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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

DILMA TERÁ QUE REGULAR A MÍDIA, E ISSO APAVORA A DIREITONA

O espelho fascista de Merval Pereira

22.10 - Merval

Por Theófilo Rodrigues*
Alguns dias atrás escrevi um artigo sobre as razões pelas quais as grandes empresas brasileiras de comunicação temem a reeleição da presidenta Dilma Rousseff. (Leia aqui) É sempre cansativo voltar a um mesmo assunto, mas a coluna de Merval Pereira no jornal O Globo de hoje obrigou-me a fazê-lo.
Na verdade, Merval Pereira comprovou da pior maneira possível em sua coluna de hoje que meu argumento estava correto. De acordo com o porta voz das Organizações Globo o Brasil caminhará para o fascismo caso Dilma se reeleja, pois será copiado o modelo argentino de Cristina Kirchner. Seguem as exatas palavras do colunista: “É uma típica ação fascista, que está sendo usada já há algum tempo na Argentina de Cristina Kirchner. É neste caminho que vamos, caso Dilma se reeleja”.
Merval conseguiu em sua coluna apresentar a sua visão estreita sobre o que é a democracia e ao mesmo tempo comprovar que o seu principal medo é o de que a reeleição de Dilma signifique a aprovação da “regulação econômica da mídia” nos moldes da “Lei de Meios” da Argentina.
A irritação do colunista partiu de um discurso de Lula onde o ex-presidente criticou veementemente Míriam Leitão e William Bonner. Para Merval, a imprensa deve viver dentro de um aquário acima de qualquer suspeita, de onde jamais poderá ser criticada. Os jornalistas podem fazer críticas ou mesmo acusações a qualquer pessoa, mesmo sem provas, baseados apenas em especulações. Já a sociedade civil não pode criticar nenhum jornalista, pois se o fizer será acusada de atacar a liberdade de imprensa. Para essa concepção de “democracia mervaliana” é legítimo que uns tenham mais liberdade de expressão do que outros.
Mas curioso mesmo foi Merval ter admitido com todas as letras de onde vem o seu maior temor: que a reeleição de Dilma represente a implementação do modelo argentino de Cristina Kirchner no Brasil. Qual modelo argentino? O modelo da regulação econômica da mídia que acaba com a propriedade cruzada das empresas de comunicação, ou seja, com o monopólio da informação. Dilma já disse reiteradamente durante a campanha que se for reeleita o fará. E Merval, em nome de sua empresa, não consegue aceitar isso…
Para onde olha, Merval grita: “Fascista, fascista, fascista!”. O colunista só não percebeu o óbvio: está trancado dentro de uma sala de espelhos.
*Theófilo Rodrigues é cientista político, coordenador do Barão de Itararé no Rio de Janeiro e colunista no blog O Cafezinho. – See more at: http://www.ocafezinho.com/2014/10/14/por-que-o-monopolio-midiatico-teme-dilma/#sthash.soeyYBRZ.dpuf

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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

REGULAÇÃO DA MÍDIA É O CONTRÁRIO DE CENSURA

Falso fantasma, por Rui Falcão, presidente do PT


publicado em 28 de novembro de 2011 às 18:34 na Marco regulatório, Notícias
A firme defesa que o Partido dos Trabalhadores faz da necessidade da criação de um novo marco regulatório para a mídia criou um paradoxo: acusa-se de tentar cercear a liberdade de imprensa quem, através dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, não teve um único gesto ou iniciativa para inibir a mais ampla liberdade de opinião e expressão de todos os meios de comunicação, repelindo sempre a censura.
Não obstante a campanha dos detratores, que agridem a realidade em nome do obscurantismo e da negação dos novos tempos trazidos pela revolução digital, o PT não abrirá mão de lutar por uma comunicação mais democrática. Nosso compromisso é com o país e com a janela de oportunidades que se abre.
A regulação do setor não é invenção brasileira ou do PT. Ela existe em vários países. E ganha corpo na mesma velocidade em que os interesses econômicos, culturais, tecnológicos e de soberania nacional ficam mais evidentes com a nova realidade digital.
O PT, no seu papel de agente das transformações para a maioria, entende que alguns pontos precisam ser instituídos para que uma regulação moderna e democrática dote o país de ferramentas eficazes de inclusão social e defesa da comunicação e cultura nacionais.
O acesso à internet em banda larga é serviço essencial e instrumento indispensável na luta pela democratização da informação e do conhecimento. Sem conexão acessível aos mais pobres jamais reduziremos o fosso ainda grande entre brasileiros, por mais que os governos Lula e Dilma já tenham feito.
Entendemos que cabe ao Estado regular o setor de telecomunicações, até para evitar que o poderio econômico dos grupos que controlam a telefonia, por exemplo, sufoque os próprios setores da mídia tradicional, numa repetição em escala maior ainda do que já estamos testemunhando hoje com as crescentes dificuldades enfrentadas por emissoras de rádio do interior brasileiro.
Na outra ponta, é preciso ampliar os recursos em grandes redes de radiodifusão pública e de telecomunicações. O objetivo da EBC e da Telebrás não é o mesmo dos entes privados. Cabe ao Governo ser o indutor no espraiamento da democracia com seus veículos, sem que isso signifique a asfixia ou morte, como alardeiam os pregadores da falsa discussão.
Não fugiremos do nosso compromisso. O direito à livre expressão é pilar do PT. Não existe antagonismo algum entre ele e a defesa firme por mudanças que adequem o Brasil aos novos e irrevogáveis ventos da convergência digital. O não aos monopólios tem que ser acompanhado da inclusão da maioria da população e do sopro que a produção cultural do país exige.
O governo da presidente Dilma tem mostrado com atos que a busca pela democratização é compromisso. A Lei de Acesso à Informação e a criação da Comissão da Verdade estão aí, depois de muito esforço do PT e da sociedade civil. A regulação democrática da mídia será mais um passo mirando o futuro. O PT, democraticamente, continuará lutando pelas transformações do Brasil.
Rui Falcão é deputado estadual (SP) e presidente nacional do PT.
Artigo publicado no jornal O Globo