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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

"OCCUPY" FOI O LEMA DE 2011

A palavra do ano é “Occupy”

Hoje, já é praticamente impossível ouvir essa palavra, sem pensar nos militantes instalados nas praças e ruas do mundo

Por Samy Alim [01.01.2012 11h20]
O New York Times volta a falar do lugar que a palavra “ocupar” [#Occupy] passou a ter nos movimentos sociais que se multiplicaram esse ano em todo o planeta. E propõe que se colha a oportunidade para “ocupar a linguagem” e refletir sobre como damos nomes às coisas e às pessoas – em especial aos estrangeiros.

Em outubro passado, parti de San Francisco, sobrevoando os portos da costa oeste dos EUA paralisados pelo movimento Occupy Oakland, antes de chegar à Alemanha, em meio aos tumultos provocados por Occupy Berlin. Hoje, só resta constatar que o movimento Occupy transformou, não só o espaço público, mas, também transformou o discurso público.

Occupy[1]. Hoje, já é praticamente impossível ouvir essa palavra, sem pensar nos militantes instalados nas praças e ruas do mundo.

Até o célebre lexicógrafo Ben Zimmer estima que Occupy tem grandes chances de ser escolhida “a palavra do ano” pela American Dialect Society. O vocábulo já conseguiu modificar os termos do debate, tirando de cena “teto de endividamento” e “crise orçamentária”, substituídos por “desigualdade” e “ganância”.

A ironia da palavra “ocupar”, para designar uma corrente social progressista que visa a redefinir o debate em torno das noções de equidade e democracia, certamente está bem visível. Afinal, na linguagem corrente, só países, exércitos, polícias, “ocupam” territórios, praticamente sempre pela força. Sobre isso, aliás, os EUA nada têm a aprender.

E em apenas poucos meses, o movimento Occupy mudou completamente o significado da palavra “ocupação”. Até setembro, “ocupar” significava operação militar. Hoje, “ocupar” é sinônimo de luta política progressista [e quem, no ocidente, queira falar do que Israel faz na Palestina, ficam com a tarefa revolucionária de buscar, ou de inventar, palavras mais adequadas para o que Israel faz na Palestina: invasão pela força, com violência, ilegal, contra a razão democrática e civilizada do mundo (NTs)].

Hoje, “Ocupar” é denunciar injustiças, desigualdades, abusos de poder. E em nenhum caso se trata de apenas impor-se num espaço: hoje, ocupar significa também transformar os espaços. Nesse sentido, o movimento Occupy Wall Street ocupa literalmente a língua, e é hoje autor [não proprietário (NTs)] da palavra OCUPAR!

A primeira vez que a palavra “ocupar” apareceu em inglês, associada a manifestações sociais, remonta aos anos 1920s, quando operários italianos decidiram ocupar as fábricas em que trabalhavam, até que suas reivindicações fossem satisfeitas. Já foi uso muito distante da origem da palavra. O Dicionário Oxford English ensina que, na origem, “occupy” significou “ter uma relação sexual”. Hoje, a mesma palavra, já ressignificada, serve para preencher [ocupar?] muitos vazios gramaticais do discurso.

E se mudássemos mais uma vez o significado da palavra “ocupar”? Mais exatamente, e se pensássemos no “discurso do movimento Occupy” não mais como discurso dos militantes de Occupy, mas como movimento total, ele todo, de Ocupar a Linguagem? E o que desejariam esses “ocupantes da linguagem”?

“Occupy a Linguagem” [ing. Occupy Language] bem poderia inspirar-se, ao mesmo tempo, no movimento Occupy – que nos faz lembrar que as palavras sempre significam e que a língua não é estática, fechada – e dos movimentos locais que contestam os usos locais da linguagem e fazem lembrar que a língua pode ser tanto ferramenta de libertação quanto ferramenta de opressão; tão potente para unir, quanto para segregar.

O movimento portanto poderia começar por refletir sobre ele mesmo. Em recente entrevista, Julian Padilla, do People of Colour Working Group [Grupo de Trabalho das Pessoas de Cores], convocava os militantes a examinar as próprias escolhas lexicais: “Ocupar significa tomar posse de um espaço, e acho que ver um grupo de militantes anticapitalismo tomar posse do espaço na Rua do Muro [ing. Wall Street] é um símbolo muito potente. Mas gostaria que eles se dessem conta da história dos povos nativos, dos peles vermelhas e dos peles negras e dos pele amarela do imperialismo em todo o mundo. E que passassem a chamar o próprio movimento de “Descolonizar a Rua do Muro” [orig. fr. “Décoloniser Wall Street”]. Ocupar um espaço não é necessariamente ação negativa. Tudo depende de o que se faz, como e por quê. Quando os colonizadores brancos ocupam um país, eles não vêm para ficar, vêm de passagem, vêm para pilhar e destruir. Quando descendentes de tribos nativas dos EUA ocupam Alcatraz (entre 1969 e 1971), é ato de contestação.”

O movimento “Occupy Language” também poderia fazer campanha para impedir que os veículos de mídia continuem a usar o adjetivo “ilegal” aplicado a imigrados sem documentos. Os que defendem essa causa explicam que o adjetivo illegal em inglês [em português do Brasil, em termos jurídicos precisos, TAMBÉM (NTs)], só se aplica a ações e objetos inanimados. Usar o termo “os ilegais” [ing. illegals; fr. les illégaux) aplicado a pessoas, opera portanto, em primeiro lugar, a des-humanização das pessoas às quais se aplica.

Mas o New York Times só recomenda aos seus jornalistas que evitem as expressões “estrangeiro ilegal” [ing. illegal alien; fr. étranger illégal] ou “estrangeiro sem documentos” [ing. undocumented alien; fr. sans-papiers]. O New York Times nada diz sobre não usar a palavra “os ilegais” [ing. illegals].

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[1] A palavra Occupy [nas redes sociais, sempre #Occupy] é, sim, um belo achado, uma bela invenção internacionalista, dos muitos que se dizem, nós-vós-vóz-de-nós-mesmos: “ocupai/ocupar/ocupemos!”
Em português, há aí também um traço performativo de palavra-de-ordem: “Ocupai!” – modo imperativo, 2ª pess. do plural, do verbo ocupar, como “falai!”, “cantai!”, “sentai!”, “andai!”, “marchai!”, “manifestai!”, “ocupai e não arrasteis o pé daí, nós-vós-vóz-de-nós-mesmos, os 99%”. Em inglês, há aí, o traço declarativo (tb performativo, portanto) do infinitivo (“ocupar”)  que ecoa, também para os bilíngues, com inglês, em todo o mundo [NTs].
Tradução: Coletivo Vila Vudu
Texto publicado no NYTimes. Original aqui

terça-feira, 15 de novembro de 2011

AMERICANOS INDIGNADOS TIRAM A GRANA DOS BANCOS!

Movimento nos EUA prega transferência de dinheiro para cooperativas de crédito

Os protestos contra o sistema financeiro nos Estados Unidos não se resumem ao movimento Occupy Wall Street e seus similares. No dia 5 de novembro, o Bank Transfer Day, centenas de milhares de poupadores transferiram milhões de dólares dos grandes bancos para instituições de crédito cooperativo. Segundo a Credit Union National Association, somente no sábado pouco mais de 40 mil pessoas transferiram a cooperativas de crédito cerca de 80 milhões de dólares.

Há aqueles que continuam a quebrar as janelas dos bancos - que são protegidos por seguros - e há, por outro lado, quem invente formas de protesto inteligentes e eficazes. Como aquela que nos EUA teve seu grande dia no sábado passado.

No 5 de Novembro - data simbólica ligada ao soldado britânico do século 16, Guy Fawkes [1], inspirador do V de Vingança e ícone do movimento dos Indignados - aconteceu o Bank Transfer Day (Dia Transferência Bancária): dia em que os investidores foram convidados a fechar as suas contas correntes nos grandes bancos (Bank of America, Fells Fargo, JPMorgan Chase, etc.) e transferir seu dinheiro aos institutos de crédito cooperativos.

A iniciativa foi lançada, um mês atrás, por uma jovem californiana: Kristen Christian, 27 anos, negociante de arte em Los Angeles. Descontente com a decisão do seu banco, o Bank of America, de impor uma taxa mensal de cinco dólares sobre os cartões, lançou no Facebook um apelo para que todos transferissem suas poupanças para o crédito cooperativo.

“Juntos faremos os bancos recordarem para sempre o 5 de novembro. Nessa data, transfiram suas economias das instituições bancárias que visam o lucro para aquelas de crédito cooperativo sem fins lucrativos, enviando uma mensagem bem clara: os consumidores não sustentarão mais os bancos que adotam uma prática comercial contrária à ética. É hora de investir no crescimento das comunidades locais.” E um esclarecimento: “Sei que esta iniciativa é apoiada pelo movimento Occupy Wall Street, mas não tem nada a ver com eles”. Ao contrário, tem. E como.

As instituições de crédito cooperativo, muito difundidas nos Estados Unidos, são consideradas a face boa e social do sistema financeiro e de crédito, aquelas que estão do lado de 99 por cento da população, ao contrário dos "banksters" dos um por cento. As Credit Union americanas são de propriedade dos correntistas e democraticamente controladas por eles. Operam com absoluta transparência fornecendo crédito a juros baixos com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico das comunidades locais. Não há nenhum investimento especulativo nos mercados internacionais e em empresas multinacionais.

A imprensa local americana mostrou as longas filas em frente as lojas das Credit Union, muitas abertas excepcionalmente no sábado para a ocasião. Em diversas cidades houve também manifestações em frente aos grandes bancos, em particular em Los Angeles (foto). Segundo a Credit Union National Association (CUNA), somente no sábado pouco mais de 40 mil pessoas transferiram aos créditos cooperativos 80 milhões de dólares. Desde o início do protesto, em 1º de outubro, até 3 de novembro, 650 mil depositantes tinham movido mais de 4 bilhões e meio de dólares de grandes bancos para o crédito cooperativo.

Fonte:
http://it.peacereporter.net/articolo/31443/Usa%2C+una+protesta+intelligente+contro+le+banche

Nota
[1] Guy Fawkes (Iorque, 13 de abrilde 1570 — Londres, 31 de janeirode 1606), também conhecido como Guido Fawkes, foi um soldado inglês católico que teve participação na “Conspiração da pólvora” (Gunpowder Plot) na qual se pretendia assassinar o reiprotestante Jaime I da Inglaterrae todos os membros doparlamento durante uma sessão em 1605, objetivando o início de um levante católico. Guy Fawkes era o responsável por guardar os barris de pólvora que seriam utilizados para explodir o Parlamento do Reino Unido durante a sessão.

Tradução: Rosana Pozzobon

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

PARA ENTENDER OCCUPY WALL STREET

Um Nobel de Economia explica Occupy Wall Street

Para Joseph Stiglitz, movimento quer pouco, em termos econômicos. Mas reivindica democracia não-controlada pelo dinheiro – por isso é revolucionário
Por Joseph Stiglitz | Tradução: Antonio Martins
O movimento de protesto que começou na Tunísia em janeiro e se espalhou em seguida para o Egito e a Espanha tornou-se agora global. Os protestos abraçaram Wall Street e dezenas de cidades nos Estados Unidos. A globalização e as novas tecnologias permitem aos movimentos sociais vencer fronteiras tão rapidamente quanto as ideias. E os protestos sociais encontraram terreno fértil em toda a parte. Um sentimento de que “o sistema” faliu, e a convicção de que, mesmo nas democracias, o processo eleitoral não é suficiente – ao menos, sem forte pressão das ruas.
Em maio, estive no local onde se deram protestos, na Tunísia. Em julho, falei para osindignados da Espanha. De lá, fou ao Cairo, encontrar os jovens revolucionários na Praça Tahrir. Há algumas semanas, falei com o pessoal do Occupy Wall Street, em Nova York [foto]. Uma frase simples, criada por eles, expressa um pensamento comum: “Somos 99%”.
slogan ecoa no título de um artigo que recentemente publiquei: “Do 1%, para o 1% e pelo 1%”. Ele descreve o enorme aumento de desigualdade nos Estados Unidos, onde 1% da população controla mais de 40% da riqueza e recebe mais de 20% da renda. E os que pertencem a este grupo rarefeito são frequentemente remunerados, de forma extravagante, não por terem contribuído para a sociedade, mas porque são, para dizer de forma franca, bem-sucedidos (e às vezes corruptos) caçadores de rendas alheias.
Esta afirmação não nega que alguns entre o 1% tenha feito contribuições importantes à sociedade. Na verdade, os benefícios sociais de algumas inovaçõesreais (ao contrário dos “produtos” financeiros que acabaram desencadeando destruição na economia mundial) são bem maiores do que aquilo que os inovadores recebem.
Mas, em todo o mundo, influência política e práticas de oligopólio (frequentemente garantidas por meio da política) foram centrais para o aumento da desigualdade econômica. E os sistemas tributários nos quais um bilionário como Warren Buffett paga percentualmente menos impostos que sua secretária – ou em que os especuladores que ajudaram a derrubar a economia global são menos tributários do que os trabalhadores – reforçaram a tendência .
Pesquisas recentes mostram como as noções de justiça são importantes e estão arraigadas entre os participantes dos protestos na Espanha. Eles, e seus colegas de outros países, têm razão de estar indignados. Este é um sistema no qual os banqueiros são resgatados, enquanto suas vítimas são obrigadas a lutar pela sobrevivência. Pior: os banqueiros estão de volta a seus gabinetes, recebendo bônus anuais superiores ao que a maioria dos trabalhadores espera ganhar durante toda a vida, enquanto jovens que estudaram muito e seguiram as regras do jogo não veem perspectivas de um emprego decente.
O aumento da desigualdade é produto de uma espiral viciosa. Os rentistas usam seus recursos para criar leis que protejam e ampliem sua riqueza – e sua influência. A Suprema Corte dos Estados Unidos, deu às corporações, numa decisão que se tornou conhecida como Citizens United, rédea solta para usar dinheiro e influenciar os rumos da política. Mas enquanto os ricos podem usar seu dinheiro para ampliar o alcance de seus pontos de vista, a polícia não permitiu que eu usasse um megafone para me dirigir aos manifestantes do Occupy Wall Street. O contraste entre a democracia ultra-controlada e os banqueiros livres de regulação não passou despercebido. Mas os manifestantes são engenhosos. Eles ecoavam o que eu dizia entre a multidão, para que todos pudessem ouvir. E, para evitar que o diálogo fosse interrompido por palmas, usavam sinais de mão, quando queriam expressar concordância.
Eles estão certos ao dizer que há algo errado com nosso “sistema”. Em todo o mundo, temos recursos desaproveitados – gente que quer trabalhar, máquinas paradas, edifícios vazios – e imensas necessidades não realizadas: luta contra a pobreza, promoção do desenvolvimento e reorganização da economia para enfrentar o aquecimento global, apenas para citar algumas. Nos Estados Unidos, depois de mais de 7 milhões de despejos, nos últimos anos, temos casas vazias e gente sem casas.
Os manifestantes têm sido criticados por não terem uma agenda. Mas esta crítica não compreende o sentido dos movimentos. Eles expressam frustração com o processo eleitoral. Eles são um alarme.
Leia a íntegra do artigo do Prêmio Nobel em:

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

FOLHA: REPRESSÃO AOS ANTICAPITALISTAS NOS EUA

Polícia reprime anticapitalistas nos EUA

Centenas de manifestantes do movimento 'Ocupe Wall Street' são presos em conflitos com as autoridades locais

Foram feitas detenções em Atlanta, Oakland e outras cidades; houve violência durante as prisões, dizem ativistas

VERENA FORNETTI

DE NOVA YORK

A resistência de manifestantes do movimento "Ocupe Wall Street" à ordem da polícia de desocupar parques e praças motivou centenas de prisões nos EUA. Em Atlanta, ontem de madrugada, cerca de 50 ativistas foram detidos.
Polícia e manifestantes entraram em confronto também em Oakland, na Califórnia, após oficiais determinarem a desocupação da praça onde manifestantes acampavam havia duas semanas. A prefeitura da cidade afirmou que as condições sanitárias no local haviam se deteriorado.
Cerca de cem pessoas foram presas na cidade californiana. Depois da desocupação, os ativistas fizeram marcha para pedir a praça de volta para o movimento. A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2710201104.htm

domingo, 23 de outubro de 2011

WALL STREET, SEGUNDO A REVISTA ÉPOCA


Quando 99% trabalham para enriquecer 1%

Em sua edição que se encontra nas bancas a revista Economist, uma espécie de leitura obrigatória da elite mundial, publica um artigo que serve como advertência aos leitores que imaginam ser possível aplicar a tática do avestruz — aquele costume de enfiar a cabeça na areia para não tomar conhecimento dos problemas…
No texto, a Economist lembra que a crise dos países desenvolvidos é muito grave e séria. Também reconhece que os protestos de Wall Street e dezenas de países europeus tocam em problemas de verdade, que exigem respostas eficazes. A revista argumenta que seria um erro comparar os protestos de hoje com manifestações radicalizadas do passado, como aconteceu em Seattle, em 1999, cenário de um grande confronto de entidades sindicais e ONGs contra a Organização Mundial do Comércio.
Pelo texto da revista, pode-se concluir que,  embora seja possível encontrar muitas semelhanças com este e outros episódios, a principal diferença se encontra numa realidade objetiva: o desemprego, a falta de crédito, a vida cada vez mais cara. A diferença é simples, poderíamos acrescentar. Nos protestos anteriores, as questões ideológicas tinham um peso determinante. Protestava-se contra a globalização. Denunciava-se os prejuízos que o livre comercio iria produzir nos países desenvolvidos. Mas falava-se de risco, de ameaça, de perigo futuro. Em 2001, os protestos falam da realidade presente.
Se o capitalismo sempre foi um regime desigual e excludente, permitindo que o Premio Nobel Joseph Stiglitz construísse a formula panfletária mas eficaz segundo a qual vive-se num mundo onde 99% trabalham para que 1% enriqueça, que tornou-se o slogan favorito de Wall Street, em 2010 e 2011 essa realidade tornou-se especialmente nociva e insuportável.
A desigualdade atingiu um patamar indecente mesmo em países habituados a pensar sua vida social com padrões aceitáveis para a maioria. Não é só uma questão moral nem de visão de mundo. Muita gente é a favor da desigualdade — em especial, quando se encontra no lado agradável da equação. Mas chegou-se a um ponto em que ela prejudica a economia, atrapalha o crescimento, com concordam economistas de correntes muito diferentes.
Como lembra a revista, o desemprego atinge mais de 40% dos jovens da Espanha, 17% dos norte-americanos, e, na média, mais de 20% em todos os países da Europa, menos Alemanha, Holanda e Austria. Examinando os adultos, fala de salários decrescentes. Quando chega nos idosos, mostra que na Inglaterra, por exemplo, a inflação anual já passou de 5% mas as poupança rendem 1,5%.
Neste ambiente, a Economist se afasta do coro de  economistas mais obtusos, adeptos de uma política de austeridade para, em nome da pureza do mercado, promover uma regressão histórica capaz de tornar a mão-de-obra européia tão atraente como a chinesa ou peruana.
Sem abandonar seus pontos-de-vista conservadores, a revista afirma que é hora de crescer e colocar estímulos na economia. Segue favorável a suas idéias anteriores, como elevar o piso para o inicio das aposentadorias e reduzir outros
benefícios do Estado de Bem-Estar social, mas admite que isso pode ser negociado para um segundo momento. Agora, diz ela, o importante é crescer.

sábado, 22 de outubro de 2011

OCUPAÇÃO DE WALL STREET


O casamento entre capitalismo e democracia acabou

publicada quarta-feira, 19/10/2011 às 14:07 e atualizada quinta-feira, 20/10/2011 às 13:15
Por Slavoj Zizek, do Diário Liberdade 
Discurso proferido na ocupação de Wall Street
Dizem que somos sonhadores, mas os verdadeiros sonhadores são aqueles que pensam que as coisas podem continuar indefinidamente da mesma forma.
Não somos sonhadores. Somos o despertar de um sonho que está se transformando num pesadelo. Não estamos destruindo coisa alguma. Estamos apenas testemunhando como o sistema está se autodestruindo.
Todos conhecemos a cena clássica do desenho animado: o coiote chega à beira do precipício, e continua a andar, ignorando o fato de que não há nada por baixo dele. Somente quando olha para baixo e toma consciência de que não há nada, cai. É isto que estamos fazendo aqui.
Estamos a dizer aos rapazes de Wall Street: “hey, olhem para baixo!”
Em abril de 2011, o governo chinês proibiu, na TV, nos filmes e em romances, todas as histórias que falassem em realidade alternativa ou viagens no tempo. É um bom sinal para a China. Significa que as pessoas ainda sonham com alternativas, e por isso é preciso proibir este sonho. Aqui, não pensamos em proibições. Porque o sistema dominante tem oprimido até a nossa capacidade de sonhar.
Vejam os filmes a que assistimos o tempo todo. É fácil imaginar o fim do mundo, um asteróide destruir toda a vida e assim por diante. Mas não se pode imaginar o fim do capitalismo. O que estamos, então, a fazer aqui?
Deixem-me contar uma piada maravilhosa dos velhos tempos comunistas. Um fulano da Alemanha Oriental foi mandado para trabalhar na Sibéria. Ele sabia que o seu correio seria lido pelos censores, por isso disse aos amigos: “Vamos estabelecer um código. Se receberem uma carta minha escrita em tinta azul, será verdade o que estiver escrito; se estiver escrita em tinta vermelha, será falso”. Passado um mês, os amigos recebem uma primeira carta toda escrita em tinta azul. Dizia: “Tudo é maravilhoso aqui, as lojas estão cheias de boa comida, os cinemas exibem bons filmes do ocidente, os apartamentos são grandes e luxuosos, a única coisa que não se consegue comprar é tinta vermelha.”
É assim que vivemos – temos todas as liberdades que queremos, mas falta-nos a tinta vermelha, a linguagem para articular a nossa ausência de liberdade. A forma como nos ensinam a falar sobre a guerra, a liberdade, o terrorismo e assim por diante, falsifica a liberdade. E é isso que estamos a fazer aqui: dando tinta vermelha a todos nós.
Existe um perigo. Não nos apaixonemos por nós mesmos. É bom estar aqui, mas lembrem-se, os carnavais são baratos. O que importa é o dia seguinte, quando voltamos à vida normal. Haverá então novas oportunidades? Não quero que se lembrem destes dias assim: “Meu deus, como éramos jovens e foi lindo”.
Lembrem-se que a nossa mensagem principal é: temos de pensar em alternativas. A regra quebrou-se. Não vivemos no melhor mundo possível, mas há um longo caminho pela frente – estamos confrontados com questões realmente difíceis. Sabemos o que não queremos. Mas o que queremos? Que organização social pode substituir o capitalismo? Que tipo de novos líderes queremos?
Lembrem-se, o problema não é a corrupção ou a ganância, o problema é o sistema. Tenham cuidado, não só com os inimigos, mas também com os falsos amigos que já estão trabalhando para diluir este processo, do mesmo modo que quando se toma café sem cafeína, cerveja sem álcool, sorvete sem gordura.
Vão tentar transformar isso num protesto moral sem coração, um processo descafeinado. Mas o motivo de estarmos aqui é que já estamos fartos de um mundo onde se reciclam latas de coca-cola ou se toma um cappuccino italiano no Starbucks, para depois dar 1% às crianças que passam fome e fazer-nos sentir bem com isso. Depois de fazer outsourcing ao trabalho e à tortura, depois de as agências matrimoniais fazerem outsourcing da nossa vida amorosa, permitimos que até o nosso envolvimento político seja alvo de outsourcing. Queremos ele de volta.
Não somos comunistas, se o comunismo significa o sistema que entrou em colapso em 1990. Lembrem-se que hoje os comunistas são os capitalistas mais eficientes e implacáveis. Na China de hoje, temos um capitalismo que é ainda mais dinâmico do que o vosso capitalismo americano. Mas ele não precisa de democracia. O que significa que, quando criticarem o capitalismo, não se deixem chantagear pelos que vos acusam de ser contra a democracia. O casamento entre a democracia e o capitalismo acabou.
A mudança é possível. O que é que consideramos possível hoje? Basta seguir os meios de comunicação. Por um lado, na tecnologia e na sexualidade tudo parece ser possível. É possível viajar para a lua, tornar-se imortal através da biogenética. Pode-se ter sexo com animais ou qualquer outra coisa. Mas olhem para os terrenos da sociedade e da economia. Nestes, quase tudo é considerado impossível. Querem aumentar um pouco os impostos aos ricos? Eles dizem que é impossível. Perdemos competitividade. Querem mais dinheiro para a saúde? Eles dizem que é impossível, isso significaria um Estado totalitário. Algo tem de estar errado num mundo onde vos prometem ser imortais, mas em que não se pode gastar um pouco mais com cuidados de saúde.
Talvez devêssemos definir as nossas prioridades nesta questão. Não queremos um padrão de vida mais alto – queremos um melhor padrão de vida. O único sentido em que somos comunistas é que nos preocupamos com os bens comuns. Os bens comuns da natureza, os bens comuns do que é privatizado pela propriedade intelectual, os bens comuns da biogenética. Por isto e só por isto devemos lutar.
O comunismo falhou totalmente, mas o problema dos bens comuns permanece. Eles dizem-nos que não somos americanos, mas temos de lembrar uma coisa aos fundamentalistas conservadores, que afirmam que eles é que são realmente americanos. O que é o cristianismo? É o Espírito Santo. O que é o Espírito Santo? É uma comunidade igualitária de crentes que estão ligados pelo amor um pelo outro, e que só têm a sua própria liberdade e responsabilidade para este amor. Neste sentido, o Espírito Santo está aqui, agora, e lá em Wall Street estão os pagãos que adoram ídolos blasfemos.
Por isso, do que precisamos é de paciência. A única coisa que eu temo é que algum dia vamos todos voltar para casa, e vamos voltar a encontrar-nos uma vez por ano, para beber cerveja e recordar nostalgicamente como foi bom o tempo que passámos aqui. Prometam que não vai ser assim. Sabem que muitas vezes as pessoas desejam uma coisa, mas realmente não a querem. Não tenham medo de realmente querer o que desejam. Muito obrigado

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

MILHÕES NAS RUAS ENTERRAM O NEOLIBERALISMO


Movimento de “indignados” consegue respaldo mundial

O movimento dos “indignados”, que defendem a democracia e protestam contra a crise financeira, adquiriu neste fim de semana dimensão planetária, levando às ruas dezenas de milhares de pessoas em mais de 80 países. Inspirados pelos espanhóis, que desde maio desse ano realizam protestos em cidades como Madri e Barcelona e o “Occupy Wall Street”, cujo quartel-central é a Liberty Plaza, em Nova York, os manifestantes chamaram a atenção mundial e ganharam seguidores e admiradores.
É a primeira vez que uma “iniciativa cidadã” consegue organizar “de forma coordenada tantas manifestações em lugares diferentes e afastados”, disse o jornal El Pais, da Espanha. Sob slogans como “povos do mundo, levantem-se”, ou “sair à rua cria um novo mundo”, os “indignados” convocaram no sábado manifestações em 951 cidades. “Evidentemente, existe agora um movimento internacional”, confirmou o editorialista do Repubblica, Eugenio Scalfari.
Marcha de “indignados” na Espanha
Para Jon Aguirre Such, um dos integrantes do grupo Democracia Já, da Espanha, o alcance e a extensão dos protestos “demonstra que não se trata de um tema que diz respeito unicamente aos espanhóis, mas sim ao mundo inteiro. “A crise é mundial, os mercados atuam em escala global, a resposta, então, é mundial”, disse.
Na Itália, houve forte repressão policial
Além de Roma, onde dezenas de milhares de pessoas protestaram pacificamente, Madri e Lisboa foram cenário das maiores marchas. Milhares protestaram também em Washington e Nova York, onde 88 pessoas foram detidas. “Somos o povo, e eles nos venderam”, “a cada dia, a cada semanas, ocupemos Wall Street”, foram suas principais mensagens.
Em Londres, várias centenas de “indignados” passaram a noite de sábado para domingo em barracas na praça na frente da catedral de St. Paul, no coração da City, após a manifestação do dia anterior, marcada também por alguns confrontos e prisões. No sábado, de 2.000 a 3.000 “indignados”, segundo estimativas da BBC, protestaram ao redor da St. Paul, entre cartazes contra a política de austeridade do governo britânico e os cortes orçamentários, assim como contra o sistema financeiro.
Em Portugal, as manifestações também tiveram sucesso
Genebra, Miami, Paris, Saraievo, Zurique, Cidade do México, Lima, Santiago, Hong Kong, Tóquio, Sidney… a “indignação” contra o capitalismo foi expressada no sábado praticamente em todos os continentes.
Curiosamente, na França, o país de Stéphane Hessel, autor do livro Indigne-se, que deu nome ao movimento através do mundo, as marchas tiveram um impacto limitado. Em Paris, houve vários grupos de manifestantes que convergiram para a sede da Prefeitura, onde realizaram uma Assembleia Popular, mas sem o impacto visto nas outras cidades europeias.
Na América do Sul, o Chile foi palco de um dos maiores protestos
Popularidade
Para Todd Gitlin, pesquisador da Universidades de Columbia, o respaldo popular aos indignados vem acontecendo de forma mais rápida do que o conquistado pelo movimento antibélico, ou o movimento dos direitos civis. “Uma das principais demandas dos manifestantes é a crescente desigualdade e a falta de emprego”, afirmou o acadêmico ao Prensa Latina.
A Argentina também contribuiu para a revolta global
Em Washington, onde protetos também aconteceram, os manifestantes coincidiram com a Casa Branca ao expressar seu mal-estar contra o Congresso por não ter aprovado uma iniciativa do presidente Barack Obama para criar mais empregos.
Apesar de que alguns setores discutam a falta de liderança visível deste movimento, analistas dizem que outros protestos, como a dos direitos civis do século anterior, tiveram começo similar. “É hora que ocupemos Wall Street, ocupemos Washington, ocupemos o Alabama”, exclamou o reverendo Al Sharpton, dirigente dos direitos civis nos Estados Unidos e um dos organizadores da marcha.
LEIA MAIS EM:

domingo, 16 de outubro de 2011

RECADO DO SEU BANCO!


http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/

E A PRIMAVERA CHEGOU AOS ESTADOS UNIDOS!


Protestos contra ditadura do mercado

Por Eduardo Febbro, de Bruxelas, no sítio Carta Maior:

“A bolsa ou a vida!” O cartaz colocado na fachada do edifício da Bolsa de Bruxelas serviu de fio condutor da jornada “unidos por uma mudança global” que reuniu dezenas de milhares de pessoas em todo o planeta neste sábado. Ao longo trajeto pela capital belga, cada vez que os cerca de 7 mil manifestantes passavam por um banco ou qualquer outra instituição financeira um coro de vaias e gritos em todos os idiomas possíveis rompia o consenso festivo da marcha.

Assim como em outras capitais do mundo, a impunidade dos bancos foi o alvo principal da manifestação popular. “Culpables, ladrones cabrones”, gritava um enraivecido senhor belga de aproximadamente 50 anos que aprendeu com um indignado espanhol a dizer essas palavras em castelhano. Quando a marcha chegou à sede da bolsa, a gritaria se tornou um slogan comum: “Culpados!”.

Logo em seguida, os indignados vindos de vários países da Europa lançaram uma chuva de sapatos contra o edifício da Bolsa, ante o olhar atônito e cheio de incompreensão dos jornalistas belgas que cobriam o evento. Um imenso fosso segue separando os círculos oficiais dos meios de comunicação e os milhares de jovens e adultos que saíram às ruas para expressar seu rechaço e sua repugnância frente a um sistema mundial que protege e subvenciona os ladrões e castiga as vítimas com todo o peso da irresponsabilidade e da indolência.

Ao longo da marcha, os indignados colaram dezenas de adesivos nos caixas automáticos de bancos, fizeram uma parada na Praça de Burckère, lançaram muitos insultos na frente da sede do banco Euroclear – a instituição pretende demitir 500 pessoas – sem cansar-se jamais de cantar o hino mundial das marchas: “We are the 99%”, ou seja, os 99% da humanidade vítima da barbárie social perpetrada sim piedade “por esses senhores de gravata, salários de reis e contas bancárias com dinheiro que não pertence a eles”, segundo disse André, um jovem belga com diploma de engenheiro de redes, mas sem trabalho.

A medida que ia passando o tempo e os números da participação em outras cidades do mundo iam chegando aos seus ouvidos, os indignados celebravam e aplaudiam o êxito e a visibilidade planetária do movimento. “Não somos nem marionetes, nem mercadoria do liberalismo, somos gente com consciência, e que estamos para que nos vejam”, disse Antonio, um indignado espanhol que se expressavam com orgulho e em um tom alto de voz.

Jon Aguirre Such, um dos integrantes do grupo Democracia Já, da Espanha, que impulsionou o movimento do 15M, resumiu muito bem a situação quando explicou que o alcance e a extensão dos protestos “demonstra que não se trata de um tema que diz respeito unicamente aos espanhóis, mas sim ao mundo inteiro. A crise é mundial, os mercados atuam em escala global, a resposta, então, é mundial”. Até os mais aguerridos militantes contra o sistema financeiro mundial observam espantados a forma como que, paulatinamente, os protestos contra o sistema financeiro, o repúdio à forma que foi reduzida a democracia, vem ganhando as capitais do mundo. 

Não deixe de ler a íntegra em:
http://altamiroborges.blogspot.com/2011/10/protestos-contra-ditadura-do-mercado.html

É NAS RUAS, ESTÚPIDO!

UMA PRIMAVERA MUNDIAL?

http://blig.ig.com.br/salvomelhorjuizo/2011/10/16/uma-primavera-mundial/