Apenas 13% dos ocupantes de cargos comissionados na administração pública eram filiados em 2013 a partido político. Desses, quase metade (45%) militavam no PT. Inédito, o dado integra um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) sobre o perfil dos 23 mil funcionários de confiança que será divulgado nos próximos dias.
Batizado provisoriamente como “Evolução e perfil dos nomeados para cargos de Direção e Assessoramento Superior (DAS) da administração pública federal”, o estudo contraria o senso comum segundo o qual maioria dos ocupantes desses cargos de comissionados teria ligações partidárias formais. A apuração é do repórter do UOLAndré Shalders.
O estudo está em preparação na Diretoria de Estudos e Políticas do Estado (Diest) do IPEA. A elaboração se deu por meio do cruzamento de dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com informações sobre os servidores.
Algumas das informações contidas nesse post, obtidas com exclusividade peloBlog, serão divulgadas oficialmente nesta 6ª (02.out.2015) pelo pesquisador do Ipea Antonio Lassance. A revelação dos dados ocorrerá num momento em que o governo planeja cortar cerca de 1.000 cargos comissionados.
Responsável pelo estudo, o pesquisador do Ipea Felix Garcia Lopez Júnior considera que as filiações partidárias são apenas uma forma de medir o grau de “politização” dos ocupantes de funções de confiança. No entanto, o funcionário pode ter preferências partidárias mesmo sem ser formalmente filiado a um partido.
Conforme o estudo, quanto mais alto o cargo ocupado, maior a chance de o comissionado ter filiação partidária. No DAS 1, o nível mais baixo, 14% são filiados a partidos. No DAS 6, o mais alto, o percentual sobe para 33%. Os ocupantes de DAS 6 estão logo abaixo dos secretários-executivos das pastas.
Contexto: a sigla “DAS'' (pronunciada de maneira soletrada: “d-a-s'') é um jargão muito conhecido em Brasília. Refere-se aos cargos de “Direção e Assessoramento Superior'', que não requerem concurso público para preenchimento. São, em geral, os mais bem remunerados.
Entre os filiados a outros partidos ocupando cargos comissionados, 11% eram do PMDB. Democratas, PSDB e PDT tinham 6% cada um. O PC do B aparece com 5% dos filiados. O PTB, 3%. Outros partidos tinham percentuais menores. O dado se refere a 2013 e apenas aos cargos mais altos (DAS 4, 5 e 6).
Para Lopez, a presença de filiados a partidos de oposição em pleno governo petista reforça a tese de que o controle partidário desses cargos é menos severo do que imagina o senso comum. Segundo o pesquisador, critérios técnicos podem fazer com que pessoas identificadas com a oposição permaneçam em posições de destaque.
O estudo do Ipea mostrará ainda uma tendência à “profissionalização” dos cargos comissionados. Por exemplo: de 1999 a 2014, o número de pessoas de fora dos órgãos ocupando cargos DAS 5 caiu de 44% para 29%. Nos cargos DAS 6, a queda foi de 53% para 43,7%.
O Ipea não tem um estudo recente para comparar o tamanho do contingente de comissionados na administração federal do Brasil (23 mil) com o cenário em outros países de tamanho semelhante.
A menos que o distinto leitor viva em Marte ou Europa – satélite de Júpiter que os exobiólogos julgam ter condições de abrigar vida –, por certo vem ouvindo a oposição e a mídia dizerem que o ex-presidente Lula estaria politicamente “morto” devido à influência negativa que a queda de popularidade da presidente Dilma e do PT estaria exercendo sobre sua imagem.
Recentemente, um dos pistoleiros destacados pelos barões da mídia tucana para atirar todo santo dia contra o ex-presidente escreveu-lhe um “obituário” em artigo que, se não fosse a arrogância, seria simplesmente ridículo, já que se baseia muito mais na vontade do autor do que em fatos, os quais teimam em desmentir esse tipo de previsão fúnebre.
Trecho do texto do indigitado pistoleiro tucano reflete bem o clima que se tenta criar em relação a Lula:
“Brinco que Lula é uma espécie de morto-vivo da política, um zumbi. No programa “Os Pingos nos Is”, que comando na Jovem Pan, a cada vez que cito seu nome, toco a música tema de “Walking Dead”. Acho a metáfora perfeita. Sustento que ele já está morto para a política, mas ainda não lhe passaram o recado. Por essa razão, fica perturbando o mundo dos vivos. De qualquer um e de qualquer lugar”
Os fatos, porém, revelam que Lula perturba mesmo o mundo dos vivos, mas não o dos viventes. Perturba o mundo de espertalhões – do qual o termo “vivos” é sinônimo – como os que vêm alardeando um passamento que está por provar-se.
Não é por outra razão que oposição demo-tucano-midiática vem articulando medidas para, por via das dúvidas, tirar Lula de uma possível eleição em 2018.
A filha do ex-presidiário Roberto Jefferson (delator do esquema do Mensalão e hoje presidente nacional do PTB), a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), protocolou, recentemente, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 125/2015, que, se aprovada, impediria Lula de se candidatar à sucessão de Dilma Rousseff.
A oposição quer emplacar sistema vigente nos Estados Unidos em relação a ex-presidentes da República. A PEC 125/2015 proíbe reeleição por períodos descontinuados para cargos do Executivo, desde prefeitos até o presidente da República.
Ou seja: um presidente só poderia ser reeleito de maneira seguida, não podendo voltar a disputar uma eleição caso seja substituído. O mesmo aconteceria com governadores e prefeitos.
“O presidente da República, os governadores de Estado e do Distrito Federal, os prefeitos e quem os houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos, poderão ser reeleitos para um único período subsequente, sendo proibida a reeleição por períodos descontínuos”, diz o quinto parágrafo do artigo 14 da proposta.
Assim como Lula, os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, Fernando Collor e José Sarney também ficariam inelegíveis.
O mais esclarecedor sobre essa “morte” de Lula que a oposição e seus pistoleiros na imprensa alardeiam é que a PEC 125/2015 cita o petista indiretamente: “Ademais, um candidato recorrente possui uma vantagem desproporcional e desleal sobre os seus adversários, visto que este já possui um nome e um legado já conhecido pelo povo”, conclui o texto.
Tem razão a filha de Bob Jeff: Lula possui um nome e um legado já conhecidos pelo povo. Nenhum defensor de Lula escreveria melhor. Claro que um aliado ou defensor declarado dizer isso dele pode parecer mero wishful tinkhing, mas a frase na boca de adversários figadais do ex-presidente denuncia que a tal morte alardeada está longe de acontecer.
E para quem possa pensar que se trata de iniciativa isolada, segundo o portal UOL o plano para impedir que Lula dispute a eleição presidencial de 2018 “une a oposição”. Ou seja, os políticos assumidos de oposição não dão um tostão furado pela análise do pitbull da Veja e da Folha de São Paulo sobre a tal “morte” do ex-presidente.
Nesse aspecto, comparar Lula com os zumbis da série de TV ianque “Walking Dead” também faz algum sentido, mas não pelo que diz o reaça esquisito de Veja/Folha. É porque os “vivos”, ou melhor, os espertalhões da oposição e da mídia têm tanto medo de Lula quanto os mocinhos da série televisiva têm dos mortos-vivos, que podem ser pisoteados, fuzilados, espancados, mas não morrem nem a pau.
Contudo, segundo a Constituição Cidadã de 1988 a proposta da tal Cristiane Brasil – não parece nome de chacrete ou bailarina do Faustão? – não parece ter lá muitas chances de ser aprovada.
Proposta de Emenda à Constituição (PEC) é uma atualização, um emendo à Constituição Federal. É uma das propostas que exige mais tempo para preparo, elaboração e votação, uma vez que modifica a Constituição Federal. Em função disso, requer quórum quase máximo e dois turnos de votação em cada uma das Casas legislativas, Câmara dos Deputados e Senado Federal.
Quando uma PEC chega ou é criada na Câmara dos Deputados, ela deve ser enviada, antes de tudo, para a Comissão de Constituição e Justiça e de Redação (CCJ). É nesse ponto que começa seu caminho pela Câmara, a chamada tramitação, rumo à aprovação.
Aprovada a proposta na CCJ, o presidente da Câmara cria uma Comissão Especial para o chamado exame de mérito, ou seja, a análise de seu conteúdo, que tem prazo de 40 sessões ordinárias para analisar o texto.
Aprovada na comissão, a PEC está pronta para votação em plenário. Entretanto, há algumas regras a serem seguidas. É necessária a aprovação em dois turnos, com espaço de pelo menos cinco sessões entre um turno e outro. Esse prazo é chamado de interstício.
Para ser aprovada, a proposta deverá obter os votos de três quintos, no mínimo, do número total de deputados da Câmara em cada turno da votação. Ou seja, aprovação de 308 dos 513 deputados.
O Presidente da Câmara mandará a proposta aprovada para o Senado onde tramitará segundo as regras de seu Regimento Interno que é diferente do da Câmara. No Senado, a proposta irá apenas para a Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJ), que dará parecer sobre todos os seus aspectos. O Regimento do Senado não distingue admissibilidade e mérito. A comissão tem prazo de 30 dias para dar o parecer.
Aprovada na CCJ, a proposta segue diretamente para o plenário, que abre prazo de cinco sessões para discussão. A aprovação também se dá em dois turnos, com votação favorável mínima de 60% dos senadores em cada um dos turnos. É necessário, na legislatura atual, aprovação de 49 dos 81 senadores.
Caso a PEC que saiu da Câmara não tenha sido alterada pelo Senado, o texto é promulgado em sessão no Congresso pelo Presidente da República. Se tiver sido alterada, o processo recomeça inteirinho.
Convenhamos, é muito trabalho a ser feito por quem escreve ou fala, aparentando toda a “convicção” do mundo, que o alvo de tudo isso está “morto”.
Lula, porém, não está morto coisa nenhuma. Como diz a PEC que visa impedi-lo de disputar a eleição presidencial de 2018, o ex-presidente “possui uma vantagem desproporcional e desleal sobre os seus adversários, visto que este já possui um nome e um legado já conhecido pelo povo”. Queiram os pistoleiros da mídia tucana ou não.
Exportações superam importações em US$ 2,7 bi, em melhor agosto em 3 anos
BRASÍLIA (Reuters) - A balança comercial brasileira (diferença entre importações e exportações) registrou resultado positivo de US$ 2,689 bilhões no mês passado, o melhor para agosto desde 2012 e mais uma vez guiado pela queda maior nas importações que nas exportações.
Após encerrar o sexto mês seguido no azul, o superavit comercial no acumulado do ano somou US$ 7,297 bilhões, bem acima do saldo positivo de US$ 205 milhões do mesmo período de 2014, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior nesta terça-feira (1º).
Em dólares, o lucro líquido foi de US$ 1,675 bilhão no último trimestre, superando a estimativa média do mercado, que era de US$ 408 milhões, segundo pesquisa da agência de notícias Reuters.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (30).
Produção bate recorde
A produção de minério de ferro da Vale atingiu 85,3 milhões de toneladas, a melhor performance da companhia para um segundo trimestre.
O faturamento bruto da companhia chegou a R$ 21,808 bilhões no período.
GM ignora crise e investe R$ 13 bi no Brasil para trocar toda linha
André Deliberato Do UOL, em São Paulo (SP)
André Deliberato/UOL
Cúpula da GM anunciou planos para fazer uma nova família de carros no Brasil
A GM anunciou nesta terça-feira (28) um investimento de R$ 6,5 bilhões no Brasil até 2019 para a produção de uma nova família global de veículos, que será fabricada no Brasil e em outros países emergentes a partir de 2019. A marca almeja produzir 2,5 milhões de unidades no mundo por ano, a partir de 2020.
Estes R$ 6,5 bilhões divulgados agora complementam outros R$ 6,5 bi anunciados em agosto do ano passado (totalizando os R$ 13 bilhões), que fazem parte do planejamento da marca para a construção de veículos compactos para mercados emergentes em acordo com a chinesa Saic. Sabe-se, por enquanto, que o sucessor do Celta será derivado visualmente da nova geração do Spark.
O jornal Folha de São Paulo, mancheteou no site online e nas redes sociais: “Dilma é vaiada e enfrenta protestos durante inauguração de ponte em SC”
E, segue a notícia na página interna:... “A presidente Dilma Rousseff foi alvo de protestos nesta quarta-feira (15) em Laguna durante a inauguração da ponte Anita Garibaldi, a maior obra do governo federal em Santa Catarina
E...lá no rodapé, da página...
O pequeno grupo de manifestantes tentou interromper mais de uma vez o discurso da presidente Dilma gritando "o povo, na rua, Dilma a culpa é tua". O grupo foi vaiado pelas pessoas que acompanhavam o evento”.
A folha começou com a manchete negativa, para chamar atenção,foi enrolando, enrolando... até chegar na parte verdadeira da notícia, inclusive mostrando a foto de Dilma fazendo selfie com trabalhadores e público que assistia o evento. O jornal abusou da má fé, já que a notícia só pode ser lida pelos assinantes da Folha.E..o jornal sabe que nem todos podem ter acesso a notícia completa, por isso, optou por manchete negativa, para dar um ar de crise, de vaias..de caos... A notícia completa sobre o eventovocê lê aqui
Jornal da família Frias em crise; depois de demitir 25 jornalistas
esta semana, destaque Fernando Rodrigues anuncia a própria
saída; na véspera, colunista Eliane Cantanhêde confirmou pelo
Twitter que está deixando publicação; "Foi bom enquanto
durou"; aos colegas e leitores, em mensagem 'Aviso aos
Navegantes', Rodrigues igualmente não abriu os motivos para
a sua saída, informando apenas ter encerrado sua "colaboração"
após 27 anos no matutino; debandada começou quando, na reta
final da eleição, estrela Xico Sá foi proibido de escrever em sua
própria coluna que votaria em Dilma Rousseff para presidente; posicionamentos políticos individuais, economia de custos e mão
pesada de Otavinho Frias se somam para emperrar rotativas; não
dá para não notar que algo de muito estranho acontece no reino
da alameda Barão de Limeira.
7 DE NOVEMBRO DE 2014 ÀS 11:47
247 – Um dia depois de a colunista Eliane Cantanhêde anunciar sua demissão da Folha de S. Paulo, foi a vez de Fernando Rodrigues, outro ícone do colunismo político. O jornalista, que estava há 27 anos no jornal da família Frias, oficializou na manhã desta sexta-feira 7 o que já se especulava nas redes sociais desde ontem. Leia abaixo o post publicado em seu blog no UOL:
Aviso aos navegantes
Fernando Rodrigues 07/11/2014 10:22
A partir desta sexta-feira (7.nov.2014), estarei aqui no UOL (onde
já estava desde o ano 2000) e nos comentários matinais na JP (no
ar desde 2006). Depois de 27 anos, encerrei minha colaboração
no jornal "Folha de S.Paulo".
As demissões dos grandes nomes do jornalismo político, que
trabalham há décadas na publicação, indica crise mais aguda na
mídia impressa. Em fase de corte de gastos, a Folha de S. Paulo já
demitiu cerca de 25 profissionais nos últimos dias. Corte na redação,
segundo o Portal dos Jornalistas, teria começado na terça-feira,
com a saída de 15 pessoas, e continuado na quarta.
Fonte do jornal confirmou as saídas da repórter Flávia Marreiro,
ex-correspondente em Caracas; Lívia Scatena, de Gastronomia;
Euclides Santos Mendes, editor do Painel do Leitor; Samy Charanek,
pauteiro de Cotidiano; Gislaine Gutierre, da Ilustrada; e Thiago
Guimarães, coordenador adjunto da Agência Folha. Claudio Augusto,
pauteiro de Poder, atende agora ao caderno Cotidiano.
Ontem, Cantanhêde escreveu no Twitter: "Amigos do Twitter, aviso
geral: amanhã eu não escrevo mais a coluna na Folha. Foi bom
enquanto durou". Sua saída provocou reações bem contrastantes.
Alguns comemoraram e até sugeriram que ela procurasse emprego
na revista Veja ou, ironicamente, pedisse "recontagem" do tempo
de serviço, numa alusão ao pedido do PSDB de auditoria da eleição
deste ano. Outros lamentaram que a jornalista tenha deixado a Folha.
Matéria do portal UOL, assinada pelo repórter Vinícius Castro, informa que o esquema de segurança montado para a Copa das Copas mobiliza 80 mil homens, das Forças Armadas, Polícia Federal, Polícias Civil e Militar dos Estados, e até agentes desarmados de 40 países. As delegações têm proteção especial, sendo que sete países merecem um tratamento privilegiado, por estarem numa lista de riscos elaborada pelos serviços de inteligência brasileiros, também com colaboração internacional. Os EUA e a Inglaterra estão no topo dos países que terão atenção especial, dado o risco de algum incidente terrorista.
Veja pequeno trecho da matéria do UOL, com declarações do diretor-geral adjunto da Agência Brasileira de Informações, ABIN, Andrei Rodrigues :
EUA, Inglaterra e mais cinco seleções formam 'grupo de risco' da segurança
Vinicius Castro
Do UOL, no Rio de Janeiro
A ação contra torcedores brigões de Inglaterra e Argentina também faz parte da estratégia traçada pela ABIN. A colaboração de policiais de outros 40 países será fundamental no decorrer da Copa do Mundo, conforme anunciou o Secretário Extraordinário para Grandes Eventos do Ministério da Justiça, Andrei Rodrigues.
"Um dos mais importantes eixos de segurança da Copa é a cooperação internacional. Temos mais de 40 países com policiais que farão parte do centro de cooperação em Brasília e também estarão juntos com suas seleções e delegações. Eles não portarão armamentos, não possuem poder de polícia no Brasil, mas atuarão como importantes colaboradores. Há uma permanente troca de informações via Interpol, que congrega centenas de países. Existe uma lista de torcidas, como os casos de Argentina e Inglaterra, proibindo que torcedores com histórico de violência saiam dos seus países", encerrou.
Por Ruy Martins Altenfelder Silva em 20/05/2014 na edição 799
A Pesquisa Brasileira de Mídia, encomendada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República ao Ibope, traz algumas novidades, mas basicamente ajuda a confirmar e dimensionar tendências já detectadas aqui e no exterior. Suas conclusões certamente poderão balizar a comunicação mais eficiente do governo com a população, especialmente nas chamadas mídias eletrônicas (rádio, tv e internet), já que tanto as emissoras quanto os programas e sites oficiais são pouco lembrados e ainda menos assistidos.
De acordo com o levantamento, a televisão é a campeã inconteste de audiência em todo o país, pois 65% dos brasileiros se postam diariamente, por mais de três horas, diante da telinha. Esse percentual sobe para 82%, quando considerados aqueles que a assistem cinco ou seis dias por semana. Surpresa, pelo menos para quem não está muito familiarizado com estudos sobre a mídia, é a forte preferência declarada dos telespectadores por noticiários e outros programas de cunho jornalístico, que bate em 80%, deixando em segundo lugar as novelas, com 48%.
O rádio vem em segundo lugar, mas com um dado que desmente sua penetração nos estados com ocupação mais refeita. No Centro-Oeste, por exemplo, 52% da população nunca ouve rádio, o mesmo que acontece com 51% dos moradores da Região Norte. A maior audiência está no Rio Grande do Sul, com 72% dos gaúchos sintonizando suas emissoras preferidas pelo menos uma vez por semana. O último lugar fica com o Maranhão (9%). Não foi abordado na pesquisa o quesito programas mais ouvidos, o que daria mais clareza ao perfil dos ouvintes.
O terceiro lugar do ranking já pertence à internet, embora 53% da população nacional ainda não acessem esse meio de comunicação, enquanto 26% ficam ligados na web durante a semana, com uma média diária de mais de três horas e meia. Nenhuma surpresa: a internet é a campeã entre os jovens menores de 25 anos (77%) e a menos cotada entre os maiores de 65 anos (3%). Com 68% das citações, as redes sociais aparecem com as mais acessadas, com prevalência do Facebook – uma tendência que estatísticas mais recentes sinalizam com já sendo abandonada pelos mais jovens. Aliás, o Facebook, com 38%, é o site mais procurado por quem está interessado em informação, seguida por portais essencialmente jornalísticos e ligados à mídia impressa, como o Globo.com, G1 e UOL. Entre os entrevistados, em respostas de múltipla escolha, o acesso à internet por celular registra sensível avanço, com 40% das citações, contra os 80% dos computadores.
Conteúdo de qualidade
Quando se chega à mídia impressa, é sensível a queda da leitura de jornais e revistas entre os hábitos dos brasileiros: 70% e 85%, respectivamente, nunca abrem um jornal ou uma revista – fato que vem confirmar as previsões de que esses meios de comunicação estão fadados ao desaparecimento. Já os mais otimistas alimentam a esperança de que, com esses tradicionais veículos de comunicação, aconteça o mesmo que ocorreu com o cinema, condenado à morte quando a televisão se popularizou. Ou seja, que os jornais e revistas consigam sobreviver e até se fortalecer numa simbiose com os outros meios que ameaçam sua sobrevivência. Além disso, é bom não confundir o meio com a mensagem, pois o bom jornalismo pode ser exercido em outras mídias que não a impressa. E mais, como demonstra a preferência pelos programas noticiosos de tv, a fome pela informação não está desaparecendo entre as pessoas; ao contrário, só faz crescer.
Num importante quesito, entretanto, mídia impressa leva nítida vantagem. Quando está em jogo credibilidade, ou a confiança na notícia recebida, 53% dos leitores acreditam no leem nos jornais, enquanto apenas 28% dos usuários põem fé nas informações postadas nas redes sociais. Outro ponto a observar na pesquisa é o peso da oferta de serviços de interesse da população. Por exemplo, no amplo sistema de emissoras, programas e sites mantido e alimentado pelo governo federal, apenas dois sites receberam citações de acesso acima dos 10% e ambos com foco em assuntos de grande interesse: o do Ministério da Educação, com 12,6%, e o da Receita Federal, com 12,3%.
Na análise das várias segmentações estatísticas apresentadas pela Pesquisa Brasileira de Mídia, aparece um forte sinal. O acesso aos meios de comunicação tem relação direta com dois indicadores sociais nos quais o Brasil não brilha, apesar de avanços recentes: a escolaridade e o nível de renda. Ou seja, quem tem mais anos de estudo e orçamento mais folgado, poderá ser um cidadão mais bem informado e com maior visão de mundo. Será, por exemplo, um eleitor mais consciente na escolha de seus representantes; um melhor pai ou um melhor professor para as crianças e jovens; um indivíduo mais preparado para usufruir os direitos – e para cumprir os deveres – da cidadania; e assim por diante. Por tudo isso, para quem se interessa pelo tema, é sempre importante lembrar de aliar as pesquisas de mídia à qualidade do conteúdo que elas transmitem.
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Ruy Martins Altenfelder Silva é presidente do Conselho Diretor do CIEE Nacional e da Academia Paulista de Letras Jurídicas.