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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

POVO VOLTA ÀS RUAS PELA DEMOCRACIA E CONTRA GOLPE

Movimentos sociais fortalecem Frente Brasil Popular com manifestações

Para consolidar a unidade das forças políticas e sociais que deram o pontapé inicial à Frente Brasil Popular (FBP), foi marcado para 3 de outubro a realização do Dia Nacional de Mobilização. Nesta data os movimentos sociais vão fazer manifestações em todo o país em defesa da soberania nacional e da Petrobras. 


Clécio Almeida
No último dia 20 de agosto os movimentos sociais ocuparam as ruas de todo o país e mostraram a força popular contra o golpismoNo último dia 20 de agosto os movimentos sociais ocuparam as ruas de todo o país e mostraram a força popular contra o golpismo
O vice-presidente nacional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nivaldo Santana, explicou que o motivo da data é o aniversário da Petrobras, que em 2015 completará 52 anos. O sindicalista alerta para os interesses internacionais em explorar os recursos naturais brasileiros. “[A empresa] está sob fogo cerrado porque querem levar os rendimentos do pré-sal.”

O lançamento da Frente Brasil Popular ocorreu no último sábado (5) na capital mineira com a presença de 2 mil representantes dos movimentos sociais, sindicais e de partidos políticos. No encerramento do evento, foi divulgado oManifesto ao Povo Brasileiro com os pontos principais que norteiam a união das forças progressistas.

Para Nivaldo, a Frente nasce do resultado de grande esforço de diversas entidades e movimentos sociais de articular, junto a lideranças políticas, um mecanismo capaz de defender a democracia e a retomada do crescimento econômico do país.

O secretário de Políticas Sociais da CTB, Rogério Nunes, explica que cabe ao movimento sindical trabalhar para unir a classe trabalhadora a fim de fortalecer a Frente. “Nenhum direito a menos continua sendo nosso lema. Queremos a taxação das grandes fortunas e um novo imposto que traga mais dinheiro para a saúde”, afirma. O dirigente explica ainda que os trabalhadores têm críticas à política econômica do governo federal, mas defendem, sobretudo, a ordem constitucional. 


Do Portal Vermelho, Mariana Serafini, com informações da CTB

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

IMAGENS MOSTRAM A INSANIDADE DOS COXINHAS E OLAVETES

O grande mérito dos vídeos e fotos dos protestos feitos fora das empresas jornalísticas. 

Por Paulo Nogueira




O que vai na cabeça deles?
O que vai na cabeça deles?
O grande mérito dos vídeos e fotos feitos fora do âmbito das empresas jornalísticas foi desfazer a farsa de que as manifestações são uma “festa pacífica da família brasileira”.
Não são.
Elas são um encontro do que há de mais obtuso, mas odioso, mais atrasado e mais lunático na sociedade brasileira.
E não venha dizer que os vídeos são forçações. Você vê que os documentaristas apenas captaram o que se passava nas ruas. Não tiveram que suar para encontrar malucos. (O melhor vídeo é o de um ‘reporter chileno’. Você pode ver aqui.)
Vou citar imagens ao acaso.
Pessoas rezando por um golpe militar. Uma velhinha lamentando que a ditadura não tenha matado “todos eles”. Outra senhora lamentando num cartaz que Dilma não tenha sido enforcada no Doi Codi. Um grupo reivindicando a volta da monarquia.
E mais figuras como que saídas de um hospício, fantasiadas de Capitão Brasil, Batman, Harry Potter, Coxinha e outras barbaridades.
Entrevistados nos vários vídeos realizados por pessoas independentes, os manifestantes demonstraram uma extraordinária dificuldade em articular uma frase coerente.
É como se eles vivessem numa alucinante realidade paralela, na qual enxergam comunistas perigosos em cada esquina, prontos a transformar o Brasil em Cuba.
Gritam, esperneiam, vociferam, vomitam incongruências tiradas de algum desvão obscuro do cérebro.
Me perguntei, depois de ver alguns vídeos, como vivem essas pessoas no mundo real.
Na segunda-feira, passado o piquenique, conseguem trabalhar? Conseguem conviver com gente normal? Ir ao emprego, cumprir tarefas?
Também fiquei curioso sobre onde buscam informações, ou pseudoinformações.
Está claro que a Veja é a fonte número 1 de notícias da maior parte dos manifestantes.
Isso quer dizer o seguinte: a Veja está formando imbecis raivosos em escala industrial.
Quando você trabalha numa revista, uma pergunta frequente que a equipe se faz, para ajudar a entender melhor a publicação, é a seguinte. “Se a revista fosse alguém, quem seria?”
As editoras de revistas femininas sempre gostaram de responder Madonna, ou Giselle, ou Meryl Streep.
A Veja é o Batman do Leblon, o Capitão Brasil e as velhinhas assassinas – tudo somado.
Não houvesse a internet, e dentro dela as vozes independentes, a narrativa dominante seria, repito, a de que os protestos são uma fraternal confraternização de brasileiros do bem, unidos na indignação contra a roubalheira.
Mas esta mentira não sobreviveu à realidade documentada por gente de fora das empresas jornalísticas.
Manifestações como a de domingo são um vexame nacional e internacional.
Estão absolutamente desmoralizadas.
E o responsável pela desmoralização foram os próprios participantes, ao serem expostos sem a pesada maquiagem cínica preparada pela imprensa.
(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-grande-merito-dos-videos-e-fotos-dos-protestos-feitos-fora-das-empresas-jornalisticas-por-paulo-nogueira/

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

PSDB E DEM NÃO TÊM MORAL PARA FALAR EM CORRUPÇÃO

MAIORIA DO POVO, NEGROS NÃO ENTRAM NO PROTESTO FASCISTA

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

AÉCIO INSUFLA GOLPISTAS MAS FICA NA SUA TOCA...

Dilma reage e Aécio não sabe se vai a ato golpista que convocou

A contraofensiva da presidenta Dilma Rousseff surtiu efeito, pois parafraseando o velho ditado: Aécio surta, mas não rasga dinheiro. O senador e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG), candidato derrotado nas urnas, disse nesta terça-feira que está “amadurecendo”, ainda, a ideia de ir aos atos convocados pelos grupos golpistas para este domingo (16).


  
A afirmação não é nenhuma novidade já que desde a derrota nas urnas após o fim do segundo turno em 2014, Aécio convoca os atos golpistas, mas não comparece. “É uma decisão que estou amadurecendo. Tenho, já disse, vontade pessoal de participar como cidadão, mas carrego comigo uma institucionalidade”, disse ele, admitindo o caráter golpista do ato.

O fato novo dessa história é que os tucanos decidiram assumir oficialmente a campanha golpista e estão convocando para o ato de domingo. Desta vez, parecia que Aécio estava decidido a comparecer e, empolgado, chegou a mandar recado por meio do deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), anunciando o lançamento de sua candidatura para as "eleições de 2015", conforme reportagem publicada no Portal Vermelho desta terça (11).

Mas o bravateiro não contava com a reação da presidenta Dilma, que rebateu a política tucana do “quanto pior, melhor”, afirmando que quem aposta nesse caminho está contra o Brasil. A demonstração disso está na declaração de Aécio quando questionado sobre a divisão interna dos caciques tucanos sobre a governabilidade e o impeachment. “Essas divergências em relação ao que pensa o Alckmin, até Serra [senador José Serra] e Aécio, vejo na imprensa, não nas nossas conversas. Não cabe ao PSDB se essa ou aquela é a melhor saída. Cabe ao PSDB dizer quais são as alternativas possíveis, inclusive a da própria permanência da presidente”.

Mas acrescentou: “Se ela readquirir as condições de governabilidade – muitos dos seus aliados acham que isso não é mais possível – existem saídas via parlamento, a partir de decisão do TCU e via TSE. Todas elas dentro da ordem constitucional”.

Insuflando o golpismo

Sobre a adesão oficial do PSDB aos protestos, já que antes dizia que era uma posição individual dos tucanos e não da legenda, Aécio declarou que "a nossa manifestação é de solidariedade, é de apoio, como não podia deixar de ser".

Uma das formas de “apoio” está sob a fachada de “campanha de filiação ao partido”. Os tucanos vão colocar pessoas nas ruas nesta sexta (14) para divulgar o ato de domingo. A informação foi confirmada pelo próprio Aécio, que vai participar de “evento” de filiação em Maceió (AL), na sexta, com transmissão por teleconferência para os demais atos espalhados pelo país.
 

Do Portal Vermelho, Dayane Santos, com informações de agências

terça-feira, 28 de julho de 2015

OUTRA ADVERTÊNCIA CONTRA O TERRORISMO FASCISTA EM VOGA

As advertências feitas neste texto pelo Fábio são as mesmas que faço no meu novo livro "O Brasil na 'era dos imbecis'- o discurso de ódio da Direita" (https://www.clubedeautores.com.br/book/188020--O_Brasil_na_era_dos_imbecis#.Vbd-oPlVhBc). Grupelhos como o MBL, obviamente financiados por gente poderosa de dentro e de fora do País, são potencialmente terroristas. É urgente que os órgãos de segurança observem essas organizações fascistas, dentro das normas democráticas. Não é possível que se espere ações violentas, já anunciadas, para então se correr atrás de quem prega abertamente a violência e a discriminação das minorias que, ao final, são a maioria da população.


Dilma Rousseff e o terrorismo

Fábio de Oliveira Ribeiro


Aqui mesmo no GGN escrevi algumas linhas sobre o anti-petismo, movimento descentralizado que abriga desde militares e policiais aposentados comprometidos com a violência política e os ideais criminosos da Ditadura finda em 1988 até moleques autoritários do Movimento Brasil Livre. Hoje colocarei o foco neste grupellho proto-fascista que nasceu na internet e se expande para o mundo fenomenico.
Em seu manifesto o MBL diz o seguinte:
“Somos adultos, adolescentes e idosos; somos brancos, negros, pardos, amarelos e até meio rosados; somos empresários, empregados, autônomos, estudantes e funcionários públicos; somos ricos, pobres, classe-média; somos homens e mulheres.
Somos BRASILEIROS.
E nos importamos com os rumos do nosso país. Acreditamos que um governo deve servir para unir o seu povo, e não criar divisões artificiais. Deve tratar as pessoas como cidadãos, e não como súditos ou peças descartáveis de um jogo de tabuleiros a serem manipuladas.
Lutamos e torcemos a favor do Brasil independente de qual seja o governo. Não importa a cor ou sigla do timoneiro, estamos todos no mesmo barco. Mas EXIGIMOS MUDANÇAS. Chega de corrupção, chega de impunidade. Chega de desrespeito às instituições democráticas e ao império da lei.”
Cinco coisas são evidentes neste manifesto. O primeiro é o nacionalismo como categoria política essencial e difusa. O segundo é a idéia de que o Estado brasileiro deve se fundir a nação brasileira tal como esta é concebida pelo movimento. O terceiro é a crença de que o governo eleito pelo povo não é e não será legítimo enquanto o país não se submeter ao comando do MBL, que se coloca acima dos partidos e dos políticos como se fosse a única fonte admissível do verdadeiro nacionalismo. O quarto é a idéia de que a democracia e o império da Lei estarão em perigo enquanto o MBL não destruir as “divisões artificiais” existentes na sociedade. O quinto é o apelo contra a corrupção e o ataque à impunidade.
Todas estas questões foram analisadas de uma maneira ou de outra no texto de Sartre por mim plagiado. O MBL reúne as piores características do anti-semitismo, mas por razões óbvias não faz referência à destruição física dos judeus. Como toda religião nacionalista, o MBL pretende se colocar acima da Lei ou fora do alcance dela para, paradoxalmente, poder restaurar uma ordem ideal. Seus líderes querem ser vistos como se fossem os profetas da purificação. Somente eles são suficientemente puros para julgar quem deve comandar o país e como a nação deve ser governada.
O extremismo do MBL é evidente. Em seu manifesto o movimento diz que "Não importa a cor ou sigla do timoneiro” desde que o mesmo siga a ideologia nacionalista pregada pelo movimento. Um governo que seja rejeitado pelo MBL é, portanto, automaticamente desprovido de qualquer legitimidade mesmo que tenha sido eleito pela maioria da população e empossado pela Justiça Eleitoral.
“Os discursos políticos em geral qualificados como ‘extremistas’ são também os que aparecem, do ponto de vista psicológico, como os mais regressivos. De fato, eles buscam, na matriz do imaginário infantil, os meios para ‘ler’ e interpretar as realidades da crise. Alimentam-se do caos da sociedade, esteja ela ou não em guerra, para dizer: ‘Vejam como temos razão!’ Quanto a isso, as relações entre o imaginário e o real são contraditórias apenas em aparência. Claro, é mesmo nas representações imaginárias do carrasco que, primeiro, se constrói a figura da vítima, da ‘sua’ vítima.” (PURIFICAR E DESTRUIR, Jacques Sémelin, Difel, 2009, p. 44/45)
Em discurso proferido na Av. Paulista em abril de 2015, o principal líder do MBL, Kim Kataguiri, disse “Não tem que fazer o PT sangrar, tem que dar um tiro na cabeça do PT.”http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/kim-kataguiri-do-brasil-livre-tem-que-dar-um-tiro-na-cabeca-do-pt/. No imaginário deste rapaz o uso da violência encontra justificação política. A supremacia do nacionalismo que ele prega e representa é uma necessidade absoluta, inevitável, irresistível e capaz de suspender a validade jurídica do direito à vida atribuído, sem distinção a todos os brasileiros (inclusive aos petistas), pela CF/88. Ele não tem qualquer compromisso com a normalidade democrática e apela para a violência homicida como se a mesma fosse virtuosa. Se chegasse ao poder, Kataguiri mandaria reunir e executar todos os petistas como se eles fossem os judeus reunidos e executados pelos nazistas?
“Indubitavelmente, os indivíduos são tragados pela dinâmica de morte em massa, mas, mesmo assim, eles sem dúvida sabem como tirar proveito. Não lhes faltam oportunismo e cálculo para instrumentalizar seus efeitos em benefício próprio. Por isso, na escala individual, as razões da passagem ao ato são múltiplas. O que é verdadeiro para determinado indivíduo, em preciso momento, não é para outro. E é exatamente essa variabilidade de motivos privados que ajuda a dar ao assassínio a sua dimensão de massa. Os indivíduos entram na dinâmica assassina não como autômatos balbuciando um mesmo discurso ideológico estereotipado, mas sim com histórias diferentes e, daí, com expectativas e motivações pessoais. A implicação comum para causar mortes resulta das posturas variadas e equívocas.” (PURIFICAR E DESTRUIR, Jacques Sémelin, Difel, 2009, p. 390/391)
Os nazistas acreditavam na inferioridade racial dos judeus. Os novos profetas do nacionalismo de matriz autoritária acreditam na natureza essencialmente corrupta do PT. Kim Kataguiri condena a inferioridade ideológica dos petistas que, segundo ele, provocam divisões na nação e submetem o Brasil a ditaduras como a Argentina https://www.youtube.com/watch?v=mCcd_KDkBh8. O fato de Cristina Kirchner ter sido eleita é irrelevante, pois somente o MBL sabe o que é melhor para os argentinos.  
“Distingamos, enfim, a terceira utilização possível do massacre, principalmente por atores não estatais (ou, pelo menos, assim supostos). Nesse caso, a finalidade é a de agredir em um ponto preciso o grupo visado, para provocar em seu interior um choque traumático intenso, que seja capaz de dobrar a política de seus dirigentes. Como os organizadores do massacre sabem que constituem minoria na sociedade em que agem, o recurso a tal procedimento espetacular lhes permite, já de início, se afirmar na cena pública, chamando a atenção para a sua causa. Quer reivindiquem a responsabilidade ou se mantenham anônimos, eles acham que os efeitos políticos da ação de destruição podem pesar sobre quem decide a política: por exemplo, criando uma crise das instituições ou bloqueando uma evolução política que eles desaprovam.”(PURIFICAR E DESTRUIR, Jacques Sémelin, Difel, 2009, p. 489/490)
Se for levado a sério, o discurso de Kataguiri é preocupante. Após chegar ao poder no Brasil, o MBL certamente será obrigado a declarar guerra aos países vizinhos que não forem governados por princípios semelhantes aos defendidos pelo movimento. A ideologia da revolução internacional socialista permanente, que foi concebida por Leon Trotsky, parece ter sido utilizada como fonte pelos idealizadores do MBL. Afinal, os líderes do mesmo são ao mesmo tempo nacionalistas e internacionalistas. O MBL identifica a nação ao Estado para suprimir a política e excluir o PT e os petistas do processo eleitoral. Kataguiri não descarta a utilização da violência durante o assalto ao poder. Depois de purificar nosso país ele liderará as massas na purificação da Argentina como se fosse um "Che Guevara da direita"?
Há outra teoria perigosa que parece estar presente nesta fixação neurótica do líder do MBL com a Argentina de Cristina Kirchner. Nos anos 1960 o governo dos EUA acreditava na Teoria do Dominó, segundo a qual se o Vietnam do Sul caísse nas mãos dos comunistas todo Sudoeste da Ásia seria conquistada pelo comunismo. Kim Kataguiri parece crer em algo semelhante. Se o Brasil cair nas mãos do MBL todas as ditaduras ligadas ao PT na América Latina serão inevitavelmente destruídas.
Em seu manifesto o MBL cita diversos fatos (a impunidade, a corrupção, a divisão artificial). No discurso proferido por Kataguiri na Av. Paulista outros fatos são referidos (vivemos na ditadura do PT, o país não tem educação, saúde e segurança, o Brasil investe dinheiro em ditaduras como a Argentina).
A impunidade não é uma realidade, pois o MPF investiga e denuncia políticos envolvidos em corrupção e os réus tem sido condenados pelo Judiciário. A estrutura constitucional do país, instituída pela CF/88, garante a legalidade dos partidos e, portanto, preconiza a divisão da nação como uma categoria política essencial à normalidade democrática. O PT foi eleito pelo povo brasileiro e empossado pela Justiça Eleitoral, portanto, não vivemos numa ditadura. Quem define a política externa do Brasil é o Itamaraty e não o MBL. Compete aos Estados e Municípios organizar e gerir os serviços de educação, saúde e segurança. As carências e deficiências nestas três áreas não podem ser creditadas ao governo federal petista. A União repassa aos Estados e Municípios as verbas destinadas a serem usadas nesses serviços e só posteriormente toma conhecimento do não uso ou mau uso das mesmas. Tudo bem pesado, os fatos que informam os discursos do MBL e dos seus líderes não passam de opiniões.
“Fatos e opiniões, embora possam ser mantidos separados, não são antagônicos um ao outro; eles pertencem ao mesmo domínio. Fatos informam opiniões e as opiniões, inspiradas por diferentes interesses e paixões, podem diferir amplamente e ainda serem legítimas no que respeita à sua verdade factual. A liberdade de opinião é uma farsa, a não ser que a informação fatual seja garantida e que os próprios fatos não sejam questionados. Em outras palavras, a verdade fatual informa o pensamento político, exatamente como a verdade racional informa a especulação filosófica.” (ENTRE O PASSADO E O FUTURO, Hannah Arendt, Perspectiva, 2009, p.295/296)
O MBL não se preocupa com a verdade factual. Quer apenas impor sua ideologia. Kim Kataguiri deseja chegar ao poder de qualquer maneira, inclusive mediante a eliminação física dos seus inimigos. Os petistas disputam eleições e aceitam as derrotas eleitorais. A coação não é um instrumento político utilizado pelo PT. Qual destes dois grupos é mais democrático e qual pretende impor uma verdadeira ditadura sanguinária aos brasileiros? Não sou filiado ao PT, mas se for forçado a escolher entre Kataguiri e os petistas, PT saudações.
E já que estamos falando em escolhas, há algo importante a dizer sobre a salvação da unidade nacional pregada pelo MBL. O movimento parte do pressuposto de que nação é e sempre foi unida e que o PT é responsável pela sua divisão sectária. Seus membros ignoram, portanto, que quem criou os conceitos de "classe social" e "luta de classes" não foram os comunistas ou os petistas e sim historiadores como François Guizot, cuja obra citada a seguir foi publicada 1828:
"A Europa da época moderna surgiu da luta entre as diversas classes da sociedade." (Guizot citado por Antoine Prost, "Doze lições sobre história", editora autêntica, 2a. edição, Belo Horizonte, 2012, p. 191).
"O Capital" de Karl Marx foi publicado apenas em 1867, quase quatro décadas depois de Guizot ter utilizado os conceitos de "classe social" e "luta de classes". Os membros do MBL também parecem ignorar que História do Brasil é permeada por lutas de classes desde que os colonos portugueses cá chegaram, ocuparam o território fazendo distinção entre "tribos aliadas" e"índios hostis", entre "homems livres" e "escravos", entre "súditos fiéis a coroa" e "rebeldes"(emboabas, cabanos, malês, balaios, farrapos, etc...).
O próprio MBL produz uma divisão artificial da nação ao opor os "verdadeiros brasileiros" (seguidores do movimento) aos "outros" (os petistas e aqueles que não se sujeitaram à liderança de Kataguiri). A CF/88 confere a nacionalidade brasileira àqueles que nascem no Brasil e aos nascidos no exterior de pai ou mãe brasileira. Os estrangeiros que se naturalizam também são brasileiros. Não há na CF/88 qualquer referência ao poder do MBL de dizer quem é ou não é brasileiro. Vem daí a natureza esquizofrenica deste movimento que, para unir a nação, precisa dividi-la em duas metades antagônicas suprimindo os direitos constitucionais de uma delas. A divisão de classes proposta pelo MBL não é desejada pelo PT. Em nenhum dos seus documentos e comunicações os petistas jamais disseram que Kim Kataguiri e seus escudeiros não são brasileiros.
Ao fazer uma pesquisa na internet, constatei que os líderes do MBL se movimentam pelo Brasil com grande intensidade e desenvoltura. Eles não trabalham? Quem financia as viagens que eles fazem? Quem está pagando o material que eles publicam, as faixas que eles impunham nas passeatas e os cartazes que são colados nas ruas das principais cidades do país por onde passa a Coluna Kim Kataguiri?
A segurança do Estado é um valor importante mesmo numa democracia. Grupos como o MBL, que pregam uma ideologia autoritária, instigam a violência política e podem comprometer o caráter pacífico da política externa brasileira, precisam ser vigiados constantemente pelas autoridades. As finanças do MBL e dos seus líderes devem ser rastreadas até sua origem. Durante as Olimpíadas de 2016 este grupo será infiltrado ou apenas monitorado mais de perto? O desejo de visibilidade internacional levará Kim Kataguiri e seus escudeiros a idealizar e realizar atentados terroristas com a finalidade de denunciar a suposta natureza ditatorial do governo brasileiro? A prevenção e o combate ao terrorismo é uma necessidade. A radicalização do MBL é uma possibilidade. Melhor prevenir que remediar.
http://jornalggn.com.br/blog/fabio-de-oliveira-ribeiro/dilma-rousseff-e-o-terrorismo-por-fabio-de-oliveira-ribeiro

segunda-feira, 30 de março de 2015

“RAÍZ” CONCLAMA PROGRESSISTAS A UMA REFLEXÃO SEM DOGMAS


Antonio Barbosa Filho (*)

As esquerdas, no Brasil e no mundo, precisam recuperar o seu “horizonte utópico”, sem repetir os modelos organizativos do passado, que se esgotaram e trouxeram um desalento generalizado às forças progressistas e às maiorias da população. Os partidos de esquerda, trabalhistas, ecologistas e de outros rótulos não têm conseguido formular respostas eficazes a problemas novos, que não estavam previstos nos clássicos e que a Humanidade ainda não havia enfrentado.
Conceitos históricos que nortearam a luta socialista por séculos, estão sendo substituídos por novas categorias - é difícil falar em “classe operária” e “proletariado” neste começo do século XXI, a não ser forçando uma adaptação da realidade social moderna aos cânones marxistas. Melhor usar Marx e outros filósofos da esquerda como excelente método de análise histórica, no que eles têm de perene. Mas é urgente agregar outras linhas de pensamento, outras filosofias e outras práticas, num amálgama original que - num prazo indeterminado - venha a superar os paradigmas já tradicionais da esquerda.
Isso é  (numa interpretação pessoal do Autor, não autorizada pelos envolvidos) o cenário no qual militantes de várias origens da Esquerda brasileira acabam de iniciar uma tentativa de encontrar novos caminhos. A Raiz - Movimento Cidadanista surge com um poderoso embasamento ideológico, nitidamente de Esquerda - pois se coloca ao lado da emancipação do ser humano - mas sem respostas pré-determinadas. Ao contrário, como Movimento, está aberto a um processo de construção coletiva que, juntando a tradição dos vários tons de socialismo a formulações antigas como a ética Ubuntu, da África, e a noção de “bem viver” dos povos originários das Américas, resulte num programa político. Processo longo, difícil, desafiador - mas necessário, diante do impasse que as esquerdas e os povos enfrentam nesta altura do Capitalismo mais financeiro e mais concentrador de riqueza e poder que a História já registrou.
EMBASAMENTO TEÓRICO
A Raiz apresentou no final de março a sua “Carta Cidadanista”, um manifesto de princípios elaborado desde novembro passado, com a contribuição de pessoas de variadas origens partidárias ou não. A inspiração geral foram várias teses e práticas emancipadoras, como a ética-filosofia-ideologia Ubuntu, vivida por vários povos da África do Sul.
Uma definição rasa seria: “crença num laço universal de partilhamento que conecta toda a Humanidade”. Ela poderia ser melhor traduzida nas palavras do bispo sul-africano Desmond Tutu (prêmio Nobel da Paz de 1984: “A minha humanidade está presa e indissoluvelmente ligada à sua. Eu sou humano porque eu pertenço. Ele (Ubuntu) fala sobre a totalidade, sobre a compaixão. Uma pessoa com Ubuntu é acolhedora, hospitaleira, generosa, disposta a compartilhar. A qualidade dá às pessoas a resiliência, permitindo-as sobreviver e emergir humanas, apesar de todos os esforços para desumanizá-las. Uma pessoa com Ubuntu está aberta aos outros, assegurada pelos outros, não se sente intimidada que os outros sejam capazes e bons, por ele ou ela ter própria autoconfiança que vem do conhecimento que ele ou ela tem do seu próprio lugar no mundo”.
Não é tão abstrato como pode parecer: o Ubuntu está presente no Brasil, em manifestações culturais populares e antigas como a roda de samba, a roda de capoeira, o jongo, as cirandas, o candomblé, “rodas onde todos se olham sem hierarquias”, como afirma a Carta Cidadanista.
Nelson Mandela (também Nobel da Paz, em 1993) explicava: “Um viajante em visita à África do Sul poderia parar numa aldeia sem ter que pedir comida ou água. Uma vez que ele pára, as pessoas dão-lhe comida. Esse é um aspecto do Ubuntu, mas há vários aspectos”.
Outra fonte inspiradora da Raiz (o nome, feminino, é para opor-se a “partido”, palavra masculina que já traz à mente a divisão: a Raiz se quer “inteira”) é o Teku Porã, princípio do “bem viver”, praticado pelos povos originários da atual América Latina. Já incorporado às Constituições da Bolívia e do Equador, a idéia-prática ancestral integra o ser humano à Natureza de forma plena, e não trata o ser humano como única parte viva do planeta.
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul tem um projeto de extensão sobre o Teku Porã aplicado ao tratamento médico, ou melhor, às “práticas integrativas e complementares de cuidado (PIC)”, que estuda as “práticas populares de saúde desenvolvidas por diversos povos ao redor do mundo”. “Esta perspectiva - diz o projeto gaúcho - possibilita o florescimento de um processo ‘circulatório do cuidado’, onde o cuidado em si favorece um melhor cuidado do outro e o cuidado do mundo”.
Outra definição do Teku Porã seria: “sistema de reciprocidade de caráter interpessoal que desestabiliza a primazia do Estado e do mercado como detentores e moduladores da maior parte das relações sociais”. Nada mais revolucionário, nesta era comandada como nunca por Estados subjugados ao “mercado”, especialmente o financeiro…
ECOSSOCIALISMO
Do Ocidente tradicional, que nos acultura desde 1500, a Raiz incorpora a noção do Ecossocialismo, a partir do esgotamento de riquezas naturais exploradas de maneira irresponsável.
Os cidadanistas convocam a todos e todas para a “construção de um pensamento que rompe com a lógica ocidental do sujeito autocentrado e do individualismo exacerbado. Há que descolonizar nossas mentes e corpos, e para isso assumimos outra perspectiva”. (...) “O produtivismo e consumismo, desenfreados e fúteis, somente se mantém devido à exploração predatória dos recursos naturais e só servem à ganância de poucos. Esse modelo é insustentável e, inevitavelmente, levará a Humanidade ao colapso civilizatório”.
A Raiz acaba de ser plantada, mas já conta com muitas adesões, e está longe de ser um partido, tal como os conhecemos. As organizações mais próximas seriam o movimento Podemos, da Espanha e o Syriza, partido que acaba de ganhar o poder na combalida Grécia. Ambos surgiram de baixo para cima, fruto da mesma angústia de povos - especialmente os jovens condenados ao desemprego e a não poderem sonhar com um futuro digno, muito menos feliz. O slogan lançado em Porto Alegre pelo Fórum Social Mundial, “Um outro mundo é possível”,  tem ecoado pelo planeta, com resultados pontuais, mas no geral o Neoliberalismo vem evoluindo sob as mais terríveis formas, inclusive o avanço da extrema-direita racista, xenófoba, machista, inimiga da Humanidade.
Tal qual os movimentos similares da Grécia, da Espanha, da Islândia, do Uruguai, a Raiz também pretende transformar-se em partido político. Mas só depois que o Movimento Cidadanista se impuser como uma alternativa legítima e legitimada na sociedade. Para tanto, está criando “círculos cidadanistas” pelo Brasil. Sua tarefa, hoje, é promover debates sobre a Carta recém-lançada, aperfeiçoá-la com a contribuição de todos, numa rede de núcleos autônomos e apenas vinculados entre si pelo objetivo de refletir e construir, horizontalmente, uma proposta nova para o momento histórico. Como diz uma das participantes mais notórias, a deputada federal Luiza Erundina, “se o momento histórico exigir, a Raiz se transformará em partido com uma nova visão do exercício do poder”. Outro fundador, Célio Turino (o criador dos Pontos de Cultura, projeto exitoso dos ministros Gilberto Gil e Juca Ferreira, dos quais foi destacado assessor), afirma que “não há pressa, estamos iniciando um processo que nos parece necessário, como demonstraram as manifestações de junho de 2013. Os jovens estão sem referências, querendo participar, e estamos oferecendo uma alternativa nova, aberta a todas e todos”.
A íntegra da Carta Cidadanista está no facebook, nas páginas do movimento.

(*) Antonio Barbosa Filho é jornalista, autor de “A Bolívia de Evo Morales” e de “A Imprensa x Lula”. Vive em Taubaté-SP e em Delft/Países-Baixos.