Mostrando postagens com marcador Inquisição. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Inquisição. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de março de 2011

BISPO DO SERRA CENSURA A IMPRENSA!

SAI, CAPETA! BISPO CATÓLICO QUE TENTOU FAZER CAVEIRA DE DILMA NA ELEIÇÃO PROCESSA JORNAL DE SÃO BERNARDO (E PEDE SIGILO DE JUSTIÇA!!!)

.
Deu no ABCD Maior

Depois de sustentar, em 2010, campanha para identificar com a defesa do aborto a então candidata à presidência Dilma Rousseff, o bispo da Diocese de Santo André, Nelson Westrupp, resolveu pedir indenização, em dinheiro, ao jornal ABCD Maior. O bispo alega ter sofrido danos morais por conta de reportagens publicadas pelo jornal. Além de aceitar a denúncia, o Poder Judiciário atendeu ao pedido do bispo de segredo de justiça ao processo.
Para o advogado Rui Carneiro, que defende o Jornal ABCD Maior, “é uma perigosa aventura jurídica com caráter meramente vingativo em razão da vitória da presidente Dilma, além de tentar usar o Poder Judiciário para calar a imprensa e cercear o livre debate de assuntos de interesse público, o que é inadmissível no atual Estado Democrático de Direito.”
Santa Inquisição - De acordo com o jornalista Celso Horta, diretor do jornal, o que o bispo está querendo é “ressuscitar a Santa Inquisição. Até o sigilo de justiça está sendo invocado para pedir indenização pecuniária, um gesto muito contraditório com quem se diz ofendido em sua dignidade de religioso. O que, afinal, o bispo quer esconder atrás do sigilo? Será que os fiéis da Igreja Católica aceitam que um bispo lave sua honra com uma indenização em vil metal?”, perguntou o jornalista.
Westrupp, que também é presidente do Conselho Regional Sul da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), denuncia ainda o jornalista Júlio Gardesani, autor das reportagens. Pouco antes do final do primeiro turno, uma carta assinada por Westrupp e outros dois bispos foi distribuída nas igrejas de São Paulo e por simpatizantes da candidatura de José Serra (PSDB). No documento, Westrupp pediu aos fiéis que não votassem em candidatos que defendiam o aborto, citando por cinco vezes o PT como partido que defendia.
A carta tumultuou a campanha eleitoral. Trouxe debates religiosos como a condenação do aborto e tirou o foco da discussão dos problemas nacionais. Enquanto a candidata, hoje presidente Dilma Rousseff, do PT, se defendia, José Serra, do PSDB, explorava o posicionamento da igreja. Dilma teve de se reunir com lideranças religiosas e preparar uma nota afirmando que não era a favor do aborto. O PT também teve de desmentir as afirmações de Westrupp.
A seção nacional da CNBB publicou, em seu site, texto contrariando o documento de Westrupp. “Lamentamos profundamente que o nome da CNBB (...) tenha sido usado indevidamente ao longo da campanha, sendo objeto de manipulação. A CNBB não indica nenhum candidato (...) a escolha é um ato livre”.
Evangélicos - As informações sobre o envolvimento de Westrupp com as cartas também foram publicadas por outros jornais do ABCD e pela mídia impressa e eletrônica do País e internacional. Westrupp também se sentiu “ofendido” pela reportagem que citava a preocupação confessada pelo bispo em correspondência ao papa Bento 16 com o crescimento dos evangélicos e dos ateus em São Paulo.
Todas as reportagens publicadas pelo Jornal ofereceram espaço ao bispo mas em nenhuma delas ele aceitou falar pessoalmente. A assessora, Irmã Marinéia, chegou a se manifestar em nome de Westrupp, conforme registra a edição, número 253, de 13 de outubro de 2010.
Em relação à carta sobre o aborto, através de e-mail, o assessor de imprensa de Westrupp, Humberto Pastore, não só confirmou a autenticidade, como a encaminhou em anexo para o jornalista Júlio Gardesani. Em seguida, o bispo enviou ao jornal carta respondendo às reportagens, mas eivada de ofensas. “O jornalista Júlio Gardesani demonstra muito mais interesse em criar factóides e contendas do que informar (...) Creio que não é desse jeito que se faz jornalismo, Sr. Júlio Gardesani”, diz Westrupp.
A correspondência do bispo foi publicada na íntegra pelo Jornal (edição número 260, de 05 de novembro de 2010). Para ler a carta do bispo publicada pelo jornal, clique aqui.
Jornalista critica Westrupp - O presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Guto Camargo, afirmou que a tentativa de Dom Nelson Westrupp de censurar o ABCD Maior é política e prejudica, principalmente, o leitor do jornal. Guto é o primeiro representante da sociedade ouvido pelo ABCD Maior sobre o processo movido pelo bispo contra o jornal e o jornalista Júlio Gardesani.
“Essa é uma situação que muito nos preocupa ultimamente. Essa tentativa de interferência no trabalho da imprensa não é judicial, mas política. Isso porque, desde que derrubaram e Lei de Imprensa, não a substituíram por nenhuma outra. Assim, as decisões são subjetivas”, afirmou o presidente do Sindicato dos Jornalistas.
Privação de informação - No entanto, o processo judicial movido por Dom Nelson Westrupp acerta diretamente o direito da população de se informar, explicou o presidente. “É um problema para o público leitor, que pode ser privado de uma informação por uma situação mal esclarecida”.
O presidente do Sindicato ainda garantiu que nunca viu a Igreja Católica processando diretamente um jornal em São Paulo. “É o primeiro problema de tentativa de censura à liberdade de imprensa partindo da própria Igreja Católica que eu tenho conhecimento”.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

SEBASTIÃO NERY DIZ VERDADES SOBRE O PAPA

Qualquer dia vou reecontrar o grande jornalista Sebastião Nery, que nem se lembra de nossos dois rápidos encontros há anos atrás, um em Brasília e outro em São Paulo. Mas ele é amigo de dois dos meus melhores amigos, Audálio Dantas e Oswaldo Catan.

Pessoalmente, vou pedir-lhe desculpas por ter "roubado" este seu texto. Não resisti. É importante, revelador, corajoso. Como tudo que Sebastião Nery escreve. E a mim me tocou ainda mais porque há mesnos de seis meses estive diante do munumento a Giordano Bruno, na mesma Piazza dei Fiori, em Roma. Leiam e se emocionem comigo:


QUEIMADO

NA PRAÇA

No meio da praça do “Campo dei Fiori”, em Roma, cheia de flores, frutos e “finestras” (janelas), com seu mercado aberto e a milenar arquitetura das antiquissimas hospedarias medievais, estou vendo Giordano Bruno, de pé, na estátua negra, denúncia eterna de todos os fundamentalismos:

- “A Bruno, il Secolo da Lui Divinato, Qui, Dove il Rogo Arse” (“A Bruno, o Século por Ele Profetizado, Aqui, Onde a Fogueira Ardeu”).

Nascido em 1548, em Napoles, Giordano Bruno entrou na Ordem dos Dominicanos com 17 anos, ficou lá 10 anos, ordenado padre e doutorado em Teologia. Acusado de heresia, deixou a Ordem e foi ensinar no norte da Itália. Perseguido, refugiou-se na Suíça, França, Inglaterra, Alemanha, Alemanha, voltando a Veneza, onde foi preso pelo Santo Oficio.

A pedido do Papa, as autoridades de Veneza o entregaram ao tribunal da Inquisição de Roma, onde ficou sete anos encarcerado, negando-se a retratar-se de suas doutrinas e, afinal, é queimado vivo no Campo dei Fiori, em 1600.

***

Durante tres semanas, em Roma, 252 bispos de 118 paises se reuniram com o Papa no que foi chamado de “O Sínodo da Restauração”. “Nem abertura nem reformas. O objetivo é a restauração”, diz o jornalista Juan Bedoya, do “El Pais”, que cobriu o Sínodo.

O Papa Bento XVI, com apenas seis meses de pontificado, pediu aos bispos “propostas concretas para refazer ou retificar o que numerosos prelados chamam, sem meias palavras, de excessos e desvios do Concilio Vaticano II”, que faz 40 anos no Natal.Os bispos deram. Depende agora de o Papa aprovar.

Citando São Paulo e partindo do verbo grego “catartizesthe” (refazer, reparar um instrumento, restituir sua função total), Bento VI, que no Concilio era um jovem teólogo progressista, com propostas reformadoras, diz agora:

- “O objetivo hoje é voltar à perfeição. A tarefa para os apóstolos é a de refazer uma rede que já não está justa, que tem tantos furos que já não serve”.

***

O Sinodo disse vários “não” a problemas que dividem a Igreja:

1. – O primeiro foi manter o celibato obrigatório dos padres. O cardeal colombiano Castrillon, responsável pela Congregação do Clero, pediu ao Papa que use seu “carisma de pedra” para fechar essa porta de forma definitiva. Também não haverá ordenação sacerdotal de mulheres. E ponto final.

2. – O Sínodo também disse “não” a dar a eucaristia, deixar comungar, a pessoas divorciadas ou separadas que voltem a casar. O tese do relator do Sínodo, indicado pelo Papa, o cardeal patriarca de Veneza, Ângelo Scola, é que “a comunhão não é um direito, é um dom”, e que “os fieis que rompem o casamento, por dolorosas que sejam as circunstancias, não podem ser admitidos à comunhão”. O cardeal espanhol Julian Herranz, presidente do Conselho Pontifício para os Textos Legislativos, protestou, dizendo que “a eucaristia é um direito fundamental do cristão”. Pediu paciência ao Vaticano.

***

3. – Outro “não, expresso pelo substituto do Papa na Congregação para a Doutrina da Fé (a antiga Inquisição), o norteamericano William levada, é “contra os políticos hipócritas que se dizem cristãos em particular e, em publicoi, desobedecem as doutrinas morais que a Igreja considera básicas”.

4. - O Sinodo “aposta mais na unidade interna e na obediencia ao Papa do que em estreitar laços com seus irmãos separados : protestantes, luteranos, anglicanos, ortodoxos” : - “Não pode haver união sem unidade no governo eclesial”, diz o cardeal Ângelo Soldano, o Secretario de Estado, vice do Papa.

***

5. – Muitos bispos também se manifestaram contra a “intercomunhão” (admitir a comunhão para os cristãos não católicos, os evangélicos). O bispo da Igreja Anglicana, John Hind, ali como convidado, não gostou e lembrou que há apenas seis meses, em abril, o então cardeal Rtzinger, comungou junto com o evangelico Roger de Taizé, fundador, em 1940, na Borgonha francesa, de uma famosa comunidade ecumênica, e a quem o papa João Paulo II deu a comunhão tres anos atrás. Em 16 de agosto, um louco matou Roger de Taizé.

6. – Outro grande debate do Sínodo foram as “retificações conciliares”, sobretudo a respeito da missa. Querem “acabar com os erros, exageros e experiências de padres que descuidam das cerimônias e permitem cantos e danças não adequadas nas igrejas”. O cardeal Scola negou que se trate de voltar ao latim, como era antes do Concilio, O bispo de Coimbra, Albino Mamede”, explicou : - “Não basta ter o alimento, é preciso saber pôr a mesa”.

***

Longe dali, em Paris, em um livro desassombrado (“Mon Dieu, Pourquoi”? - “Meu Deus, Por Que?”), o venerando Abbé Pierre, 93 anos, fundador da Comunidade de Emaus e todo ano eleito a personalidade mais popular e querida da França, discute o sexo na Igreja, defende o casamento dos padres, o sacerdocio das mulheres. Mostra que só o fim do celibato acaba com a pedofilia na Igreja. Confessa que teve “relações sexuais com mulheres de maneira passageira e não regular”. E celebra o amor de Jesus e Madalena.

www.sebastiaonery.com.br