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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

OMBUDSMAN DA FOLHA CRITICA MANCHETE BASEADA NA VEJA

Por Vera Guimarães Martins
Da Folha de S. Paulo
Reconhecer e resgatar furo dado pela concorrência é do jogo, mas não dá para relaxar alguns parâmetros
Uma das tarefas da ombudsman é tentar dar transparência ao trabalho da Redação, desvelando para o leitor os problemas, dilemas e (sobretudo) erros embutidos no ofício de "espremer vidas complicadas em manchetes simples", na definição precisa da música "Cedars of Lebanon", do U2. No ofício, espremem-se também decisões complicadas.
No fim de semana passado, o noticiário nacional foi mesmerizado pelo vazamento de parte dos depoimentos que Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, vem concedendo num processo de delação premiada que corre em segredo na Justiça Federal do Paraná.
Além da unanimidade das manchetes, havia conformidade na origem: a fonte era a reportagem "O delator entrega os nomes", publicada na revista "Veja" que chegou às bancas no sábado (6).
Segundo a revista, o ex-diretor havia envolvido três governadores, seis senadores, um ministro e pelo menos 25 deputados federais em um esquema de corrupção na Petrobras. O texto só revelava 12 dos nomes. Não havia, ao menos no material publicado, documentos que comprovassem acesso ao depoimento. A "Veja" relatava que obteve detalhes de parte significativa das declarações e deixava claro que eram informações "off the record", ou seja, de fonte mantida em sigilo.
Para evitar mal-entendidos: o "off" é instrumento comum e pode render informações seguras quando jornalista e fonte desenvolvem relação de confiança mútua. Cabe ao veículo, que conhece seu profissional e a identidade da fonte, avaliar o grau de confiabilidade e bancar a publicação, o que a "Veja" fez.
Também é normal que um furo de reportagem como esse seja replicado pelos meios de comunicação.
É raro, porém, que grandes escândalos sejam revelados com base apenas em fontes não identificadas, sobretudo quando envolvem acusações nominais, sujeitas a processos de injúria e difamação. E mais raro ainda que notícia obtida nessas condições ganhe todas as manchetes.
O fato não escapou a alguns leitores. "É um absurdo que um jornal desse porte publique na manchete uma notícia de tal importância cuja única fonte é a Veja', a partir de reportagem, como o próprio jornal assinala, sem detalhes ou documentos", escreveu uma leitora.
A ressalva, aliás, torna o episódio mais curioso. O texto da Folha teve o cuidado de registrar a falta de provas documentais. Na terça (9), o principal editorial recomendava cautela e apontava as fragilidades das informações. Ainda assim, foi manchete. Por quê?
Responde a Secretaria de Redação: "O que a revista "Veja" publicou se aproximava de informações que nossos repórteres haviam recebido e tentavam confirmar. O jornal tinha as linhas gerais da apuração, mas sem detalhes. Preferiu, assim, atribuir a informação sobre os nomes de alguns implicados à revista, que deu o furo."
A Folha poderia, como costuma fazer, publicar a história com destaque e chamada na "Primeira Página" sem dar-lhe o peso de uma manchete em cinco colunas. Seria o reconhecimento da importância do furo, mas também das dificuldades de comprovação vivenciadas pelos seus profissionais. Preferiu um procedimento, digamos, pouco ortodoxo.
Mas o imbróglio da Petrobras comporta outras heterodoxias. A primeira, já apontada e que interessa discutir aqui: todos os grandes jornais tiveram o mesmo comportamento. (A segunda: não se ouviram ameaças de processos por parte dos políticos nominalmente acusados.)
A explicação para o mimetismo dos jornais depende do interlocutor. Há quem enxergue no vazamento uma conspiração para prejudicar as candidaturas à Presidência de Dilma Rousseff e de Marina Silva e para beneficiar o tucano Aécio Neves --o que, convenhamos, não corria o menor risco de dar certo, como se pôde ver pelas últimas pesquisas.
Creio mais na dinâmica jornalística. Nas Redações, reina a convicção de que a delação de Costa deve detonar um escândalo de grandes proporções, com potencial para pautar a política nos próximos anos.
Nenhum veículo quer ficar à margem ou parecer irrelevante em cobertura desse calibre. Todos querem um naco do mérito. Como jornalista, conheço bem a luta pelo protagonismo noticioso --é ela, afinal, que garante a sobrevivência dos meios.
Mas minha avaliação é que faltou cautela. Se, como disse o editorial, a pilhagem da Petrobras é plausível, o malogro de investigações potencialmente explosivas como esta costuma ser ainda mais plausível.
 http://jornalggn.com.br/noticia/ombudsman-diz-que-folha-terceiriza-denuncias-de-veja

domingo, 1 de junho de 2014

ASTRÓLOGA DO PSDB REJEITA CRÍTICAS...

domingo, 13 de abril de 2014

FOLHA INVENTOU DECLARAÇÕES DE LULA, DIZ OMBUDSMAN

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

OMBUDSMAN: FOLHA ESCONDEU ELOGIOS DO BANCO MUNDIAL AO SUS

Que papelão, Folha de S.Paulo! E o Manual de Redação?

Como o ex-ministro José Dirceu sempre aponta aqui nesse blog, a Folha de S.Paulo faz 
questão de ser parcial, deixar a isenção informativa completamente ao largo como um de 
seus últimos parâmetros jornalísticos e não esconder que tem lado – claro, desde que 
seja sempre contra o PT e o governo. O jornalão da Barão de Limeira, no entanto, às ve-
zes até nisso exagera.
Como aconteceu semana passada e foi apontado pela ombudsman Suzana Singer na 
edição deste domingo na pequena nota de sua coluna sob o título “Só o negativo”. Diz 
Suzana: ” A manchete de 2ª feira decretava: “Ineficiência marca gestão do SUS, diz Ban-
co Mundial”. A reportagem trazia apenas as críticas contidas no estudo, que fez um ba-
lanço de 20 anos do sistema único no país. Toda a parte elogiosa, em que se ressalta, 
entre outros pontos, um acesso mais equânime à assistência médica, foi ignorada pelo 
jornal. Ficou a impressão de que o Banco Mundial condenava o SUS.”
Quer dizer, um sistema de universalização de saúde extremamente bem elaborado, 
exemplo de inclusão de um dos maiores contingentes populacionais do mundo na assis-
tência médico-hospitalar, que não é perfeito mas busca constantemente seu aprimoramen-
to, é simplesmente desqualificado pelo jornal. À revelia de seu Manual de Redação, que 
manda ouvir os dois lados… No caso, aqui, nem era preciso, o relatório do Banco Mundial
 já apontava falhas e virtudes do sistema… Era só incluir na matéria também esta última 
parte…
Mas a ombudsman encerrou sua curta nota com uma frase que diz tudo: “Foi mais um 
ataque de pessimismo crônico da Folha.” Definição perfeita para a linha editorial perma-
nente do jornal…