Mostrando postagens com marcador Nassau. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nassau. Mostrar todas as postagens

sábado, 26 de julho de 2014

MUSEU DE NASSAU REABRIU COM MOSTRA QUE FALA DO BRASIL

Depois de dois anos fechado para importantes reformas, que incluíram uma nova entrada e várias instalações subterrâneas, com um túnel ligando o prédio original a um edifício vizinho que será usado para exposições temporárias, o Mauritshuis (Casa de Maurício de Nassau), em Haia, na Holanda,  foi reaberto no mês passado. E traz uma exposição temporária, até o dia 4 de janeiro, que tem muito a ver com o Brasil.

 A fachada é a mesma, mas antes a entrada era pela lateral do Mauritshuis.

 Provavelmente o último dos cerca de 80 auto-retratos que Rembrandt pintou desde jovem.

 Quem atrai mais atenção é a "Garota com Brinco de Pérola", de Johanes Vermeer, de 1665. Durante a reforma ela esteve emprestada a vários museus, inclusive dos Estados Unidos. Finalmente, em casa novamente.

 "A Garota com Brinco de Pérola" é chamada de "a Mona Lisa do Norte", e uma das imagens femininas mais conhecidas do mundo.

 A entrada do museu foi construída abaixo do núvel da rua, com mais conforto.

 Famosíssima, a "Lição de Anatomia do Dr. Nicolaes Tulp, de 1632, lançou Rembrandt no mercado de arte de Amsterdam, quando ele chegava de Leiden, aos 29 anos.

 "Paisagem de Delft", de Vermeer, o gênio da luz. Delft é a cidade onde moro na Holanda, e ainda conserva as torres das igrejas Nova e Velha, aqui retratadas.

 "Menino rindo", de 1625, foi apenas um estudo de Frans Hals, outro grande mestre de Leiden, terra de Rembrandt e outros gênios.

Um dos que mais me impressiona é este quadro de Peter Paul Rubens, "Velha com menino e velas". Nenhuma das reproduções aqui ou em livros dá a exata noção de vida e intensiddade que as telas nos proporcionam de perto. E esta me paralisa e emociona demais.

Tratando da história do edifício, que foi construído por Maurício de Nassau enquanto ele era governador da colônia holandesa no Nordeste brasileiro, a mostra apresenta documentos raríssimos, como o primeiro livro ilustrado sobre a natureza e os indígenas brasileiros publicado na Europa. Há também originais da portaria que nomeou Nassau para governar o "Brasil holandês" e uma carta escrita a mão e assinada por ele em 1641. Nas paredes e textos explicativos, o Brasil é citado várias vezes. Frans Post, o pintor que veio para o Brasil na comitiva de Nassau, tem paisagens de Pernambuco incluídas na rica coleção do Mauritshuis, considerado um dos principais museus da Europa.
Hoje passei algumas horas revendo o museu que já visitei quatro ou cinco vezes, mas que não pude percorrer nesses dois anos de fechamento. A reforma foi boa, o acesso ficou melhor e mais moderno, mas a coleção principal continua exposta nas pequenas salas do palacete. Quando o público é grande como hoje, o trânsito fica meio prejudicado, e é preciso paciência para ver as maravilhosas obras de alguns dos maiores mestres do Século de Ouro da pintura flamenga, como Rubens, Hals, Vermeer, Van Steen  e Rembrandt, entre outros.
Algumas fotos que tirei hoje, e algumas reproduções de obras, já que é muito difícil tirar boas fotos internamente pelos reflexos e condições de iluminação. Aliás, as fotos são proibidas, mas eu sou brasileiro e dou meu "jeitinho"....

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

UMA SALA DE BRASIL NO MAIOR MUSEU DA HOLANDA!

Paisagem de Olinda, Frans Post, mostrando a antiga catedral, onde hoje está sepultado Dom Helder Câmara.
Todo brasileiro já ouviu falar em Maurício de Nassau, o nobre holandês que governou Pernambuco e parte do Nordeste entre 1637 e 1644, durante a ocupação holandesa daqueles territórios portugueses. Não cabe aqui relembrar o que foi a "Nova Holanda", projeto da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais, pela qual Nassau foi contratado para ser o Governador, Almirante e Comandante-Geral do projeto. 
Maurício andava mal de finanças, endividado com a construção de sua casa-palácio em Haia, onde hoje funciona um dos melhores museus da Europa, o Mauritshuis (Casa de Maurício). Aceitou o emprego por um salário altíssimo, e ainda pela participação em 2% dos lucros que viessem da colônia no Nordeste. 
O que eu quero frisar aqui é a presença com Maurício de Nassau de artistas e cientistas que se tornaram importantes para que o mundo conhecesse algo sobre o Brasil, ainda uma terra remota, que os próprios portugueses mantiveram abandonada durante décadas depois do "Descobrimento". Entre eles estava o jovem pintor Frans Post, primeiro europeu a pintar paisagens das Américas que se tornaram conhecidas e valorizadas. Mesmo depois de seu retorno à Holanda, Post continuou produzindo telas sobre o Brasil, e viveu disso até morrer. 
Nas visitas que fiz ao Rijks Museum, o Museu Real, em Amsterdã, o enorme edifício estava em obras que duraram quase sete anos. Só estava aberta uma pequena parte, com cem obras-primas do acervo. Reaberto em abril, hoje pude finalmente conhecê-lo quase inteiro, enquanto as pernas aguentaram... E vi uma sala inteiramente dedicada ao Brasil! 
São seis quadros de Frans Post, dois deles grandes que eu não conhecia, e um de Albert Eckhout, colega da mesma missão Nassau. 
Trago essas fotos para os amigos e amigas que apreciam Arte e, principalmente, que ficarão felizes de ver o Brasil como uma seção de um dos museus mais importantes do mundo. 
 Quatro paisagens de Frans Post e uma tela maior de Albert Eckhout.
Detalhe da tela de Albert Eckhout, com frutas do Brasil (ele pintou várias sobre o tema). E sem o caipira na frente prá atrapalhar...rsrsrs

Esta "Vista de Itamaracá" é a pintura de paisagem mais antiga das Américas (1637).
 De Frans Post.

Uma tela grande Frans Post, que eu não conhecia antes da reabertura do Rijks Museum 
Sobre a administração de Maurício de Nassau encontrei este resumo na Wikipedia:
"O seu governo está associado ao planejamento urbano do Recife, que o historiador da Arte estadunidense Robert Chester Smith iria considerar "a primeira cidade digna desse nome na América portuguesa", (…) caracterizada pela liberdade de circulação por meio de pontes e de ruas pavimentadas e traçadas geometricamente, mercados e praças bem plantadas. A descrição da vida em Recife nos tempos de Nassau foi feita por cronistas neerlandeses e por frei Manuel Calado que vivia em Alagoas em seu engenho com 25 escravos mas foi chamado por Nassau ao Recife, onde se ligou especialmente a João Fernandes Vieira.
Seus êxitos inegáveis foram a defesa do Brasil holandês contra o ataque da armada luso-espanhola em 1640 e a conquista de AngolaSão Tomé e do Maranhão em 1641, graças ao poder naval.2
Para o historiador Charles Boxer foi sobretudo um "administrador de primeira categoria".