Por Gilson Caroni Filho, no facebook:
Ao ler que o presidente ucraniano foi deposto, um jovem escreveu em sua página: " o povo pode tudo". Talvez ele não saiba que o que aconteceu na Ucrânia foi um golpe de Estado, contando com milícias fascistas, extremistas chechenos e patrocínio aberto dos EUA para isolar a Rússia.
Tenho lido análises corretíssimas de quadros políticos do PSOL, do PSTU, do PCB ,além de outras siglas de pequena base política, sobre o golpe que se está em andamento na Venezuela. Estão certíssimos ao dizer que as manifestações nas ruas são golpistas. E são precisos ao assinalar o papel da mídia privada venezuelana na arquitetura desse retrocesso.
O interessante é que fingem ignorar o que ocorre no Brasil. Aqui, Black Blocs são vistos como tática de um grupo da juventude que vive " uma crise de representação". Os que vão à rua para gritar " não vai ter Copa" apenas expressam sua insatisfação com emprego de verbas públicas que poderiam ir para ensino e educação. Seria fácil desmontar essa falácia, mas não o fazem. Por que? Será que não perceberam que o alvo das articulações estadunidenses não é apenas o governo Maduro, mas a América Latina?
Será que não aprenderam porra nenhuma com 1964? Será que não veem as barbaridades cometidas no julgamento da Ação Penal 470 por um STF tocando a música da grande imprensa? Inocência, esquizofrenia política ou oportunismo? Alguém precisa pegar a capa de " O Globo ", de cinco décadas atrás, e recortar a foto de página inteira com milhares de pessoas que participaram da triste " Marcha da Família com Deus e pela Liberdade".
Em seguida, pegar as fotos que o mesmo jornal vem publicando de presos e torturados à época, num regime totalmente apoiado pelas famílias que controlam a grande imprensa no Brasil. Feito isso, esfregar na cara do jovem extasiado com as imagens que são transmitidas da Ucrânia, e perguntar:" o povo pode tudo, seu babaca?" Vamos fazer isso? Ou a indignação de vocês só existe quando a vítima é o Eduardo Freixo?
Minha paciência começa a se esgotar. Se você não gostou do que está escrito, não venha com comentários agressivos. Nunca me manifestei nas barbaridades que você escreve. Deleto sem qualquer problema. Um bom domingo.
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domingo, 23 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 7 de março de 2011
"THE ECONOMIST" QUER ACABAR COM SERVIDORES PÚBLICOS
Os neoliberais são assim mesmo: fazem de tudo para desmantelar o Estado, mas correm para ele quando o sistema entra em crise, por incompetência ou por má-fé. Foram os governos que, mais uma vêz, salvaram os bancos, seguradoras e grandes empresas (GM, por exemplo), da
falência em que se meteram em 2008/2009.
E sabemos que "governo" significa dinheiro do contribuinte, especialmente dos que pagam impostos, e pagam proporcionalmente mais do que os milionários: os pobres e a classe média. O Blog do Miro (Altamiro Borges) transcreve excelente artigo do editor do Le Monde Diplomatique e nosso companheiro do Fórum Social Mundial, Bernard Cassen. Trago alguns parágrafos, e recomendo a leitura da íntegra no Blog do Miro:
The Economist prega guerra aos sindicatos
Reproduzo artigo de Bernard Cassen, publicado pelo jornal Le Monde Diplomatique (edição em espanhol) e traduzido pelo sítio Carta Maior:
A revista The Economist é onde são expostas com maior radicalismo – e também com talento – as teses ultraneoliberais. É conhecida a grande influência que este semanário britânico exerce sobre as autoridades políticas, influência esta que vai muito além do mundo anglosaxão. O que The Economist preconiza transmite-se frequentemente para as políticas dos governos, em primeiro lugar na Europa. Por isso, é preciso levar muito a sério a capa da edição de 8 de janeiro passado e o conteúdo do informe especial: “A próxima batalha. Rumo ao confronto com os sindicatos do setor público”.
A tese da revista é de uma simplicidade evangélica e pode ser resumida em três pontos: a) todos os Estados europeus enfrentam déficits públicos abismais; b) para reduzir o gasto público, é preciso reduzir os efetivos, os salários e os sistemas de pensões dos funcionários; c) os governos ganharão com maior facilidade a opinião pública incentivando a denúncia dos “privilégios” (em especial a estabilidade no trabalho) dos “acomodados” do setor público, que supostamente vivem a custa do conjunto dos contribuintes.
Em nenhum momento o informe recorda que os déficits públicos são em grande parte consequência das ajudas colossais aos bancos e outros responsáveis pela crise atual. Tampouco que estes déficits aumentaram devido aos presentes sob a forma de isenções fiscais outorgadas aos ricos. Nem sequer se deixa claro que, em troca de seu salário, os funcionários prestam serviços indispensáveis para o bom funcionamento da sociedade.
Em particular os professores, atacados muito especialmente neste informe.
O jornalista que escreveu um dos artigos deve estar muito desinformado sobre as reais condições de trabalho dos professores para ter coragem de escrever que “65 anos deveria ser a idade mínima para que essa gente que passa a vida em uma sala de aula se aposente”.
The Economist festeja que vários governos europeus – dois deles dirigidos por “socialistas”, Grécia e Espanha – tenham rebaixado os salários de seus funcionários e que, em toda a União Europeia haja “reformas” – seria mais justo falar de contrarreformas dos sistemas de pensões já realizadas ou em vias de realização.
Por ideologia, os liberais são hostis aos funcionários e demais assalariados do setor público. Em primeiro lugar porque privam o setor privado de novos espaços de lucro. Em segundo porque, protegidos por seu estatuto, podem ser socialmente mais combativos que seus companheiros do setor privado, até o ponto de que, às vezes, fazem greves “por delegação” e representam os trabalhadores do setor privado que não podem fazê-las.
A revista The Economist é onde são expostas com maior radicalismo – e também com talento – as teses ultraneoliberais. É conhecida a grande influência que este semanário britânico exerce sobre as autoridades políticas, influência esta que vai muito além do mundo anglosaxão. O que The Economist preconiza transmite-se frequentemente para as políticas dos governos, em primeiro lugar na Europa. Por isso, é preciso levar muito a sério a capa da edição de 8 de janeiro passado e o conteúdo do informe especial: “A próxima batalha. Rumo ao confronto com os sindicatos do setor público”.
A tese da revista é de uma simplicidade evangélica e pode ser resumida em três pontos: a) todos os Estados europeus enfrentam déficits públicos abismais; b) para reduzir o gasto público, é preciso reduzir os efetivos, os salários e os sistemas de pensões dos funcionários; c) os governos ganharão com maior facilidade a opinião pública incentivando a denúncia dos “privilégios” (em especial a estabilidade no trabalho) dos “acomodados” do setor público, que supostamente vivem a custa do conjunto dos contribuintes.
Em nenhum momento o informe recorda que os déficits públicos são em grande parte consequência das ajudas colossais aos bancos e outros responsáveis pela crise atual. Tampouco que estes déficits aumentaram devido aos presentes sob a forma de isenções fiscais outorgadas aos ricos. Nem sequer se deixa claro que, em troca de seu salário, os funcionários prestam serviços indispensáveis para o bom funcionamento da sociedade.
Em particular os professores, atacados muito especialmente neste informe.
O jornalista que escreveu um dos artigos deve estar muito desinformado sobre as reais condições de trabalho dos professores para ter coragem de escrever que “65 anos deveria ser a idade mínima para que essa gente que passa a vida em uma sala de aula se aposente”.
The Economist festeja que vários governos europeus – dois deles dirigidos por “socialistas”, Grécia e Espanha – tenham rebaixado os salários de seus funcionários e que, em toda a União Europeia haja “reformas” – seria mais justo falar de contrarreformas dos sistemas de pensões já realizadas ou em vias de realização.
Por ideologia, os liberais são hostis aos funcionários e demais assalariados do setor público. Em primeiro lugar porque privam o setor privado de novos espaços de lucro. Em segundo porque, protegidos por seu estatuto, podem ser socialmente mais combativos que seus companheiros do setor privado, até o ponto de que, às vezes, fazem greves “por delegação” e representam os trabalhadores do setor privado que não podem fazê-las.
domingo, 23 de janeiro de 2011
A COVARDIA DO REI DO ESGOTO
É incrível a falta de caráter a que chega o jornalista Reinaldo Azevedo, titular de um blog nojento da nojenta revista veja (não leia, se você tem estômago sensível!). Em 2009, ele gastou centenas de horas tentando provar que o golpe de Estado acontecido em Honduras não era um golpe, mas uma reação democrática a um "golpe" que seria pretendido pelo presidente Manuel Zelaya.
Sempre pródigo em auto-elogios, o conhecido "Rei do Esgoto" achava que aquele golpe, condenado publicamente, mas apoiado por baixo do pano pelos Estados Unidos, seria um teste da extrema-direita na América Latina. Se tivesse sucesso, poderia servir de modelo para outras quarteladas contra governos democráticos na América Latina, inclusive o Brasil. Era importante para os fundamentalistas de direita convencerem as populações de que o golpe era "democrático", e convencer os militares nos vários países de que os EUA dariam respaldo a suas aventuras.
Reinaldo é covarde demais para explicitá-lo, mas insinua sempre que alguém deveria tirar Lula do Palácio, de pijamas, como se fez com Manuel Zelaya em Tegucigalpa. O grande erro lá teria sido deixarem o presidente sair vivo, asilar-se em países vizinhos e, principalmente, permitir que ele voltasse a Honduras abrigando-se na Embaixada do Brasil.
Foram dias e semanas da mesma ladainha. Reinaldo dizia que era o único jornalista brasileiro que havia lido a Constituição hondurenha ( o idiota não sabia que eu e outras centenas de observadores mais qualificados, estudamos a Constituição). Segundo o idiota, o artigo 5 proibia qualquer iniciativa visando a mudança da Constituição no sentido de permitir a reeleição. Era "cláusula pétrea".
O Rei do Esgoto escondia propositalmente que Zelaya não propôs mudar aquele artigo, nem poderia ser candidato em qualquer caso. Ele pretendia que, no dia das eleições gerais, os hondurenhos pudessem votar numa urna separada sobre se queriam ou não um plebiscito que poderia ou não autorizar a convocação de uma Assembléia Constituinte. Caso aprovada, e convocada, a Constituinte somente seria eleita depois do fim do mandato de Zelaya - ele deixaria o poder em janeiro de 2010, pelas regras de então e jamais se beneficiaria de qualquer mudança.
Esses fatos óbvios foram simplesmente escondidos ou falsificados pela direita-burra brasileira, especialmente pelo Rei do Esgoto.
Há duas semanas atrás, o Congresso de Honduras aprovou a mudança do artigo 5 da Constituição. haverá nova votação pelo congresso que assume este mês, mas a aprovação ';e certa porque a mudança é apoiada pelo atual governo, que tem maioria.
Ou seja: fizeram agora aquilo que o Reinaldo acusava Zelaya de querer fazer (uma suposição sem base factual alguma). E o que diz Reinaldo, o analista? Nada. Nem uma palavra. É como se Honduras, sobre a qual debruçou-se por semanas a fio em 2009 e 2010, não mais existisse.
Mais uma vêz, o imbecil da Veja trata seus pobres leitores como idiotas. Instigou-lhes uma posição favorável ao golpe (que não seria golpe), e agora quando o golpe completa sua segunda etapa (pois o atual presidente é beneficiado pela mudança, podendo, se quiser, reeleger-se), o irresponsável cala-se, sai de fininha, assobiando...
É o cúmulo da covardia, mas não surpreende. Reinaldo é uma das figuras mais abjetas que já passaram pelo jornalismo brasileiro, um bobo da corte pago para latir pelo seu dono. Não assusta ninguém, e logo estará no ostracismo onde jaz um Cláudio Marques, por exemplo (qualquer hora eu conto a história daquele dedo-duro da ditadura na mídia).
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