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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

NASSIF EXPLICA COMO FUNCIONAM AS JOGADAS DA VELHA MÍDIA

Sobre a posição atual dos grupos de mídia


Entreguei uma placa em homenagem ao amigo Luis Nassif, autor deste texto.

A atuação da mídia como partido foi liderada pelo falecido Roberto Civita, do grupo Abril, inspirado no modelo de atuação de Rupert Murdock nos Estados Unidos.
Sentindo o fim do monopólio virtual do mercado de opinião, com o avanço da Internet, Murdock montou uma frente política com os demais grupos de midia para eleger o seu presidente. Buscou na ultra-direita a retórica mais virulenta, inaugurou os ataques pessoais a políticos e jornalistas "inimigos", inundou o país de boatos e injúrias da pior espécie, disseminando-as pelas redes sociais. E valeu-se de todos os recursos dos grupos de mídia - dramatização da notícia, demonização do inimigo, aceno com o fim dos tempos - para emplacar seu candidato.
Perdeu e a primeira atitude de Barack Obama, eleito, foi convidar os presidentes da Apple, Google e Facebook para visitá-lo na Casa Branca.
Foi a marca das eleições brasileiras de 2006 e, especialmente, de 2010.
O padrão é cansativo, de tão previsível.
Veja saia na frente com seus factoides e o grupo repercutia em seguida. O fórum de orquestração se dava no Instituto Millenium. A um mês das eleições, aumentava-se a dose e tentava-se a bala de prata.
A morte de Civita acelerou o processo de perda de rumo dos grupos de mídia  Pagou-se um preço caro com a orquestração contra a Copa do Mundo, que marcou o fundo do poço da credibilidade da mídia.
Sem a antiga orquestração, os jornalões passaram a agir com o fígado, sem obedecer a uma estratégia concatenada.
De um lado, perceberam que precisariam recuperar credibilidade para dar eficácia às rodadas de ataque que antecederiam as eleições. Aí um jornal levanta o caso do aeroporto de Aécio, os outros vão atrás, na crença de um escândalo menor legitimando os escândalos maiores contra o PT. De repente, o tema sai do controle, e Aécio se queima.
Depois, vêem  Marina subindo, e ajudam na ascensão.
No meio do caminho dão-se conta de uma realidade:
1.    Aécio lhes garante a volta ao controle do Estado.
2.    Com Dilma, nada perdem, mas nada ganham. Dilma mantém a cartelização da publicidade  mas não faz negócios.
3.    Marina é uma incógnita. Seu programa aprofunda o conceito de democracia participativa ao mesmo tempo em que ela se curva às pressões de pastores evangélicos - o grupo que mais cresceu na mídia tradicional, enfrentando inclusive o poder da Globo. A política econômica é mercadista mas seus princípios ambientais são contra a economia real. Ora ela diz sim, ora ela diz não.
Sobre o álibi Veja
Em um segundo turno, entre  ela e Dilma, o ódio ao PT fala mais alto. Embora o Estadão avente a hipótese de que Marina seja braço auxiliar de Lula - o que comprova que  os jornalões estão pretendendo tirar da blogosfera até o monopólio das teorias conspiratórias.
Não mais que de repente, o factoide de Veja traz a esperança de uma respiração boca a boca capaz de ressuscitar a candidatura Aécio,.
O fato em si é simples.
Não se discute a existência do esquema Paulo Roberto Costa. É evidente que controlava uma organização criminosa incrustada na Petrobras e que tinha padrinhos políticos. E é fato que gravou depoimentos, dentro do acordo de delação premiada.
A reportagem da Veja não traz um indício de acesso ao relato. Pode ter enfiado na reportagem o que ela achasse melhor. Ou alguém acredita no respeito da revista pelos fatos?
O que importa é a maneira como os grupos de mídia tratam o escândalo.
Soltam a matéria, dão a repercussão e cobrem as páginas dos jornais com matérias sem fontes, informando que "o comando da campanha de Dilma entrou em pânico", "o PT vai ter que alterar sua estratégia e parar de falar no pré-sal", "fontes do Palácio temem que as revelações derrotem Dilma" e coisas do gênero.
Não há menção a nomes e isso lembra em muito a cobertura brasiliense do Planalto no período Geisel. O primeiro time da mídia ouvia Golbery em off. O segundo time, o Sargento Quinsan, personagem folclórico, espécie de ordenança de um dos secretários de Geisel. Na reportagem, tanto um quanto outro era "fonte do Palácio". Ou não? Aparentemente o fantasma de Quinsan voltou a frequentar o Palácio.
No centro da campanha de Dilma, a capa de Veja foi interpretada como um tiro de festim. E a repercussão da mídia atribuída à falta de experiência política das direções de redação, incapazes de avaliações mais aprofundadas sobre estratégias políticas do noticiário. Não se tem dúvida de que o segundo turno será entre Dilma e Marina.
Se houvesse algum efeito, seria a favor de Dilma. Há 12 anos, os eleitores de Lula e Dilma convivem com denúncias e factoides. Se continuam eleitores, é porque as denúncias não têm mais eficácia.
Já os simpatizantes de Marina, atraídos pela ideia de que ela é diferente, são bombardeados com factoides informando que Marina é igual ao PT.
Provavelmente os leitores aumentarão a convicção de que, com Dilma ou Marina, o jornal será sempre igual.

http://jornalggn.com.br/noticia/para-entender-a-montagem-da-veja#at_pco=cfd-1.0&at_ab=-&at_pos=2&at_tot=5&at_si=541733f0c92423e8

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

SENADOR REPUBLICANO DOS EUA É MENOS DIREITISTA QUE OS NOSSOS!!!

Os amigos podem estranhar que eu coloque no blog um vídeo com um conservador norte-americano como o senador Ron Paul, ex-pré-candidato a presidente dos EUA pelo Partido Republicano. Sem dúvida, ele é um reacionário, defensor aguerrido do Capitalismo e da Economia de mercado.
Não concordo com 90% do que ele diz, mas é interessante fazer a comparação: perto da direitona-burra (e sem votos)  brasileira, até Ron Paul parece um cara de centro-esquerda! Na sua campanha, que acompanhei de perto, ele sempre se disse contra as intervenções dos EUA pelo mundo em dezenas de guerras desde 1945, algumas de rara crueldade, matando milhões de pessoas inocentes, patrocinando golpes de Estado (como no Brasil) e apoiando elites corruptas em cada país.
Isso, para a direitona brasileira, é uma heresia. Em 2005 mesmo, cansei de ler e ouvir "intelectuais" e jornalistas da direita pregando que o Brasil deveria invadir a Bolívia, devido à divergências com o governo Evo Morales sobre a Petrobrás naquele país-irmão. Os golpes em Honduras e no Paraguai, assim como o golpe contra Hugo Chávez em 2002, foram aplaudidos freneticamente pelos fascistas brasileiros, como Reinaldo Azevedo, Olavdo de Carvalho e a turma do Instituto Millenium. Para esses todos, Ron Paul é um traidor dos interesses dos EUA, que esses caras que nasceram no Brasil consideram os únicos interesses do mundo a serem defendidos a ferro e fogo...
Ron Paul também defende o fim do bloqueio norte-americano a Cuba. É claro que ele acha que isso iria conquistar o povo cubano para o lado dos EUA - eu, que estive em Cuba por quase um mês, em várias regiões, sei que isso não aconteceria. Mas coincidimos num ponto óbvio: o bloqueio pune a população, e é uma medida de guerra de elevada burrice. Tanto que a maioria dos países do mundo ignora as ameaças dos EUA e negocia e investe em Cuba.
Enfim, não aplaudo Ron Paul, mas creio que numa Democracia, sua corrente de pensamento deve ter seu espaço, e ser combatida por nós com idéias e realizações de nossos governos de Esquerda.
A direitona-burra (e sem votos)  no Brasil ainda acha que os EUA deveriam matar os irmãos Castro e todos os comunistas em Cuba e no mundo, inclusive no Brasil! Ou seja, estão ainda na Guerra Fria e mesmo antes, nos tempos do macartismo.
Com Ron Paul dá prá debater; com a direitona-burra brasileira, não. Faltam-lhe idéias, um mínimo de patriotismo e de honestidade intelectual. São pessoas de mente colonizada, mais pró-EUA do que os estadunidenses.
Se o caro leitor ou leitora quiser discutir a minha visão, sua opinião será aceita com todo respeito. Somos de Esquerda, ou seja, somos Democratas de verdade.


segunda-feira, 9 de junho de 2014

MÍDIA E OPOSIÇÃO USAM A BADERNA CONTRA DILMA E PADILHA

2k8msgow46 9gbf119t42 file Copa é pretexto, tudo é política e objetivo é eleição
Engana-se quem pensar que as greves selvagens, os protestos violentos e a baderna em geral vão parar depois da Copa. Toda a questão é política e o principal objetivo é impedir a reeleição da presidente Dilma Rousseff. De um ano para cá, desde as tais "jornadas de junho", interesses variados se uniram para mostrar que a situação fugiu do controle nas ruas e nos fundamentos econômicos, provocando o caos nas grandes cidades, criando um clima de medo e revolta na população.
Se você repete todo dia que tudo vai mal e, depois, vai fazer uma pesquisa perguntando como estão as coisas, claro que a maioria vai dizer que as coisas vão mal. Se você só mostra problemas no governo federal e omite ou minimiza os desmandos na administração estadual, a maioria vai dizer que a presidente vai mal e o governador está muito bem.
Desta vez, o Partido da Mídia está muito mais organizado do que nas eleições anteriores, preparou-se para o tudo ou nada, unido como nunca no Instituto Millenium, e já começa a colher os frutos, como mostram as últimas pesquisas que ela própria promove.
São as tais profecias que se auto realizam e não deveriam surpreender ninguém os últimos números divulgados pelo Datafolha, mostrando a queda de Dilma em direção ao piso de popularidade de junho do ano passado, no auge das manifestações, enquanto os índices do governador Geraldo Alckmin se mantém impávidos rumo à reeleição. A culpa de tudo, como se lê no noticiário e ouve nas ruas, é do governo federal.
Claro que nada disso teria o mesmo resultado negativo para a situação e positivo para a oposição se a economia estivesse indo bem. Aí juntou a fome com a vontade de comer: deixando todos os flancos abertos na economia, sem mostrar nenhuma capacidade de reação, o governo Dilma é como aqueles times que recuam para garantir o resultado e pedem para tomar um gol. Acabam tomando.
Não é que a mídia tenha recuperado seu velho poder, mas parece óbvio que agora as condições concretas lhe são muito mais favoráveis para acabar com a hegemonia petista. Os gastos desnecessários ou superfaturados com a organização da Copa serviram apenas de pretexto para as turmas do passe livre, dos sem-teto revolucionários ou dos chantagistas sindicais, que agora resolveram reivindicar tudo de uma vez, colocando o governo contra a parede.
Depende, é claro, de qual governo estamos falando. Se a greve é dos motoristas que abandonam os ônibus atravessados no meio das ruas, um problema municipal, a Polícia Militar fica só assistindo, sem importunar ninguém. Mas se a greve é dos metroviários, um problema estadual, a mesma polícia tem ordens para baixar o cacete e acabar com os piquetes nas estações.
Este é o jogo e só não vê quem não quer ou tem algum interesse no resultado.
 http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2014/06/07/copa-e-pretexto-tudo-e-politica-e-objetivo-e-eleicao/

domingo, 23 de fevereiro de 2014

DIREITA FARÁ CAMPANHA PORCA EM 2014, EXPLICA JORNALISTA

A campanha mais podre de todos os tempos

Para o jornalista, preconceitos de classe estão aflorados e os meios de comunicação têm grande responsabilidade na radicalização do ambiente político
por Vander Fornazieri publicado 16/02/2014 13:05, última modificação 17/02/2014 13:42
VANDER FORNAZIERI/RBA
Gabriel Priolli
A partir de 2003, todos os preconceitos de classe possíveis e imagináveis afloraram e se solidificaram contra o Lula 
É difícil encontrar uma redação onde Gabriel Priolli não tenha trabalhado. TV, jornal, revista, ele passou pelas mais importantes, exercendo variadas funções, inclusive a de editor do Jornal Nacional, da Globo. Atuou na imprensa alternativa e foi peça importante na criação de campanhas e programas de TV históricos para o PT de mais de duas décadas atrás e, desde então, acumula experiência em 17 campanhas políticas para diversos partidos e candidatos. Hoje está à frente do blog Apriolli, no qual escreve sobre temas políticos e culturais do país.
Priolli começou como estagiário da TV Cultura, onde ficou até 1980, quando houve demissão em massa de jornalistas promovida pelo governador Paulo Maluf, empossado pelos militares em 1979. Amargou uns tempos de geladeira, às voltas com o preconceito dentro do meio jornalístico contra os profissionais de TV – “acusados” de não saber escrever. Meses depois conseguiu uma cobertura de férias na Folha de S. Paulo, e foi bem. Desmontou o preconceito e emplacou matéria de capa. Começou a fazer cobertura de TV para o caderno Ilustrada, que ninguém gostava de fazer. Mas era tudo o que ele queria. Era a possibilidade de se firmar escrevendo e refletindo sobre uma mídia que não tinha interlocução.
Aliás, segundo Priolli, o grosso do que se escreve sobre televisão, ainda hoje, é de um grau de estupidez abissal. “Você fica pasmo de ver a ignorância das pessoas em relação ao que é televisão. Existe a presunção de achar que ela é uma máquina de estupidificar feita por gente estúpida.”
Quais programas você mais acompanhava como crítico?
Cobria tudo. Assistia muito ao Chacrinha e vi o surgimento do Gugu, na época cotado para ser sucessor do Silvio Santos. Falei do papel de renovação e do debate de temas tabus das séries que a Globo começou a produzir, comoMalu Mulher, Carga Pesada, Plantão de Polícia. Acompanhei a última novela da Janete Clair (1925-1983), Eu Prometo, que teve texto finalizado por Glória Perez. Peguei também toda a emergência do vídeo independente, um movimento importante para a televisão e para mim. Eram meus amigos na TVTudo, Olhar Eletrônico, TViva, Vídeo Verso.
Como aconteceu seu trabalho dentro do PT?
Lembro bem da primeira campanha do partido, em 1982, quando ele entrou com aquela linha obreira: “Trabalhador vota em trabalhador”. E em 1984 me aproximei da área de comunicação. Um grupo de colegas fez um programa muito criativo para a TV. Escrevi comentário na Folha, o que era incomum para a época. Acharam o texto pertinente e me convidaram para trabalhar. De repente, estava fazendo a campanha do Eduardo Suplicy para a prefeitura de São Paulo, em 1985, com o Carlito Maia e o Chico Malfitani. Foi aquela do “experimente Suplicy”. Em 1986 esse grupo rachou. Acabei ficando para fazer a campanha do Suplicy para o governo do estado. Foi horrorosa. As campanhas do PT sempre foram conturbadas. Eu acreditava numa linha mais orgânica, de afinidade entre a política e a comunicação. Mas acabou descolando completamente a ponto de botarem as campanhas nas mãos de publicitários. Depois de ter trabalhado os anos 1980 inteiros para o PT, como militante, vendo o partido admitir o ingresso de profissionais de linhas políticas até opostas para fazer suas campanhas, eu peguei minha experiência acumulada e fui trabalhar com comunicação política. Aprendi nesses 30 anos que a decisão de voto é essencialmente emocional.
As propagandas eleitorais estão niveladas?
Hoje todo mundo faz a mesma coisa, com diferenças de estilo aqui ou ali. Propaganda de direita no sentido clássico: escondem-se defeitos, mostram-se virtudes. Há basicamente um apelo emocional ao eleitor no sentido de sensibilizá-lo, de tocá-lo, para depois municiá-lo com argumentos racionais para sustentar, no debate político, a opção feita pelo coração. A propaganda não faz o eleitor concordar com as posições do candidato, mas gostar dele.
Como realizar um debate sério sobre reforma política sem tocar nos monopólios da comunicação? Que diabo de reforma política há de ser essa que não venha acompanhada, ou precedida, de novas regras para o setor?
Para onde vai o belicismo que se vê no cenário político?
Acho que este ano teremos a campanha mais podre de todos os tempos. O ano de 2010 bateu recordes de baixaria, mas vai ser café pequeno comparado ao que nos espera. É lamentável o que acontece e a responsabilidade da mídia é muito grande. Até o governo Lula (2003-2010), a imprensa mantinha uma vigilância crítica, mesmo porque, do ponto de vista de classe, os governos anteriores eram seus, defendiam seus interesses, inclusive os da ditadura. As críticas eram pontuais, na forma. Mas a partir do governo do PT, houve uma mudança total. Por mais que o governo fosse moderado, muito mais tendendo ao centro do que à esquerda, sempre disposto a flexibilizar e a fazer concessões, ainda assim há uma reação radical de não aceitá-lo. Todos os preconceitos de classe possíveis e imagináveis afloraram e se ­solidificaram contra o Lula. É porque é pobre. É porque é operário. É porque é nordestino. É porque não tem dedo…
Isso contaminou a visão que se tinha do presidente?
Sim, e também a leitura do governo que se fazia. A mídia embarcou na onda neoconservadora internacional. Nos Estados Unidos, os veículos de direita, tipo Fox News, sustentaram que Barack Obama era socialista, marxista. Uma loucura sob qualquer aspecto. Imagina se um dia eles realmente tiverem um presidente de esquerda o que vão falar.
Foi nesse momento que se soltaram as rédeas dos analistas sem pudor nem limites, que no passado eram moderados?
Houve favorecimento e incentivo a esse tipo de gente e a essa conversão de comportamento. Todos os que fizeram, e continuam fazendo comentários de direita, foram e seguem sendo premiados. No lado oposto, o daqueles profissionais que tinham posições contrárias, houve repressão. Aconteceu um expurgo da esquerda nas redações e triagem ideológica nas novas contratações. Os jovens que foram ingressando têm majoritariamente pensamento conservador. Montou-se uma uniformidade ideo­lógica nas redações.
Se existia uma coisa rica na imprensa nos anos 1970, era exatamente a diversidade ideológica. Tinha a “direitaça”, gente ligada aos órgãos de repressão, e tinha gente que participou dos grupos armados de esquerda. Era um saco de gatos. Correntes democráticas, correntes revolucionárias. Isso era muito rico. Nunca tive, até o governo Lula, qualquer constrangimento dentro de qualquer redação por causa de posição política. Nunca dei atestado ideológico para quem quer que fosse. E ninguém queria saber se você era ou não petista ou tucano. Hoje está tudo mudado. Cheguei a ser censurado em artigos que me convidaram a escrever, ou porque não batiam com a posição patronal ou porque tocavam em assuntos tabu, como a regulação da mídia.

Você acredita que exista alguma chance de acontecer no Brasil o que se fez na Argentina, com a Lei de Meios?
Chance sim, mas depende de a presidenta querer levar esse debate adiante, de entender que não é possível fazer a reforma política que ela diz querer fazer sem antes enfrentar a regulação da mídia. Como é possível realizar um debate sério sobre reforma política sem tocar nos monopólios da comunicação? Que diabo de reforma política há de ser essa que não venha acompanhada, quem sabe precedida, de uma pactuação de regras para o setor? A gente vai levar adiante esse despudor completo de grupos econômicos utilizarem veículos de comunicação em campanhas descaradas? Para voltar a ter um mínimo de paz social e política, a gente deve ter padrões de moderação e ética. Isso tem de ser regulado e tem um projeto lá na gaveta da presidenta.

Houve ingenuidade do Lula em relação à mídia?
O Lula sempre teve a crença de que é possível ter debate, diálogo, negociar. Isso baseado na própria experiência dele. Antes de ser presidente, ele virou uma estrela mundial graças à forte exposição na imprensa. Pilotava rebeliões sindicais, era peça importante no xadrez político. Isso era do interesse da elite. E teve relações com os donos da mídia. Ele tinha uma visão, não posso dizer que era ingênua, mas equivocada, de que a partir de certo ponto as contradições de classe não seriam tão fortes a ponto de obstruir seu governo. Acho que hoje ele tem uma visão mais dura sobre essa possibilidade de diálogo franco e convivência democrática com a imprensa. A imprensa abdicou da postura democrática e conscientemente se partidarizou. Virou defensora de agremiações que defendem um ideário específico de classe. À medida que essas agremiações foram se desidratando politicamente em sucessivas derrotas eleitorais, ela passou a ter protagonismo e controle político da oposição. Hoje quem formula as políticas de oposição e as críticas é a imprensa. Os partidos apenas as sustentam e repercutem.
Não deixe de ler a íntegra desta entrevista em: 
http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/92/a-campanha-mais-podre-de-todos-os-tempos-817.html

quarta-feira, 16 de março de 2011

AMERICANO DESMENTE A DIREITA...NA CASA DA DIREITA !!!

O "Instituto Millenium ficou conhecido no ano passado quando promoveu um encontro em São Paulo, onde donos de meios de Comunicação e alguns de seus empregados denunciaram a "ditadura" vigente no Brasil, e se comprometeram a fazer todo o possível para derrotarem Dilma Roussef e elegerem José Serra. Entre os participantes do "pacto" estavam Roberto Civita, da Editora Abril e revista veja, e Otavinho Frias Filho, herdeiro e dono da Folha de S. Paulo.
Entre os empregados, Reinaldo Azevedo, mais conhecido como "Rei do Esgoto", e Judith Brito, executiva do Grupo Folhas e presidente da ANJ, Associação Nacional dos Jornais (aquela que disse que a mídia era o verdadeiro partido de oposição a Lula). 
Aquela reunião desmascarou a mídia cartelizada brasileira (onde seis ou sete famiglias controlam toda a informação disponível, menos a blogosfera) e sua luta, embora usasse de todas as armas mais baixas, foi em vão. Dilma venceu, enquanto as tiragens dos "grandes" jornais e revistas cai, assim como a audiência das principais redes de TV, como a Globo. 
Neste ano os golpistas resolveram mudar de cenário - já que não podem mudar de caráter - e fizeram seu encontro no Rio de Janeiro. Foi divertido ver os principais oradores e debatedores combatendo as advertências obrigatórias nos produtos que acarretam riscos ao consumidor. Para eles, divulgar na embalagem a fórmula de um produto ou medicamento, bem como advertir de efeitos colaterais e riscos inerentes ao uso, é uma agressão à Liberdade do sagrado Mercado. Alegam que isso inibe a iniciativa empresarial e viola a liberdade que o consumidor deve ter até de se suicidar, sem quiser. Ninguém tem nada com isso: o Mercado resolve tudo. Parece coisa de dois séculos atrás, mas acontece hoje no Brasil - a direita-burra só gosta do Estado quando pega uma grana do governo, para nunca mais pagar...
O mais divertido, porém, foi quando o convidado especial, norte-americano é claro, fez um discurso meio fora do tom desejado pelos seus anfitriões. Leiam abaixo um resumo, publicado no próprio site do Millenium, e imaginem a cara com que ficaram nossos grandes "liberais" , ao ouvirem que no Brasil há plena liberdade política e de expressão: 

(do site do Instituto Millenium)
Em cerca de uma hora e meia de palestra, o acadêmico e escritor americano David Harsanyi expôs suas ideias para um mundo livre que, segundo ele, ainda é “regido pelas elites que decidem o que é certo e errado para os indivíduos”.
Criado em Nova York, o autor cita a proibição de ingredientes como gordura trans e foie gras naquela cidade como radical para os seus moradores. Em São Francisco, lembra ele, quem é dono de animais de estimação deve dar uma determinada quantidade diária de ração para o bicho. Tudo regulado pelo governo. São exemplos de comportamento babá.  Regulações, isoladamente, não parecem ruins, “mas esse ataque à liberdade tem a ver com infantilizar o outro para justificar esse tipo de comportamento paternalista. Não tem a ver com esquerda ou direita. Seria como uma bola de neve que vai aumentando à medida que desce a montanha”, avalia.
Para o acadêmico, o presidente Obama é pai desse estado babá: “Obama quer que as pessoas não tenham mais liberdade de escolha”.  Harsanyi acredita que o Estado babá começa quando se faz uso da coerção. “Tenho 41 anos e me lembro que quando era criança brincava nas ruas e voltava para casa machucado. Quando fui morar em Denver, levei meus filhos para brincar no parque e fiquei preocupado que se ferissem no meio da brincadeira. Mas como colocar uma placa, com os dizeres ‘Não corra no parque’? Acho que devemos considerar como proteger nossas crianças, mas sem vetar o direito de escolha e a própria natureza das crianças”.
“Eu não gosto de movimentos populistas porque eles são antiéticos num certo nível, mas gosto da ideia central de que as pessoas devem ser livres. Isso tem a ver com vida coletiva. Acho que não estamos indo para o caminho certo”. Vivemos a era do elogio da liberdade, diz. “Viramos uma sociedade muito mais controlada do que imaginamos nos anos 60. Mas, curiosamente, temos mais liberdade ainda. Temos um bom fluxo de informação através da internet e o direito de expressão”.
O escrito admite que há um exagero nos Estados Unidos nessa questão do controle e diz que o Brasil não deve copiar o modelo americano. “Acho que nós copiamos os europeus, da mesma forma que você nos copiam. De todo modo, somos um país muito livre e vocês tambem. Os brasileiros são muito abertos e acho que não precisam copiar outro país. Não sabemos o que é uma ditadura, por exemplo. Temos nossos problemas culturais particulares e uma forma muito nossa de resolvê-los”.