Mostrando postagens com marcador MDB. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MDB. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 25 de julho de 2014

SAUDADES DO DR. ULYSSES GUIMARÃES

Pesquisando hoje para um futuro livro sobre política nos anos 80/90, encontrei na rede várias fotos do saudoso deputado Ulysses Guimarães, meu presidente nacional no MDB, no PMDB, e meu padrinho como presidente que fui da Fundação Ulysses Guimarães de Estudos Políticos, que fundei em Taubaté em 1981.
Creio que muitos de nós que vivemos aqueles dias nutrem pelo dr. Ulysses a mesma admiração que eu tinha e tenho pelo veterano homem público, um estadista sem ter tido o poder, um homem que certamente teria sido um grande presidente do Brasil, mas jamais alcançou esta meta.
Tenho muitas histórias minhas com o dr. Ulysses, em viagens que fizemos juntos pelo Vale do Paraíba, em momentos marcantes, como em Salvador, quando ele rompeu o cerco da PM baiana à sede do partido, no Campo Grande, erguendo aquele seu braço longo e imperativo e bradando: "Respeitem o presidente da oposição!" Os soldados surpresos pela coragem do velho deputado afastaram as baionetas e depois tiveram que ouví-lo dizer, da janela do prédio sitiado para a multidão embaixo que "baioneta não é voto e cachorro não é urna!"

Ulysses rompe o cerco policial à sede do PMDB da Bahia. Atrás dele está Tancredo Neves. Eu estava dentro do prédio porque cheguei horas antes, antes da PM. 

Em Brasília também estivemos muitas vezes juntos. E cheguei a visitá-lo em sua casa, junto com os então deputados Audálio Dantas e Odacir Klein e suas esposas. Odacir disputava a liderança do PMDB e estava em São Paulo para uma série de eventos de sua campanha, que eu organizei por ordem de Audálio, de quem eu era secretário de Gabinete Parlamentar. Ninguém teria coragem de pedir o voto ao dr. Ulysses, figura que dominava a todos nós a uma certa altitude... Como presidente nacional, ele era neutro, embora como deputado fosse também um eleitor.

Ulysses e sua simpática esposa D. Mora. Ambos morreriam juntos na queda de um helicóptero.

Falou-se sobre tudo naquela noite, todos tomando um generoso uísque servido por Dona Mora, até que no meio de uma fala, como se fosse casual, Ulysses soltou a frase: "Vc vai enfrentar um líder muito hábil do lado da Arena, o Cantídio Sampaio é muito experiente e inteligente". A conversa voltou ao trivial. Ulysses nos conduziu até a porta de sua casa, entramos no carro e depois de alguns metros paramos. Espontaneamente, como se tivéssemos ensaiado, todos erguemos os punhos e gritamos: "Ganhamos!". Bastou aquela frase sutil do grande timoneiro para sabermos com certeza que Odacir seria o eleito, como foi. E Audálio foi seu vice-líder, substituindo-o muitas vezes com muito talento e lealdade.
Muita saudade do dr. Ulysses, que fazia política num patamar muito superior ao dos dias de hoje...

Se Ulysses fosse vivo, nenhum dos Poderes jamais abusaria de sua autoridade. Um Joaquim Barbosa jamais existiria em cargo decisório, pois Ulysses o detonaria publicamente, exigindo compostura. Ulysses não se acovardava nem diante da toga nem da farda.
A. Barbosa Filho

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

EM 82, VEJA DEFENDIA TORTURADORES E CHAMAVA PMDB DE REVANCHISTA!

Já quase ao final da ditadura civil-militar, em 1982, a revista Veja erguia-se contra as críticas de Ulysses Guimarães, presidente do PMDB, ao regime que torturava e matava oposicionistas. O MDB perdeu inúmeros parlamentares, que tiveram seus mandatos cassados, e que nunca aderiram à luta armada. O deputado Rubens Paiva, por exemplo, foi assassinado e nem de longe poderia ser chamado de guerrilheiro ou "terrorista". Nada disso importava à revista da famiglia Civita, que defendia o sistema ilegal, corrupto e violento implantado em 1964. 
Portanto, o fato de hoje abrigar um ninho de extremistas de direita, alguns notoriamente fascistas, como Reinaldo Azevedo, e os discípulos do astrólogo Olavo de Carvalho, Lobão e Rodrigo Constantino, não constitui nenhuma novidade. Veja sempre foi anti-democrática, com exceção de seus primeiros anos, quando tinha como editor-chefe o jornalista Mino Carta. 
Clique para ampliar e comprovar a virulência do panfleto de extrema-direita: