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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

BOICOTE A BIENAL DE SÃO PAULO, FINANCIADA POR ISRAEL!!!

Artistas rejeitam Israel na Bienal

Por Altamiro Borges

Um manifesto assinado por 55 artistas foi divulgado nesta quinta-feira (28) exigindo que a fundação responsável pela 31ª Bienal de São Paulo recuse o apoio e devolva o dinheiro doado pelo governo de Israel ao evento. “Enquanto o povo de Gaza retorna aos escombros de suas casas destruídas pelo Exército israelense, nós achamos inaceitável receber o apoio de Israel... Ao aceitar esse financiamento nosso trabalho artístico mostrado na exposição está sendo usado para limpar as continuadas agressões conduzidas por Israel e suas violações da lei internacional e de direitos humanos. Recusamos a tentativa de Israel de normalizar sua presença no contexto deste importante evento cultural”, afirma o texto.

O documento foi assinado por 55 dos 86 artistas participantes da mostra, entre eles israelenses, palestinos e libaneses. Entre os signatários estão artistas influentes, como o libanês Walid Raad, que liderou boicote à filial do museu Guggenheim em Abu Dhabi, e a israelense Yael Bartana, que já foi à Bienal de Veneza. Um dos curadores da mostra, Charles Esche, até manifestou apoio à reivindicação. “Em princípio, nós apoiamos os artistas", afirmou. Já o presidente da Fundação Bienal, Luis Terepins, garantiu à Folha que “não existe a possibilidade de devolver o dinheiro – cerca de R$ 90 mil de um orçamento total de R$ 24 milhões – a Israel. ‘Nós somos uma instituição plural, não tomamos partido’, diz Terepins”.

O cônsul de Israel em São Paulo, Yoel Barnea, também foi procurado pelo jornal e disse que estava ciente do manifesto. “A arte é uma linguagem que aproxima os povos. Mas a atitude destes artistas não é construtiva para a paz no Oriente Médio”, afirmou. No maior cinismo, ele também alegou que “se os artistas têm críticas ao Estado de Israel, nós também temos críticas às ações terroristas dos palestinos”. A Folha, porém, não ouviu os representantes da comunidade árabe no Brasil e nem as centenas de entidades da sociedade civil que denunciam o genocídio em Gaza. A 31ª Bienal de São Paulo começa nesta semana e ainda não se sabe se vários artistas boicotarão o evento bancado pelos terroristas de Israel.

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/08/artistas-rejeitam-israel-na-bienal.html#more

sábado, 26 de julho de 2014

MUSEU DE NASSAU REABRIU COM MOSTRA QUE FALA DO BRASIL

Depois de dois anos fechado para importantes reformas, que incluíram uma nova entrada e várias instalações subterrâneas, com um túnel ligando o prédio original a um edifício vizinho que será usado para exposições temporárias, o Mauritshuis (Casa de Maurício de Nassau), em Haia, na Holanda,  foi reaberto no mês passado. E traz uma exposição temporária, até o dia 4 de janeiro, que tem muito a ver com o Brasil.

 A fachada é a mesma, mas antes a entrada era pela lateral do Mauritshuis.

 Provavelmente o último dos cerca de 80 auto-retratos que Rembrandt pintou desde jovem.

 Quem atrai mais atenção é a "Garota com Brinco de Pérola", de Johanes Vermeer, de 1665. Durante a reforma ela esteve emprestada a vários museus, inclusive dos Estados Unidos. Finalmente, em casa novamente.

 "A Garota com Brinco de Pérola" é chamada de "a Mona Lisa do Norte", e uma das imagens femininas mais conhecidas do mundo.

 A entrada do museu foi construída abaixo do núvel da rua, com mais conforto.

 Famosíssima, a "Lição de Anatomia do Dr. Nicolaes Tulp, de 1632, lançou Rembrandt no mercado de arte de Amsterdam, quando ele chegava de Leiden, aos 29 anos.

 "Paisagem de Delft", de Vermeer, o gênio da luz. Delft é a cidade onde moro na Holanda, e ainda conserva as torres das igrejas Nova e Velha, aqui retratadas.

 "Menino rindo", de 1625, foi apenas um estudo de Frans Hals, outro grande mestre de Leiden, terra de Rembrandt e outros gênios.

Um dos que mais me impressiona é este quadro de Peter Paul Rubens, "Velha com menino e velas". Nenhuma das reproduções aqui ou em livros dá a exata noção de vida e intensiddade que as telas nos proporcionam de perto. E esta me paralisa e emociona demais.

Tratando da história do edifício, que foi construído por Maurício de Nassau enquanto ele era governador da colônia holandesa no Nordeste brasileiro, a mostra apresenta documentos raríssimos, como o primeiro livro ilustrado sobre a natureza e os indígenas brasileiros publicado na Europa. Há também originais da portaria que nomeou Nassau para governar o "Brasil holandês" e uma carta escrita a mão e assinada por ele em 1641. Nas paredes e textos explicativos, o Brasil é citado várias vezes. Frans Post, o pintor que veio para o Brasil na comitiva de Nassau, tem paisagens de Pernambuco incluídas na rica coleção do Mauritshuis, considerado um dos principais museus da Europa.
Hoje passei algumas horas revendo o museu que já visitei quatro ou cinco vezes, mas que não pude percorrer nesses dois anos de fechamento. A reforma foi boa, o acesso ficou melhor e mais moderno, mas a coleção principal continua exposta nas pequenas salas do palacete. Quando o público é grande como hoje, o trânsito fica meio prejudicado, e é preciso paciência para ver as maravilhosas obras de alguns dos maiores mestres do Século de Ouro da pintura flamenga, como Rubens, Hals, Vermeer, Van Steen  e Rembrandt, entre outros.
Algumas fotos que tirei hoje, e algumas reproduções de obras, já que é muito difícil tirar boas fotos internamente pelos reflexos e condições de iluminação. Aliás, as fotos são proibidas, mas eu sou brasileiro e dou meu "jeitinho"....

domingo, 1 de junho de 2014

QUADRO ATRIBUÍDO A VAN GOGH GERA DÚVIDA NA AUSTRÁLIA E NA HOLANDA

Museu australiano devolverá quadro vendido durante o regime nazista

"Cabeça de Homem", quadro citado no texto do UOL, não tem sua autenticidade comprovada.

Um museu australiano devolverá um retrato, cuja autoria é atribuída a Vincent Van Gogh, aos seus legítimos proprietários, no que é considerada a primeira restituição pelo país de uma obra de arte perdida sob o regime nazista.

A National Gallery of Victoria (GNV) informou que acredita que a obra "Cabeça de homem" fez parte de uma venda forçada do judeu alemão Richard Semmel em 1933 e que, por isso, deveria ser devolvida aos seus herdeiros.

"Entendemos que este é o primeiro caso do tipo na Austrália", disse o museu em um comunicado publicado na internet esta semana.

De acordo com o Comitê de Restituição Holandês, que analisa os pedidos de restituição, Richard Semmel precisou vender sua coleção para escapar da perseguição nazista aos judeus.

Quando o Museu de Melbourne comprou a pintura em 1940 esta já havia mudado de mãos várias vezes.

Após as dúvidas suscitadas entre os especialistas, em 2006 o Van Gogh Museum de Amsterdã concluiu que o trabalho não era do famoso artista, mas que poderia pertencer a alguém que trabalhou na mesma época em que Van Gogh.

"A atribuição da obra não influenciou a decisão da NGV de devolvê-la", disse o museu, que a considerada uma questão "moral" .

A galeria aguarda a resposta dos herdeiros de Semmel, que estariam vivendo na África do Sul.
http://entretenimento.uol.com.br/noticias/afp/2014/05/31/museu-australiano-devolvera-quadro-vendido-durante-o-regime-nazista.htm

quinta-feira, 29 de maio de 2014

EXPOSIÇÃO REAPRESENTA PORTINARI A PARIS

ARTES PLÁSTICAS

Portinari, um ilustre desconhecido em Paris

Por Leneide Duarte-Plon em 27/05/2014 na edição 800
Esta é sua quarta viagem a Paris, mas é a primeira em que as obras o representam. Nas outras três, Cândido Portinari (1903-1962) veio em carne e osso. Em 1929, com bolsa de estudos, em 1946, para uma exposição na galeria Charpentier e, em 1957, para uma grande exposição de 136 obras.
Mas, desde então, Paris não viu mais nenhuma exposição do maior pintor brasileiro do século 20. Agora, os dois painéis monumentais, “Guerra e Paz”, que Portinari realizou para a ONU, de 1952 a 1956, são o centro da magnífica exposição inaugurada com grande pompa dia 6 de maio no Grand Palais, um dos museus mais prestigiosos de Paris.
A mostra foi fruto da vontade de dois presidentes socialistas, François Hollande e Dilma Rousseff, que quiseram, assim, lembrar a mensagem humanista de Portinari. Essa é a primeira vez que essa obra monumental sai da América e atravessa o oceano Atlântico, depois de ter sido exposta com enorme sucesso no Rio e em São Paulo. Os painéis haviam voltado ao Brasil para serem restaurados por uma equipe de restauradores dirigida por Edson Motta Filho e Claudio Valério Teixeira.
Chance única
Portinari aderiu ao Partido Comunista Brasileiro em 1945. Por isso, não pôde entrar nos Estados Unidos para a colocação de seus painéis. O país estava mergulhado na caça às bruxas do macartismo, a patrulha anticomunista vivia seu apogeu. Por ser comunista, o artista nunca viu sua maior obra no local para o qual fora destinada.
O jornal Libération apresentou Portinari como “um dos maiores artistas da América Latina, o Michelangelo brasileiro”, cuja obra é marcada pela luta contra o racismo e a miséria. Mas o brasileiro ainda é um artista pouco conhecido na França, o que lamenta o jornalista Vincent Noce, que fez em sua reportagem uma apaixonada defesa da obra de Portinari, também comparado a Diego Rivera, o grande pintor mexicano, a quem foi dedicada uma grande exposição no ano passado, em Paris.
Se depender do Libé, que dedicou quatro páginas centrais em cores e repletas de fotos dos deslumbrantes painéis e de outras obras do pintor, Portinari já não será mais um ilustre desconhecido dos franceses.
Em outro artigo no mesmo jornal, o curador do Centro Pompidou, Nicolas Liucci-Goutnikov, assinala o caráter mestiço e multicultural da sociedade brasileira, perfeitamente representada na arte do Modernismo, do qual Portinari foi o maior representante na pintura.
O fato de ter sua obra praticamente escondida dos olhos do público explica o precário conhecimento do artista no estrangeiro. Seu filho, João Cândido, informa que 95% da enorme obra de Portinari não é visível por estar em casas de colecionadores. Segundo ele, das 5.100 obras inscritas no catálogo raisonné do artista, apenas 200 estão no estrangeiro.
Agora, é preciso aproveitar a chance rara de ver Portinari no Grand Palais onde, além dos impressionantes e magníficos painéis, outros quadros e dezenas de estudos para “Guerra e Paz” podem ser vistos, além de vídeos que descrevem o processo de restauração e mostram o sucesso das exposições no Rio e em São Paulo.
A exposição de Portinari em Paris termina no dia 9 de junho.
***
Leneide Duarte-Plon é jornalista, em Paris
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed800_portinari_um_ilustre_
desconhecido_em_paris

terça-feira, 11 de março de 2014

ME EMPRESTEM ALGUM: HÁ UM VAN GOGH EM LEILÃO, NA HOLANDA!

Um dos quadros mais significativos de Vincent van Gogh, o "Moulin de la Gallete", estará à venda nos próximos dias, em Masstricht, deliciosa cidade da Holanda, na divisa com Alemanha.
Nessas horas em gostaria de ser milionário, comprar uma obra como essa e doar ou colocar à visitação pública num museu brasileiro...


Van Gogh, una obra emblemática en la feria TEFAF Maastricht
3 marzo 2014
'Moulin de la Galette' desempeñó un papel clave en proporcionar fama internacional a Vincent van Gogh. El artista la pintó en París en abril de 1887 y va a ser, sin duda, una de las grandes atracciones de esta edición de TEFAF Maastricht, que se celebrará del 14 al 23 de marzo
Moulin de la Galette será exhibido por Dickinson, una prestigiosa galería con sede en Londres y Nueva York. Su precio de venta no ha sido aún comunicado. En opinión de James Roundell, de Dickinson, «esta pintura lo tiene todo. La obra fue pintada en París durante un periodo de enorme importancia en la vida de Van Gogh, cuando pasó de pintar sombrías escenas de la vida campesina holandesa a crear paisajes post impresionistas de brillantes colores.
No es habitual encontrar una firma tan prominente en una obra de esta época. Se trata, además, de una de las dos únicas pinturas pertenecientes a su serie de obras representando molinos de Montmartre que aún se conservan en una colección privada. Se mostró por última vez al público en 1965».
Durante los dos años siguientes a su llegada a París en 1886 para vivir con su hermano Theo, Van Gogh experimentó una impresionante evolución artística. Alentado por Theo para emular a los impresionistas y conseguir así que su trabajo se pudiera vender mejor, Vincent Van Gogh dejó de producir escenas rurales holandesas y comenzó a pintar algunas de las obras más innovadoras, coloristas y expresivas de todos los tiempos.
Van Gogh pintó Moulin de la Galette en abril de 1887, en la cima de este proceso de transición, y forma parte de su serie de pinturas de molinos del animado barrio artístico de Montmartre. Esta vibrante obra lleva la firma de Van Gogh, lo que es poco frecuente. Theo van Gogh no sobrevivió mucho tiempo a la muerte de su hermano Vincent, acaecida en julio de 1890, y falleció el siguiente mes de enero, de forma que la vivienda de Theo y todas las cartas y pinturas de Vincent, incluida Moulin de la Galette, pasó a ser propiedad de su viuda, Johanna van Gogh-Bonger.
Decidida a conseguir fama póstuma para Vincent, a lo largo de los siguientes años Johanna se dedicó a organizar una serie de exposiciones, de las cuales la celebrada en 1905 en el Stedelijk Museum de Ámsterdam, fue de importancia crucial. Esta exposición consolidó la reputación de Van Gogh como una fuerza vital dentro de la pintura post-impresionista, y una etiqueta en el dorso de Moulin de la Galette pone de manifiesto que esta obra estuvo incluida en dicha exposición.
En 1906 Johanna entregó el cuadro al pintor Isaac Israëls, que había sido su amante durante tres años tras la muerte de Theo, a cambio de un retrato. Más adelante pasó a ser propiedad del millonario americano en el que Ian Fleming se basó para crear al malvado Goldfinger de la serie de novelas de James Bond.
http://www.descubrirelarte.es/2014/03/03/van-gogh-una-obra-emblematica-en-la-feria-tefaf-maastricht.html

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O MUSEU REAL DE AMSTERDÃ DEPOIS DA REFORMA

Aberto ao público em 1885, o Rijksmuseum (Museu Real) da Holanda) esteve quase completamente fechado nos últinos cinco anos, para uma reforma geral no enorme edifício localizado próximo ao Museu Van Gogh e ao Stedelijk, de artes visuais, todos em torno da Museumplein (Praça dos Museus).
A coleção real começou a ser formada em 1715, e esteve alojada em diversos prédios, como o Palácio de Dam, na principal praça da cidade. Em 1876, um projeto foi encomendado ao arquiteto Pierre Cuypers, e resultou, anos depois, no imenso edifício que tem características peculiares. Como ficava no limite da então cidade com a zona rural e o interior, foi feita uma passagem sob o edifício, que um jornalista norte-americano qualificou como "a mais bela ciclovia do mundo".


"A mais bela ciclovia do mundo", sob o edifício do Museu.


Há duas grandes alas, em estilo Gótico e Renascença, em referência aos períodos de apogeu das artes na Holanda. Além dos materiais tradicionais, o arquiteto utilizou outros modernos para a época, como vidro e aço. A construção levou oito anos.

Hall de entrada, com a cafeteria e a loja de lembranças e catálogos.

São 80 salas, duas cafeterias, biblioteca (300 mil volumes!), uma ampla loja de souvenirs, imensos sanitários. Depois da reforma, a coleção está disposta de forma cronológica, misturando obras de arte com objetos antigos, prataria, mobília, etc. O visitante pode ver as obras de arte e entender melhor como sevivia na época em que foram feitas. Assim, no piso pode-se ver o período 1100-1600; no primeiro andar, os séculos 18 e 19; no segundo, a Galeria de Honra mostra o período mais rico da Cultura holandesa, então um império com presença em todos os continentes, e onde a peça mais valiosa é a "Ronda Noturna", de Rembrandt; e no terceiro pavimento temos o século 20 e começo do 21.
Galeria de Honra, onde está a visitadíssima "Ronda Noturna", de Rembrandt.
 Imenso vitral entre as alas.

Ligação entre as alas e a Galeria de Honra.


São muitas as obras-primas exibidas, mas o que mais me encanta são sempre os pintores Rembrandt, Frans Hals, Vermeer, Van Steen, Van Gogh, Mondrian, todos holandeses. Há poucos estrangeiros, mas Corot, Monet, vários ingleses, alemães, belgas, também estão incluídos. Uma sala mostra telas de Frans Post, com paisagens do Brasil, e Albert Eckhout, com frutas brasileiras, ambos membros da missão liderada por Maurício de Nassau no Nordeste (veja post específico em: http://abarbosafilho.blogspot.nl/2013/11/uma-sala-de-brasil-no-maior-museu-da.html).
Mais fotos do Museu:
Eu, Beatriz Luiz e Marianne Lemmen, e a fachada principal (em outubro 2013).

 Auto-retrato de Rembrandt aos 22 anos. Aqui ele cria o estilo de manter meio rosto na sombra, não-usual até então. Usou o cabo do pincel para traçar os fios de cabelo.

 Eu entre dois famosíssimos Vermeer, o pintor de Delft que deixou apenas 35 telas, considerado "O Mestre da Luz".

"A leiteira", de Vermeer. O quadro transmite tanta paz que, diz a lenda, se você prestar atenção ouvirá o leite sendo derramado...rsrsrs

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

UMA SALA DE BRASIL NO MAIOR MUSEU DA HOLANDA!

Paisagem de Olinda, Frans Post, mostrando a antiga catedral, onde hoje está sepultado Dom Helder Câmara.
Todo brasileiro já ouviu falar em Maurício de Nassau, o nobre holandês que governou Pernambuco e parte do Nordeste entre 1637 e 1644, durante a ocupação holandesa daqueles territórios portugueses. Não cabe aqui relembrar o que foi a "Nova Holanda", projeto da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais, pela qual Nassau foi contratado para ser o Governador, Almirante e Comandante-Geral do projeto. 
Maurício andava mal de finanças, endividado com a construção de sua casa-palácio em Haia, onde hoje funciona um dos melhores museus da Europa, o Mauritshuis (Casa de Maurício). Aceitou o emprego por um salário altíssimo, e ainda pela participação em 2% dos lucros que viessem da colônia no Nordeste. 
O que eu quero frisar aqui é a presença com Maurício de Nassau de artistas e cientistas que se tornaram importantes para que o mundo conhecesse algo sobre o Brasil, ainda uma terra remota, que os próprios portugueses mantiveram abandonada durante décadas depois do "Descobrimento". Entre eles estava o jovem pintor Frans Post, primeiro europeu a pintar paisagens das Américas que se tornaram conhecidas e valorizadas. Mesmo depois de seu retorno à Holanda, Post continuou produzindo telas sobre o Brasil, e viveu disso até morrer. 
Nas visitas que fiz ao Rijks Museum, o Museu Real, em Amsterdã, o enorme edifício estava em obras que duraram quase sete anos. Só estava aberta uma pequena parte, com cem obras-primas do acervo. Reaberto em abril, hoje pude finalmente conhecê-lo quase inteiro, enquanto as pernas aguentaram... E vi uma sala inteiramente dedicada ao Brasil! 
São seis quadros de Frans Post, dois deles grandes que eu não conhecia, e um de Albert Eckhout, colega da mesma missão Nassau. 
Trago essas fotos para os amigos e amigas que apreciam Arte e, principalmente, que ficarão felizes de ver o Brasil como uma seção de um dos museus mais importantes do mundo. 
 Quatro paisagens de Frans Post e uma tela maior de Albert Eckhout.
Detalhe da tela de Albert Eckhout, com frutas do Brasil (ele pintou várias sobre o tema). E sem o caipira na frente prá atrapalhar...rsrsrs

Esta "Vista de Itamaracá" é a pintura de paisagem mais antiga das Américas (1637).
 De Frans Post.

Uma tela grande Frans Post, que eu não conhecia antes da reabertura do Rijks Museum 
Sobre a administração de Maurício de Nassau encontrei este resumo na Wikipedia:
"O seu governo está associado ao planejamento urbano do Recife, que o historiador da Arte estadunidense Robert Chester Smith iria considerar "a primeira cidade digna desse nome na América portuguesa", (…) caracterizada pela liberdade de circulação por meio de pontes e de ruas pavimentadas e traçadas geometricamente, mercados e praças bem plantadas. A descrição da vida em Recife nos tempos de Nassau foi feita por cronistas neerlandeses e por frei Manuel Calado que vivia em Alagoas em seu engenho com 25 escravos mas foi chamado por Nassau ao Recife, onde se ligou especialmente a João Fernandes Vieira.
Seus êxitos inegáveis foram a defesa do Brasil holandês contra o ataque da armada luso-espanhola em 1640 e a conquista de Angola, São Tomé e do Maranhão em 1641, graças ao poder naval.2
Para o historiador Charles Boxer foi sobretudo um "administrador de primeira categoria".

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O "NOVO" VAN GOGH DESCOBERTO EM 2013

O Museu Van Gogh, de Amsterdã, recebe anualmente centenas de milhares de visitantes de todo o mundo que desejam conhecer e reverenciar o genial pintos holandês que, em apenas dez anos de atividade, produziu uma obra revolucionária. Embora não reconhecida em seu tempo, a arte de Vincent Van Gogh cresce no respeito dos especialistas, em popularidade e influência sobre artistas que vieram depois dele.
Todos sabem que Vincent só vendeu um quadro enquanto viveu, para seu irmão Theo, que era negociante de Arte em Paris e tentava inutilmente colocar o trabalho do pintor no mercado. Van Gogh viveu e morreu pobre, praticamente sustentado pelo irmão, até suicidar-se aos 37 anos de idade, em 1890. Ironicamente, hoje seus quadros estão entre os mais valorizados do mundo: "Noite Estrelada" está avaliado em 345 milhões de dólares; e "Retrato do Dr. Gachet" foi arrematado em leilão pelo empresário japonês Ryoli Saito, ainda em 1990, por 148,3 milhões de dólares.

"Noite Estrelada", de Van Gogh, 1889.

Mas o tema deste post é o quadro de Van Gogh que acaba de ter confirmada a sua autenticidade, depois de anos de pesquisas e depois de ter ficado abandonado desde 1901, por seu dono na Noruega. O próprio Museu havia negado a autenticidade da obra nos anos 90, mas pesquisadores insistiram numa nova análise com os mais modernos recursos tecnológicos e críticos.

"Por-do-Sol em Montmajour" teve examinadas detalhadamente, no microscópio, a tela e as tintas utilizadas, inclusive o padrão de descoloração, comparados com outros quadros de Van Gogh. O estilo, a técnica e a assinatura também foram comparados com outros trabalhos do mesmo período - na mesma fase de Arles, no sul da França, Van Gogh pintou alguns girassóis, a "Casa Amarela" e outras obras. 

Detalhe das ruínas de uma abadia, em poucas pinceladas, ajudaram a confirmar a localização da paisagem.

A tela é grande para os padrões do pintor - 93,3 por 73,3 centímetros - e foi mencionada em duas cartas de Vincent a seu irmão Theo. Para confirmar os pigmentos utilizados e outros detalhes, os técnicos mais qualificados do Museu van Gogh chegaram a consultar o Museu de Belas Artes de Boston, nos Estados Unidos, e outros que possuem obras do pintor.
Visitei o Museu com amigas brasileiras, e um dos pontos alto da visita, naturalmente, foi ver o quadro exposto pela primeira vez em mais de cem anos como um autêntico Van Gogh. A exposição geral que está instalada tem o tema "Van Gogh no Trabalho", organizada para mostrar as condições e métodos de trabalho do pintor. São cerca de 200 trabalhos, entre pinturas e desenhos (alguns fantásticos, que merecem outro post), cadernos originais, tubos de tinta e a única paleta sobrevivente usada por Van Gogh, vinda do Museu d'Orsay, de Paris.


A tela recém-descoberta de Van Gogh, tal como está exposta em Amsterdã.

(texto: Antonio Barbosa Filho)


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

MAIS GERRIT DOU




Alguns trabalhos de Gerrit Dou, artista sobre o qual falo em posts abaixo. Encantado com o seu cachorro (vão entender se lerem mais abaixo), comecei a pesquisar e estou surpreso com a qualidade deste aluno de Rembrandt.
Na verdade, estou reconhecendo telas que já vi em museus aqui da Holanda e de outros países que visitei. Mas confesso que não ligava as obras ao autor.
O que marca nos seus trabalhos é o realismo das figuras humanas e o detalhismo dos objetos. Ele não economizava nas cores, e por isso vemos todos os pormenores. Observem a luz, o brilho nos metais ou superfícies molhadas: é de uma vida incrível!
Acabo de ver que um seu "Velho barbudo" está à venda na Inglaterra: 440 mil euros, pouco mais de um milhão de reais. Algum museu brasileiro interessado?

O DONO DO CACHORRO...

Depois de publicar o post abaixo, sobre a mostra em Haia e o "Cachorro repusando", fiquei curioso sobre Gerrit Dou, autor do quadro.
Encontrei este seu auto-retrato sem data, e fiquei sabendo que ele nasceu e morreu em Leiden (cidade natal de Rembrandt, que foi seu mestre por seis anos, provavelmente). Começou como vitralista, arte que aprendeu com seu pai. Depois estudou com Rembrandt, cuja influência abandonou aos poucos.
Era conhecido por pintar objetos de uso doméstico com pormenores, e usando uma rica paleta de cores. Fez também retratos de santos e cenas bíblicas.
Marianne já me disse que ele é realmente muito famoso (eu já havia lido o nome, mas não me lembrava de nenhum de seus trabalhos). Vou procurar pesquisar mais a respeito deste artista, e trarei pros amigos o que encontrar de interessante. Que o seu "Cachorro repousando" é sensacional, isso é.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

ALGUMAS OBRAS EXPOSTAS EM ROTERDÃ - MUNCH

"Desejamos algo mais do que a mera cópia da natureza. Não é nosso caso pintar belas telas para as paredes de salas de estar. Nós devemos tentar, ainda que sem conseguir, para estabelecer as bases de uma arte capaz de dar algo à Humanidade. Arte que toma e dá. Arte criada com o sangue do nosso coração" (E. Munch, 1890)




"As mãos" (1893/1894), óleo s/ tela, 91 x 94 cms.


"Três moças na ponte"


"Ciúmes", 1895, óleo s/ tela, 67 x 100 cms.


Retrato de Edvard Munch

EXPOSIÇÃO DE MUNCH, EM ROTERDÃ



Fomos ontem (dia 6 de janeiro) a uma bela exposição do pintor Edvard Much, na Kunsthal, de Roterdã. O artista norueguês, que viveu de 1863 a 1944, foi pioneiro num novo estilo de arte. Suas primeiras obras-primas, criadas entre 1885 e 1900, marcam temática e formalmente "o fim de uma velha e o nascimento de uma nova ápoca", segundo o historiador de Arte Joseph Beuys.
Influenciado pelo Naturalismo, Impressionismo e Art Nouveau, Much desenvolveu uma variante nórdica da pintura moderna, na qual o intenso emocionalismo abriu caminho para o Expressionismo. Muitas de suas obras são comparadas, em importância e inovação, às de van Gogh e Cézanne.
(Esta foto é de Marianne Lemmn)




terça-feira, 4 de janeiro de 2011

LIMPEZA E CONSERVAÇÃO DA PINTURA A ÓLEO

Somente após um ano de concluída, uma obra poderá ser envernizada. Para isso, a pintura deverá ser previamente limpa com um pano macio umedecido em essência de terebintina e depois que estiver bem seco, aplica-se uma camada fina de Verniz Cristal diluído em cerca de 20% de essência de terebintina.

(Esta e outras dicas muito interessantes estão no site www.pinturaemtela.com.br.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

AS DUAS MAJAS DE GOYA


Abaixo, duas das mais famosas telas do espanhol Francisco Goya (1746-1828), a "Maja Desnuda" e a "Maja Vestida". Duscute-se ainda hoje se a mesma modelo posou para ambos os quadros, ou se o pintor imaginou partes de várias modelos para compor a figura.
Normalmente as duas obras são expostas lado a lado, no Museu do Prado, em Madri, onde se encontram desde 1910.
Curiosidade: em 1930 a Espanha lançou duas séries de selos postais com as Majas - os EUA acharam o selo obsceno, e devolviam todas as cartas postadas com ele...