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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

INTELECTUAL TUCANO DIZ QUE PSDB É "IRRESPONSÁVEL"

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

"INTELECTUAIS" QUE APÓIAM AÉCIO SÓ ENTENDEM DE PORRADA...

Coronel Telhada para Ministro da Cultura de Aécio?Assista o vídeo…

16 de outubro de 2014 | 16:42 Autor: Fernando Brito
telhada
É impagável o vídeo da TV Folha sobre o  pouco concorrido encontro de “intelectuais e artistas” em apoio a Aécio Neves,  que teve como um dos protagonistas o polêmico Coronel Telhada, uma espécie de Jair Bolsonaro da PM paulista.
Telhada é um dos participantes do vídeo e diz que sempre foi ligado ao movimento cultural, entre outras coisas, por ter sido, como ele diz “segurança do Gugu” Liberato, e porque a PM sempre investiu em “bandas e fanfarras”.
Bacana.
Lobão acusa Chico Buarque e os Racionais MC de serem artistas “chapa-branca” e diz que “os professores nas escolas são todos comunistas”.
Se ficasse nisso, era apenas uma reunião de pessoas dignas de piedade.
Mas eles estão se tornando agressivos e a agressão verbal e quase física de um energúmeno ao ator e escritor  Gregório Duvivier, foi ameaçado de “umas porradas” mo Leblon por  declarar em sua coluna na Folha de S.Paulo apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff. Aliás, depois de outro ator, Dado Dollabela, condenado pela Justiça do Rio de Janeiro por agressão à atriz Luana Piovani, tê-lo chamado de “marginal” por sua opção política no Facebook.
Talvez o Coronel Telhada seja mesmo um nome adequado para a “cultura da intolerância” que essa gente pratica.
http://tijolaco.com.br/blog/?p=22156

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

SILVIO PRADO DESCREVE CENA DE DESESPERO DE ELEITORES ANTI-BRASIL

DESESPERO TUCANO

Silvio Prado, professor
Em Taubaté, num pequeno restaurante do centro da cidade a tevê mostra cenas do horário eleitoral petista. Na tela, Dilma, sob um apertado abraço de Lula, ouve o estrondoso aplauso da plateia de intelectuais e artistas que encheram o auditório para lhe prestar apoio político. Depois, firme e determinada como sempre, a candidata põe-se a discursar.
Numa das mesas do restaurante, dois homens e uma mulher não disfarçam a irritação:
- Cachorra, diz um deles.
- Vaca, acrescenta o outro.
O primeiro homem só não esmurra a mesa porque sabe que faria voar os pratos de comida que estão sobre ela. A mulher, sentada e comendo com eles, entra na conversa:
- Mas ela pode ganhar essa eleição, certo?
- Não com o meu voto, responde o mais velho deles.
- Nem com o meu, diz o outro, depois de uma garfada enraivecida sobre o bife acebolado que tem no prato.
Como se fosse uma indesejável trilha sonora da irritada conversa entre tucanos, o discurso da candidata do PT enche o ambiente e prende a atenção de todos.
A mulher, mesmo sendo eleitora de Aécio Neves, parece ter prazer em provocar os dois companheiros que no primeiro turno também votam no candidato tucano.
- Se houver segundo turno, a Dilma enfrenta a Marina. E aí, como vocês vão fazer?
- Credo! Não me fale nesse nome.
- Vou anular o voto. Anular, entendeu?
- Eu não. Voto na Marina, viu? O PT precisa perder de qualquer maneira, diz ela.
- Marina também é comunista, porra!, diz quase gritando o mais velho dos homens.
- Petista é pior do que comunista, bem pior, sabiam? responde asperamente a mulher.
-Pensando bem, foda-se o Brasil, grita o outro companheiro de mesa que, não mais controlando a irritação, bruscamente se levanta e pede para o dono do estabelecimento desligar o aparelho de tevê.
Próximo dali, atrás de um copo de cerveja qualquer, tinha gente não sabendo mais o que fazer para controlar uma boa e bela gargalhada.
http://www.iranilima.com/2014/09/desespero-tucano.html

terça-feira, 9 de setembro de 2014

POR QUE VOTAR EM JOÃO BATISTA DE ANDRADE PARA O TROFÉU JUCA PATO


Antonio Barbosa Filho (*)
 Delft (Países Baixos) - Concedido desde 1962 pela UBE - União Brasileira de Escritores, o troféu Juca Pato ao “Intelectual do Ano” não é propriamente um prêmio literário. Na verdade, são agraciadas personalidades das mais diversas áreas de atuação cultural que se utilizam do livro e que, por este meio, tenham alcançado repercussão no ano anterior. A indicação dos nomes parte de uma lista mínima de 30 sócios da UBE, e na atual presidência de Joaquim Maria Botelho, decidiu-se abrir a eleição a todos os que se considerem “amigos do livro”. No ano passado não houve disputa, e o jornalista e escritor Audálio Dantas foi eleito por unanimidade, devido ao lançamento de seu livro “As duas guerras de Vlado”, que ganharia também o prêmio de “Livro de Ano de Não-Ficção” e o prêmio Jabuti, outorgado pela Câmara Brasileira do Livro. Para 2014, foram apresentadas duas candidaturas ao Juca Pato: a respeitada crítica e professora de Literatura Nelly Novaes Coelho, que lançou no ano passado “Escritores Brasileiros no Século XX”, e o escritor e cineasta João Batista de Andrade, pelo seu romance “Confinados, memória de um tempo sem saída”. A votação irá do dia 1 de agosto até 15 de setembro, e a entrega se dará em data e local a serem divulgados junto com o nome do vencedor. Admirador da professora Nelly Novaes, que tem uma marcante trajetória na pesquisa e na divulgação da Literatura em Língua Portuguesa, inclino-me a dar meu modesto voto ao atual presidente da Fundação Memorial da América Latina, o agitador cultural João Batista de Andrade. Estando fora do Brasil e, por isso, não tendo ainda lido os dois livros mais recentes dos indicados, baseio-me exatamente na longa atuação do meu candidato em variadas frentes da vida cultural paulista e brasileira. Seus outros livros, seus quinze longa-metragens (vários deles premiados em festivais brasileiros e internacionais, como “O Homem que virou suco”, medalha de ouro no festival de Moscou, em 1981, e “O país dos tenentes”, que levou quase todos os prêmios no Festival de Brasília, em 87) e a criação da Lei da Cultura (PROAC) quando exerceu o cargo de secretário da Cultura do Estado de São Paulo, constituem méritos mais que suficientes para que o consideremos o “Intelectual do Ano” de 2014. João Batista começou a fazer cinema nos seus tempos de estudante, mas foi forçado a interromper seus passos logo depois de seu primeiro curta, dada a eclosão do golpe militar de 1964 e as dificuldades que dele decorreram para as atividades culturais. Não foi a única interrupção numa carreira que chegou a projetar-se internacionalmente e talvez pudesse ter-nos rendido ainda mais importantes obras: o governo Collor desmontou toda a estrutura de apoio estatal ao Cinema, com a extinção da Embrafilme e do Concine, tornando inviável a produção nacional. João entrou em recesso e só voltaria a produzir cinema em 1999, com o elogiado “O Tronco”, baseado no livro de Bernardo Élis. Em 2005, lançou o documentário “Vlado, 30 anos depois”, um registro da morte trágica, sob tortura, de seu amigo e colega na TV Cultura, Vladimir Herzog. Desde 2012, preside a Fundação Memorial da América Latina, dinâmico pólo cultural de abrangência continental, ao qual tem ! dado um ritmo e uma expansão notáveis - apesar do incêndio recente no seu principal Auditório. O candidato ao Juca Pato - 2014 tem uma linha muito coerente em suas obras, literárias, televisivas e cinematográficas, marcada por uma visão progressista do Brasil e da sociedade. Sobre sua formação, João Batista de Andrade escreveu há alguns anos: “Sou de uma geração que se preparou na primeira juventude, nos anos de 1950, para criar num país em progresso, confiante em seu futuro, democrático - aspiração que a História nos negou com bastante violência. (...) Ensaiamos um teatro crítico, viramos a música de ponta-cabeça, propusemos um cinema capaz de revelar a riqueza cultural e criticar as mazelas da nossa sociedade. “Minha geração acreditou nas idéias transformadoras, acreditou que elas agiriam sobre o real, modificando-o, empurrando o mundo para maior justiça, para o fim dos privilégios, para a democratização radical da sociedade”. E concluía: “A história da minha carreira pessoal - cujo valor não cabe a mim julgar - está marcada por essa circunstância da história. E valerá tanto por essa circunstância quanto pelos eventuais valores éticos e humanistas encontráveis em meus filmes e livros”. Caso seja o mais votado, João Batista passará a integrar uma galeria de premiados que inclue, entre muitos outros, nomes como Santiago Dantas, Caio Prado Jr., Jorge Amado, Cassiano Ricardo, Juscelino Kubitschek, José Américo de Almeida, Luís da Câmara Cascudo, Sobral Pinto, Sérgio Buarque de Holanda, Dalmo de Abreu Dallari, Fernando Henrique Cardoso, Carlos Drummond de Andrade, Antonio Callado, Dom Paulo Evaristo Arns, Raquel de Queiróz, Sábato Magaldi, José Mindlin, Lygia Fagundes Telles, Aziz Ab’Sáber, Tatiana Belinck e o já mencionado Audálio Dantas. E terá sido plenamente merecido. Aqueles que desejarem compartilhar desta justa homenagem a um grande ator do cenário cultural brasileiro da atualidade, e ao mesmo tempo, manifestar seu reconhecimento por uma carreira que enriquece nosso Cinema e nossa Literatura, podem enviar um e-mail para secretaria@ube.org.br manifestando seu voto. São aceitos também votos pelo correio, dirigidos à Secretaria da UBE, Rua Rego Freitas, 454, conjunto 121, Vila Buarque, 01220-010. E outras informações podem ser obtidas pelo fone (11) 3231-4447. (*) Antonio Barbosa Filho é jornalista, autor de “A Bolívia de Evo Morales”, e vice-coordenador do Núcleo Regional da UBE no Vale do Paraíba - SP

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

VOTE EM JOÃO BATISTA DE ANDRADE PARA INTELECTUAL DO ANO, "TROFÉU JUCA PATO", DA UBE

Começa a eleição para o Intelectual do Ano da UBE

O troféu Juca Pato está sendo disputado, neste ano, por Nelly Novaes Coelho e João Batista de Andrade. Veja como votar.
Imagem ilustrativa31.07.2014
Desde o dia 01 de agosto, todas as pessoas interessadas em cultura podem manifestar a sua escolha para o Intelectual do Ano da UBE - União Brasileira de Escritores, que receberá em novembro o troféu Juca Pato. Os votos podem ser encaminhados por email ou carta, para a Secretaria da UBE, até o dia 15 de setembro. 

O troféu Juca Pato não é, a rigor, um prêmio literário. É oferecido, há 52 anos, pela UBE – União Brasileira de Escritores, a personalidade que, pela via do livro, tenha obtido repercussão nacional no ano anterior.
Para a edição de 2014 do Prêmio Intelectual do Ano, duas candidaturas cumpriram as formalidades exigidas pelo regulamento – publicação de livro de impacto no ano anterior e indicação da inscrição por 30 associados da UBE. Concorrem ao prêmio o cineasta e escritor João Batista de Andrade, com o romance “Confinados” e a crítica literária Nelly Novaes Coelho, com o livro “Escritores brasileiros do século XX”.
Os candidatos
Nelly Novaes Coelho foi professora titular de Literatura Portuguesa na USP, até a aposentadoria, em 1992. Atuou como crítica e ensaísta literária, colaborando no Suplemento Literário de “O Estado de São Paulo” e em vários jornais e revistas do Brasil e do exterior. Presidiu a APCA -Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1990. Participou da APC -Association pour La Pensée Complexe, convidada por Edgar Morin. Também lecionou em Lisboa e em Los Angeles.
Com a publicação de seu primeiro livro, O ensino da literatura, obra destinada à formação de professores, na área da Literatura, e que propunha princípios teóricos e respectivas práticas analíticas, visando a introduzir estudos literários desde as primeiras séries escolares, foi convidada a implantar o curso de Literatura Infantil e Juvenil na USP. Destacam-se outras obras: Mário de Andrade para a nova geração, 1970; Escritores portugueses, 1973; Escritores portugueses do século XX/Lisboa, 2007; Literatura e linguagem, 1974; Guimarães Rosa, 1975 (com o qual recebeu o Prêmio Jabuti); Literatura: arte, conhecimento e vida, 2000; A literatura infantil, 1980; Panorama histórico da literatura infantil/juvenil brasileira, 1982 e 2006; Dicionário crítico de escritoras brasileiras, 2002; O conto de fadas (Símbolos/Mitos/Arquétipos), 2003; Primeiro dicionário escolar, 2005, e outros. Dentre as antologias: Ética, solidariedade e complexidade (Edgar de Assis Carvalho, Maria da Conceição de Almeida, Nelly Novaes Coelho, Nelson Fiedler Ferrara, Edgar Morin. 1998); Edgar Morin religando fronteiras (Edgar Morin, André Baggio, Nelly Novaes Coelho, Humberto Mariotti, Mauro Maldonato. Org: Tania M. K Rosing e Nurimar Maria Falci. 2004). 
João Batista de Andrade é escritor, cineasta e doutor em Comunicações pela USP. Tanto na literatura quanto no cinema iniciou carreira artística ainda estudante da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Escritor, cineasta, ativista cultural e político, pensador, João Batista de Andrade foi secretário de Cultura do Estado de São Paulo, quando criou o PROAC – Programa de Ação Cultural – e é presidente da Fundação Memorial da América Latina. Como escritor seu primeiro livro é “Perdido no meio da rua”, 1989. Depois veio o juvenil “A terra do deus dará”, 1991, os romances “Um olé em Deus”, 1997, “O portal dos sonhos, 2001, e sua tese de doutorado “O povo fala”, 2002. Em 2013 lançou seu sexto livro: “Confinados, memórias de um tempo sem saídas”, ficção em que seus personagens, visionariamente, convivem com situações de conflito social e político semelhantes ao que se vê atualmente pelas ruas do país
No cinema, com 17 longas-metragens e inúmeros filmes para TV e circuitos alternativos, tem uma carreira premiada nacional e internacionalmente, com títulos como os clássicos “Liberdade de Imprensa”, 1967, “Doramundo”, 1978, “Wilsinho Galiléia”, 1987, “O home que virou suco”, 1980, “Céu Aberto”, 1985, “O País dos Tenentes”, 1987, “O Tronco”, 1998, “Vlado, trinta anos depois”, 2005 e “Veias e vinhos, uma história brasileira”, 2006.
Seu trabalho também foi reconhecido pela dedicação em defesa dos Direitos Humanos. Dessa lista, o mais recente é o XXX Prêmio Direitos Humanos “Franz de Castro Holzwarth”, que lhe foi outorgado no início de junho de 2014 pela Ordem dos Advogados do Brasil/OAB.
O troféu – Juca Pato, personagem idealizado pelo cartunista Belmonte, era o herói de tiras de quadrinhos publicadas no jornal Folha de S. Paulo, nas décadas de 1930 a 1960. Simbolizava o homem de classe média, de olhar crítico e inteligência aguda, que desancava os poderes e aguilhoava os malfeitos das autoridades. Belmonte, em razão do espírito contestador do seu personagem, foi proibido de entrar na Alemanha de Hitler, tendo sido considerado persona non grata, antes mesmo de deflagrada a Segunda Grande Guerra. Marcos Rey, diretor da UBE em 1962, propôs a instituição do prêmio Intelectual do Ano, criando o troféu Juca Pato para simbolizar o escritor brasileiro, mal pago e inconformado, embora insistentemente produtivo.
O prêmio – O Prêmio Intelectual do Ano foi concebido na antessala do golpe militar de 1964. Talvez seja por isso que o gesto de entrega do Troféu Juca Pato ao seu ganhador tenha se notabilizado como uma espécie de pièce de résistance no panorama contemporâneo da cultura brasileira.
Seu criador, em 1962, o escritor Marcos Rey, diria, tão logo iniciado o regime militar no país, que “a imagem do Juca, mesmo sem legendas, amordaçada, imobilizada em bronze, é presença incômoda para a ditadura”. E, não por coincidência, mas por ligação íntima com o governo que seria deposto, o então ministro Santiago Dantas, vaticinaria em seu discurso ao receber o Juca Pato, em 1963:
“O nosso esforço se legitima na medida em que formos capazes de lutar contra a opressão, que muda de formas ao longo da história. E será por esta senda de reflexão sobre o país e seus problemas; sobre nossa cultura e soberania e tudo que as ameaça; será sempre por esse caminho que o Prêmio Intelectual do Ano irá se firmar como dos mais valorosos em nosso país”.
O Juca Pato é uma réplica do personagem idealizado pelo jornalista Lélis Vieira e imortalizado pelo ilustrador e chargista Benedito Carneiro Bastos Barreto, o Belmonte (1896-1947). A escultura ganhou vida pelas mãos do artista húngaro László Zinner, cuja obra foi tema de recente exposição em São Paulo.
A caricatura criada por Belmonte retratava um sujeito simples, trabalhador e honesto, que representava o típico paulistano da classe média. Nacionalista, inteligente e culto, era o alter ego do seu criador que, com sua arte, foi colaborador de Monteiro Lobato e Viriato Correia.

A votação – O período de eleição está programado para ocorrer entre 01 de agosto e 15 de setembro. Com o objetivo de ampliar a divulgação do prêmio, a UBE, sob a presidência de Joaquim Maria Botelho, decidiu abrir o processo eleitoral para todos os amigos do livro. Anteriormente, a eleição era restrita a associados da UBE e representantes de entidades como academias de letras e universidades. A partir de 2014, qualquer pessoa pode manifestar o seu voto, por meio de mensagem de correio eletrônico para secretaria@ube.org.br
Também serão aceitos votos por carta, que deve ser enviada ao seguinte endereço:
UBE – União Brasileira de Escritores
a/c Secretaria
Rua Rego Freitas, 454 – conjunto 121
Vila Buarque
São Paulo – SP
CEP 01220-010
Mais informações: telefone 11 3231-4447

JOVENS PRECISAM SABER MAIS SOBRE A DITADURA

sábado, 19 de julho de 2014

IMPERDÍVEL, HILARIANTE: MILLÔR ANALISA A OBRA LITERÁRIA DE FHC!!!

LIÇÃO PRIMEIRA
De uma coisa ninguém podia me acusar — de ter perdido meu tempo lendo FhC (superlativo de PhD). Achava meu tempo melhor aproveitado lendo o Almanaque da Saúde da Mulher. Mas quando o homem se tornou vosso Presidente, achei que devia ler o Mein Kampf (Minha Luta, em tradução literal) dele, quando lutava bravamente, no Chile, em sua Mercedes (“A mais linda Mercedes azul que vi na minha vida”, segundo o companheiro Weffort, na tevê, quando ainda não sabia que ia ser Ministro), e nós ficávamos aqui, numa boa, papeando descontraidamente com a amável rapaziada do Dops-DOI-CODI.
Quando, afinal, arranjei o tal Opus Magno — Dependência e Desenvolvimento na América Latina — tive que dar a mão à palmatória. O livro é muito melhor do que eu esperava. De deixar o imortal Sir Ney morrer de inveja. Sem qualquerpartipri, e sem poder supervalorizar a obra, transcrevo um trecho, apanhado no mais absoluto acaso, para que os leitores babem por si:
“É evidente que a explicação técnica das estruturas de dominação, no caso dos países latino-americanos, implica estabelecer conexões que se dão entre os determinantes internos e externos, mas essas vinculações, em que qualquer hipótese, não devem ser entendidas em termos de uma relação “casual-analítica”, nem muito menos em termos de uma determinação mecânica e imediata do interno pelo externo. Precisamente o conceito de dependência, que mais adiante será examinado, pretende outorgar significado a uma série de fatos e situações que aparecem conjuntamente em um momento dado e busca-se estabelecer, por seu intermédio, as relações que tornam inteligíveis as situações empíricas em função do modo de conexão entre os componentes estruturais internos e externos. Mas o externo, nessa perspectiva, expressa-se também como um modo particular de relação entre grupos e classes sociais de âmbito das nações subdesenvolvidas. É precisamente por isso que tem validez centrar a análise de dependência em sua manifestação interna, posto que o conceito de dependência utiliza-se como um tipo específico de “causal-significante’ — implicações determinadas por um modo de relação historicamente dado e não como conceito meramente “mecânico-causal”, que enfatiza a determinação externa, anterior, que posteriormente produziria ‘conseqüências internas’.”
Concurso – E-mail:Qualquer leitor que conseguir sintetizar, em duas ou três linhas (210 toques), o que o ociólogo preferido por 9 entre 10 estrelas da ociologia da Sorbonne quis dizer com isso, ganhará um exemplar do outro clássico, já comentado na primeira parte desta obra: Brejal dos Guajas — de José Sarney.
LIÇÃO SEGUNDAComo sei que todos os leitores ficaram flabbergasted (não sabem o que quer dizer? Dumbfounded, pô!) com a Lição primeira sobre Dependência e Desenvolvimento da América Latina, boto aqui outro trecho — também escolhidoabsolutamente ao acaso — do Opus Magno de gênio da “profilática hermenêutica consubstancial da infra-estrutura casuística”, perdão, pegou-me o estilo. Se não acreditam que o trecho foi escolhido ao acaso, leiam o livro todo. Vão ver o que é bom!
Estrutura e Processo: Determinações Recíprocas
“Para a análise global do desenvolvimento não é suficiente, entretanto, agregar ao conhecimento das condicionantes estruturais a compreensão dos ‘fatores sociais’, entendidos estes como novas variáveis de tipo estrutural. Para adquirir significação, tal análise requer um duplo esforço de redefinição de perspectivas: por um lado, considerar em sua totalidade as ‘condições históricas particulares’ — econômicas e sociais — subjacentes aos processos de desenvolvimento no plano nacional e no plano externo; por outro, compreender, nas situações estruturais dadas, os objetivos e interesses que dão sentido, orientam ou animam o conflito entre os grupos e classes e os movimentos sociais que ‘põem em marcha’ nas sociedades em desenvolvimento. Requer-se, portanto, e isso é fundamental, uma perspectiva que, ao realçar as mencionadas condições concretas — que são de caráter estrutural — e ao destacar os móveis dos movimentos sociais — objetivos, valores, ideologias —, analise aquelas e estes em suas relações e determinações recíprocas. (…) Isso supõe que a análise ultrapasse a abordagem que se pode chamar de enfoque estrutural, reintegrando-a em uma interpretação feita em termos de ‘processo histórico’ (1). Tal interpretação não significa aceitar o ponto de vista ingênuo, que assinala a importância da seqüência temporal para a explicação científica — origem e desenvolvimento de cada situação social — mas que o devir histórico só se explica por categorias que atribuam significação aos fatos e que, em conseqüência, sejam historicamente referidas.
(1)  Ver, especialmente, W. W. Rostow, The Stages of Economic Growth, A Non-Communist Manifest, Cambridge, Cambridge University Press, 1962; Wilbert Moore, Economy and Society, Nova York, Doubleday Co., 1955; Kerr, Dunlop e outros, Industrialism and Industrial Man, Londres, Heinemann, 1962.”
Comentário do Millôr, intimidado:A todo momento, conhecendo nossa precária capacitação para entender o objetivo e desenvolvimento do seu, de qualquer forma, inalcançável saber, o professor FhC faz uma nota de pata de página. Só uma objeçãozinha, professor. Comprei o seu livro para que o senhor me explicasse sociologia. Se não entendo o que diz, em português tão cristalino, como me remete a esses livros todos? Em inglês! Que o senhor não informa onde estão, como encontrar. E outra coisa, professor, paguei uma nota preta pelo seu tratado, sou um estudante pobre, não tenho mais dinheiro. Além  do que, confesso com vergonha, não sei inglês. Olha, não vá se ofender, me dá até a impressão, sem qualquer malícia, que o senhor imita um velho amigo meu, padre que servia na Paróquia de Vigário-Geral, no Rio. Sábio, ele achava inútil tentar explicar melhor os altos desígnios de Deus pra plebe ignara do pequeno burgo e ensinava usando parábolas, epístolas, salmos e encíclicas. E me dizia: “Millôr, meu filho, em Roma, eu como os romanos. Sendo vigário em Vigário-Geral, tenho que ensinar com vigarice”.
LIÇÃO TERCEIRAHá vezes, e não são poucas, em que FhC atinge níveis insuperáveis. Vejam, pra terminar esta pequena explanação, este pequeno trecho ainda escolhido ao acaso. Eu sei, eu sei — os defensores de FhC, a máfia de beca, dirão que o acaso está contra ele. Mas leiam:
“É oportuno assinalar aqui que a influência dos livros como o de Talcot Parsons, The Social System, Glencoe, The Free Press, 1951, ou o de Roberto K. Merton, Social Theory and Social Structure, Glencoe, The Free press, 1949, desempenharam um papel decisivo na formulação desse tipo de análise do desenvolvimento. Em outros autores enfatizaram-se mais os aspectos psicossociais da passagem do tradicionalismo para o modernismo, como em Everett Hagen, On the Theory of Social Change, Homewood, Dorsey Press, 1962, e David MacClelland, The  Achieving Society, Princeton, Van Nostrand, 1961. Por outro lado, Daniel Lemer, em The Passing of Traditional Society: Modernizing the Middle East, Glencoe, The Free Press, 1958, formulou em termos mais gerais, isto é, não especificamente orientados para o problema do desenvolvimento, o enfoque do tradicionalismo e do modernismo como análise dos processos de mudança social”.
Amigos, não é genial? Vou até repetir pra vocês gozarem (no bom sentido) melhor: “formulou (em termos mais gerais, isto é, não especificamente orientados para o problema do desenvolvimento) o enfoque (do tradicionalismo e do modernismo) como análise (dos processos de mudança social)”.
Formulou o enfoque como análise!
É demais! É demais! E sei que o vosso sábio governando, nosso FhC, espécie de Sarney barroco-rococó, poderia ir ainda mais longe.
Poderia analisar a fórmula como enfoque.
Ou enfocar a análise como fórmula.
É evidente que só não o fez em respeito à simplicidade de estilo.
Tópico avulso sobre imodéstia e pequenos disparates do eremita preferido dos Mamonas Assassinas.
Vaidade todos vocês têm, não é mesmo? Mas há vaidades doentias, como as das pessoas capazes de acordar às três da manhã para falar dois minutos num programa de tevê visto por exatamente mais ou menos ninguém. Há vaidades patológicas, como as de Madonas e Reis do Roque, só possíveis em sociedades que criaram multidões patológicas.
Mas há vaidades indescritíveis. Vaidade em estado puro, sem retoque nem disfarce, tão vaidade que o vaidoso nem percebe que tem, pois tudo que infla sua vaidade é para ele coisa absolutamente natural. Quem é supremamente vaidoso, se acha sempre supremamente modesto. Esse ser existe materializado em FhC (superlativo de PhD). Um umbigo delirante.
O que me impressiona é que esse homem, que escreve mal — se aquilo é escrever bem o meu poodle é bicicleta — e fala pessimamente — seu falar é absolutamente vazio, as frases se contradizem entre si, quando uma frase não se contradiz nela mesma, é considerado o maior sociólogo brasileiro.
Nunca vi nada que ele fizesse (Dependência e Desenvolvimento na América Latina, livro que o elevou à glória, é apenas um Brejal dos Guajas, mais acadêmico) e dissesse que não fosse tolice primária. “Também tenho um pé na cozinha”, “(os brasileiros) são todos caipiras”, “(os aposentados) são uns vagabundos”, “(o Congresso) precisa de uma assepsia”, “Ser rico é muito chato”, “Todos os trabalhadores deviam fazer checape”, “Não vou transformar isso (a moratória de Itamar) num fato político”. “Isso (a violência, chamada de Poder Paralelo) é uma anomia”. E por aí vai. Pra não lembrar o vergonhoso passado, quando sentou na cadeira da prefeitura de São Paulo, antes de ser derrotado por Jânio Quadros, segundo ele “um fantasma que não mete mais medo a ninguém”.
Eleito prefeito, no dia seguinte Jânio Quadros desinfetou a cadeira com uma bomba de Flit.
E, sempre que aproxima mais o país do abismo no qual, segundo a retórica política, o Brasil vive, esse FhC (superlativo de PhD) corre à televisão e deita a fala do trono, com a convicção de que, mais do que nunca, foi ele, the king of the black sweetmeat made of coconuts (o rei da cocada preta), quem conduziu o Brasil à salvação definitiva e à glória eterna. E que todos querem ouvi-lo mais uma vez no Hosana e na Aleluia. Haja!
Millôr Fernandes

http://esquerdopata.blogspot.nl/2010/04/o-pensamento-de-fhc-analisado-por.html