Ban Ki-moon pede liderança "forte" a Morales para estabelecer agenda pós-2015
La Paz, 12 jun (EFE).- O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu nesta quinta-feira ao presidente da Bolívia, Evo Morales, uma liderança "forte" à frente do G77 para determinar uma agenda pós-2015 que seja sustentável. Ban fez o pedido ao governante após a chegada de ambos na cidade de Santa Cruz de la Sierra, no leste da Bolívia, que neste fim de semana receberá a Cúpula dos 77 países em desenvolvimento (G77), mais a China, convocada pela Bolívia para comemorar os 50 anos de fundação do bloco. Em declarações à imprensa, o secretário-geral da ONU disse que as discussões deste ano "têm uma importância especial", pois estão focadas em três aspectos, entre eles o aumento dos esforços para conseguir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), cujo cumprimento será avaliado em 2015. "Segundo, devemos ter um acordo global sobre as mudanças climáticas. Terceiro, temos que ter uma agenda de desenvolvimento sustentável pós-2015. Nesses três pontos, necessito a forte liderança do presidente Morales como presidente do G77 e a China", opinou Ban Ki-moon. O secretário-geral acrescentou que é necessária uma "forte associação" entre esse grupo e os outros países-membros das Nações Unidas, pois, na sua opinião, "trabalhando juntos, na mesma direção, todos poderemos conhecer o bem estar". O avião de Morales chegou às 22h35 locais (23h35 de Brasília) no terminal presidencial do aeroporto internacional de Viru Viru procedente de São Paulo, onde Morales e Ban assistiram nesta quinta-feira à partida de abertura da Copa do Mundo, entre Brasil e Croácia. Ao chegar em Santa Cruz de la Sierra, Ban recebeu a chave da cidade e foi nomeado "hóspede ilustre" pelas autoridades municipais. Morales e o secretário-geral da ONU viajam nesta sexta-feira para duas localidades na zona rural de Santa Cruz para a inauguração de obras. Em uma das aldeias, está previsto que o governo boliviano e as autoridades locais comemorem o aniversário de 70 anos do secretário-geral da ONU. No sábado, além da abertura da Cúpula, está previsto um encontro social organizado por sindicatos ligados ao governo boliviano, ao qual devem comparecer Ban Ki-moon, Morales e outros governantes latino-americanos. Entre as autoridades que confirmaram sua presença na Cúpula estão os presidentes de Cuba, Raúl Castro; Equador, Rafael Correa; Uruguai, José Mujica; Argentina, Cristina Kirchner, e da Venezuela, Nicolás Maduro. EFE gb/rpr (foto)
Há uma enormidade de jornais impressos e de televisões privadas que fazem oposição ferrenha ao governo de Maduro, assim como faziam ao do falecido Hugo Chávez.
O Conversa Afiada reproduz artigo de Eduardo Guimarães, extraído do Blog da Cidadania:
Horas antes de começar a escrever este texto-denúncia uma pessoa que me segue no Twitter questionou mensagem que postei naquela rede social dizendo que a maioria dos venezuelanos não tem liberdade de expressão no Brasil devido ao fato de que, por aqui, grandes redes de televisão, grandes jornais, grandes rádios ou mesmo grandes portais de internet literalmente censuram tudo que contradiga a versão da oposição ao governo da Venezuela.
“Mas como saber a versão da maioria dos venezuelanos? Eles não têm liberdade de imprensa lá”, disse-me o seguidor no Twitter.
Se quiser saber se isso é ou não verdade, sugiro que leia este texto até o fim. Em sua última parte, provo, de uma vez por todas, que não há censura alguma na Venezuela. Pelo contrário, a imprensa de lá pode mentir livremente. E sem consequência alguma.
Contudo, chega a ser surreal. Estamos em plena era da comunicação interplanetária instantânea através da internet. Em qualquer parte do planeta, basta ter acesso a um mísero celular com conexão com a internet – o que, hoje, é mais comum do que ter um forno de micro-ondas – para que se possa verificar o que se passa em qualquer parte do mundo.
Hoje, pode-se acessar livremente a imprensa até de países sob ditaduras – ou sob supostas ditaduras. Em Cuba, tão acusada de restringir liberdade de imprensa, qualquer um consegue acessar o blog da opositora mais famosa daquele regime, a blogueira Yoany Sánchez, que, diuturnamente, ataca o governo. Ainda assim, teimam em dizer que há censura em Cuba.
Mas, de fato, em Cuba não há grandes jornais de oposição e o acesso à internet ainda é dificultado pela situação econômica do país, o que impede que qualquer cubano tenha acesso à rede, tornando internet um privilégio fora do alcance de muitos. Mas, no que diz respeito à Venezuela, é uma piada dizer que não há liberdade de expressão por lá.
Há uma enormidade de jornais impressos, alguns de grande porte, ou de televisões privadas que fazem oposição ferrenha ao governo de Nicolás Maduro tanto quanto faziam ao do falecido Hugo Chávez. As televisões, as rádios e os sites opositores chegam a convocar manifestantes para se rebelarem contra o governo. Os jornais produzem diatribes diárias em editoriais, artigos, cartas de leitores etc.
No Brasil, porém, a grande mídia – Globo à frente – continua vendendo exclusivamente a opinião e a versão da oposição. Há literal censura a qualquer fato positivo sobre o país vizinho e, mais do que isso, a informações sobre o conflito entre governo e oposição que destoem da versão oposicionista. Não há, pois, noticiário sobre a Venezuela, em nosso país; há propaganda política de uma facção violenta e golpista, que está tentando derrubar o governo.
Nos últimos dias, o noticiário brasileiro tem se concentrado fortemente no número de mortos e feridos durante os protestos da oposição contra o governo. Diz a mídia brasileira que há 20 mortos e centenas de feridos, mas não diz que grande parte desses mortos e feridos é composta por governistas atacados pela oposição, muitas vezes em emboscadas de franco-atiradores, posicionados no alto de prédios durante as manifestações.
Esses métodos que estão sendo usados novamente pela oposição venezuelana para culpar o governo pelas vítimas (fatais e não-fatais) de suas ações de sedição foram imortalizados no documentário Puente Llaguno, que mostra como em 2002, em tentativa anterior de golpe, essa mesma oposição assassinou pessoas e também culpou o governo.
Esse documentário vem sendo difundido há anos por ativistas políticos independentes, mas como, ao mesmo tempo, é um documento avassalador para as farsas midiáticas contra a Venezuela, sofre, por parte dos grandes meios de comunicação, uma das censuras mais violentas de que se tem notícia.
Reproduzo, abaixo, o documentário. E sugiro, a quem quer expor a verdade sobre o conflito no país vizinho, que tente difundir ao máximo esse vídeo. Este texto prossegue em seguida.
Se está retomando o texto sem nunca ter assistido a Puente Llaguno, vale explicar que o documentário prova, sem deixar qualquer dúvida, que, em 2002, a oposição fez o que voltou a fazer neste ano, ou seja, gerar mortos e feridos para acusar o governo.
Essa, aliás, foi a base da tentativa de golpe de 2002, que o documentário Irlandês “A Revolução Não Será Televisionada” também denuncia. Abaixo, reproduzo também esse documentário. E prossigo em seguida.
Parece incrível, mas estão tentando fazer novamente na Venezuela o que fizeram em 2002. Exatamente com os mesmos métodos. Inclusive com as mídias dos países vizinhos (como a do Brasil) impedindo que a versão da maioria do povo venezuelano sobre o que está acontecendo naquele país seja conhecida em seu entorno.
Hoje, porém, há uma diferença. Após a tentativa de golpe de 2002, o falecido Hugo Chávez montou um sólido esquema de preservação das instituições e da vontade da maioria de seu povo. Além de uma rede de comunicação capaz de fazer frente à forte máquina midiática oposicionista, que dispõe de 80% dos meios de comunicação privados na Venezuela, há, naquele país, órgãos de inteligência e um verdadeiro exército popular armado.
Mesmo uma tentativa de invasão da Venezuela pelos EUA enfrentaria uma guerrilha bem armada, um exército contrarrevolucionário que resistiria a essa suposta invasão estrangeira. Além disso, as forças armadas venezuelanas expurgaram dos postos-chave todos os militares com pendores golpistas.
Pela força, portanto, a oposição venezuelana não conseguirá derrubar o governo constitucional.
Todavia, nos países vizinhos a situação é muito grave. Há uma máquina de propaganda dos golpistas funcionando a todo vapor. A mídia brasileira, por exemplo, além de praticar censura contra a versão da maioria dos venezuelanos que apoia o governo conta com a preguiça de seu público, acostumado a comprar as versões prontas que vende.
Qualquer pessoa pode acessar os grandes jornais venezuelanos pela internet e verificar se estão realmente sob censura. Uma mera busca no Google daria acesso ao site “Jornais da Venezuela”, que indica todos os grandes periódicos daquele país, com a íntegra do que publicam. E basta conhecimentos médios de espanhol para ver que esses jornais atuam com total liberdade no país vizinho.
Para navegar pela imprensa venezuelana, portanto, clique aqui
Mas, para facilitar a vida do leitor, traduzi editorial publicado no último dia 8 de março pelo maior jornal venezuelano, o El Nacional. O título do editorial, “El Madurazo”, faz alusão ao “Carazo”, uma explosão social espontânea, de grandes proporções, ocorrida em Caracas em 1989, em repúdio a pacote de medidas econômicas neoliberais imposto pelo governo de Carlos Andrés Pérez.
Leia, abaixo, o editorial do periódico El Nacional
Ontem, o senhor Maduro condecorou e exaltou postumamente os integrantes da Guarda Nacional Bolivariana que faleceram durante a violenta repressão lançada pelo governo contra os estudantes que tomaram as ruas para protestar contra a bancarrota social e econômica em que se encontra o país, e que afeta os setores mais pobres da sociedade.
O senhor Maduro também condecorou 57 integrantes da Guarda Nacional que, segundo as versões extraoficiais, foram feridos em consequência dos ataques de estudantes e de pessoas residentes da região, gente que saía do metrô rumo ao seu trabalho, idosos que iam comprar alimentos e trabalhadores que seguiam para o trabalho cotidiano.
Tão perigosa aglomeração composta por simples garotos menores de idade, estudantes magricelos e jovenzinhas nada musculosas, além de pessoas do povo famélico, empobrecida e cansada, causou à treinada, disciplinada e militarizada Guarda Nacional nada menos do que 57 feridos. Valha-nos Deus. Estamos tão mal [de policiais]? Por isso o contrabando e o narcotráfico nos ameaçam de morte.
Segundo Maduro, os sargentos foram assassinados pela extrema direita enquanto cumpriam seu dever de defender a paz. Que rapidez a de Nicolás [Maduro] para investigar por sua conta um fato de natureza tão complexa que exige de qualquer equipe de investigação do Cicpc [órgão de inteligência venezuelano] um tempo prudencial e um especial cuidado para montar corretamente as peças do quebra-cabeças policial.
Que pena que Maduro não estava em Dallas quando mataram o presidente Kennedy, porque o FBI e o governo norte-americano teriam poupado tempo e dinheiro.
Já Nicolás [Maduro] cometeu a imprudência e o presumível delito de revelar parte do resumo dos assassinatos ocorridos na esquina de Tracabordo, na Zona de Chacao [bairro de Caracas] – as duas balas são iguais, afirmou –, um ato que está expressamente proibido a qualquer funcionário que tenha acesso ao material.
A procuradora-geral da república se atreverá a chamar a atenção [de Maduro] publicamente?
Enquanto se ocupava de exaltar postumamente os dois sargentos da Guarda Nacional que morreram durante os choques, o senhor maduro fazia vista grossa para os vinte venezuelanos assassinados por comandos policiais e grupos paramilitares que atuam à margem da lei e para os quais os crimes e desmandos não têm lei nem castigo. Esses vinte mortos não são seres humanos, pertencem à escoria de direita fascista e, portanto, é bom que tenham morrido.
Porém, responda, senhor Maduro: o senhor está seguro e em sua consciência não tem dúvida de que esses vinte assassinatos foram cometidos pelo que chama de “direita fascista? E se não for assim? E se o senhor, como todo ser humano, se engana? Não estaria o senhor encobrindo presumivelmente esses crimes?
O que ao senhor incomoda, senhor Maduro, é reconhecer publicamente que os que saíram à rua para protestar estão fartos de passar fome pela permanente escassez de alimentos, por ver morrerem seus familiares porque o senhor foi inepto na importação de medicamentos assim como no cuidado de dotar hospitais de equipamentos, em enfrentar a insegurança descontrolada que enche os necrotérios com centenas de cadáveres, em acabar com o narcotráfico que corrompe os jovens nas favelas, em deixar que as escolas caiam no abandono, em arrasar as terras cultiváveis e converter os camponeses em mendigos urbanos.
O senhor odeia os estudantes e mandou reprimi-los porque os jovens gritavam as demandas do povo contra a pobreza, a escassez, a fome, o inferno e a corrupção. Falavam pelo povo, expunham ao mundo a indigência e o abandono em que o senhor mantém hoje este país que um dia foi próspero e formoso.
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O “El Nacional” é o maior jornal venezuelano, algo como a Folha de São Paulo de lá. Faz parte do Grupo de Diários América, que foi citado no sábado (8) pelo Jornal Nacional como fonte das notícias que o telejornal deu sobre a crise venezuelana.
O grupo de mídia ainda é dono de outros jornais de países sul-americanos, como o El Tiempo, da Colômbia, o El Mercúrio, do Chile, e o Lá Nación, da Argentina. Todos jornais de linha conservadora. O La Nación, aliás, faz oposição cerrada a Cristina Kirschner, na Argentina.
O jornal El Nacional mente descaradamente sobre a situação na Venezuela. Dizia as mesmas coisas durante o golpe de 2002. Há provas concretas de que não são apenas “estudantes magricelos” que estão indo às ruas incendiar até a sede do Ministério Público, jogar bombas e atirar em governistas do alto dos prédios.
Mas não é o que importa, neste texto.
O que importa é que o editorial em questão desmente de forma cabal e insofismável a versão mentirosa de que não há liberdade de imprensa na Venezuela. Esse tipo de diatribe contra o governo está nas televisões, nas rádios, nos portais de internet, em toda parte daquele país. E, creia-me, leitor, o ataque do El Nacional é um dos mais suaves que se faz ao governo venezuelano. http://www.conversaafiada.com.br/politica/2014/03/10/edu-a-prova-de-que-nao-ha-censura-na-venezuela/#.Ux3C9J0tMXE.facebook
Deputado Stephanes Júnior, presidente do PMDB de Curitiba, nesta quarta (26), deu drible na oposição ao aprovar ‘minuto de silêncio’ na Assembleia Legislativa do Paraná pró-golpe de Estado contra presidente da Venezuela Nicolás Maduro; em 2007, parlamentar considerado ultradireita, aliado de Richa, também conseguiu passar moção declarando o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez como persona non grata no estado; flerte do legislativo do Paraná com golpistas fascistas envergonha os verdadeiros democratas; líder da revolução bolivariana morto há um ano esteve na capital paranaense a convite do então governador Roberto Requião, em 2006.
O deputado Reinold Stephanes Júnior, eleito no último domingo (23) como presidente do PMDB de Curitiba, surpreendeu na tarde desta quarta (26) ao propor na sessão da Assembleia Legislativa do Paraná um minuto de silêncio em homenagem às vítimas de Nicolás Maduro na Venezuela.
Considerado ultradireita, o parlamentar é autor de outra polêmica proposição de 2007 que declarou o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez como persona non grata no Paraná. O moço é da tropa de choque do governador Beto Richa (PSDB).
Júnior, filho do ex-ministro da Agricultura Reinold Stephanes (PSD), é favorável ao golpe de Estado na vizinha Venezuela. Na prática, ao aprovar o ‘minuto de silêncio’, a Assembleia Legislativa do Paraná compactua com o golpismo e flerta com o fascismo.
O legislativo paranaense é presidido pelo deputado Valdir Rossoni (PSDB). A decisão de hoje, mais uma vez, envergonha os verdadeiros democratas do país e do mundo.
O New York Times começou sua reportagem sobre a Venezuela na última sexta-feira dizendo que “a única estação de televisão que transmite regularmente vozes críticas ao governo foi vendida no ano passado e os novos proprietários têm suavizado a sua cobertura de notícias”.
O Comitê para a Proteção dos Jornalistas, CPJ, escreveu na semana passada: “Quase todas as estações de TV na Venezuela ou são controladas ou aliadas do governo de Nicolás Maduro e ignoraram os protestos em todo o país”.
Antes de se entregar às autoridades, o líder da oposição Leopoldo López afirmou: “Nós já não temos qualquer meio de comunicação livre para nos expressar na Venezuela”.
Estas afirmações são verdadeiras ou falsas? Declarações similares são feitas repetidamente nas principais agências de notícias internacionais e geralmente aceitas como verdadeiras. No entanto, esta deve ser uma questão factual, independentemente se alguém simpatiza com a oposição, o governo ou nenhum dos dois.
Os dados publicados pelo Carter Center sobre a cobertura da mídia durante a campanha para as últimas eleições presidenciais, em abril do ano passado, indicam que os dois candidatos foram representados de forma bastante equilibrada na cobertura televisiva.
Nós vamos voltar para o relatório do Carter Center, mas primeiro façamos uma verificação rápida com base em eventos recentes da cobertura. Podemos olhar para as transmissões das maiores emissoras de televisão do país. A maior é a Venevisión, de propriedade do magnata da mídia e bilionário Gustavo Cisneros. Segundo o Carter Center, ela tem cerca de 35% da audiência de notícias durante “eventos de interesse jornalístico-chaves recentes”.
Se olharmos para a sua cobertura desde que os protestos começaram em 12 de fevereiro, podemos encontrar muitas ocasiões em que “vozes críticas ao governo” e líderes da oposição aparecem “regularmente”. Por exemplo, aqui está uma entrevista da Venevisión com Tomás Guanipa, líder do grupo oposicionista Primero Justicia (Justiça Primeiro) e com um representante do partido na Assembleia Nacional. Ele defende os protestos e acusa o governo de torturar estudantes.
Aqui está uma longa entrevista com María Corina Machado, uma das líderes da oposição mais proeminentes e linha-dura, que procura derrubar Maduro. Ela também acusa o governo de torturar os alunos e defende o aspecto mais controverso dos protestos em curso: argumenta que as pessoas têm o direito de derrubar o governo democraticamente eleito. (Isso é algo que não iria aparecer na TV na maioria dos países do mundo; na Venezuela, as ameaças de derrubar o governo viraram realidade e houve várias tentativas nos últimos 12 anos). Esta entrevista é da Globovisión, a estação que a reportagem do New York Times reclama que tenha “suavizado sua cobertura”.
Os dados acima mostram que a declaração do New York Times é falsa, uma vez que a Venevisión e outras emissoras transmitiram regularmente essas vozes críticas no passado e ainda o fazem. Mas também mostram que a implicação do repórter do Times de que a venda de alguma forma tornou a Globovisión uma TV amiga do governo é altamente enganosa. Sim, ela tem “suavizado sua abordagem”. Saiu de algo comparável à Fox News com esteróides para algo como NBC, CBS ou CNN nos EUA: uma cobertura de notícias que segue a norma jornalística segundo a qual deve haver algum equilíbrio. Agora, para muitos direitistas nos Estados Unidos, se você não é Fox News, você é um apologista da administração Obama.
Os exemplos acima, assim como os links abaixo, mostram que a frase de abertura do New York Times é falsa. Da mesma forma, a declaração CPJ é falsa: as emissoras de TV com maioria de telespectadores na Venezuela não são “controladas ou aliadas de Maduro” e nem têm “ignorado os protestos em todo o país”.
Isso não quer dizer que eles não se envolvam com auto-censura: eles o fazem. Isso é verdade em todo o mundo, inclusive nos Estados Unidos (onde atinge níveis extremos em certas questões). Na Venezuela, há uma história por trás da relutância de alguns canais de TV de mostrar imagens em tempo real de violência em manifestações: em 2002, os principais canais manipularam cenas de tiroteios durante uma manifestação e através de transmissões repetidas convenceram grande parte da país e do mundo que as forças do governo haviam cometido um massacre, o que justificaria um golpe militar. Oito meses mais tarde, a indústria petrolífera controlada pela oposição nacional e empresas de propriedade da oposição entraram em greve, mais uma vez com a intenção declarada de derrubar o governo. As principais emissoras convidaram as pessoas a sair às ruas e derrubar o governo.
Mas, em qualquer caso, as manifestações e os pontos de vista dos manifestantes ainda são bastante visíveis na mídia privada, que tem entre 74 e 92 por cento da audiência televisiva, dependendo do que está acontecendo no país.
Mas, novamente, voltemos para a verificação dos fatos. As estações de televisão privadas são “controladas ou aliadas” do governo? Ao invés de apenas olhar para a cobertura de acontecimentos recentes, podemos usar um estudo mais sistemático do Carter Center sobre cobertura importante da última campanha presidencial, em abril de 2013. Eles descobriram que:
A distribuição por canais mostra que estações privadas dedicaram mais tempo ao candidato Henrique Capriles Radonski, sua campanha e seus eleitores (73%), com uma percentagem muito menor (19%) dedicada ao candidato do partido do governo, Nicolás Maduro, sua campanha e seus eleitores. O desequilíbrio na cobertura no canal estatal, no entanto, foi ainda mais acentuada. Noventa por cento da cobertura esteve focada no candidato do governo, enquanto as atividades de campanha de seu oponente receberam quase 1 por cento de atenção.
E:
Em relação ao tom da cobertura nos meios de comunicação públicos, o monitoramento constatou 91% de cobertura positiva para o candidato Nicolás Maduro. Capriles não tinha cobertura positiva (91% dos registros foram negativos, enquanto os restantes 9% eram neutros). Na mídia privada, Henrique Capriles recebeu 60% de cobertura positiva (23% negativa e 17% neutra), enquanto Maduro teve 28% de cobertura positiva (54% negativa e 18% neutra).
Agora, isso indica um viés mais forte na mídia pública (pró-governo) do que na TV privada (pró-oposição). No entanto, o Carter Center informa que a TV privada tem, para “eventos-chaves de interesse jornalístico” cerca de 74% da audiência, com a participação do estado em apenas 26%.
As declarações segundo as quais toda a TV é “controlada ou aliada do governo” são claramente mentirosas. A TV estatal pode cantar os louvores de Maduro durante todo o dia, mas a mídia privada atinge várias vezes mais pessoas com um viés oposto.
Finalmente, existem as cadeias, em que todas as estações transmitem os discursos do presidente (essa lei é anterior à era Chávez). No entanto, o presidente Maduro não usou cadeias durante o período da campanha, apenas uma antes do lançamento da candidatura. O período de monitoramento do Carter Center é de 28 de março a 16 de abril e o relatório incluiu quatro cadeias nos dois dias após a eleição.
Leopoldo López é um político e ele deve ser perdoado por suas hipérboles (como os críticos de direita do presidente Barack Obama nos Estados Unidos, que o chamam de “ditador socialista”). Mas o New York Times e o CPJ devem ser mais cuidadosos para não apresentar alegações falsas como fato.
Abaixo, alguns links da cobertura da TV privada dos recentes acontecimentos: