos secretos descobertos pelo Independent em Trípoli revelam que ligações espantosamente próximas existiam entre os governos britânico, norte-americano e o de Muammar Gaddafi.
Os documentos mostram como prisioneiros foram oferecidos para interrogatórios brutais pelo regime de Trípoli sob o altamente controverso programa de ‘rendição extraordinária’ e também como informações sobre opositores do ditador líbio exilados no Reino Unido foram repassadas ao regime pelo MI6.
Os papéis mostram que autoridades britânicas ajudaram a escrever o rascunho de um discurso do coronel Gaddafi quando ele tentava reabilitar seu regime do status de pária, no qual mergulhou depois do apoio dado a movimentos terroristas. Outros documentos revelam que os Estados Unidos e o Reino Unido agiram em nome da Líbia para conduzir negociações com a Agência Internacional de Energia Atômica.
Nas tentativas que tinham implementado de cultivar seus contatos com o regime, os britânicos algumas vezes não estavam dispostos a dividir sua “conexão líbia” com os aliados mais próximos, os Estados Unidos. Numa carta a um colega do serviço de inteligência líbio, um oficial do MI6 descreveu como tinha se negado a informar a identidade de um agente a Washington.
Os documentos, muitos dos quais tem implicações incendiárias, foram encontrados no escritório particular de Moussa Koussa, o braço direito do coronel Gaddafi e chefe do serviço de segurança, que se exilou no Reino Unido nos dias seguintes ao início da revolução de fevereiro na Líbia.
Os papéis revelam detalhes sobre a visita de Tony Blair ao ditador líbio em Trípoli — foi o escritório do primeiro-ministro britânico que requisitou que o encontro acontecesse em uma tenda. Uma carta de um oficial do MI6 ao sr. Koussa diz que “o número 10 [em referência ao endereço do primeiro-ministro britânico, 10 Downing Street, em Londres] quer que o primeiro-ministro encontre o Líder em uma tenda. Eu não sei porque os ingleses são fascinados por tendas. O fato é que os jornalistas adorariam”.
Os documentos levantam questões sobre o relacionamento entre Moussa Koussa e o governo britânico e sobre os eventos que se seguiram ao exílio dele. A chegada surpreendente do sr. Koussa ao Reino Unido provocou pedidos para que ele fosse interrogado pela polícia sobre seu envolvimento em assassinatos no Exterior praticados pelo regime líbio, inclusive a de uma policial, Yvonne Fletcher, e de oponentes de Gaddafi.
Koussa também estaria envolvido no envio de armas para o IRA [Irish Republican Army, grupo armado que enfrentou os britânicos na Irlanda]. Na época do exílio, o governo de David Cameron garantiu ao público que o sr. Koussa poderia ser processado. Em vez disso, ele recebeu autorização para deixar o Reino Unido e agora se acredita que esteja em um dos países do Golfo [Pérsico].
As revelações do Independent vão despertar perguntas sobre se o sr. Koussa, que há muito era acusado de abusos dos Direitos Humanos, foi autorizado a escapar porque tinha provas constrangedoras ['smoking gun']. O sr. Koussa copiou e levou com ele dezenas de arquivos, quando deixou a Líbia.
Os papéis ilustram as relações íntimas do sr. Koussa e de alguns colegas dele com a inteligência britânica. Cartas e faxes eram enviados a ele com ‘Saudações do MI6′ e ‘Saudações do SIS’, felicitações natalinas, numa ocasião, ‘De seu amigo’, seguido pelo nome de um oficial de inteligência britânico, além de lamentações sobre encontros que não deram certo. Houve também uma regular troca de presentes: em uma ocasião um agente líbio chegou a Londres carregado de figos e laranjas.
Os documentos repetidamente tratam de um florescente relacionamento entre as agencias de inteligência ocidentais e a Líbia. Mas havia um custo humano. O regime de Trípoli era um parceiro altamente útil no processo de ‘rendição extraordinária’ sob o qual prisioneiros eram mandados pelos Estados Unidos para ‘interrogatórios reforçados’, um eufemismo, dizem os grupos de defesa dos Direitos Humanos, para tortura.
Um documento do governo dos Estados Unidos, marcado ’secreto’, diz “nosso serviço está em condições de entregar Shaykh Musa para sua custódia física de forma similar ao que fizemos com outros líderes-sênior do LIFG (Grupo Líbio de Luta Islâmica) no passado. Nós respeitosamente pedimos a expressão de seu interesse em assumir a custódia do sr. Musa”.