O que entristece demais é ver os efeitos das políticas neoliberais ali impostas há vários anos, por vários partidos que se alternaram no poder. Conversei com muitas pessoas, de diferentes classes sociais, e senti o desânimo geral, além de muita revolta. O povo não vê nenhuma saída, pois o país foi entregue à banca internacional, e o futuro é desanimador.
Tudo muito diferente do Brasil, que os italianos vêem como um exemplo a ser seguido. Aliás, até na Turquia ouvi elogios à Lula e Dilma, alguns me dizendo que aquele país só ingressará na União Européia (hoje já nem querem mais, já que a UE está afundando sob dívidas e juros) quando tiver um Lula ou uma Dilma como presidentes...
Em Montepulcciano, por exemplo, conheci mãe e filho, ela holandesa, ex-modelo e ex-dona de uma confecção de griffe em Milão (vi reportagens e capas com ela nas principais revistas de moda da Europa); o jovem, italiano e formado em Design pela Universidade de Roma.
O filho e sua namorada brasileira, formada em Arquitetura, estão fazendo agora uma pós-graduação em Paris. Tão logo concluam os estudos, vão mudar-se de país. Para onde? Para o Brasil! Mãe e filho me disseram que a Itália está "murchando como um balão que se esvazia", sem perspectivas a curto e médio prazos. O desemprego é alto, os investimentos desapareceram, o ensino está péssimo e caríssimo.
"O Brasil de hoje é o país mais atrativo do mundo para jovens profissionais. Ali quase tudo está por se fazer, e certamente o país continuará crescendo mais que a Europa nos próximos muitos anos. O campo de trabalho e para novas idéias está aberto. Por isso a nossa escolha definitiva", disseram-me mãe e filho.
Mostro isso para alertar os leitores sobre o risco que ameaça o Brasil: as políticas que fazem sofrer quase toda a Europa, uns países dramaticamente, outros menos, são as mesmas defendidas pelo PSDB e seu candidato Aécio. deram errado lá; por que dariam certo aqui?
Uma leitora coxinha me disse que mostrar a situação na Europa e comparar com o Brasil é fazer "terrorismo" eleitoral. Ora, terrorismo é o que faz Armínio Fraga, já apontado como hipotético ministro da Fazenda ou presidente do Banco Central num ainda mais hipotético governo do Aecinho e do PSDB! Um cara que diz que o maior problema do Brasil são os salários, inclusive o mínimo, que "estão muito altos", e um candidato que sonha em terminar o desmonte da Petrobrás e entregar o pré-sal (trabalho iniciado por FHC, que não teve tempo de terminá-lo porque o povo votou contra Zé Serra para sucedê-lo) é um perigo para todos nós e para nosso futuro!
Vejam bem o tamanho da crise que Lula e Dilma conseguiram driblar, ainda que com alguns tropeços inevitáveis. O Brasil continua sendo um dos raros países que cresce acima de ZERO. São fatos que o eleitor deve ponderar antes de escolhermos um desastre muito fácil de prever...