sábado, 15 de outubro de 2011

QUEM É CONTRA A CORRUPÇÃO, PRESTE ATENÇÃO!


SOBRE “ MARCHAS CONTRA A CORRUPÇÃO “ E POLÍTICOS CASSADOS – TSE


A imprensa partidarizada, vulgo PIG – Partido da Imprensa  Golpista, desde a criação do  chamado “ mensalão”, tenta fazer a sociedade brasileira acreditar que a corrupção na administração pública foi inventada pelo Partido dos Trabalhadores – PT após a posse do Presidente Lula em Janeiro de 2003.


Ontem, de forma sintomática, o programa político do PSDB na TV falou muito em corrupção, mas isso seria como “ falar de corda em casa de enforcado”, como se diz no interior, pois no quesito corrupção o rabo dos tucanos está bem sujo, como provam as mais de 100 CPIs engavetadas na Assembléia Legislativa de São Paulo, Estado governado pelo PSDB há quase 20 anos consecutivos.


A grande imprensa, aliada de primeira hora dos tucanos, tem estimulado essas “marchas contra a corrupção” dos outros partidos é claro, no entanto, faz vistas grossas para a corrupção nos governos tucanos, sejam de São Paulo, Minas ou de qualquer outro estado.


Para repor a questão nos limites da verdade e contribuir para a discussão do necessário combate a corrupção, pois ela drena os recursos do Estado e prejudica toda a sociedade,  seguem informações do TSE sobre a questão, que desmascaram a falsa pauta montada pela grande mídia com suas “marchas” para atacar o governo da Presidenta Dilma/PT, nesta que parece ser a única pauta que restou a oposição demo/tucana e sua mídia aliada.


O PT que apanha dia e noite dessa mídia venal, está num penúltimo e  9º lugar no quesito.


Segundo o Tribunal Superior Eleitoral – TSE – o ranking   da corrupção no Brasil foi o seguinte, medido pela quantidade de políticos cassados por corrupção desde o ano de  2000:


Ordem – Partido – Nº de cassados

1º) DEM (69);

2º) PMDB (66);

3º) PSDB (58);

4º) PP (26)

5º) PTB (24);

6º) PDT (23);

7º) PR (17);

8º) PPS (14);

9º) PT (10);

10º) PV, PHS, PRONA, PRP (1).


Dos 623 que foram cassados, quatro eram Governadores e Vices:


Flamarion Portela, de Roraima, e Cássio Cunha Lima, da Paraíba,

mantido no cargo por força de liminar do TSE. Os demais são Senadores e suplentes (seis), Deputados Federais (oito), Deputados Distritais (13), Prefeitos e Vices (508) e Vereadores (84).


O DEM(ex-PFL/ARENA) é o partido que lidera o ranking dos políticos cassados por corrupção (69), reunindo 20,4% dos políticos cassados.


- PMDB  (66) aparece logo depois, seguido por PSDB (58), PP (26), PTB (24), PDT (23), PR (17), PPS (14)  e  PT (10).


Na última posição está o PV (1), empatado com PHS, Prona e PRP.



Em tempo: enquanto o Globo não consegue explicar por que a multidão não passa de multidinha, o Blog Amigos do Presidente Lula revela quem está por trás da multidinha de Goiânia: um aliado do ínclito governador do Estado, Marcone Perillo, aquele de ilibadíssima reputação !

O NEOLIBERALISMO MORREU HOJE!

A agonia já vinha de longe, de antes mesmo de 2008, quando as bolhas imobiliária e bancária estouraram nos EUA e na Europa. Um sistema que dominou o mundo por mais de três décadas, não poderia sucumbir por "morte súbita": ele esperneia, resiste, mistifica, tenta adiar o fim e congelar a História.
Mas nada adiantou: as manifestações de massa de hoje, 15 de outubro de 2011, em mais de oitenta países de todos os continentes, foram o enterro da doutrina e da prática que se convencionou chamar de Neoliberalismo. Aqui e ali o sistema ainda pode ter algum fôlego desesperado, mas o fato é que o Neoliberalismo perdeu qualquer legitimidade ideológica. Seus defensores ficaram no passado, enquanto a caravana do Futuro passou acelerada e inexorável.
Orgulho-me de ter sido um dos 10 mil fundadores do Fórum Social Mundial em Porto Alegre, em 2001, e de ter participado de outras quatro realizações do evento, inclusive a de 2010. Aquela iniciativa, nascida no Brasil, reproduziu-se em milhares e milhares de locais do mundo, sem uma coordenação geral e hierárquica - o objetivo era abrir espaço para a livre manifestação e para o intercâmbio entre todos os que acreditam que "Um novo mundo é possível!". Dali nasceram as grandes manifestações de rua que perturbaram o sossego dos "donos" do mundo, em Davos, em Gênova, nos encontros do FMI, do G-7, do G-20, de todas as cúpulas de ricos pelo mundo a fora.
Agora, finalmente, o protesto atingiu o coração simbólico do capitalismo, com a ocupação de Wall Street, que já dura quase um mês. O susto da direita foi tão grande que, no Brasil, seus porta-vozes mais falastrões calaram suas bocas. Reinaldo Azevedo, o covarde Rei do Esgoto, que usa um blog da revista fascista Veja para pregar a opressão, a injustiça social, e para combater tudo que seja social ou em favor do povo e do Brasil, enfiou o rabo entre as pernas. Levou quase um mês fugindo do assunto, e agora publicou umas quinze pífias linhas para dizer que...os protestos são provocados pelo Obama! Esse Reinaldo vendeu a alma, perdeu o senso de ridículo, e realmente acha que seus infelizes leitores são todos idiotas (nem todos o são, só uns 90%, e ele se incumbe de censurar os demais).
A verdade é que a nossa direita-burra (e sem votos) torce para que a crise do Neoliberalismo leve o Brasil à falência, ao caos. Seria a única maneira de seus candidatos (eles ainda acham que Serra é um nome viável!) cheguem ao poder. Na verdade, preferem um golpe do tipo hondurenho, mas como não encontram um militar louco o bastante para tentar uma quartelada, fingem que respeitam o jogo eleitoral.
Vendo as massas hoje reunidas em ruas e praças de todos os continentes, gritando diretamente contra o 1% dos "donos" de todas as riquezas do planeta, naturais e manufaturadas, além dos papéis-quase-moedas, tenho que gargalhar na cara de um covarde como Reinaldo Azevedo. Todo o seu esforço para liderar e insuflar um golpe contra nosso Governo constitucional, contra a Justiça Social que apenas começa a existir no Brasil, contra a inteligência, foram para o lugar devido: o lixo, o esgoto. Reinaldo e suas "idéias" fedem!
Viva o futuro, viva a Humanidade livre e progressista!

VEJA MENTE SOBRE RIO GRANDE DO SUL


VEJA DÁ OUTRO TIRO NO PÉ

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Se a revista Veja fosse a rainha má das histórias, diria, "espelho, espelho meu. Existe alguma revista mais cara de pau do que eu?".

E o espelho diria com certeza: "não minha rainha. Sois a maior!"

Eis que esta semana o site do patético folhetim tucano resolveu meter o pau no governo do RS, que para desalegria da editora Abril, está na mão de um petista.

Mas como nem todos os jornalistas empregados naquele cortiço são realmente inteligentes, acabaram tropeçando na própria língua. Metem o pau querendo pichar Tarso Genro mas dizem que o Estado não investiu nos "últimos anos". Ora, e de quem era o governo nos "últimos anos", senão da tucana descarada Yeda Crusius, que até o super honesto (e igualmente cara de pau) Pedro Simon defendia até o fim, mesmo atolada num lamaçal incrível de corrupção? A bandidagem era tanta que nem a Globo, contumaz cúmplice da roubalheira tucana conseguiu segurar.

Naturalmente para quem tem a memória melhorzinha dos que os escribas daquele papiro imprestável, haverá de se lembrar que durante os 4 anos da falcatrua da direita, Veja não falava um "a" da roubalheira. Tudo não passava de obra do acaso e de "gente" mal intencionada. Dizia inclusive que as denúncias eram pura maldade da oposição da época. 

Veja tenta inutilmente colocar Genro na parede mas se olvida por um minuto que nem todas as pessoas do planeta são tão estúpidos quanto ela gostaria que fossem, e como de fato são, a maioria de seus leitores (os que lêem e nela acreditam, não os outros). Na cabecinha do jornalista de Veja, a audiência não saber fazer um cálculo simples e chegar à conclusão que 10 meses são menores do que "alguns anos". Há dez meses Genro está no governo. Um ponto para a idiotice dos redatores da editora Abril.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

NEW YORK QUER EXPULSAR OS 99%


Ocupa Wall Sreet recebe ordem para sair de praça

O movimento Ocupa Wall Street difundiu quinta-feira (13) um alerta de emergência no qual solicita uma defesa massiva da praça a partir das seis horas da manhã desta sexta-feira, manifestando suspeita sobre os reais motivos da ordem do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, para uma "limpeza da praça". Alguns manifestantes lembraram que essa foi a mesma tática usada para desalojar os manifestantes que ocuparam o Capitólio no estado de Wisconsin e acampamentos dos “indignados” em lugares públicos em Madri e Barcelona. O artigo é de David Brooks.

Há um enfrentamento à vista entre o movimento Ocupa Wall Street e as autoridades de Nova York como resultado de uma ordem da prefeitura para que os manifestantes abandonem “temporariamente” o acampamento para permitir uma limpeza do pequeno parque, algo que os ativistas prometem desafiar com uma defesa não violenta da praça que ocupam desde o dia 17 de setembro. 

Ocupa Wall Street difundiu ontem (13) um alerta de emergência no qual solicita uma defesa massiva da praça a partir das seis horas da manhã desta sexta-feira, manifestando suspeita sobre os reais motivos da ordem do prefeito. Alguns manifestantes lembraram que essa foi a mesma tática usada para desalojar os manifestantes que ocuparam o Capitólio no estado de Wisconsin e acampamentos dos “indignados” em lugares públicos em Madri e Barcelona.

Os ocupantes anunciaram que armarão uma cadeia humana na periferia de sua Praça Liberdade (cujo nome oficial é Parque Zuccotti) com escovas e esfregões e que resistirão de maneira pacífica às ordens da polícia. Além disso, planejaram uma marcha com suas escovas e esfregões na direção de Wall Street com o objetivo de limpar o desastre do setor financeiro.
Bloomberg fez visita surpresa

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg fez uma visita surpresa à Praça Liberdade na noite de quarta-feira com uma escolta massiva de policiais, mas não disse nada durante sua visita. Alguns manifestantes gritaram: “Você é da turma do 1%” (dos mais ricos, ou seja, os que são acusados pela desigualdade econômica e pela corrupção da democracia).

Na segurança de seu gabinete, mais tarde, Bloomberg divulgou seu anúncio de que era preciso fazer uma limpeza e trabalhos de manutenção na praça. Ele justificou a medida com base em uma solicitação da Brookfield Properties, a empresa dona da praça, que pediu a intervenção da polícia para liberar a área que estaria apresentando problemas de salubridade. O prefeito afirmou que a limpeza seria realizada em etapas e que os manifestantes poderiam retornar às partes da praça já lavadas – dando a entender que não pretendia desocupar todo o parque de uma vez só.

No entanto, seu chefe de polícia, Ray JKelly, confirmou que os manifestantes terão que cumprir novas condições, estabelecidas pela empresa proprietária, para permanecer ali: “depois que a área for limpa, poderão regressar. Mas não poderão retornar com seus equipamentos, barracas, esse tipo de coisa”, declarou.

Os manifestantes afirmam que tudo isso é um pretexto para acabar com a vigília que já dura 28 dias. Grupos locais e nacionais saturaram a prefeitura com telefonemas e mensagens denunciando a ordem, enquanto vários líderes políticos locais e sindicais pediram ao prefeito para que anulasse a ordem, que classificaram como uma notificação de despejo. Alguns advertiram que os olhos do mundo estão de olho no que está acontecendo em Nova York e que isso poderia ter severas consequências políticas para o prefeito, especialmente se houver repressão violenta por parte da polícia.

Outras agrupações liberais e progressistas expressaram sua desaprovação e grupos de direitos civis assinalaram que poderia ser uma violação do direito constitucional à livre expressão. Em sua página no twitter, o escritor Salman Rushdie chamou a ameaça dessa ação de um crime contra a liberdade.

Para o prefeito, tudo isso implica um risco político, o que tem limitado suas opções durante quase um mês com a repercussão obtida pelo movimento e sua multiplicação por várias cidades através do país. Uma pesquisa da Reuters/Ipsos indiciou que 82% dos estadunidenses ouviram falar dos protestos, sendo que 38% manifestaram uma opinião favorável aos mesmos e só 24% foram contra. Ou seja, o movimento de protesto Ocupa é agora quase três vezes mais popular junto à opinião pública que o Congresso dos Estados Unidos.

“O 1% mais rico tomou de controle nossa economia e nosso governo. Somos os 99% que estão prontos para retomar o comando”, essa é a consigna de Ocupa Wall Street, lema que vem encontrando eco de costa a costa e que vem ganhando apoio dos principais sindicatos do país, de organizações sociais e comunitárias de todo tipo, e de personalidades que incluem economistas prêmio Nobel, músicos, cineastas e até alguns dos principais líderes políticos nacionais.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O TESOUREIRO TAUBATEANO DE ZÉ SERRA


Paulo Preto, o “líder ferido na estrada”


por Rodrigo Vianna


“Não se abandona um líder ferido na estrada”. A frase, pungente, marcou a campanha de 2010 – tanto quanto a bolinha de papel que atingiu a cabeça de Serra, e que o “JN” da Globo tentou transformar num atentado.


O líder – ferido e abandonado – era Paulo Preto. E o destinatário do recado  (sempre é bom lembrar) era José Serra. Paulo Preto estava magoado quando proferiu a frase. A revista “Istoé” havia publicado – em agosto de 2010 – reportagem bastante longa, mostrando o perfil de Paulo. “Veja” e “Época” haviam dado reportagens discretas sobre o sujeito, chamado de “homem-bomba tucano”.


Nada disso repercutiu. A velha mídia fingiu que Paulo Preto era um caso menor. E não era. No primeiro debate do segundo turno, Dilma trouxe Paulo Preto à tona. Colou Paulo Preto na testa de Serra. O tucano fingiu-se de morto. Disse que nem conhecia Paulo Preto. Magoado, Paulo proferiu então a frase – certeira feito uma flecha: “não se abandona um líder ferido na estrada”.


Até hoje, não conseguimos saber. Paulo Preto era líder do que? Pelo que se sabe, é um ex-funcionário da estatal paulista Dersa – que construiu obras milionárias, como o Rodoanel. Teria trabalhado também no Palácio do Planalto, na época de FHC. Imaginem se fosse um petista e tivesse trabalhado perto de Lula! Mas Paulo Preto não era propriamente um “líder político”.  Que tipo de negócios Paulo Preto liderava para se intitular assim: “um líder ferido na estrada”?


Agora, fica mais claro. Parece que, entre outras atividades, ele se dedica a liderar advogados. Paulo Preto aderiu à onda de processos contra jornalistas – que inunda a Justiça. Paulo Henrique Amorim acaba de revelar que Paulo Preto resolveu processar o titular do Conversa Afiada. Agora, são 40 processos contra PH Amorim. Ali Kamel da Globo – um dos que processam PH Amorim – resolveu abrir processos também contra esse escrevinhador, contra Azenha, Marco Aurélio (blog “Doladodelá”), Nassif – entre outros. Perto de Ali Kamel, Paulo Preto ainda é um amador…


Mas voltemos ao tucano. Um homem ferido e abandonado não teria tempo para se dedicar a processos. Pelo visto, Paulo Preto já foi recolhido pelos companheiros. Talvez ainda esteja ferido. Mas já não parece abandonado à beira da estrada.


Curioso é saber: o que esse homem tem a ver com as investigações da “Operação Castelo de Areia” – suspensa por ordem (!?) da Justiça. Em reportagem do R-7, ano passado, já se dizia que Paulo Preto fora citado na Castelo de Areia.


Um passarinho me contou que fatos novos sobre a “Castelo de Areia” podem aparecer em breve. Só que dessa vez Paulo Preto não estará sozinho à beira da estrada.



sexta-feira, 7 de outubro de 2011

MÍDIA BRASILEIRA ESCONDE OS PROTESTOS NOS EUA


Ativistas falam sobre o movimento “Ocupar Wall Street”

Quatro ativistas discutem os objetivos do acampamento no distrito financeiro de Nova York. "Deveria estar razoavelmente claro para qualquer um que olhe o que está se passando no movimento Ocupar Wall Street que o objetivo é acabar com a influência corrupta dos extremamente ricos sobre a política democrática. Wall Street controla a América e nós nos opomos a isso", diz o jornalista Jesse Alexander Meyerson, de 25 anos.

Em 17 de setembro, um grupo relativamente pequeno de pessoas frustradas com a crise financeira nos EUA e com a resposta que o governo do país deu a ela, acampou no Parque Zuccotti, na cidade de Nova York – próximo ao local onde estavam as Torres Gêmeas e próximo a Wall Street.

Uma semana depois, os nova-iorquinos começaram a acampar, 80 manifestantes foram presos e ao menos quatro foram atingidos por sprays de pimenta da polícia, quando marchavam pelo distrito financeiro de Nova York.

Depois de duas semanas, milhares de manifestantes se dirigiram à Ponte do Brooklyn e 700 foram presos, enquanto marchavam diretamente pelo famoso vão que dá nos bairros nova-iorquinos de Manhattan e do Brooklyn.

A ação se tornou conhecida como “Ocupar Wall Street”, um trending topicque se tornou viral no Twitter, no Facebook e, como os organizadores esperavam, nas ruas.

Enquanto esse texto era escrito, pessoas de aproximadamente 70 outras cidades dos EUA estavam tomando ou planejando tomar as áreas próximas aos centros financeiros, e acampando, marchando e tomando decisões coletivas a respeito de como fazer o melhor uso deste momento, usando o “Ocupar Wall Street” como exemplo. Ações de solidariedade estão ocorrendo ou sendo planejadas no Reino Unido, na Alemanha, na Austrália e na Bósnia.

Mas os aspectos principais desse movimento de ocupação de Wall Street permanecem indefinidos. O grupo não produziu nenhum conjunto de demandas e se orgulha de reunir as pessoas com base numa questão, em vez de visando a um objetivo. 

A Al Jazeera falou com quatro ativistas que estão participando do movimento crescente de “ocupação” nos EUA, para ter algumas respostas a respeito de suas motivações, processos de tomadas de decisões, esperanças e dados demográficos. 
Não deixe de ler a íntegra da matéria, já que a mídia velha brasileira tem escondido o fato mais importante dos últimos 20 dias nos Estados Unidos:

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

MINO CARTA DIZ QUE A VEJA, HOJE, É "MONSTRO"


Mino sobre a Veja: “Criei um monstro”


Por Chico Bicudo, em seu blog:


O mediador levou cerca de cinco minutos para fazer as devidas apresentações e relembrar apenas algumas das experiências profissionais vividas pelo convidado da noite de abertura da 19 Semana de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero. Ele subiu ao palco e, ao receber o microfone, confessou que naquelas situações fica sempre tentado a cantar “Strangers in the night”, imortalizada na voz de ninguém menos que Frank Sinatra. A plateia (o auditório estava lotado) se animou e insistiu, entoando o tradicional coro de “canta, canta!”. “A tentação é forte. Mas vou conter a empolgação. Resistirei”, recusou elegantemente o jornalista Mino Carta, diretor de redação da revista Carta Capital. O que se ouviu então, e durante quase as duas horas seguintes, foram sinceras e mais do que relevantes lições sobre elementos e princípios do (bom) Jornalismo.


Mino reconheceu que não seria exatamente portador de boas notícias. Apesar de vislumbrar que no longo prazo o Brasil será um país feliz e muito importante no cenário internacional, ressaltou que ainda não alcançamos tal estágio justamente por conta de nossas elites – que classifica como uma das piores e mais atrasadas do mundo. “A elite herdeira do ideal da Casa Grande cuidou para que as coisas por aqui continuassem medievais. É assim que nossas oligarquias sobrevivem”.


Por consequência lógica, completou Mino, o jornalismo não escapa desse cenário. Expressa e representa o que somos, como somos, os nossos conflitos – e atrasos. Ele citou como exemplo a cobertura feita pela mídia grande na semana passada a respeito do título de doutor honoris causa recebido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condecorado pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences Po, uma das instituições mais importantes e renomadas do mundo na área), por conta da “revolução econômica e social pacífica promovida no Brasil nos últimos oito anos”.


Na entrevista coletiva ocorrida após a homenagem, repórteres brasileiros presentes à cerimônia faziam questão de não esconder o inconformismo com a conquista. Como lembrou Mino, um deles perguntou ao diretor do Instituto francês como era possível alguém receber o título sem que jamais tivesse lido livro algum… Um segundo questionou: como entregar algo tão grandioso a alguém que permitiu a corrupção em larga escala? E um terceiro ainda explicitou que era inexplicável que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não tivesse alcançado o mesmo grau. “Essas perguntas provam muita coisa”, alertou Mino, reconhecendo que Lula, durante os dois mandatos, deixou de promover mudanças que o jornalista considerava importantes, mas também destacando que o balanço final que faz da “Era Lula” é positivo, além de reforçar que a eleição e o governo de um ex-metalúrgico significaram um divisor de águas na História do país, pela simbologia que carregam. “Naquele momento, indignados, os jornalistas estavam expressando o discurso dos patrões e claramente manifestando seu ódio de classe”, confirmou. “Os donos de nossos meios de comunicação adorariam viver em uma democracia sem povo. E somos o único país do mundo onde jornalista chama o patrão de colega”, completou, contrariado.


Sem minimizar a importância da universidade, Mino disse que é nas redações que se aprende a ser jornalista. Para tanto, segundo ele, é preciso reunir alguns talentos. O primeiro: lidar bem com o vernáculo. Segundo: desenvolver sólido conteúdo moral. Foi nesse momento que Mino recordou de seus tempos de enfrentamento com a ditadura militar, quando, revelou, entendeu com profundidade a serventia do jornalismo – se não para mais nada, para narrar as histórias daquele tempo horroroso, a partir do viés dos vencidos, daqueles que não tinham voz.


Mino contou que foi também durante os anos de chumbo que leu “Entre o passado e o presente”, da filósofa alemã Hannah Arendt. De forma bem resumida, na obra a pensadora analisa a verdade que cada um carrega consigo – “são nossas opiniões ou tentativas de interpretação”, diferenciou o jornalista, para em seguida acrescentar: “mas há uma verdade factual, contra a qual o jornalista não pode brigar”. Mino fez uma pausa e tomou um longo gole d’água. “Tomei água. Eis uma verdade factual. É a ela que o jornalista deve fidelidade canina. É mais um fundamento básico da profissão”. A partir do fato, o desafio é dar voz a todos os envolvidos, de maneira plural, sem preconceitos – e a opinião do repórter, admite Mino, pode até ser evidenciada, desde que honestamente anunciada como tal.


Para o diretor de redação de Carta Capital, no entanto, o jornalismo brasileiro não respeita essa premissa básica do buscar a verdade factual. “Omite quando convém ao dono do veículo, ao político, ao empresário. Isso quando não patrocina conscientemente a distorção, a invenção, a mentira. E dizia Hannah Arendt que, quando uma verdade vai ao fundo do mar, não pode mais ser recuperada”, lamentou. Por fim, Mino fez questão de dizer com muita convicção que o jornalista precisa ainda ser movido por candente espírito crítico, para fiscalizar os poderes – os donos do poder, como diria Raymundo Faoro- e todos eles, não apenas o político.


Um aluno na plateia perguntou: se o cenário será diferente no longo prazo, o senhor consegue avaliar de onde virão as transformações? Mino foi incisivo: não tem fórmulas mágicas. Mas reconheceu que as mudanças passam pela democratização, pela regulamentação e pelo controle social da mídia. “É procedimento absolutamente normal em outros países democráticos. É indispensável para definir limites e deveres”, afirmou. O problema, completou, é que os barões da mídia não querem nem pensar nessa hipótese e, sempre que o debate vem a público, saem gritando “estão querendo nos censurar, cercear a liberdade de expressão”. O governo então recua, acomoda-se, lamentou mais uma vez Mino. Para ele, é uma dinâmica semelhante àquela que resultou na criação da Comissão da Verdade. “É difícil acreditar que, do jeito como foi concebida, poderá mesmo revelar alguma coisa”. E fulminou, sem tergiversar: “O problema é que o poder, inclusive o petista, adora aparecer na TV Globo e dar entrevistas para as páginas amarelas da revista Veja”.


Sobre a revista semanal da editora Abril, que Mino Carta ajudou a idealizar e a criar, ainda no final dos anos 1960, em plena época de terror da ditadura, o jornalista não dourou a pílula: “Veja é hoje monstruosa, hedionda. Eu criei um monstro”. Para ilustrar, e mais uma vez provocado pela plateia, ele citou a recente matéria de capa sobre as “relações perigosas” do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. “Pois é, não tenho admiração divina alguma pelo senhor José Dirceu. Mas com aquele texto o que Veja conseguiu foi só imitar à perfeição o jornalismo feito por Rupert Murdoch. Mas o que esperar da Veja? É assim mesmo. É a Veja”, disparou.