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quinta-feira, 24 de abril de 2014

PROTESTAR POR DIREITOS DE JOSÉ DIRCEU É QUESTÃO DE CARÁTER

Jornalista da IstoÉ Independente pergunta se vamos esperar até 2050 para pedir desculpas a José Dirceu:
Dirceu na Comissão da Verdade
Paulo Moreira Leite
Num país que levou um mais de 40 anos para constituir uma Comissão da Verdade para apurar os crimes do passado do regime militar, talvez seja o caso de pedir a abertura de um novo item de sua pauta para investigar ataques aos direitos humanos que têm sido cometidos nos dias de hoje. O primeiro nome é José Dirceu.
O caso é exemplar. Embora nunca tenha recebido, em forma definitiva, uma sentença em regime fechado, o esforço para impedir Dirceu de respirar  o oxigênio que só se encontra fora de uma prisão foi reforçado. Tudo se move para impedir que ele possa sair  à rua, caminhar como uma pessoa durante oito horas por dia,  trabalhar como um cidadão, conversar com homens e mulheres que não são nem carcereiros, nem advogados, nem parentes tensos, de olhos úmidos, nas horas tensas de visita.

Como se fosse um delírio, assistimos a um ato de terrorismo que não ousa dizer o seu nome, mas não pode ser definido de outra forma.
Ou como você vai definir um pedido de grampo telefônico que envolve o palácio da Presidência da República, o Congresso?  Vamos fingir que não é um ataque à privacidade de Dilma Rousseff, constranger 513 parlamentares, humilhar onze ministros, apenas para  maltratar os direitos de Dirceu?

Vamos encarar os fatos. É  um esforço -- delirante? quem sabe? -- para rir do regime democrático, gargalhar sobre a divisão de poderes, atingir um dos poderes emanam do povo e em seu nome são exercidos.
Pensando em nossos prazos históricos, eu me pergunto se vale à pena deixar para homens e mulheres de 2050 a responsabilidade de coletar informações para apurar fatos desconhecidos  e definir responsabilidades pelo tratamento abusivo e injusto que tem sido cometido contra Dirceu.

Sim, Dirceu foi um entre tantos combatentes que a maioria de nós não pode conhecer pelo nome nem pelo rosto, lutadores corajosos daquele Brasil da ditadura.
Depois de ajudar a liderar um movimento de estudantes que impediu, por exemplo, que o ensino brasileiro fosse administrado por pedagogos do governo norte-americano, Dirceu tomou parte da vitória do país inteiro pela democracia. Sem abandonar jamais uma ternura pelo regime de Fidel Castro que ninguém é obrigado a  partilhar, mostrou-se um líder político capaz de negociar com empresários, lideranças da oposição e governantes estrangeiros.
Hoje ele se encontra no presídio da Papuda, impedido de exercer direitos elementares que já foram reconhecidos pelo ministério público e até pelo serviço Psicossocial. Trabalha na biblioteca. Já se ofereceu para ajudar na limpeza.
Sua situação é dramática mas ninguém precisa esperar até 2050 para tentar descobrir que há alguma coisa errada, certo?

Basta caráter. Em situações políticas determinadas, este pode ser o  dado decisivo da situação politica. Pode favorecer ou pode prejudicar os direitos das vítimas e também iluminar a formação das novas gerações. Os direitos humanos elementares, as garantias sobre a vida e a liberdade, costumam depender disso com frequência.

Vejam o que aconteceu com o general José Antônio Belham. Em 1971, ele exibia a mais alta patente na repartição militar onde Rubens Paiva foi morto sob torturas.
Quando precisou explicar-se, 43 anos mais tarde, Belham afirmou que não se encontrava ali. Estava de ferias. Acabou desmentido de forma vergonhosa. Consultando suas folhas de serviços, a Comissão da Verdade concluiu que o general não era verdade.

Ele não só estava lá como recebera os proventos devidos pelo serviço daqueles dias.
 Esse é o problema. Ninguém é obrigado a ser herói. Como ensina Hanna Arendt, basta cumprir seu dever. Caso contrário, a pessoa se deixa apanhar numa situação que envergonha a mulher, os filhos, os netos – sem falar nos amigos dos filhos, nos amigos dos netos. Nem sempre é possível livrar-se do vexame de prestar contas pela própria história.

Lembra daquela frase comum em filmes de gangster, quando o herói recebe uma advertência criminosa: “você vai se arrepender de estar vivo?”  Isso também pode acontecer com pessoas que não têm caráter. 
Imagine como vai ser difícil, para homens e mulheres de 2050, explicar seu silêncio diante de tantos fatos que envolvem o tratamento dispensado a Dirceu. Ele foi cassado em 2005 por “quebra de decoro parlamentar”, essa acusação que, sabemos há mais de meio século, é tão subjetiva que costuma ser empregada para casos de vingança e raramente serviu para fazer justiça --  porque dispensa provas e fatos, vale-se apenas de impressões e convenções sociais que, como se sabe, variam em função de tempo e lugar, de pessoa, de geração e até classe social.

Em 2012, não se encontrou nenhuma prova capaz de envolver Dirceu no esquema de arrecadação e distribuição de recursos financeiros para as campanhas do PT. A necessidade de garantir sua punição de qualquer maneira explica a importação da teoria do domínio do fato. Inventaram uma quadrilha porque era preciso condenar Dirceu como seu chefe  mas o argumento não durou dois anos. Depois que o STF concluiu que não havia crime de quadrilha, ficou difícil saber qual era a atuação real de Dirceu nessa fantasia.

Pensa que o Estado brasileiro pediu desculpas, numa daquelas solenidades que nunca receberão a atenção merecida, com as vítimas dos torturadores do  pós-64? Pelo contrário. O sofrimento imposto a Dirceu aumentou, numa forma perversa de punição.
Numa sequencia da doutrina Luiz Fux, que disse no STF que os acusados devem provar sua inocência, coube-lhe tentar provar o que não falou ao celular com um Secretário de Estado da Bahia.
Foi invadido em sua privacidade, desrespeitado em seus direitos humanos. Para que? É um espetáculo didático.
Como cidadão, tenta-se fazer Dirceu cumprir a função de ser humilhado em publico – ainda que boa parte do público não se dê conta de que ele próprio também está sendo ultrajado. Através desse espetáculo, tenta-se enfraquecer quem reconhece seu papel político,  quem reconhece uma injustiça – e precisa ser convencido de que não adianta reagir para tentar modificar essa situação. 
Não poderia haver lição mais reacionária, própria daqueles homens que fogem da Comissão da Verdade com mentirinhas e desculpas vergonhosas.

Não se engane: o esforço para inocular um sentimento de fraqueza em cidadãos e homens do povo é próprio das ditaduras. Fazem isso pela força -- e pela demonstração de força, também. 
Outra razão é política. Tenta-se demonstrar que o sistema penitenciário do governo do Distrito Federal – cujo governador é do PT, como Dirceu e todos os principais réus políticos dessa história, você sabe -- não é capaz de cuidar dele, argumento sob medida para que seja conduzido a uma prisão federal, onde não poderá cumprir o regime semiaberto.
Este é o objetivo. Vai ser alcançado? Não se sabe.
Animal consciente dos estados de opressão, o que distingue os homens dos vegetais – e de alguns animais inferiores – é o reconhecimento da liberdade.
O que se quer é encontrar uma falta disciplinar grave, qualquer uma, que sirva como pretexto para revogar os  direitos de Dirceu. Pretende-se obter uma regressão de sua pena e conseguir aquilo que a Justiça não lhe deu, apesar do show – o regime fechado.
Isso acontece porque o projeto, meus amigos, é o ostracismo – punição arcaica, típica dos regimes absolutistas. Você lembra o que disse Joaquim Barbosa:  

"Acho que a imprensa brasileira presta um grande desserviço ao país ao abrir suas páginas nobres a pessoas condenadas por corrupção. Pessoas condenadas por corrupção devem ficar no ostracismo. Faz parte da pena".

Imagine a maldade que é deixar tudo isso para os homens e mulheres de 2040. Imagine as páginas nobres da imprensa, dos jornais, das revistas. Pense como vai ser difícil, para os leitores do futuro,  entender o que Joaquim Barbosa quis dizer com isso.
Mais uma vez teremos uma página horrenda da história e cidadãos perplexos a perguntar: como foi possível? O que se queria com tudo aquilo?
 E, mais uma vez, num sinal de que se perdeu todo limite, vamos pedir desculpas. As futuras gerações merecem um pouco mais, concorda?   
 Não precisam encarar esta derrota colossal de todos que lutaram  com tanta coragem pela democracia. 

terça-feira, 1 de abril de 2014

MAIS UM TORTURADOR RECEBE "ESCRACHO" DA JUVENTUDE COM CAUSA

Jovens 'escracham' ex-agente da ditadura em SP

01 de abril de 2014 | 10h 29
Agência Estado
Integrantes do movimento Jovens do Levante Popular da Juventude realizaram um ato no início da manhã desta terça-feira, 1º, em frente à casa do delegado aposentado da Polícia Civil Aparecido Laerte Calandra.
Conhecido como "Capitão Ubirajara", Calandra atuou por quase dez anos no DOI-Codi, centro de repressão e tortura da ditadura militar. O ato, definido pelo grupo como ''escracho'', faz parte de ações para lembrar os 50 anos do golpe que depôs o presidente João Goulart.
"O escracho tem como objetivo não deixar que a juventude brasileira esqueça o dia em que se completa os 50 anos do golpe militar, que submeteu nosso país a uma ditadura de mais de 20 anos e denunciar todos os abusos e violências sofridas pelos militantes", diz o grupo, em nota. Os manifestantes picharam a casa do ex-agente com dizerem como "torturador" e "assassino", e deixaram um tecido pregado ao portão no qual pedem "memória, verdade e justiça".
O Levante Popular da Juventude se apresenta como uma organização de jovens militantes que discute formas de mobilização e transformação social.
Nessa segunda, 31 de março, um ato parecido foi organizado em frente à casa do coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, em um bairro nobre de Brasília. Os participantes da manifestação pregaram cartazes com fotos de pessoas que foram mortas e torturadas nas dependências do temido DOI-CODI, em São Paulo, durante o comando de Ustra, nos anos 1970. 
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,jovens-escracham-ex-agente-da-ditadutra-em-sp,1147720,0.htm

sexta-feira, 14 de março de 2014

GOLPE NÃO SERÁ MOTIVO DE "COMEMORAÇÕES" EM QUARTÉIS

Dilma não vai aceitar celebrações militares

Postado em 14 de March de 2014 às 9:14 am

Após 50 anos, o golpe militar de 31 de março de 1964 é uma lembrança a cada dia mais tênue na memória nacional, mas também uma história sem ponto final que ainda hoje contamina com rancor e ódio o ambiente político.
O conflito é particularmente visível na relação do atual governo com as Forças Armadas, sobretudo com militares da reserva, e na Comissão Nacional da Verdade, criada em 2011 para investigar e esclarecer o que ocorreu com 153 militantes de esquerda desaparecidos durante a ditadura militar (1964-1985).
Antecipando-se a eventuais celebrações, o governo tomou providências para evitar uma nova crise com o meio militar, como se deu em 2012 e 2013 por ocasião do aniversário de 31 de março.
Por orientação de Dilma, uma ex-combatente da luta armada contra o regime dos generais, o ministro da Defesa, Celso Amorim, chamou os comandantes militares e passou o recado: o governo não vai tolerar manifestações do pessoal da ativa.
As punições podem ir da simples advertência à prisão e exclusão das Forças Armadas.
Amorim recebeu a garantia dos chefes militares de que não haverá nada de iniciativa do pessoal da ativa.
A rigor, desde o governo de Lula o 31 de março foi banido do calendário de comemorações militares, o que nem sempre impediu um ou outro oficial de levantar a voz para fazer a apologia da “Redentora” – o apelido da “Revolução de 31 de março de 1964″, como se referiam ao golpe os militares e civis que apoiaram a deposição do ex-presidente João Goulart (1961-1964).
Atualmente, os bolsões que combatem o governo do PT falam em “contrarrevolução”.
O Palácio do Planalto também autorizou “conversas do alto escalão” das Forças Armadas com o pessoal da reserva reunido em torno dos clubes militares. O mais importante deles é o do Exército, chamado de Clube Militar – a Casa da República.
Há um “entendimento” para que a “Casa” evite se manifestar. Realisticamente, no entanto, na avaliação do Ministério da Defesa o simbolismo da data – os 50 anos – é muito forte: o pessoal da ativa e até o Clube Militar, eventualmente, podem ser mantidos sob rédea curta.
Mas dificilmente o grupo mais radical – ligado aos porões da repressão – deixará de celebrar o 31 de março.
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/dilma-nao-vai-aceitar-celebracoes-militares/

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

ARGENTINA VAI INVESTIGAR A MORTE DO PRESIDENTE GOULART

A Justiça da Argentina anunciou, nesta quinta-feira, a intenção de investigar os motivos que levaram à morte do ex-presidente do Brasil, Jango Goulart, e de outros brasileiros desaparecidos durante exílio no país vizinho. A ação será tomada após o pedido do Ministério Público argentino, que investiga a Operação Condor – nome dado à série de golpes na América Latina durante as décadas de 60 e 70 e que tiveram influência dos Estados Unidos.
Procurador federal, Miguel Angel Osorio recebeu do governo brasileiro centenas de documentos oficiais da época, onde a maioria contém informações sobre os exilados e perseguidos. Jangogovernou o Brasil de 1961 a 1964, quando foi deposto pelo golpe militar. Após o evento, ele se exilou com a família no Uruguai e, depois, na Argentina, onde morreu, no dia 6 de dezembro de 1976 em Mercedes, cidade do Norte do país.
Em maio de 2013, foi anunciada a exumação dos restos mortais para serem periciados. O trabalho, feito em novembro envolveu, além da Comissão Nacional da Verdade, o Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul, a Secretaria de Direitos Humanos e a Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. A expectativa da comissão e dos parentes de Goulart é que os resultados sejam entregues no fim do primeiro semestre deste ano.
Comissão da Verdade
Na capital gaúcha, a Comissão da Verdade do Rio Grande do Sul, com o apoio declarado da Comissão da Verdade de São Paulo, quer pedir ajuda aos Estados Unidos para que colaborem nas investigações através dos depoimentos dos agentes norte-americanos que atuaram na Operação Condor, de repressão a opositores dos regimes ditatoriais da América do Sul.
João Vicente Goulart, filho do ex-presidente João Goulart (1919-1976), depôs na comissão Vladmir Herzog, da Câmara Municipal de São Paulo na antevéspera e, durante sua exposição, disse esperar que o Ministério Público brasileiro “tenha a autonomia e a soberania necessária para abrir uma ação cautelar que permita realizar a oitiva de agentes norte-americanos” que atuaram no país durante a ditadura militar (1964-1985). A solicitação de ajuda aos EUA, através do governo brasileiro, será feita depois que saírem os resultados da exumação, “algo que pode demorar entre seis meses e um ano”. Presidente da Comissão da Verdade de São Paulo, o médico e vereador Gilberto Natalini apoia a ideia de Goulart Filho.
– Tudo se encaixa. O regime foi eliminando de 75 em diante todos aqueles que viriam a atrapalhar o processo de abertura – assegura.
Exames póstumos
Para legitimar o pedido, João Vicente citou como exemplo o juiz Baltasar Garzón, que pediu ao governo argentino informações sobre o desaparecimento de espanhóis durante a ditadura no país sul-americano e do Chile, que solicitou esclarecimentos sobre a morte de seu ex-presidente Eduardo Frei Montalva, em 1982, por suspeitas de envenenamento.
Em relação à morte de Jango, os depoimentos citam o serviço de inteligência norte-americano, a CIA, além do chefe do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo, o delegado Sérgio Fleury. Mas, segundo indicou Natalini, eles podem ter relação com muitos outros assassinatos.
A família de João Goulart aguarda, atualmente, os resultados da exumação do corpo do ex-presidente, deposto pelo golpe militar de 1964. O procedimento está sendo feito no exterior porque “o Brasil não tem a tecnologia necessária para examinar os ossos em busca de uma das 35 mil substâncias que podem comprovar que houve envenenamento”, disse João Vicente. Em seu depoimento, ele lembrou do testemunho do uruguaio Mario Neira, que contou à Polícia Federal em 2006 que o ex-presidente teria sido envenenado com uma troca de comprimidos, tomados diariamente por problemas no coração. Neira teria trabalhado para a ditadura uruguaia.
http://correiodobrasil.com.br/noticias/politica/argentina-avisa-ao-brasil-que-investigara-a-morte-do-presidente-jango-goulart/

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

GENERAL INFORMA SOBRE ASSASSINATO DE RUBENS PAIVA

Militar admite ter montado farsa no caso Rubens Paiva

Chico Otávio l Agência Estado


Rio - O depoimento de um militar da reserva joga luz sobre o caso do ex-deputado Rubens Beirodt Paiva, desparecido no dia 20 de janeiro de 1971, depois de ser levado para a carceragem do Destacamento de Operações de Informações do 1º Exército (DOI-I), na Tijuca.
O general reformado Raimundo Ronaldo Campos revelou, a pelo menos duas frentes de investigação sobre o caso, uma delas realizada pela Comissão da Verdade, que o Exército montou uma farsa ao sustentar, na época, que Paiva teria sido resgatado por seus companheiros "terroristas" ao ser transportado por agentes do DOI no Alto da Boa Vista.
Ronaldo, que era capitão, foi apontado na ocasião como o condutor do veículo, na companhia dos sargentos e irmãos Jacy e Jurandir Ochsendorf (os três serviam na unidade).
Até então, duas provas indicavam que Paiva dera entrada no DOI, depois de ser preso em casa, no Leblon, por uma guarnição da Aeronáutica: o depoimento de Amilcar Lobo, ex-tenente médico que atendia torturados e teria tentado socorrer o ex-deputado, já em estado crítico depois das torturas; e um ofício encontrado na casa de um ex-comandante do DOI I, coronel Molinas Dias, contendo o nome completo do político (Rubens Beirodt Paiva), de onde ele foi trazido (o QG-3), a equipe que o trouxe (o CISAer, Centro de Inteligência da Aeronáutica), a data (20 de janeiro de 1971), seguido de uma relação de documentos, pertences pessoais e valores do ex-deputado.
Na margem esquerda do documento, à caneta, constava uma assinatura, possivelmente de Paiva. A acusação que pesava sobre o ex-deputado era manter correspondência com exilados brasileiros no Chile. 
http://atarde.uol.com.br/politica/materias/1566982-militar-admite-ter-montado-farsa-no-caso-rubens-paiva

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

CELSO AMORIM COMANDA A DEFESA COM DIÁLOGO E DISCIPLINA


O Globo noticia que o Ministro da Defesa, Celso Amorim, teria recebido “carta branca” dos comandantes de Marinha, Exército e Aeronáutica” para negociar no Congresso a aprovação da Comissão da Verdade, que deve buscar informações sobre pessoas desaparecidas na ditadura militar.
Embora a expressão seja imprópria, porque ninguém quer excluir os militares de qualquer discussão, é um sinal de que era pura intriga a tal história de que Amorim tinha dificuldades, quase uma sublevação, com os comandos militares. A serenidade com que tratam este tema espinhoso é um exemplo de que isso está longe de existir.
E é totalmente pueril a discussão de que a Comissão da Verdade implica diretamente em qualquer apreciação judicialmente punitiva ou mesmo persecutória sobre os monstruosos eventos ocorridos na noite sombria da ditadura. Essa atribuição não é dela ou do Governo, mas do Judiciário e do Ministério Público.
Vivemos num Estado de Direito, onde respeitam-se as decisões judiciais e o direito de delas discordar. Nossa Corte Constitucional examinou o assunto em tese e teve uma decisão, na opinião de muitos, errônea. Como é próprio da democracia, ela pode, diante de fatos concretos, rever sua posição. Volta e meia, aliás, os tribunais superiores fazem isso.
A Comissão da Verdade, como o nome bem diz, a verdade busca. Diante dela, e só diante dela, se pode ter paz e, igualmente, se pode decidir com sentimento de justiça o que fazer diante dos fatos revelados.
Este é o consenso, o alvo comum que deve superar todas as divergências de opinião: conhecer a verdade.
E  então, diante dela, discutir – na Justiça, outra vez,  inclusive, frente a fatos concretos – o que fazer.